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Apaixonado pelo cooperativismo, pai constrói carreira e inspira filho a seguir seus passos na Copagril

Profissional enaltece que a cooperativa oferece um ambiente de trabalho acolhedor, que estimula o desenvolvimento pessoal e profissional dos funcionários. Essa valorização se reflete em oportunidades de crescimento, programas de capacitação, reconhecimento por mérito e um ambiente que fomenta o trabalho em equipe e a colaboração.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Com uma trajetória que ultrapassa cinco décadas, a Copagril Cooperativa Agroindustrial reconhece nas pessoas a força motriz capaz de impulsionar seu crescimento. Entre seus mais de 1,5 mil colaboradores estão Laercio e João Victor da Silva Fincke, pai e filho que há alguns anos vestem todos os dias a camisa da cooperativa paranaense para fazer parte dessa história.
Laercio, o pai, que ingressou na Copagril em 2013, desempenhou diversas funções no atendimento ao público, como vendedor e assistente na área agronômica. Hoje ocupa o cargo de gerente da Loja Agropecuária de Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul. “Uma das principais motivações para eu ingressar na Copagril reside no compromisso da cooperativa em valorizar a família, seus colaboradores e clientes. A cooperativa oferece um ambiente de trabalho acolhedor, que estimula o desenvolvimento pessoal e profissional dos funcionários. Essa valorização se reflete em oportunidades de crescimento, programas de capacitação, reconhecimento por mérito e um ambiente que fomenta o trabalho em equipe e a colaboração”, enaltece Laercio, que neste ano completou 10 anos de atuação na cooperativa.

Ao longo da última década, Laercio diz que testemunhou várias mudanças e avanços significativos na Copagril. Entre os quais cita a implantação de novas unidades de lojas agropecuárias, supermercados, postos de combustíveis, expansão do Núcleo de Ovos Férteis em Guaíra, PR, Terminal de Recebimento de Grãos (TRR) e, mais recentemente, a instalação de uma Usina de Energia Fotovoltaica.

No contexto da intercooperação, ocorreram importantes parcerias entre a Copagril e a Lar Cooperativa Agroindustrial, com a transferência do abatedouro de aves em Marechal Cândido Rondon, PR, a fábrica de rações de Entre Rios do Oeste, PR, e o Núcleo de Ovos Férteis. “Com essas decisões estratégicas, a Copagril realizou uma aquisição significativa ao adquirir o complexo industrial da Sperafico. Essa aquisição está alinhada às necessidades e demandas da cooperativa, contribuindo para a geração de renda e empregos na região Oeste do Paraná. Esses são apenas alguns exemplos das transformações pelas quais a Copagril passou ao longo dos últimos anos. Cada mudança reflete a visão estratégica da cooperativa, buscando se adaptar às demandas do mercado e oferecer soluções inovadoras aos seus associados e clientes”, pontua Laercio.

Ele também destaca que um dos momentos mais marcantes de sua carreira profissional aconteceu neste período quando recebeu o convite para assumir a gerência da loja agropecuária em Marechal Cândido Rondon, após dois anos e quatro meses de trabalho na unidade de Guaíra. “Foi um momento único da minha carreira profissional e também uma responsabilidade muito grande estava sendo a mim confiada, desafio esse superado assumi recentemente a Gerência da unidade na cidade de Itaquiraí. Essa nova oportunidade representa uma mudança significativa, mas o acolhimento e a facilidade de relacionamento com as pessoas da região tornam essa nova experiência enriquecedora”, menciona Laercio, com brilho nos olhos e um sorriso largo no rosto.

Saindo da zona de conforto

Gerente da Loja Agropecuária da Copagril em Itaquiraí, MS, Laercio Fincke, em atendimento a cooperado

O gestor também ressalta que essas transformações ocorridas na cooperativa fizeram com que os profissionais da Copagril ficassem ainda mais atentos às mudanças e à evolução, principalmente de capital humano. “A Copagril tem investido no aprimoramento da equipe, buscando constantemente capacitar e desafiar seus funcionários para ser e fazer parte de um time vencedor. Como resultado, nós, especialmente os gestores, precisamos nos readaptar aos novos desafios e às mudanças. Em áreas que antes levávamos dias para obter informações, agora estão disponíveis em questão de segundos. Isso nos obriga a sair da zona de conforto, mexendo com nossas emoções e nos incentivando a aprimorar nossos talentos individuais. Essa abordagem, sem dúvida, eleva a capacidade de nossa equipe de colaboradores”, sustenta o profissional.

No decorrer de sua jornada na cooperativa, Laercio atribui sua permanência à valorização e à confiança da Diretoria da Copagril depositada em seu trabalho. “A transparência no diálogo com os gestores da cooperativa foi um elemento fundamental para me conduzir ao cargo que ocupo hoje. Ter clareza sobre o meu papel, minhas responsabilidades e com objetivos bem definidos fez toda a diferença nesta trajetória, tanto para mim quanto para a confiança mútua que se estabeleceu, de forma significativa para o meu crescimento na cooperativa”, diz orgulhoso da sua história construída no setor.

Ao longo de sua trajetória como colaborador da Copagril, Laercio considera particularmente gratificante o fato de poder contribuir e fazer parte de uma empresa que busca constantemente o bem comum, valorizando tanto seus cooperados quanto seus funcionários.

Via de mão dupla

O ambiente de trabalho na cooperativa é descrito por Laercio como um lugar de respeito mútuo, parceria e engajamento, o que chamou a atenção de seu filho que iniciava uma carreira profissional. “Existe um forte espírito de trabalho em equipe, o que facilita o relacionamento entre os funcionários. A colaboração e o trabalho conjunto contribuem para criar um ambiente acolhedor e produtivo”, assegura, acrescentando: “Acredito que vivenciando esse espírito colaborativo inspirou meu filho a traçar seu próprio caminho no meio cooperativista. E para minha alegria é na Copagril. Sempre fui uma pessoa bastante dedicada e focada no trabalho e por sempre estar falando de como é bom trabalhar em um ambiente onde as pessoas se respeitam, são valorizadas e reconhecidas é que influenciei meu filho a querer também trabalhar na Copagril”, conta.

Assistente administrativo na unidade da Copagril em Marechal Cândido Rondon, João Victor da Silva Fincke

João relembra que desde criança via seu pai chegando em casa com a camiseta da Copagril e ficava atento ouvindo suas histórias do trabalho, dos desafios diários superados, do ambiente harmonioso, das capacitações que o preparavam para desenvolver melhor sua gestão, das festas em que ele participava e das palestras com os produtores. “Observar o trabalho do meu pai ao longo dos anos, testemunhar sua dedicação e o comprometimento com a cooperativa me inspiraram a buscar um crescimento com responsabilidade dentro da Copagril. Atualmente, estou cursando Agronomia e tenho o objetivo de contribuir nessa área no futuro. Estou empenhado em me dedicar cada vez mais, aprendendo com a experiência do meu pai e buscando meu próprio desenvolvimento dentro da cooperativa”, pontua, destacando a participação em treinamentos e o reconhecimento pelo seu trabalho como pontos motivadores para trilhar seu caminho profissional.

Em 2018, quando sua família se mudou para Marechal Cândido Rondon, João teve sua primeira oportunidade na cooperativa como jovem aprendiz, trabalhando no supermercado da Copagril, cargo que ocupou por 18 meses. “Essa experiência foi bastante enriquecedora, pois tive a chance de passar por diversos setores do supermercado”, destaca, contando que após alguns meses surgiu uma nova oportunidade, passando a ser efetivado como auxiliar administrativo na unidade do município, no setor da balança, em que já atua há mais de dois anos.

Aprimoramento profissional

Entre os programas de capacitação, pai e filho destacam os cursos de instruções normativas, especialmente voltadas para a segurança do trabalho e às atividades em cada setor. Além disso, são oferecidos ainda treinamentos que abrangem as áreas de autoavaliação, desempenho pessoal, gestão e liderança. Tanto Laercio quanto João já participaram de alguns desses programas de capacitação, aproveitando as oportunidades oferecidas pela cooperativa para aprimorar suas habilidades e conhecimentos profissionais. Eles reconhecem a importância desta iniciativa no desenvolvimento de suas carreiras e no aperfeiçoamento de suas competências dentro da organização.

Princípios cooperativistas

Quando se trata dos valores e princípios transmitidos ao seu filho, que o levou a seguir seus passos no cooperativismo, Laercio é enfático ao afirmar que esses princípios são uma extensão do que ensinou em casa para João. “Respeito ao próximo em qualquer situação, considerar a honestidade como valor fundamental, cultivar a empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro, além de ser uma pessoa educada e ética em seu trabalho, seguindo as orientações e normas da cooperativa, sempre foram valores transmitidos ao meu filho dentro de casa. Hoje tenho orgulho de vê-lo construindo sua própria carreira tendo como base esses valores”, salienta.

Vestir a camisa

João destaca que muitas vezes os jovens são rotulados como descompromissados, imaturos e sem comprometimento, mas são só desafios que ele supera. “São muitos os desafios que temos que superar a cada dia, mas estou ciente do meu papel e do quanto quero contribuir para o crescimento e à evolução da Copagril, por isso busco sempre realizar o meu trabalho da melhor forma possível, isso inclui ser pontual e me colocar à disposição para assumir outras atividades ou funções sempre que necessário. Estou empenhado em fazer a minha parte para ajudar no crescimento da cooperativa e estou aberto a novas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento”, diz seguro do caminho que quer traçar na Copagril.

Suporte e apoio

Pai e filho não trabalham diretamente juntos, mas João sempre busca o apoio e a orientação do seu pai quando enfrenta dificuldades no seu ambiente de trabalho. “Ele é uma referência para mim em termos de profissionalismo e seus conselhos são extremamente valiosos para o meu aprendizado. Além disso, ele está sempre me cobrando para garantir que eu esteja cumprindo minhas tarefas de forma correta. Apesar de não termos uma relação de trabalho direta, nos apoiamos e nos complementamos através das trocas de experiências e do suporte mútuo. A presença do meu pai na cooperativa é uma fonte de inspiração e motivação para mim, pois vejo nele um exemplo a ser seguido no ambiente profissional”, enfatiza João.

Atuação na comunidade

Além de ser uma cooperativa de referência no agronegócio, a Copagril proporciona oportunidades de trabalho para milhares de pessoas, gerando renda nas áreas agrícola e pecuária. Mas além do impacto econômico, a cooperativa também desempenha um papel social significativo na sua região de atuação. Através de seus programas, promove um trabalho social notável em várias comunidades. Estas iniciativas abrangem grupos de jovens, clubes femininos e apoio a atividades desportivas na Associação Atlética Cultural Copagril (AACC). “A Copagril não apenas fortalece a economia local, mas também desempenha um papel ativo no desenvolvimento social, proporcionando oportunidades e apoio às comunidades onde está inserida. Seu compromisso com o crescimento e bem-estar das pessoas é evidente em cada uma de suas ações”, ressalta o gestor da Loja Agropecuária de Itaqueraí.

Orgulho em pertencer

Fazer parte de uma cooperativa que ocupa uma posição de destaque no setor agropecuário para Laercio e João é algo extremamente gratificante. Para eles é um motivo de orgulho poder afirmar que fazem parte de uma cooperativa que está entre as 500 maiores empresas do Brasil, ocupando no ranking a 110ª posição entre companhias do Sul do país e a 41ª colocação entre as cem maiores do Paraná. “Os valores e princípios cooperativistas são a base que sustentam o crescimento da Copagril e ao segui-los estamos confiantes na construção de um ambiente de trabalho saudável, no atendimento de qualidade aos clientes e na busca contínua por soluções inovadoras no setor agropecuário”, enfatiza a dupla.

Embora trabalhem em ambientes e locais separados dentro da cooperativa, existem momentos marcantes que vivenciam juntos. “Um desses momentos é o prazer de sair de casa e irmos trabalhar na mesma empresa, compartilhando os mesmos princípios e valores. Essa conexão familiar nos traz uma sensação de união e pertencimento. Além disso, participar de eventos e confraternizações da cooperativa é uma experiência especial, porque essas ocasiões nos permitem interagir com colegas de trabalho de setores diferentes e fortalecer os laços de amizade. Esses momentos de celebração e reconhecimento pelo nosso trabalho nos fazem sentir parte de algo maior e reforçam o sentimento de orgulho em fazer parte da cooperativa”, ressaltam.

Experiência enriquecedora

Pai e filho dizem que incentivam outras pessoas a considerar o cooperativismo como uma opção de carreira com entusiasmo, uma vez que trabalhar em um sistema cooperativo proporciona uma experiência enriquecedora, em que o foco está no bem-estar e no crescimento coletivo. “Uma das grandes vantagens de trabalhar em uma cooperativa, como a Copagril, é a oportunidade de atuar em prol do desenvolvimento não apenas pessoal, mas também da comunidade em que estamos inseridos. Existe uma sensação de propósito e de fazer a diferença na vida das pessoas. Além disso, as cooperativas geralmente oferecem benefícios atrativos aos trabalhadores. Na Copagril, por exemplo, além do pagamento pontual, há benefícios como vale-alimentação, seguro de vida, auxílio em plano de saúde e outros direitos garantidos. Integrar um sistema cooperativo promove um senso de pertencimento, colaboração e crescimento mútuo”, exaltam.

Sobre a Copagril

Com mais de seis mil associados, a Copagril tem sua trajetória consolidada como uma das principais cooperativas agroindustriais do Brasil, tendo como foco principal a produção, armazenagem e comercialização de grãos, como soja, milho, trigo e sorgo, além da produção e comercialização de insumos para alimentação animal, máquinas e implementos agrícolas. São 52 unidades de negócios espalhadas entre 15 cidades nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Entre seus ramos de atividades, a cooperativa possui uma indústria de beneficiamento de soja e duas fábricas de rações, ambas agregando valor aos produtos dos seus associados. A cooperativa também investiu nas áreas comerciais de postos de combustíveis, redes de supermercados, lojas agropecuárias e energia solar.

A edição Especial de Cooperativismo de O Presente Rural pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja

Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

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Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja

O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.

Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.

Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock

padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.

O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.

Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.

Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.

Fonte: O Presente Rural
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens

Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

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Foto: Divulgação

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias

A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.

Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.

Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.

Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock

tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.

Efeitos diferentes dentro do Brasil

Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.

Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.

Oferta maior e preços menores

No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.

Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.

Fonte: O Presente Rural
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros

Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

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O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak

A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.

Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.

Anistia a multas

Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.

O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação

das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.

A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.

Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

Foto: Divulgação/Freepik

Frete mínimo  
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).

A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.

Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.

A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

Foto: Divulgação

A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.

Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.

Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.

Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.

A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.

As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.

Fonte: Agência Senado
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