Conectado com

Notícias Entrevista Exclusiva

“Ano Internacional das Cooperativas é uma forma de destacar para o mundo a força desse modelo que prioriza as pessoas”, diz presidente da OCB

ONU declara 2025 como Ano Internacional das Cooperativas e reforça a importância do modelo para o desenvolvimento sustentável; Brasil é referência com quase 5 mil cooperativas ativas e forte atuação no agro.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

O movimento cooperativista opera em escala global como uma força econômica, social e institucional relevante. São cerca de três milhões de cooperativas em funcionamento, congregando mais de 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo – aproximadamente 12% da população global – e gerando um volume de negócios superior a US$ 2,4 trilhões ao ano. Esse ecossistema atua tanto em territórios rurais como urbanos, fornecendo empregos, serviços financeiros, acesso a alimentos e infraestrutura essencial.

Presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas: “O que torna nosso cooperativismo agropecuário uma referência é, sobretudo, sua capacidade de conciliar escala, competitividade e inclusão. Somos exemplos de como é possível ter empresas fortes, eficientes, que competem globalmente, sem perder o foco nas pessoas e nas comunidades” – Foto: Divulgação/Sistema OCB

Em 2025, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o Ano Internacional das Cooperativas, reconhecendo o papel decisivo dessas organizações no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Durante um evento na sede da ONU em Nova York, o Comitê de Promoção e Fortalecimento das Cooperativas (Copac) destacou a necessidade de políticas públicas e ambientes regulatórios favoráveis ao setor.

No Brasil, o cooperativismo é uma potência estruturante: com quase cinco mil cooperativas ativas, cerca de 23,4 milhões de cooperados e quase 500 mil empregos diretos, o setor é protagonista na produção agrícola, no crédito, na prestação de serviços e na inclusão social. Por meio da OCB e de suas entidades estaduais, o país participa da mobilização global que visa valorizar o modelo cooperativista como instrumento real de transformação econômica, social e ambiental.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, apresenta a visão da entidade sobre os fundamentos que tornam o cooperativismo brasileiro, sobretudo o agroindustrial, um modelo de relevância crescente no cenário mundial.

O Presente Rural – Por que o cooperativismo merece um ano internacional próprio e como esse reconhecimento dialoga com a realidade brasileira?

Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo é um modelo socioeconômico que gera desenvolvimento, inclusão, prosperidade e sustentabilidade. Ter um Ano Internacional das Cooperativas, reconhecido pela ONU, é uma forma de destacar para o mundo a força desse modelo que prioriza as pessoas sem abrir mão da competitividade e da inovação. No Brasil, essa realidade é ainda mais evidente. Somos hoje mais de 23,4 milhões de cooperados e nossas cooperativas estão presentes em todos os setores da economia, promovendo geração de renda, desenvolvimento local e bem-estar social. Esse reconhecimento global reforça aquilo que vivemos todos os dias no Brasil: o cooperativismo é um caminho concreto para uma economia mais justa, sustentável e inclusiva.

O Presente Rural – Em que aspectos o cooperativismo agroindustrial se destaca como um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo no Brasil?

Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo agroindustrial brasileiro é, sem dúvida, um dos maiores exemplos de desenvolvimento sustentável e inclusão no campo. As cooperativas reúnem produtores de todos os portes, oferecendo acesso a mercados, tecnologia, capacitação e inovação. Esse modelo permite que pequenos e médios produtores tenham competitividade global, sem abrir mão de suas raízes e de sua conexão com o território. Além disso, as cooperativas reinvestem seus resultados nas próprias comunidades, fomentando educação, saúde, infraestrutura e sustentabilidade ambiental, o que garante desenvolvimento econômico aliado ao bem-estar social e à preservação dos recursos naturais.

O Presente Rural – Quais elementos diferenciam o modelo cooperativo das demais estruturas empresariais no campo, especialmente do ponto de vista da geração de renda e permanência das famílias no meio rural?

Márcio Lopes de Freitas – O grande diferencial do cooperativismo é que ele coloca as pessoas no centro do negócio. As cooperativas não visam lucro para investidores externos, mas sim a geração de valor para seus próprios associados. Isso significa mais renda, melhores condições de trabalho e de vida e, principalmente, a permanência das famílias no campo com dignidade. Além disso, ao promover acesso a crédito, assistência técnica, tecnologia e mercados, as cooperativas garantem que produtores de todos os tamanhos possam crescer juntos, de forma coletiva, fortalecendo suas propriedades e suas comunidades.

O Presente Rural – O cooperativismo tem raízes profundas em valores como solidariedade, equidade e democracia. Como esses princípios se traduzem, na prática, na vida dos cooperados?

Márcio Lopes de Freitas – Nas cooperativas, cada associado tem voz, voto e participação nas decisões, independentemente do tamanho de sua produção ou de seu capital. Isso cria um ambiente de gestão democrática, onde todos são protagonistas. Além disso, o princípio da solidariedade se traduz no apoio mútuo: as vitórias são compartilhadas e, nos momentos difíceis, há suporte coletivo. O resultado disso são comunidades mais resilientes, colaborativas e com maior capacidade de enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais.

O Presente Rural – A sucessão rural é um dos grandes desafios do agro. Como o modelo cooperativo tem contribuído para manter os jovens no campo?

Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo tem sido um dos maiores aliados no enfrentamento do desafio da sucessão rural, porque oferece aos jovens mais do que uma ocupação: oferece perspectiva de futuro, desenvolvimento profissional e realização pessoal no campo. As cooperativas criam ambientes que favorecem o protagonismo das novas gerações, por meio de acesso à educação, à inovação, à tecnologia e à profissionalização, além de proporcionarem inclusão nas decisões estratégicas das organizações.

Um exemplo concreto disso é o Geração C, o Comitê Nacional de Jovens Cooperativistas, uma iniciativa do Sistema OCB que busca fortalecer a participação dos jovens no movimento. O Geração C promove ações de formação, capacitação e integração, estimulando o desenvolvimento de competências de liderança, gestão, sustentabilidade e inovação. É um espaço onde os jovens cooperativistas podem se conectar, trocar experiências, construir redes e participar ativamente do futuro do cooperativismo brasileiro.

Além do Geração C em nível nacional, muitas cooperativas agropecuárias contam com seus próprios comitês de jovens, que desenvolvem projetos voltados à sustentabilidade, transformação digital, sucessão nas propriedades e fortalecimento da governança cooperativa. Por meio desses espaços, os jovens encontram oportunidades de geração de renda e passam a enxergar o campo como um ambiente dinâmico, inovador e capaz de oferecer qualidade de vida, desenvolvimento econômico e pessoal.

O resultado desse trabalho é visível: famílias permanecem no campo, a sucessão se fortalece, e o setor agropecuário ganha novos olhares, mais conectados com as demandas contemporâneas, como sustentabilidade, responsabilidade social e uso intensivo de tecnologia. Isso garante a continuidade dos negócios e traz uma renovação constante para o cooperativismo e para o próprio agro brasileiro.

O Presente Rural – Cooperativas têm presença capilar em territórios que muitas vezes estão fora do radar de políticas públicas. Qual o papel do cooperativismo na interiorização do desenvolvimento?

Márcio Lopes de Freitas – As cooperativas chegam aonde muitas vezes o Estado e as grandes organizações tradicionais não chegam. Elas estão presentes nos pequenos municípios, nas regiões mais remotas e nos territórios que mais precisam de desenvolvimento. Ao promover acesso a crédito, insumos, tecnologia, capacitação e mercados, as cooperativas impulsionam a economia local, geram empregos e oportunidades, melhoram a infraestrutura e fortalecem o tecido social dessas regiões. Isso é desenvolvimento na prática, com resultados diretos na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

O Presente Rural – Muitas cooperativas vêm investindo em energias renováveis, tecnologia e educação. Isso mostra que o cooperativismo também pode ser vanguarda em inovação?

Márcio Lopes de Freitas – Sem dúvida! O cooperativismo não só pode como já é vanguarda em inovação. As cooperativas entendem que para garantir sustentabilidade econômica, social e ambiental é preciso investir em tecnologia, energias limpas, transformação digital e qualificação constante. Temos exemplos de cooperativas que são referência mundial em produção sustentável, em uso de inteligência artificial, biotecnologia, energias renováveis e capacitação de seus cooperados e colaboradores. Isso demonstra que o cooperativismo é, ao mesmo tempo, tradição e futuro.

O Presente Rural – Como o cooperativismo brasileiro contribui para que o país avance no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU?

Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo contribui de forma direta e concreta para vários dos 17 ODS. Promove trabalho decente, crescimento econômico, consumo e produção responsáveis, igualdade de gênero, educação de qualidade, ação contra as mudanças climáticas, entre outros. As cooperativas são, por natureza, modelos de negócios que equilibram desenvolvimento econômico com inclusão social e sustentabilidade ambiental. Por isso, podemos afirmar que onde há uma cooperativa, há desenvolvimento alinhado com os princípios dos ODS.

O Presente Rural – Apesar dos avanços, o cooperativismo ainda sofre com desconhecimento por parte da população urbana. Como promover maior reconhecimento social do setor

Márcio Lopes de Freitas – De fato, o desconhecimento ainda é um desafio, especialmente nas áreas urbanas. Por isso, temos investido cada vez mais em comunicação, campanhas de valorização e educação cooperativista. É fundamental mostrar para a sociedade que as cooperativas estão presentes no dia a dia das pessoas, seja nos alimentos que consomem, nos serviços financeiros, na saúde, na educação ou na energia que utilizam. O movimento SomosCoop tem exatamente esse papel: dar visibilidade ao cooperativismo, mostrar sua força e seu impacto positivo na vida de milhões de brasileiros.

O Presente Rural – O que torna o cooperativismo agropecuário brasileiro uma referência internacional? E o que ainda falta para esse protagonismo ser mais amplamente reconhecido?

Márcio Lopes de Freitas – O que torna nosso cooperativismo agropecuário uma referência é, sobretudo, sua capacidade de conciliar escala, competitividade e inclusão. Somos exemplos de como é possível ter empresas fortes, eficientes, que competem globalmente, sem perder o foco nas pessoas e nas comunidades. As cooperativas brasileiras são protagonistas na produção de alimentos, na sustentabilidade e na geração de renda no campo. Para ampliar esse reconhecimento, é preciso continuar investindo em comunicação, em presença internacional e em fortalecer a nossa imagem como um modelo que entrega resultados econômicos, sociais e ambientais de forma equilibrada e consistente.

Acesse, compartilhe, valorize! E faça parte desta história. Clique aqui para ter acesso a versão digital do Especial Cooperativismo.

Fonte: O Presente Rural

Colunistas

Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?

Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Publicado em

em

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.

O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.

Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.

Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.

Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.

Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.

O sucesso desta ação teve três pontos centrais:

1) Análise

O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.

2) Integração

O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.

3) Correção

Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.

 A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.

Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica - Comunicação e Marketing no Agronegócio.
Continue Lendo

Notícias

Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações

Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/OP Rural

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.

O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).

A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.

As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.

O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.

Fonte: Assessoria ANDA
Continue Lendo

Notícias

Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais

Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

Publicado em

em

Foto: Jose Fernando Ogura

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.

Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN

O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.

Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.

Fonte: Assessoria Dosso Toledo Advogados
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.