Empresas Suinocultura
Anemia Ferropriva e Coccidiose: duas doenças do leitão neonato sob controle?
Estudos de prevalência realizados pelo time técnico da Ceva Saúde Animal na Europa e em parte da América Latina mostram uma realidade preocupante em relação ao controle da anemia ferropriva e a Coccidiose

Autor: William Costa, médico-veterinário, especialista em sanidade suína e gerente Técnico da Unidade de Suínos da Ceva Saúde Animal
Duas das doenças de elevada prevalência reconhecidas em leitões neonatos são a anemia ferropriva e a coccidiose (Cystoisospora suis). Por esse motivo práticas de controle que são rotina em praticamente todas as maternidades: aplicação de ferro dextrano IM (200 mg/leitão) para controle da anemia e de toltrazuril oral (20mg/kg) para controle da coccidiose, em leitões entre 2 a 3 dias de idade. Em adição medidas de biosseguridade e manejo ambiental também são recomendadas para controle do C. suis. Esse fato gera uma posição de certa tranquilidade nos produtores e veterinários em relação a essas doenças. Mas, estarão de fato as medidas utilizadas, ou estarão as moléculas indicadas, sendo administradas em sua melhor forma ou apresentação, propiciando um controle efetivo dessas duas importantes enfermidades?
Estudos de prevalência realizados pelo time técnico da Ceva Saúde Animal na Europa e em parte da América Latina mostram uma realidade preocupante em relação ao controle da anemia ferropriva e a Coccidiose.
Nos estudos de prevalência de anemia ferropriva, no continente europeu, foram realizadas coletas de sangue em leitões pré-desmame, de pelo menos 10 leitegadas por granja (três leitões por leitegada), em 10 granjas por país, em oito países: França, Bélgica, Portugal, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Holanda, República Tcheca.
As amostras foram analisadas para o teor de hemoglobina através do aparelho HemoCue, sendo as amostras classificadas ótimas (>11 g de hemoglobina/ dL de sangue), subanêmicas (9-11 g/dL) ou anêmicas (<9 g/dL) de acordo com Perri et al. (2016).
Em média as amostras analisadas mostraram que, apesar de receber ferro dextrano nos primeiros dias de vida, apenas 37% dos leitões apresentavam condição ótima. 46% dos leitões se apresentaram subanêmicos e 16% anêmicos. Os dados por país podem ser observados no gráfico 1.
Gráfico 1 – Níveis de hemoglobina em leitões lactentes por país na Europa em 2020
Nos países da América Latina em que os estudos foram realizados os dados de prevalência de anemia em leitões lactentes foram muito semelhantes aos da Europa. Em 2.349 leitões, de 410 leitegadas em 39 granjas no Chile, Colômbia, Mexico e Peru os resultados foram: 38% dos leitões apresentavam condição ótima, 45% dos leitões se apresentaram subanêmicos e 17% anêmicos. A distribuição por país pode ser observada no gráfico 2.
Gráfico 2 – Níveis de hemoglobina em leitões lactentes por país na América Latina em 2020
Os estudos de prevalência de Coccidiose foram realizados na Europa em 49 granjas, das quais 26 tratadas com Toltrazuril, em quatro países: Áustria, República Checa, Alemanha e Espanha.
Para realização da detecção de oocistos de C. suis foram coletadas em cada leitegada fezes de cinco leitões em dois momentos, ao final da primeira e da segunda semana de idade. A técnica laboratorial utilizada foi a de autofluorescência como descrita por Joachim et al (2018). A despeito do tratamento preventivo regular com Toltrazuril em 26 granjas (53%), 71,4% das granjas foram positivas para oocistos de C. suis, com 50,1% das leitegadas positivas.
Analisando os dados acima podemos concluir, que em ambos os continentes, tanto os dados de prevalência de anemia, quanto os de coccidiose mostram uma situação de controle muito aquém do desejável, derrubando a já citada tranquilidade em relação a essas enfermidades.
No Brasil, assim como em muitos outros países os dados de prevalência da anemia ferropriva são muito escassos, o que provavelmente ocorre devido ao desinteresse na realização desse tipo de estudo, uma vez que a doença está pretensamente sob controle.
Entretanto fatores como características e qualidade da molécula utilizada (ferro dextrano), bem como a acurácia na administração levam a resultados bem inferiores aos desejados com impactos importantes no desempenho dos suínos modernos – a redução de 10 g de hemoglobina/L de sangue provoca uma redução de 17,2 g no GPD nas três semanas seguintes ao desmame.
Com relação à coccidiose, os dados brasileiros de prevalência relatados em estudos recentes são bem inferiores aos encontrados na Europa – 7,2 a 34,7% das leitegadas positivas. Novamente o controle esperado com o uso de Toltrazuril oral leva a uma tranquilidade que não reflete as importantes perdas que ocorrem mesmo nestes animais tratados – impacto econômico de 0,8 – 2,5 € / animal (Scala et al., 2007 Maes et al., 2007 Kreiner et al., 2011).
Levando em consideração que o toltrazuril é uma molécula efetiva na prevenção da coccidiose os motivos para a falha no processo de controle vão desde a qualidade dos produtos utilizados, até as dificuldades características da administração de produtos orais em leitões neonatos (dosagem, regurgitação e possíveis vômitos).
Tendo em vista a importância econômica da anemia ferropriva e da coccidiose, a Ceva Saúde Animal está realizando um trabalho de determinação da real prevalência dessas doenças no Brasil, os dados que serão utilizados para indicação de estratégias e ferramentas para seu controle efetivo.

Empresas
Boehringer Ingelheim anuncia Filipe Fernando como novo diretor da unidade de Aves e Suínos
Executivo segue interinamente na liderança de Grandes Animais para garantir a continuidade dos negócios.

A Boehringer Ingelheim, multinacional farmacêutica referência na produção de medicamentos para humanos e animais, anuncia uma movimentação estratégica em sua estrutura diretiva no Brasil: Filipe Fernando assume a diretoria da unidade de negócios de Aves e Suínos. O executivo, que vinha liderando com sucesso a área de Grandes Animais, retorna à unidade onde construiu grande parte de sua sólida trajetória de oito anos na companhia, agora com a missão de acelerar o crescimento e a inovação em dois dos setores mais dinâmicos do agronegócio global.
Para garantir a total continuidade dos projetos em andamento, o atendimento aos clientes e a estabilidade do mercado de bovinos e equinos, Filipe Fernando continuará responsável interinamente pela diretoria de Grandes Animais neste período de transição. A companhia já iniciou um processo seletivo público para a sucessão da vaga de Grandes Animais, assegurando uma passagem planejada e estruturada nos próximos meses.
“Assumir a unidade de Aves e Suínos é um passo muito significativo dentro da Boehringer Ingelheim. O mercado de proteína animal vive um momento de forte evolução tecnológica e sanitária, e estou entusiasmado para liderar nosso time rumo a novos patamares de produtividade, biosseguridade e bem estar animal. Paralelamente, sigo totalmente focado e comprometido com a equipe e parceiros de ruminantes e equinos, liderando a transição de forma transparente e garantindo que nossas soluções e suporte de campo continuem com o mesmo padrão de excelência de sempre”, afirma Filipe Fernando.
Com formação em Medicina Veterinária (UEM), mestrado e doutorado em virologia (UNESP), MBA em marketing (USP) e especialização em imunologia e vacinas por Harvard, Filipe traz uma bagagem técnico-científica e de negócios robusta para consolidar a liderança da Boehringer Ingelheim nos setores de aves, suínos, bovinos e equinos.
Empresas Produção agropecuária
Sicoob reúne lideranças do cooperativismo para debater o futuro do agronegócio
17º Workshop Produtor Rural, promovido pelo Sicoob, reuniu especialistas e autoridades para discutir crédito rural, seguro, sustentabilidade e os desafios da Safra 2026/2027

O Sicoob reafirmou o compromisso de disponibilizar R$ 70 bilhões em crédito rural para a Safra 2026/2027 durante o 17º Workshop Produtor Rural, realizado nos dias 14 e 15 de julho, em Brasília. O encontro também celebrou os melhores resultados da história da instituição no agronegócio, com R$ 59,5 bilhões liberados em financiamentos ao produtor rural na safra 2025/2026 — maior volume já registrado pelo sistema — e uma carteira agro que alcançou R$ 95 bilhões.
O evento, que é um dos principais fóruns de discussão do cooperativismo financeiro voltado ao agronegócio, reuniu dirigentes de cooperativas, especialistas e representantes do governo federal. Ao longo de dois dias, os participantes debateram a evolução do seguro rural, os desafios regulatórios, a segurança jurídica, a sustentabilidade e as perspectivas do Plano Safra, além de compartilhar estratégias para ampliar a competitividade das cooperativas e fortalecer o atendimento aos produtores rurais.
“Esse encontro visa valorizar o produtor rural e celebrar nossos resultados. Mais do que reconhecer conquistas, este é um momento para fortalecer nossa atuação e reafirmar o compromisso permanente do Sicoob com o desenvolvimento do agronegócio”, destacou o presidente do Conselho de Administração do Centro Cooperativo Sicoob (CCS), Miguel Ferreira.
O executivo ressaltou ainda a dimensão da atuação do Sicoob no campo. Atualmente, a instituição reúne mais de 10 milhões de cooperados e, desses, mais de 600 mil são produtores rurais.
O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, destacou a importância das políticas públicas para o financiamento da produção agropecuária e reconheceu o trabalho realizado pelas equipes técnicas responsáveis pela construção do Plano Safra. Segundo ele, preservar instrumentos públicos de apoio ao crédito rural é fundamental para garantir o desenvolvimento do setor.
O dirigente também fez uma reflexão sobre os desafios do cooperativismo diante do crescimento desse ecossistema. “O cooperativismo evoluiu, tornou-se mais sólido e profissional, e os números demonstram isso. Mas nosso diferencial é a nossa essência, de trabalhar com propósito, com o coração. Vamos fazer o melhor ano rural, com criatividade, focado nos resultados, mas sem esquecer nossa razão maior que é o cooperado”, disse. O dirigente ainda ressaltou que o tratamento tributário conferido às cooperativas pela Constituição Federal representa uma responsabilidade adicional para que o modelo continue gerando benefícios concretos aos cooperados e às comunidades.
Crescimento sustentável
O diretor de Desenvolvimento Comercial do Sicoob, Marcelo Carneiro, destacou que a carteira agro do Sicoob cresceu cerca de 70 vezes em 17 anos. O aumento da carteira agro, segundo ele, acompanha a evolução dos próprios cooperados. “A expansão do crédito e das soluções para o agronegócio somente é possível porque o sistema mantém o produtor rural no centro da estratégia de negócios. Quando o cooperado prospera, toda a comunidade cresce junto”.
Carneiro ressaltou que o próximo passo é ampliar a presença do Sicoob em toda a cadeia do agronegócio, oferecendo soluções cada vez mais completas para fortalecer a competitividade das cooperativas e dos cooperados.
Integração para fortalecer o crédito rural
Um dos destaques da programação foi o painel sobre o Plano Safra 2026/2027, que reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Fazenda, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Banco Central.
O debate reforçou a importância da atuação integrada entre governo, instituições financeiras e cooperativas para garantir a continuidade das políticas públicas de financiamento, ampliar o acesso dos produtores ao crédito e assegurar a sustentabilidade do financiamento ao agronegócio.
Durante o encontro, representantes do governo destacaram o diálogo permanente com o cooperativismo na construção do Plano Safra e ressaltaram o papel das cooperativas financeiras na interiorização dos recursos e no fortalecimento da produção rural em todas as regiões do país.
Segurança jurídica, sustentabilidade e seguro rural
A programação também dedicou espaço aos temas considerados estratégicos para a expansão sustentável do crédito rural. Os participantes discutiram a evolução do mercado de seguro rural, os desafios regulatórios e a necessidade de modernização do ambiente de negócios para ampliar a proteção aos produtores e reduzir riscos das operações.A segurança jurídica e a sustentabilidade foram destacadas como pilares estratégicos para a expansão da carteira agro do Sicoob e para o cumprimento da meta de R$ 70 bilhões em crédito rural na Safra 2026/2027. Para Bruno Rodrigues, gerente Jurídico do Sicoob, a atuação integrada entre as áreas jurídica, comercial e de monitoramento fortalece a gestão de riscos, aumenta a eficiência operacional, amplia a capacidade de atendimento das cooperativas e contribui para o desenvolvimento sustentável do agronegócio.
Parceria estratégica
Outro destaque do workshop foi o fortalecimento da parceria entre o Sicoob e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que completa 27 anos. O gerente de Fomento e Relacionamento com Instituições Financeiras do banco, Cláudio Rabelo, destacou que o cooperativismo financeiro se consolidou como parceiro estratégico do BNDES na democratização do acesso ao crédito rural e no desenvolvimento regional. Atualmente, as cooperativas respondem por 31% do volume financeiro e 72% do número de operações realizadas pela instituição em todo o país. “Foi a aproximação com o cooperativismo que fez com que a gente pudesse melhorar nossos serviços e produtos”.Na última safra, o sistema liberou R$ 4,7 bilhões em operações do BNDES Rural, crescimento de 33% em relação ao ciclo anterior. Ao todo, foram realizadas cerca de 33 mil operações, que somaram mais de R$ 10 bilhões em aprovações.
Empresas
Marcos Teo encerra ciclo profissional na Kemin após uma década de contribuições para a operação na América do Sul
Executivo liderou a área de monogástricos, acompanhou a expansão da operação regional e deixa o cargo após mais de dez anos na companhia.

Após uma trajetória marcada pelo desenvolvimento de equipes, fortalecimento dos negócios e atuação na Kemin na América do Sul, o diretor Comercial para a linha de Monogástricos, Marcos Teo, encerrou sua carreira executiva na companhia e iniciou seu processo de aposentadoria.
Com mais de uma década de atuação na Kemin, Teo deixa um legado de dedicação e de contribuição para o fortalecimento da operação. Durante sua atuação, a operação da América do Sul expandiu-se para mais de três vezes seu tamanho original. Paralelamente, a unidade de monogástricos, liderada por Teo, alcançou um crescimento de aproximadamente 2,5 vezes em faturamento, refletindo a expansão consistente da unidade.
Ao ingressar na empresa como gerente de Serviços Técnicos para Monogástricos na América do Sul, aceitou o desafio de retornar a uma posição de perfil técnico, mesmo após anos ocupando cargos executivos. Ao longo de sua trajetória, assumiu novas responsabilidades, tornando-se gerente Regional de Vendas em 2017, diretor Adjunto de Vendas em 2018 e, a partir de 2019, diretor Comercial da área.
Entre as principais iniciativas lideradas por Teo estão o fortalecimento técnico da equipe comercial, ampliando a capacidade consultiva junto aos clientes; a criação de novas frentes estratégicas de atuação, como o desenvolvimento do negócio de grãos; e a consolidação do relacionamento com importantes empresas do setor, contribuindo para a expansão do portfólio e para o fortalecimento da atuação da companhia.
“Tenho muito orgulho da trajetória construída ao longo desses anos na Kemin. Mais do que os resultados alcançados, levo comigo a satisfação de ter trabalhado ao lado de pessoas extraordinárias e de contribuir para o desenvolvimento de uma equipe preparada para os desafios do futuro. A empresa continuará sua história porque conta com profissionais altamente capacitados e comprometidos”, afirma Marcos Teo.
Para a Kemin, a trajetória do executivo representa um importante capítulo na consolidação da companhia na América do Sul.
“Marcos Teo deixa um legado que vai muito além dos resultados. Sua liderança foi determinante para o fortalecimento da operação na região, para o desenvolvimento de pessoas e para a construção de uma cultura voltada à inovação, proximidade com os clientes e crescimento sustentável. Agradecemos profundamente por sua dedicação ao longo dessa jornada e desejamos muito sucesso nesta nova etapa de sua vida”, destaca Rubens Castro, presidente da Kemin Agrifoods Latam.
A Kemin informa que o processo de sucessão para a posição está em andamento e que, em breve, anunciará o novo responsável pela liderança da área de Monogástricos na América do Sul.



