Avicultura Nutrição
Aminoácidos na dieta de frangos de corte auxiliam desempenho
De acordo com especialista, a medida que aumenta o aminoácido na dieta, cresce também o rendimento do peito e reduz a deposição de gordura da carcaça

A nutrição é um dos pontos mais importantes para o melhor desenvolvimento do animal ao longo de toda a sua vida. A partir dela o produtor pode ter um melhor desempenho, melhores resultados, além de um maior ganho. Porém, é preciso se atentar para que a correta alimentação esteja de acordo com o que o frango realmente precisa, para não desencadear problemas futuros.
De acordo com o nutricionista Vitor Hugo Brandalize, a qualidade da carne está bastante ligada à linha genética que o produtor usa. “Para falar de nutrição, precisamos falar de genética”, destaca. O profissional falou sobre o assunto durante o 8º Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal (Clana), que aconteceu na segunda quinzena de outubro, em Campinas, SP. Ele explica que as empresas de genética têm desenvolvido os produtos a partir de uma avaliação feita sobre as tendências de mercado e seu direcionamento.
“Nos últimos anos um fator importante é o custo dos grãos, que mudou muito e tem feito também com que mudasse a tendência dos nutricionistas. Antes, a grande maioria das companhias estavam preocupadas com a produtividade, o índice de eficiência da empresa. Já hoje, devido ao aumento do custo dos grãos, as companhias vêm mudando e estão mais focadas no custo de produção e menos na produtividade. Em contrapartida a isso, o programa de seleção sofre pressão para aumentar o rendimento das carcaças das aves”, explica.

Nutricionista Vitor Hugo Brandalize
Brandalize explica que a cada ano os clientes vem pressionando para que aumente o rendimento do peito das aves. “O mercado exige que a ave tenha mais peito, porque esta é a parte mais rentável do animal”, diz. Porém, esta pressão pelo crescimento do peito das aves nos últimos anos tem trazido problemas, como as miopatias, por exemplo. “Mas este é um problema de fácil solução. As companhias de genética não reduzirão o rendimento do peito, vão continuar focando nisso, como também na qualidade da carne do animal”, destaca.
O profissional afirma que com a evolução genética o peso das aves também aumentou. Dados coletados pela Cobb-Vantress mostram que antes as aves tinham 1,6 quilos e hoje este peso é de três quilos. “A cada ano as aves estão ficando 45 gramas mais pesadas. E isso aumentou por conta da seleção genética. Algumas companhias genéticas já chegaram a 100 gramas por ano”, informa.
Outro ponto destacado por Brandalize é que com a evolução genética o frango passou a reduzir a deposição de gordura. “Se quer melhorar a conversão alimentar automaticamente vamos reduzir a gordura da carcaça das aves”, comenta. Outra mudança foi quanto ao peso de abate dos animais. O profissional destaca que a cada ano, com os custos aumentando, uma forma que a indústria encontrou para diminui-los e não precisar repassar grandes valores ao consumidor foi aumentar o peso de abate. “Nos Estados Unidos quase 40% das aves são abatidas com mais de quatro quilos”, informa. Ele complementa que quando há aumento de peso de abate das aves, quer dizer que as aves vão ficar mais velhas, o que faz com que haja piora da conversão alimentar.
Deposição de gordura
Brandalize explica que muitas vezes o produtor chama o nutricionista e diz que o frango está muito gordo, e, em parte, isto é verdade. “Podemos solucionar em parte este problema, em alguns casos a nutrição pode ajudar. Porém, muitas vezes o nutricionista não é responsável por isso, mas sim a gordura que existe na carcaça”, conta. Ele diz que a medida que o peso da ave aumenta, a deposição de gordura no animal também cresce. “A fêmea tem uma deposição maior de gordura que o macho”, complementa.
O profissional chama atenção ainda quanto a temperatura no tanque de escaldagem no abate. Ele explica que se for muito alto, o animal acaba perdendo esta gordura e, assim, consequentemente, parte do rendimento da carcaça das aves. “A indústria precisa tomar cuidado com esta temperatura de escaldagem nas plantas, porque a medida que a temperatura aumenta, você vai perdendo gordura, que protege a carcaça, e assim perde rendimento industrial – que chega próximo a 2% do rendimento das aves”, conta.
Brandalize diz que é muito difícil mudar a deposição de proteína das aves. O que é possível fazer é reduzir a deposição de gordura, o que pode melhorar o rendimento industrial das aves. “Mas mudar a deposição corporal das aves somente com a nutrição é muito difícil”, destaca. O nutricionista diz que um fator importante e que é difícil de justificar é porquê as aves são hoje mais sensíveis na deita apenas a partir dos 25 dias de idade. “Elas respondem a mais níveis de energia depois dos 25 dias. Isso é um fator interessante que temos em relação à proteína e gordura. A medida que a ave fica mais velha, um dia, essa relação da proteína e gordura reduz”, conta.
Estudo
O especialista comenta que um trabalho foi desenvolvido na Universidade de Auburn (EUA) para entender o que acontecia com a performance e a carcaça das aves. Na primeira fase do estudo (em aves de 1 a 14 dias) houve quatro níveis de energia e uma amplitude grande. “O peso médio e a conversão alimentar não tiveram muita diferença. Depois, usamos a recomendação sobre aminoácidos, e reduzimos 92%, e isso fez com que reduzisse a conversão alimentar. Ou seja, o aminoácido tem um grande impacto no desempenho das aves”, comenta.
Dos 14 aos 32 dias Brandalize explica que não foi encontrada nenhuma diferença no ganho de peso ou conversão alimentar. Com a redução dos aminoácidos ainda não houve diferença. “As aves conseguiram compensar comendo mais”, explica. Neste mesmo período, mudando os níveis de energia não aconteceu nada quanto ao rendimento de carcaça. “O que observamos foi que aumentando a energia, aumenta também a quantia de estria branca na carcaça”, considera. Outro detalhe observado foi que se aumentar o nível de energia na nutrição, o que cresce também é a deposição de gordura na carcaça. “O aminoácido ajuda a reduzir a gordura da carcaça e aumentar o rendimento do peito. A medida que aumenta o aminoácido na dieta, melhora a carcaça, reduz a gordura e assim podemos usar uma energia mais baixa e aminoácido mais alto”, explica.
E, por final, dos 28 aos 42 dias, o profissional conta que não houve diferença no ganho de peso, mas uma expressiva mudança na conversão alimentar. “O estudo demonstra que depois dos 28 dias de idade a energia tem efeito de melhoria ou de conversão alimentar. No peso médio de aminoácidos não encontramos diferença, mas na conversão alimentar sim”, conta. Brandalize explica que a medida que aumenta o aminoácido na dieta, cresce também o rendimento do peito e reduz a deposição de gordura da carcaça.
O nutricionista afirma que é importante o produtor e o nutricionista avaliar a viabilidade econômica das dietas que são adotadas para as aves. Sem contar que é preciso entender melhor o metabolismo das aves, para adotar a melhor dieta. “Temos ainda uma grande oportunidade para isso”, sugere.
Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.
Avicultura
Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025
Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal
A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.
No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%). “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.



