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Altas nos preços do suíno vivo e da carne perdem intensidade

Isso se deve ao período de final de mês e aos consecutivos aumentos observados ao longo de novembro.

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Os preços do suíno vivo e da carne subiram em menor intensidade nos últimos dias.

Segundo pesquisadores do Cepea, isso se deve ao período de final de mês e aos consecutivos aumentos observados ao longo de novembro.isso se deve ao período de final de mês e aos consecutivos aumentos observados ao longo de novembro.

Mesmo com altas menos expressivas, as cotações atingiram novos recordes nominais, refletindo a combinação de oferta de animais restrita e demandas interna e externa aquecidas.

Por outro lado, a limitação do poder de compra do consumidor na ponta final e o receio de travar as vendas antes do período de festas de fim de ano têm levado agentes a segurarem as cotações, conforme relatam colaboradores do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea

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O Brasil na terceira posição mundial em exportações de carne suína veio para ficar?

Números recordes, diversificação de mercados e decisões de longo prazo no campo e na indústria ajudam a entender se o avanço brasileiro é resultado de construção ou de circunstância

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Foto: ChatGPT/Giuliano De Luca/O Presente Rural

O Brasil encerrou 2025 ocupando, pela primeira vez, a terceira posição no ranking mundial de exportações de carne suína. O dado chama atenção, mas não se sustenta isoladamente. Ele é resultado de um conjunto de movimentos que envolvem mudanças no comércio internacional, rearranjos de demanda, decisões estratégicas no campo e na indústria e uma construção produtiva que vem sendo feita ao longo de anos. Diante desse cenário, a questão central que se impõe não é apenas a posição alcançada, mas se esse avanço é estrutural ou circunstancial – e se pode ser sustentado nos próximos anos.

Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que os embarques brasileiros de carne suína totalizaram 1,510 milhão de toneladas em 2025, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, quando as exportações somaram 1,352 milhão de toneladas. Trata-se de um recorde histórico para o setor. Em termos de receita, as vendas externas alcançaram US$ 3,619 bilhões, crescimento de 19,3% em relação aos US$ 3,033 bilhões do ano anterior.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Esse avanço é resultado, antes de tudo, de fatores estruturais da suinocultura brasileira, ainda que o contexto internacional tenha acelerado esse movimento em alguns momentos” – Foto: Jaqueline Galvão/O Presente Rural

Com esse desempenho, o Brasil superou o Canadá e passou a ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína, atrás apenas de Estados Unidos e União Europeia, considerada como bloco econômico. A confirmação definitiva da posição ainda depende da divulgação final dos dados canadenses, mas o movimento já reposiciona o país no comércio global da proteína.

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o avanço não pode ser interpretado como um fenômeno isolado ou meramente oportunista. “A confirmação da posição depende, ainda, da divulgação final de dados do Canadá. De qualquer forma, eu diria que esse avanço é resultado, antes de tudo, de fatores estruturais da suinocultura brasileira, ainda que o contexto internacional tenha acelerado esse movimento em alguns momentos. O Brasil vem construindo essa posição ao longo de muitos anos, com base em sanidade, organização produtiva, integração entre indústria e produtores e acesso gradual a mercados”, afirma.

Segundo Santin, fatores conjunturais também tiveram papel relevante, mas não explicam sozinhos o resultado. “É evidente que disputas comerciais, oscilações de demanda e eventos sanitários em outras regiões do mundo criaram janelas de oportunidade. Mas elas só foram aproveitadas porque o Brasil estava preparado. Não foi um crescimento oportunista ou episódico. Foi a consolidação de uma base técnica e produtiva sólida, que permitiu responder quando o mercado global precisou”, completa.

Mudança no tabuleiro dos destinos internacionais

Um dos elementos mais relevantes de 2025 foi a mudança no perfil dos destinos da carne suína brasileira. Pela primeira vez em anos, a China deixou de ser o principal comprador, cedendo espaço às Filipinas, que se tornaram o maior destino da proteína nacional.

As Filipinas importaram 392,9 mil toneladas de carne suína brasileira em 2025, crescimento de 54,5% em relação a 2024. Na sequência aparecem China, com 159,2 mil toneladas (queda de cerca de 33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%).

A retração chinesa ocorreu em um contexto de recomposição do rebanho local, reduzindo a necessidade de importações. Ao mesmo tempo, países do Sudeste Asiático e da América Latina ampliaram suas compras, absorvendo parte significativa da oferta brasileira.

Presidente da Frimesa, Elias Zydek: “O Brasil tem um sistema de produção competitivo para ocupar espaço e atender o aumento da demanda” – Foto: Divulgação/Frimesa

“Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, destaca Santin.

Para o presidente da ABPA, essa diversificação representa um divisor de águas para o setor. “Sem dúvida essa diversificação é um dos movimentos mais relevantes da suinocultura brasileira nos últimos anos. Reduzir a dependência excessiva de um único mercado foi um quadro impulsionado, também, por uma decisão estratégica, que traz estabilidade e reduz riscos”, afirma.

Santin acrescenta que a nova configuração muda o perfil do setor. “Hoje, as Filipinas se consolidaram como um parceiro central, ao lado de mercados como Japão, Chile e outros países da Ásia e da América Latina. Isso muda o perfil do setor, que passa a trabalhar com diferentes exigências sanitárias, padrões de consumo e modelos de contrato. Essa capilaridade torna a suinocultura brasileira mais resiliente e menos exposta a oscilações bruscas de política ou de demanda em um único país”, avalia.

Produção elevada, consumo estável e excedente exportável

O avanço das exportações ocorreu em um cenário de produção elevada. Os dados de 2025 ainda não foram consolidados pela ABPA, mas indicam crescimento. Em 2024, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,305 milhões de toneladas. O consumo per capita foi estimado em 18,6 kg, indicando um mercado interno relativamente estável, capaz de absorver volumes importantes sem impedir o crescimento das exportações.

Mario Faccin, CEO da Master Agroindustrial, detalha planos de expansão voltados ao mercado externo: “Vamos ampliar o plantel em 20 mil a 22 mil matrizes e aumentar os suínos abatidos por dia para atender o mercado externo”, afirma o CEO da Master Agroindustrial, Mario Faccin – Foto: O Presente Rural

Esse equilíbrio entre oferta doméstica e excedente exportável é apontado como um dos pilares do modelo brasileiro. “O crescimento recente está muito mais associado a ganhos de produtividade do que a uma simples expansão de produção. Houve aumento de produção, sim, mas ele foi gradual e planejado. O grande diferencial da suinocultura brasileira nos últimos anos foi a eficiência”, afirma Santin.

Segundo ele, os avanços ocorreram em múltiplas frentes. “Avançamos em genética, manejo, nutrição, sanidade e integração. Isso permitiu produzir mais com a mesma base produtiva, com melhor conversão alimentar, menor mortalidade e maior padronização. Esse é um crescimento mais sustentável, que reduz riscos e dá previsibilidade. Tudo isso, pautado pela própria demanda do mercado, seja o interno ou o internacional”, completa.

Oferta, mercado interno e equilíbrio

O crescimento da produção e das exportações levanta, inevitavelmente, questionamentos sobre riscos de desequilíbrio entre oferta e demanda. Para Santin, o setor tem conseguido administrar essa equação.

“Esse é um ponto que o setor acompanha com muita atenção, com cada empresa fazendo as suas escolhas estratégicas relativas à própria produção. Até aqui, houve equilíbrio entre oferta e demanda. O mercado interno brasileiro segue absorvendo volumes importantes, com consumo relativamente estável, enquanto as exportações funcionam como válvula de equilíbrio”, afirma.

Ele reforça que a expansão não ocorre de forma dissociada do mercado. “A produção brasileira não está dissociada do mercado. A expansão ocorre de forma gradual, guiada por sinais de demanda identificados pelas próprias empresas. A diversificação de destinos e a previsibilidade sanitária ajudam justamente a evitar desequilíbrio”, diz.

Sul: o eixo da exportação

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O desempenho brasileiro tem base territorial concentrada. Santa Catarina responde por mais da metade das exportações brasileiras de carne suína, consolidando sua liderança histórica no setor. O estado bateu recordes de volume e faturamento em 2025, com forte presença em mercados como Japão, Filipinas e China, além de crescimento relevante para o México.

No Paraná, a Frimesa Cooperativa Central exerce papel determinante. A cooperativa é responsável por mais da metade da carne suína exportada pelo estado e respondeu, em 2025, por 8,2% das exportações brasileiras da proteína.

Para o presidente da Frimesa, Elias Zydek, o comércio internacional de carne suína é altamente dependente de fatores externos. “O comércio global da carne suína entre os países representa cerca de 8% de toda a produção mundial. Fato que confirma a produção destinada ao autoconsumo dos países. Desta forma, o crescimento mundial do comércio (exportações) depende do crescimento do consumo per capita e da redução da produção interna dos países”, afirma.

Zydek destaca que o Brasil reúne condições para ocupar esse espaço. “Nesse contexto, o Brasil tem um sistema de produção competitivo para ocupar espaço e atender o aumento da demanda. O mercado da carne suína depende muito de fatores externos como exigências de acordos comerciais, regulamentos sanitários, barreiras comerciais de tarifas, cotas e ressalvas e política cambial”, observa.

Investimentos e expansão industrial

O avanço das exportações é acompanhado por decisões estruturais de investimento. A Master Agroindustrial, em Videira (SC), opera com 40 mil matrizes em sistema verticalizado, produzindo cerca de 1,1 milhão de suínos terminados por ano. Aproximadamente 350 mil animais são vendidos vivos; o restante é destinado aos mercados interno e externo.

A empresa anunciou uma expansão focada exclusivamente na exportação. “Vamos ampliar o plantel em 20 mil a 22 mil matrizes, mas não vamos aumentar a oferta de suíno vivo. Vamos aumentar porque nossa capacidade industrial está aumentando. Vamos passar de três mil suínos abatidos por dia para cinco mil. E todo esse crescimento está direcionado não para o mercado interno, mas exclusivamente para o mercado externo”, afirma o CEO da Master Agroindustrial, Mario Faccin.

Na Frimesa, o planejamento segue a mesma lógica de crescimento gradual. “A expansão das exportações serão supridas com o aumento gradativo do número de matrizes pelas cooperativas filiadas e com a melhoria contínua da produtividade no sistema de produção”, afirma Zydek.

O plano industrial da cooperativa prevê alcançar 15 mil suínos abatidos por dia até 2027. Entre 2027 e 2032, está prevista a ampliação para 23 mil suínos abatidos por dia, com a implantação de uma nova linha de processamento.

Sustentação do terceiro lugar

A consolidação do Brasil como terceiro maior exportador mundial de carne suína ocorre em um ambiente de competição crescente. Enquanto o Brasil diversificou mercados e manteve custos competitivos, o Canadá enfrentou desafios e uma produção mais estagnada, perdendo fôlego relativo no comércio global.

Para Zydek, o Brasil reúne condições para manter a posição conquistada, embora o cenário exija atenção permanente. “O Brasil vai consolidar essa posição por longo tempo, devido às boas vantagens comparativas e competitivas que temos na suinocultura. Os desafios maiores estão no contexto geopolítico, relações internacionais, política macroeconômica e possíveis barreiras a serem criadas”, afirma.

O dirigente também destaca a importância da adaptação às exigências dos mercados. “O sistema de produção de suínos no Brasil já atingiu um bom nível de competitividade. A Frimesa implementou o Programa Suíno Certificado que atende todas as exigências do mercado internacional”, diz.

Do ponto de vista industrial, a mudança de patamar implica novos desafios. “O Brasil já está inserido no mercado internacional com seu sistema produtivo altamente competitivo. O desafio de agora em diante é atender às novas exigências que possam acontecer, como por exemplo, as necessidades ou escolhas dos consumidores”, destaca Zydek.

Para Ricardo Santin, o Brasil tem condições de sustentar a posição, mas o ranking não deve ser tratado como objetivo em si. “Acredito que o Brasil tem condições de sustentar essa posição nos próximos anos, mas é importante evitar uma leitura estática do ranking. O comércio internacional é dinâmico, e mudanças sempre podem ocorrer”, afirma.

“O que nos dá confiança é que o Brasil reúne fatores estruturais sólidos: sanidade reconhecida, capacidade produtiva, eficiência e diversificação de mercados. Isso nos coloca em uma posição confortável para manter relevância. Mas é importante reforçar: não trabalhamos com o objetivo de ‘defender posições em rankings’. Nosso foco é ser um fornecedor confiável, previsível e responsável. Se continuarmos cumprindo esse papel, a posição no ranking será consequência natural”, frisa o presidente da ABPA.

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Fonte: O Presente Rural
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APCS celebra 59 anos destacando força da suinocultura paulista

Entidade reforça atuação na comercialização e compra de insumos, movimentando milhões de reais e fortalecendo a competitividade dos produtores.

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A Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) chega aos seus 59 anos de fundação reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento da suinocultura paulista e com a geração de resultados concretos para seus associados.

Por meio de seus principais braços de gestão associativista, a Bolsa de Comercialização de Suínos do Estado de São Paulo “Mezo Wolters” e o Consórcio Suíno Paulista “Vanderlei Bressiani”, a entidade vem demonstrando eficiência, transparência e profissionalismo nas operações que realiza.

Na área de comercialização, a Bolsa de Suínos movimenta semanalmente cerca de 29.000 suínos, com peso médio de 116 kg e preço médio registrado na última bolsa de R$ 7,09/kg. Considerando uma média de 4,2 semanas por mês, o volume financeiro envolvido na formação de preços pode alcançar aproximadamente R$ 100.173.192,00 mensais, demonstrando a relevância da Bolsa para o mercado paulista.

Valdomiro Ferreira Júnior, presidente na Associação Paulista de Criadores de Suínos

Já no Consórcio Suíno Paulista, apenas na compra de aminoácidos, realizada por meio de licitação e analisada pela comissão responsável, foi adquirido para entrega no mês de abril um volume de R$ 3.512.681,54.

Ainda ao longo do mês, serão incorporadas novas aquisições, incluindo farelo de soja, macros, antibióticos, injetáveis, material de inseminação e produtos de limpeza, ampliando significativamente o volume negociado.

Somente nos dois primeiros meses do ano, o Consórcio já registrou compras próximas de R$ 47.843.000,00, números que refletem o alto nível tecnológico e produtivo das granjas paulistas, sempre em busca de insumos de qualidade para a melhor nutrição e desempenho dos suínos.

Todo esse trabalho reforça o compromisso da gestão da Bolsa de Comercialização e do Consórcio Suíno Paulista com os princípios de transparência, organização e profissionalismo, fundamentais para o fortalecimento do setor.

Por isso, o Presidente das instituições, Ferreira Júnior, convida todos os associados para, no próximo dia 27 de março, após o evento ETC/TOPIGS, nas dependências do Hotel Premium, em Campinas, participarem do almoço de confraternização que marcará a comemoração dos 59 anos da APCS.

Fonte: APCS/ BCSSP/CSP
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Suínos

Suinocultura inicia ciclo de maior estabilidade em 2026, aponta ABCS

Desempenho contrasta com o ambiente de incertezas no cenário internacional, em que se acumulam notícias desfavoráveis ao comércio de proteínas animais.

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O ano começou com relativa estabilidade na suinocultura brasileira, especialmente no mercado doméstico. O desempenho contrasta com o ambiente de incertezas no cenário internacional, em que se acumulam notícias desfavoráveis ao comércio de proteínas animais, como a taxação da carne bovina brasileira pela China, a imposição de cotas à carne suína nacional pelo México, além do avanço da Peste Suína Africana (PSA) na Espanha e das tensões geopolíticas que seguem pressionando a economia global.

No Brasil, entretanto, o setor apresenta sinais de maior equilíbrio entre oferta e demanda. De acordo com, a atividade começou 2026 com bases mais equilibradas entre oferta e demanda, o que tende a reduzir oscilações bruscas de preços ao longo do ano, desde que não ocorram problemas sanitários ou econômicos.

No Brasil, entretanto, a atividade iniciou 2026 em um ambiente de maior equilíbrio, após um ano de ajustes graduais entre oferta e demanda. Diferentemente de 2025, marcado por oscilações mais intensas e um cenário internacional mais volátil, o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, destaca que o setor começou o ano com perspectivas de crescimento moderado e bases mais sustentáveis.

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas quais a entidade se baseia, o abate deve alcançar cerca de 62,7 milhões de animais em 2026, avanço de 4% em relação a 2025. A produção também deve crescer, chegando a aproximadamente 5,87 milhões de toneladas, ritmo mais contido que o observado no ano anterior, refletindo uma estratégia de expansão mais alinhada à capacidade de absorção do mercado.

O mercado interno segue como pilar central da atividade. Após superar 20 quilos de carne suína consumidos por habitante em 2025, a expectativa é de novo avanço em 2026, com o consumo podendo atingir 21 quilos per capita, sustentado por preços mais competitivos em relação a outras proteínas e maior presença do produto na dieta do brasileiro.

A maior disponibilidade interna, estimada em 4,50 milhões de toneladas neste ano, deve contribuir para a manutenção de preços mais estáveis ao produtor, reduzindo o risco de movimentos bruscos ao longo de 2026.

No comércio exterior, após forte expansão em 2025, com o Brasil superando o Canadá e assumindo a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia, a tendência para 2026 é de crescimento mais moderado, em torno de 3%, com embarques projetados em 1,36 milhão de toneladas, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios.

O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.

Crédito caro, logística e sanidade no radar

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores” – Foto: Divulgação/ABCS

Apesar do cenário relativamente equilibrado, os desafios permanecem. Para Lopes, o principal gargalo hoje é o acesso ao crédito. “Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, afirma.

Outro desafio é a concentração da produção no Sul e a oferta de grãos no Centro-Oeste, o que encarece o transporte, enquanto a malha ferroviária segue mais voltada às exportações do que ao abastecimento interno. “Há ainda o crescimento das usinas de etanol de milho, que concorrem com vantagens logísticas pelo cereal”, observa.

No campo sanitário, a preocupação é cada vez maior diante do avanço da Peste Suína Africana na Europa. De acordo com Lopes, a biosseguridade passou a ocupar papel central nas estratégias de produção, como forma de preservar o status sanitário brasileiro e evitar impactos que poderiam comprometer tanto o mercado interno quanto as exportações.

Em meio a um ambiente internacional instável, a suinocultura brasileira entrou em 2026 apoiada no consumo doméstico, em uma produção mais ajustada e em exportações diversificadas. O desafio, segundo Lopes, será manter esse equilíbrio diante de crédito restrito, custos logísticos elevados e riscos sanitários crescentes.

Exigências internacionais pressionam investimentos

Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, salienta.

Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.

Projeções para 2026

Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, adverte.

Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomenda.

As oportunidades para 2026 seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Apesar da grande diversificação de mercados, Lopes ressalta que o Brasil tem muito potencial para atender novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estima Lopes.

Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.

A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exalta Lopes.

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Fonte: O Presente Rural
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