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Ambiência ruminal – Por que nossas vacas correm riscos?

Alguns fatores relacionados com evolução são pontos de desafio para saúde ruminal em vacas leiteiras

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Artigo escrito por Ricardo Xavier da Rocha, médico veterinário da Nutrifarma

A pecuária leiteira é uma atividade que teve uma evolução considerável nas últimas décadas. Alguns fatores relacionados com esta evolução são pontos de desafio para saúde ruminal em vacas leiteiras:

1 – Aumento na produção leiteira

A produção média por vaca aumentou muito nos últimos anos o que resulta em um aumento nas necessidades nutricionais (requerimentos) das mesmas. Este aumento no requerimento não consegue ser atendido somente por fontes de volumosos da dieta (pasto, silagem, pré-secado e feno), sendo necessária a inclusão de dietas concentradas (ração). O incremento de dietas concentradas é importante para atender as necessidades nutricionais das vacas, no entanto, são responsáveis por reduzir o processo ruminatório. A ruminação proporciona maior produção de saliva, sendo esta responsável por aproximadamente 80% da capacidade tamponante do rúmen;

2 – Qualidade de silagem

As silagens evoluíram nos últimos anos em relação à produção de matéria seca (MS) por hectare e a teor de amido, em que ambos apresentaram aumentos significativos nas últimas duas décadas. Este aumento é importante, pois acompanhou o aumento das necessidades das vacas, no entanto, o aumento do amido pode ser um ponto de risco para o desenvolvimento de acidose ruminal, já que ele é considerado um carboidrato não fibroso (CNF) que não estimula ruminação (produção de saliva). Este ponto pode ser agravado em silagens com partículas muito pequenas no momento do ensilamento. Quando muito finas (e isso é uma realidade) proporcionam menor estímulo ruminatório. Outro ponto em relação à qualidade da silagem se refere às alterações na qualidade da mesma, como por exemplo, a presença de micotoxinas que podem levar a prejuízos para a saúde geral da vaca e também redução no consumo e aproveitamento dos alimentos. No caso das micotoxinas a presença e, principalmente a interação entre elas, resulta em perdas consideráveis em desempenho pelo seu efeito no consumo voluntário de alimentos, imunidade, ineficiência reprodutiva, além de casos de óbito em rebanho;

3 – Ambiência de vacas leiteiras

Existe uma previsão de elevação da temperatura global para as próximas duas décadas de aproximadamente 1,5º C com possibilidade de ser maior caso os governos e a população não tomem atitudes para redução dos fatores de risco ambientais para esta elevação. Este aumento tem impacto direto na pecuária leiteira em função da geração de condições de estresse térmico. Neste cenário de elevação, as vacas irão passar somente três meses na zona de conforto térmico (-1 à 16ºC). O restante do ano, as vacas passarão em situação de estresse térmico que tem como uma das consequências a acidose ruminal devido à redução na ingestão de matéria seca (MS) oriunda do volumoso e também pela perda de saliva durante a perda de calor (evaporação). A diminuição da ingestão de volumoso resulta em diminuição da ruminação e consequentemente menor quantidade de saliva disponível para o tamponamento ruminal.   

Consequências da acidose ruminal em um rebanho leiteiro

1 – Qualidade de leite

Rebanhos que possuem vacas em acidose ruminal podem ter a composição do leite alterada. A redução dos teores de gordura no leite é uma característica desta situação, em que o fator desencadeador é a falha na biohidrogenação de ácidos graxos insaturados no rúmen. Esta redução de gordura é chamada de “inversão gordura /proteína no leite”, no entanto, os valores não necessariamente precisam estar invertidos (proteína mais alta que a gordura). Se o valor da relação gordura/proteína (valor da divisão do percentual de gordura pelo percentual de proteína) do leite for igual ou inferior a 1,10 indica acidose ruminal.  Além da condição de inversão gordura/proteína outras alterações no leite também podem ocorrer como, por exemplo, desordens no índice de crioscopia (maior quantidade de água no leite), leite instável não-ácido (Lina) e alteração na acidez titulável do leite (leite alcalino);

2 – Sistema digestório

A acidose ruminal pode resultar em casos de diarreia em rebanhos leiteiros. Pode estar associada ao tempo de passagem do alimento, sendo que o tempo de passagem mais rápido reduz o aproveitamento de nutrientes. Além da diarreia, desordens como o deslocamento de abomaso também podem ocorrer em decorrência de um baixo preenchimento ruminal;

3 – Saúde geral de vacas

Problemas como deficiência de vitaminas (em especial do complexo B) podem ocorrer em animais com acidose. Doenças como polioencefalomalácia (deficiência de vitamina B1), anemia (deficiência de B12) e baixo desempenho energético (deficiência de B12 e biotina). Além disso, a acidose ruminal pode levar a doenças hepáticas (abscesso). 

As micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos que se desenvolve no alimento dos ruminantes (silagem, pré-secado, rações, …) e que resultam em problemas sérios de saúde para a vaca e ser humano. Os principais prejuízos estão associados à imunidade baixa e ineficiência reprodutiva. A contaminação do campo ou dos alimentos depende de fatores como ambiente, condições climáticas e espécie de fungo presente.

Alternativas

1 – Manutenção de pH ruminal

Vários fatores são importantes para a manutenção do pH de rúmen. Entre eles, o mais importante é possibilitar a capacidade de ruminação de uma vaca. Nesse sentido, o atendimento da exigência de fibra se faz necessário. O tamponamento via fibra (produção de saliva) representa 80% da capacidade tamponante. O restante é dividido em dois fatores, sendo a adaptação do rúmen à dieta de lactação e também a inclusão de tamponantes na dieta. A dieta pré-parto com inclusão de concentrado tem por objetivo o adensamento da dieta para atender requerimentos nutricionais e também estimular o desenvolvimento de papila ruminal. No caso do tamponante é necessária a presença de uma substância tampão (bicarbonato de sódio) que é responsável por neutralizar os ácidos gerados durante o processo de fermentação ruminal e também a presença de substâncias alcalinizantes (óxido de magnésio) que resultam em estabilidade do pH (necessário seis horas pós alimentação). Além dos tamponantes, existem outras possibilidades que podem ser utilizadas para manter o rúmen com um pH saudável. Entre estas, a levedura na dieta de ruminantes auxilia na melhora do status imunitário e no controle na população de bactérias que produzem ácido lático (responsável pela acidose) melhorando a população de bactérias que fermentam a fibra (celulolíticas). Além disso, a possibilidade de uso de antibióticos ionóforos (monensina, lasalocida) que também são moduladores da microbiota ruminal.

2 – Micotoxinas

Em função dos tipos de alimentos que são utilizados atualmente, que apresentam uma boa parte das vezes contaminações por micotoxina, o uso de adsorvente de micotoxina é indispensável para os sistemas de produção. Essa necessidade de uso existe pois as micotoxicoses são doenças silenciosas e que muitas vezes vêm “disfarçadas” de problemas de glândula mamária (CCS alta) e também por desordens reprodutivas, além da ocorrência de outras doenças em função da característica imunossupressora que geram nos rebanhos. 

Considerações finais

Baseado nas informações citadas acima é importante prestarmos atenção nas consequências de acidose ruminal, por exemplo, escore de fezes (diarreia), composição do leite (inversão gordura/proteína do leite) para que possamos tomar medidas corretivas e preventivas para esta situação. No caso das micotoxinas, é relevante lembrarmos que é um problema silencioso em que o uso da prevenção é a melhor opção, pois quando o problema já está instalado a solução, se ocorrer, pode levar um tempo considerável.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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