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Avicultura

Ambiência e nutrição impactam diretamente a saúde de frangos de corte

Condições inadequadas de manejo elevam risco de doenças e perdas produtivas na avicultura.

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Artigo escrito por Brunna Garcia, doutora em Zootecnia, nutricionista de aves na Agroceres Multimix.

O setor avícola nacional se destaca pelo constante aprimoramento tecnológico e pelo investimento em inovação, fatores que sustentam o crescimento da produção e a busca por melhores resultados econômicos, zootécnicos, sanitários e de bem-estar animal.

Nesse contexto, o manejo exerce papel central para que as aves expressem seu potencial genético, enquanto falhas podem comprometer o desempenho, elevar a ocorrência de doenças, a mortalidade, a desuniformidade dos lotes e o número de condenações no abatedouro.

No frigorífico, as aves passam por inspeções rigorosas antes e após o abate, conforme o Decreto nº 9.013/2017 (RIISPOA), que estabelece a avaliação detalhada das carcaças na inspeção post mortem, visando identificar e destinar corretamente aquelas que devem ser condenadas.

As causas de condenação são variadas e, em grande parte, provém de falhas ao longo da cadeia produtiva. De modo geral, essas causas podem ser classificadas em não patológicas (associadas a falhas de manejo) e patológicas (lesões provenientes de processos infecciosos ou de outras enfermidades que acometem as aves ainda no campo).

Fonte: Agroceres Multimix

Dentre as causas patológicas mais frequentemente, destacam-se a artrite, a pododermatite e a ascite. Essas afecções apresentam origens multifatoriais e estão relacionadas tanto a aspectos sanitários quanto a falhas de manejo e condições ambientais inadequadas durante a criação.

A presença de umidade elevada na cama favorece o amolecimento do coxim plantar e o contato prolongado das aves com as excretas, promovendo irritação cutânea e infecção secundária por bactérias oportunistas, como Staphylococcus aureus e Escherichia coli. A severidade das lesões é um importante indicador de bem-estar e pode ser utilizada para monitorar as condições de manejo e ambiência dos lotes.

Fonte: Agroceres Multimix

No abatedouro, os casos severos podem resultar na condenação das patas e, em situações mais graves, das carcaças, especialmente quando há sinais de infecção sistêmica. Essa condenação representa uma perda significativa, uma vez que o pé de frango é considerado um subproduto de alto valor agregado, amplamente exportado e valorizado por mercados internacionais, como o asiático. Assim, a manutenção da integridade e qualidade desse produto tem impacto direto na rentabilidade e competitividade da cadeia avícola brasileira.

O controle e a prevenção da pododermatite envolvem o manejo adequado da cama, ventilação eficiente para controle da umidade, densidade adequada de aves e formulação nutricional equilibrada.

Ascite

Fonte: Atlas de alterações macroscópicas, Liris Kindlein (2024)

Outro problema patológico é a ascite, ou síndrome do abdômen aquoso, condição metabólica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido na cavidade abdominal, resultante de desequilíbrio entre o fornecimento e o consumo de oxigênio pelos tecidos. Essa síndrome está frequentemente associada a altas taxas de crescimento e ganho de peso típicas de frangos modernos, cujo rápido metabolismo exige maior demanda de oxigênio do que o sistema cardiovascular é capaz de suprir.

Fatores ambientais e de manejo exercem grande influência na ocorrência da ascite, especialmente a ventilação inadequada, temperaturas baixas, densidade elevada, dieta com alto teor energético e condições que provoquem estresse térmico. Essas situações aumentam a pressão pulmonar e sobrecarregam o ventrículo direito, levando à dilatação e, consequentemente, ao extravasamento de plasma para a cavidade abdominal.

Fonte: Atlas de alterações macroscópicas, Liris Kindlein (2024)

No abatedouro, as aves acometidas por ascite apresentam abdômen distendido e conteúdo líquido seroso, de coloração amarelada, com odor característico. As carcaças afetadas são condenadas total ou parcialmente durante a inspeção post mortem, de acordo com o grau de comprometimento. Além das perdas diretas, a ascite também representa um problema de bem-estar, pois as aves afetadas apresentam dificuldade respiratória, letargia e menor consumo de alimento.

A prevenção depende de um manejo integrado que envolva o controle da ventilação e temperatura ambiental, densidade adequada, programas nutricionais equilibrados e monitoramento constante da taxa de crescimento, especialmente nas fases iniciais.

Impactos Econômicos

As condenações no abatedouro geram prejuízos econômicos expressivos. Estima-se que as perdas variem entre 0,5% e 2% da produção. Em um frigorífico que abate 200 mil aves/dia, uma taxa de 1% representa o descarte de 2.000 carcaças, com prejuízo diário de cerca de R$ 14 mil, ultrapassando R$ 350 mil/mês, sem considerar custos operacionais adicionais.

Outras condições também impactam os resultados: a condenação de 5% das patas em plantas que processam 400 mil aves/dia pode inutilizar cerca de 1 tonelada diária de um produto valorizado no mercado asiático. Já a ascite, além das condenações, eleva o custo de produção, podendo aumentar em até 5% o custo por quilo de frango.

Diante desse cenário, o monitoramento dos índices de condenação torna-se ferramenta estratégica para identificar falhas de manejo e avaliar medidas preventivas. A compreensão das causas ao longo da cadeia produtiva é essencial para assegurar qualidade de carcaça, melhor aproveitamento de subprodutos e maior rentabilidade, reforçando que o controle sanitário, ambiental e nutricional é decisivo para a sustentabilidade e a competitividade da avicultura brasileira.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul

Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

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A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.

Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.

A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.

Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.

Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.

Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav

sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.

Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.

A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.

Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária

Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

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Foto: Divulgação/Asgav

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav

Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.

Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.

Auditorias apontam evolução das granjas

Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.

A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav

granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.

Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.

Biosseguridade ganha protagonismo

A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.

Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav

Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.

Mercado e competitividade

O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.

Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.

Selo reconhece boas práticas

Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.

Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav

desenvolvidas pela iniciativa.

Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.

Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.

Fonte: O Presente Rural com Asgav
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Avicultura

Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa

Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

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Fotos: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.

Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.

Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.

No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.

A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.

Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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