Avicultura Nutrição
Aminoácidos na dieta de frangos de corte auxiliam desempenho
De acordo com especialista, a medida que aumenta o aminoácido na dieta, cresce também o rendimento do peito e reduz a deposição de gordura da carcaça

A nutrição é um dos pontos mais importantes para o melhor desenvolvimento do animal ao longo de toda a sua vida. A partir dela o produtor pode ter um melhor desempenho, melhores resultados, além de um maior ganho. Porém, é preciso se atentar para que a correta alimentação esteja de acordo com o que o frango realmente precisa, para não desencadear problemas futuros.
De acordo com o nutricionista Vitor Hugo Brandalize, a qualidade da carne está bastante ligada à linha genética que o produtor usa. “Para falar de nutrição, precisamos falar de genética”, destaca. O profissional falou sobre o assunto durante o 8º Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal (Clana), que aconteceu na segunda quinzena de outubro, em Campinas, SP. Ele explica que as empresas de genética têm desenvolvido os produtos a partir de uma avaliação feita sobre as tendências de mercado e seu direcionamento.
“Nos últimos anos um fator importante é o custo dos grãos, que mudou muito e tem feito também com que mudasse a tendência dos nutricionistas. Antes, a grande maioria das companhias estavam preocupadas com a produtividade, o índice de eficiência da empresa. Já hoje, devido ao aumento do custo dos grãos, as companhias vêm mudando e estão mais focadas no custo de produção e menos na produtividade. Em contrapartida a isso, o programa de seleção sofre pressão para aumentar o rendimento das carcaças das aves”, explica.

Nutricionista Vitor Hugo Brandalize
Brandalize explica que a cada ano os clientes vem pressionando para que aumente o rendimento do peito das aves. “O mercado exige que a ave tenha mais peito, porque esta é a parte mais rentável do animal”, diz. Porém, esta pressão pelo crescimento do peito das aves nos últimos anos tem trazido problemas, como as miopatias, por exemplo. “Mas este é um problema de fácil solução. As companhias de genética não reduzirão o rendimento do peito, vão continuar focando nisso, como também na qualidade da carne do animal”, destaca.
O profissional afirma que com a evolução genética o peso das aves também aumentou. Dados coletados pela Cobb-Vantress mostram que antes as aves tinham 1,6 quilos e hoje este peso é de três quilos. “A cada ano as aves estão ficando 45 gramas mais pesadas. E isso aumentou por conta da seleção genética. Algumas companhias genéticas já chegaram a 100 gramas por ano”, informa.
Outro ponto destacado por Brandalize é que com a evolução genética o frango passou a reduzir a deposição de gordura. “Se quer melhorar a conversão alimentar automaticamente vamos reduzir a gordura da carcaça das aves”, comenta. Outra mudança foi quanto ao peso de abate dos animais. O profissional destaca que a cada ano, com os custos aumentando, uma forma que a indústria encontrou para diminui-los e não precisar repassar grandes valores ao consumidor foi aumentar o peso de abate. “Nos Estados Unidos quase 40% das aves são abatidas com mais de quatro quilos”, informa. Ele complementa que quando há aumento de peso de abate das aves, quer dizer que as aves vão ficar mais velhas, o que faz com que haja piora da conversão alimentar.
Deposição de gordura
Brandalize explica que muitas vezes o produtor chama o nutricionista e diz que o frango está muito gordo, e, em parte, isto é verdade. “Podemos solucionar em parte este problema, em alguns casos a nutrição pode ajudar. Porém, muitas vezes o nutricionista não é responsável por isso, mas sim a gordura que existe na carcaça”, conta. Ele diz que a medida que o peso da ave aumenta, a deposição de gordura no animal também cresce. “A fêmea tem uma deposição maior de gordura que o macho”, complementa.
O profissional chama atenção ainda quanto a temperatura no tanque de escaldagem no abate. Ele explica que se for muito alto, o animal acaba perdendo esta gordura e, assim, consequentemente, parte do rendimento da carcaça das aves. “A indústria precisa tomar cuidado com esta temperatura de escaldagem nas plantas, porque a medida que a temperatura aumenta, você vai perdendo gordura, que protege a carcaça, e assim perde rendimento industrial – que chega próximo a 2% do rendimento das aves”, conta.
Brandalize diz que é muito difícil mudar a deposição de proteína das aves. O que é possível fazer é reduzir a deposição de gordura, o que pode melhorar o rendimento industrial das aves. “Mas mudar a deposição corporal das aves somente com a nutrição é muito difícil”, destaca. O nutricionista diz que um fator importante e que é difícil de justificar é porquê as aves são hoje mais sensíveis na deita apenas a partir dos 25 dias de idade. “Elas respondem a mais níveis de energia depois dos 25 dias. Isso é um fator interessante que temos em relação à proteína e gordura. A medida que a ave fica mais velha, um dia, essa relação da proteína e gordura reduz”, conta.
Estudo
O especialista comenta que um trabalho foi desenvolvido na Universidade de Auburn (EUA) para entender o que acontecia com a performance e a carcaça das aves. Na primeira fase do estudo (em aves de 1 a 14 dias) houve quatro níveis de energia e uma amplitude grande. “O peso médio e a conversão alimentar não tiveram muita diferença. Depois, usamos a recomendação sobre aminoácidos, e reduzimos 92%, e isso fez com que reduzisse a conversão alimentar. Ou seja, o aminoácido tem um grande impacto no desempenho das aves”, comenta.
Dos 14 aos 32 dias Brandalize explica que não foi encontrada nenhuma diferença no ganho de peso ou conversão alimentar. Com a redução dos aminoácidos ainda não houve diferença. “As aves conseguiram compensar comendo mais”, explica. Neste mesmo período, mudando os níveis de energia não aconteceu nada quanto ao rendimento de carcaça. “O que observamos foi que aumentando a energia, aumenta também a quantia de estria branca na carcaça”, considera. Outro detalhe observado foi que se aumentar o nível de energia na nutrição, o que cresce também é a deposição de gordura na carcaça. “O aminoácido ajuda a reduzir a gordura da carcaça e aumentar o rendimento do peito. A medida que aumenta o aminoácido na dieta, melhora a carcaça, reduz a gordura e assim podemos usar uma energia mais baixa e aminoácido mais alto”, explica.
E, por final, dos 28 aos 42 dias, o profissional conta que não houve diferença no ganho de peso, mas uma expressiva mudança na conversão alimentar. “O estudo demonstra que depois dos 28 dias de idade a energia tem efeito de melhoria ou de conversão alimentar. No peso médio de aminoácidos não encontramos diferença, mas na conversão alimentar sim”, conta. Brandalize explica que a medida que aumenta o aminoácido na dieta, cresce também o rendimento do peito e reduz a deposição de gordura da carcaça.
O nutricionista afirma que é importante o produtor e o nutricionista avaliar a viabilidade econômica das dietas que são adotadas para as aves. Sem contar que é preciso entender melhor o metabolismo das aves, para adotar a melhor dieta. “Temos ainda uma grande oportunidade para isso”, sugere.
Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Avicultura
Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura
Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.
A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.
A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.
Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.
Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.
A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.
Relacionamento empresa x profissionais
Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.
Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.
Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.
Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.
No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.
Retenção de talentos
Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.
O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.
Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.
O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.
Uso estratégico da tecnologia
O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.
Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.
Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.
O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.
Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.
Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.
A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.
Avicultura
“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA
Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.
Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.
Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.
A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.
Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.
Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.
Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.



