Notícias Iniciativa inédita
Alunos de escola agrícola que se tornou cooperativa compram granja
Durante o Show Rural em Cascavel (PR), estudantes do Colégio Florestal Presidente Costa e Silva, de Irati, adquiriram, com recursos próprios, obtidos como cooperativa-escola, uma granja completa para a suinocultura com tecnologia alemã, o primeiro modelo do gênero vendido no Brasil.

É comum que grandes produtores aproveitem feiras como o Show Rural Coopavel, em Cascavel, no Oeste, para fechar negócios. Afinal, lá são apresentadas as principais novidades do agronegócio com menores custos. Pois nesta edição do evento, em uma iniciativa inédita, alunos do Colégio Florestal Presidente Costa e Silva, de Irati, no Centro-Sul, tanto negociaram que acabaram adquirindo por um preço acessível no valor de R$ 60 mil, com recursos próprios obtidos como cooperativa-escola, uma granja completa para a suinocultura com tecnologia alemã de conforto animal, o primeiro modelo do gênero vendido pela empresa catarinense Sistemilk no Brasil.
“Essa compra demonstra o quanto vem dando bons resultados o programa de cooperativas-escola, que passou a funcionar no ano passado nos colégios agrícolas e florestais do Paraná”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
A rede estadual de ensino possui 26 colégios, entre agrícolas e florestais, em diferentes regiões do Paraná, ofertando ensino profissional voltado para a prática agropecuária. E foi justamente no Show Rural em 2024 que o governador Carlos Massa Ratinho Júnior sancionou a Lei Estadual que permitiu a comercialização pelos colégios do excedente da produção das fazendas-escola, como grãos, hortaliças, leite e outros produtos.
“Foi a partir da criação da Lei que a nossa escola conseguiu registar um CNPJ na Junta Comercial do Paraná. Assim, passamos a comercializar ovos, mel e madeira, que são o nosso forte, a nossa matéria-prima. E, nesse tempo, geramos um caixa da cooperativa para que pudéssemos comprar a granja”, conta o diretor da Unidade Didático Produtiva do Centro Florestal, Igor Felipe Zampier.
A granja possui um moderno sistema tecnológico, composto por estruturas como gaiola, comedouro e escamoteador, material produzido com plástico reciclado, proporcionando bem-estar ao animal mantido em confinamento, com ração balanceada, boas práticas sanitárias e instalações adequadas. Uma espécie de maternidade sustentável para suínos. Especificidade que somente a empresa dispõe.

Foto: Edgar da Silva Júnior
“Quando se trata de inovação e práticas sustentáveis, o Colégio Florestal de Irati é um referencial para a região, mas chegar e desembolsar dinheiro na feira é novidade. E é um produto com manejo diferenciado de suínos há muito tempo almejado pela direção e pelos estudantes. Isso nos dá um orgulho danado de participar desse processo”, afirma o coordenador dos Colégios Agrícolas e Florestais na Secretaria da Educação, Renato Hey Gondin.
Cooperativas-escolas
Antes da Legislação, a produção dos colégios agrícolas e florestais era consumida somente pelos estudantes e não havia uma forma de comercializar o que sobrava. Com a modalidade implantada pelo Governo do Estado cada instituição tem sua própria cooperativa-escola, pessoa jurídica sem fins lucrativos constituída pelos alunos, servidores e professores. O objetivo, segundo a Lei, é a cooperação recíproca de seus associados para promover e estimular o desenvolvimento do cooperativismo com finalidade educativa, por meio de atividades econômicas, sociais e culturais em benefício dos associados e das instituições de ensino.
Na prática, as escolas têm autonomia até para participar de licitações para a compra de produtos, como medicamentos e defensivos, entre outros itens necessários à produção, por exemplo. O dinheiro arrecadado com as vendas dos demais produtos também pode ser reinvestido em melhorias na própria escola. O recurso não pode ser utilizado para o pagamento da folha de funcionários, mas permite a contratação de jovens aprendizes.
Alunos no Show Rural
Ao longo da feira, os alunos de colégios agrícolas e florestais estão expondo trabalhos que desenvolveram em sala de aula no espaço reservado à Secretaria de Estado da Educação no estande do Sindicato Rural de Cascavel. Caso de João Victor Lovatel, do Centro Estadual de Educação Profissional Assis Brasil, de Clevelândia, no Sudoeste do Estado. “Nosso grupo foi convidado a apresentar aqui na feira um aviário com cortinas automatizadas e estou muito feliz com a receptividade do público e também por estar aqui nesse evento grandioso”, diz.
Além disso, caravanas com milhares de estudantes de 25 colégios agrícolas e florestais estão desembarcando no Parque Tecnológico da Coopavel para conhecer o que há de mais moderno no setor do agronegócio. “Estou aprendendo muitas coisas novas, de olho nas novidades e no que as empresas podem trazer de melhor para o agronegócio”, observa Matheus Dal Cortivo, do Colégio Estadual de Educação Profissional Machado de Assis, de Nova Aurora, no Oeste.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



