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ANCP faz atualização do índice bioeconômico MGTe
Nova versão considera características economicamente mais importantes para o cenário atual da produção de carne no Brasil, excluindo aquelas redundantes ou muito correlacionadas, com o intuito de apresentar um índice mais enxuto.

Uma das ferramentas de avaliação mais importantes desenvolvidas pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), o índice bioeconômico MGTe (Mérito Genético Total Econômico) recebeu uma significativa atualização. A apresentação da melhoria aconteceu na última quinta-feira (26), durante uma live conduzida pela equipe técnica da entidade, que contou com a participação de diversos criadores associados.
Lançado em 2016, o MGTe foi desenvolvido utilizando as informações de indicadores econômicos e produtivos para compor as estimativas de custos, receitas e lucros de uma propriedade de pecuária de corte comercial de ciclo completo (cria, recria e engorda).
Ferramenta é utilizada para avaliar a importância econômica de cada uma das características através de seus valores econômicos, que são definidos como a variação do lucro da propriedade, como consequência da variação de uma característica em uma unidade.
A nova versão considera características economicamente mais importantes para o cenário atual da produção de carne no Brasil, excluindo aquelas redundantes ou muito correlacionadas, com o intuito de apresentar um índice mais enxuto. Além disso, a atualização conta com a introdução de uma característica para acabamento.
Segundo o diretor de Pesquisa e Inovação da ANCP, Fernando Baldi, a atualização permite disponibilizar um índice mais robusto através dos ponderadores das características. “O uso do MGTe nas propriedades comerciais para a identificação de reprodutores deverá trazer ou gerar maior lucratividade para a atividade pecuária de nosso país”, destaca.
Para os programas das raças Nelore, Guzerá, Brahman e Tabapuã, o índice atualizado poderá ser utilizado como ferramenta de seleção para a escolha e descarte de animais com o objetivo de aprimorar a genética dos rebanhos, assim como critério para valorização econômica na venda de reprodutores. “Trata-se de uma ferramenta muito importante em rebanhos selecionadores que produzem genética, bem como para rebanhos comerciais que utilizam animais geneticamente melhorados, explica o pesquisador.
De acordo com o criador Flávio Aranha, da Fazenda Bela Alvorada – Nelore Zan, a atualização aprimora e ajusta o MGTe, oferecendo maior equilíbrio na ponderação das DEPs que o compõem. Para ele, o fato de ser baseada em pesquisas e estudos feitos pelo corpo técnico da ANCP, a atualização traz maior segurança aos pecuaristas.
“Com esta diminuição na ponderação das DEPs de crescimento de 40% para 34% no novo MGTe, e a maior importância das DEPs de carcaça, teremos, na prática, animais que serão mais produtivos a campo”, explica Aranha, destacando que a propriedade já faz uso dessas DEPs de AOL (Área de Olho de Lombo) e ACAB (Acabamento de Carcaça) na escolha de touros.
O pesquisador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Aurélio Bergmann, lembra que os índices são compostos por características e valores econômicos atrelados a eles, por isso, precisam ser atualizados periodicamente. “Conforme evoluem, vão sendo agregadas novas características econômicas importantes para o sistema de produção”, ressalta.
Bergmann explica que o índice bioeconômico atualizado está mais enxuto, evitando redundâncias, além de agregar informações e critérios que não existiam antes, como é o caso do acabamento. “O MGTe é, sem dúvida nenhuma, a melhor forma de se fazer seleção em animais de corte”, destaca.
Além da atualização do MGTe para as raças Nelore, Brahman, Guzerá e Tabapuã, os índices MGTe_CR (sistema de Cria) e MGTe_RE (sistema de Recria e Engorda a Pasto) foram atualizados para a raça Nelore e, a partir de agora, ambos estão disponíveis também para as raças Brahman, Guzerá e Tabapuã.
Os índices bioeconômicos da ANCP são calculados a partir das seguintes características e ponderações: precocidade sexual, habilidade materna, crescimento, fertilidade, carcaça e carne, e eficiência alimentar. Para conferir o índices atualizados clique aqui.

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.



