Suínos Do laboratório à granja
Alunos do Paraná criam tecnologia que lê comportamento dos suínos
VocalPig detecta sinais de doenças e comportamento dos animais em tempo real, usando sensores e inteligência artificial, trazendo inovação e agilidade na gestão sanitária da suinocultura.

O final de semana foi marcado por muita inovação e soluções criativas para o agronegócio no Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) do Sudoeste, em Francisco Beltrão. Neste sábado (27), o colégio sediou a sexta edição do Ideathon 2025, iniciativa que estimula o protagonismo de estudantes na busca por soluções para desafios reais do setor.
Organizada pelo Sistema Faep, em parceria com o Governo do Paraná e o Sebrae-PR, a iniciativa reuniu cerca de 40 estudantes de colégios agrícolas estaduais, divididos em grupos de cinco integrantes. Durante um dia inteiro de imersão, os alunos atuaram em conjunto para resolver o desafio revelado no início do evento: “Como desenvolver protocolos de gerenciamento de riscos que auxiliem produtores de frango ou suínos a prevenir falhas de ambiência, sanidade e manejo?”.
Além de estudantes do próprio CEEP Sudoeste, participaram alunos do CEEP Agroinovação Professor Moacir Benedito Leme da Silva, de Cascavel; do CEEP Assis Brasil, de Clevelândia; e do CEEP Professora Naiana Babaresco de Souza, de Laranjeiras do Sul. Já os professores dos colégios agrícolas participantes atuaram como mentores.
“Por meio dessa parceria com o setor produtivo, estudantes dos nossos colégios agrícolas têm contato direto com desafios reais que vão encontrar no mercado de trabalho. Além disso, a integração entre alunos de diferentes instituições e regiões do Paraná, com orientação dos professores, contribui ainda mais para uma formação técnica e profissional de excelência”, destacou o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
As etapas do evento incluíram brainstorming, planejamento, desenvolvimento do projeto, elaboração da apresentação e feedback com os docentes. Ao final da atividade, uma banca avaliou as propostas e definiu os três projetos mais promissores. Além de troféus e medalhas, os vencedores conquistaram uma viagem técnica a Curitiba, em novembro, além de futuras sessões de mentoria com o Sebrae-PR para viabilizar a transformação das ideias em negócios reais.
“A cada edição do Ideathon, temos a oportunidade de acompanhar o amadurecimento dos estudantes e perceber que o conhecimento adquirido não se esgota no evento, mas se multiplica em cada jovem que participa. Isso reforça a certeza de que estamos construindo um legado sólido e duradouro para o futuro do agronegócio no Paraná”, afirmou o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Em 2025, o Ideathon já foi realizado em colégios estaduais agrícolas de Campo Mourão, Castro, Guarapuava, Diamante do Norte e Santa Mariana, gerando soluções inovadoras em temáticas como análise de dados no campo, avicultura e pecuária de precisão, por exemplo.
Coleira inteligente
O projeto vencedor da sexta edição do Ideathon partiu de um grupo formado por estudantes do próprio CEEP Sudoeste. Os anfitriões do evento idealizaram uma coleira inteligente equipada com microfones e sensores acústicos, capazes de capturar sons emitidos pelos suínos.

Com auxílio de Inteligência Artificial (IA), o sistema interpreta os ruídos captados e gera alertas de saúde e comportamento, como ‘tosse detectada’ ou ‘ronco intenso’, que são enviados diretamente ao WhatsApp do produtor. Dessa forma, a inovação, batizada de VocalPig, pode contribuir para o diagnóstico precoce de doenças e a agilidade na tomada de decisão dos produtores.
“Nunca tinha participado de um Ideathon antes e achei a experiência muito enriquecedora. Foi uma oportunidade de aprender na prática e trabalhar em equipe”, conta Wilian Quisini, de 15 anos, que integrou o grupo campeão junto aos colegas Gabriel Conti, Guilherme Pastore, Luiza Mendes e Rafaela dos Santos.
Aluno da 2ª série do Ensino Médio Integrado ao Curso Técnico em Agropecuária, Wilian terá a oportunidade de transformar o projeto em um negócio real, além de integrar a visita técnica dos campeões a Curitiba. Enquanto isso, o jovem já colhe os frutos da participação no evento. “Acredito que contribuiu bastante com minha formação e aprendizado, pois desenvolvi habilidades de colaboração, criatividade e resolução de problemas. Foi uma experiência muito interessante e desafiadora”, acrescentou.
Outros projetos
Além do primeiro colocado, outros projetos se destacaram com inovações criativas para auxiliar os protocolos de saúde e segurança nas produções de frangos e suínos. Premiado com o segundo lugar, um grupo formado por estudantes do CEEP Assis Brasil, de Clevelândia, desenvolveu um modelo de negócio para a instalação de biodigestores em granjas de suínos.
A proposta prevê o reaproveitamento de rejeitos para a produção de biofertilizantes e biogás, incluindo a posterior conversão em energia elétrica e divisão dos lucros entre o produtor rural e a fornecedora dos biodigestores.
O terceiro lugar ficou com outro grupo de estudantes do CEEP Assis Brasil. Os alunos desenvolveram um projeto para eliminar oscilações na rede de energia elétrica das propriedades rurais, que causam grandes prejuízos à avicultura. A solução combinaria geradores inteligentes com religamento automático e proteção contra sobretensão, aliados a uma rede de assistência técnica ágil.

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.









