Suínos
Alta performance no campo exige formação estratégica de extensionistas
Especialistas destacam soluções para superar gargalos na gestão de pessoas, fortalecer a atuação de extensionistas e impulsionar a inovação nas granjas.

A programação do 2º Simpósio de Sanidade e Inovação na Avicultura (SSIN) foi aberta com um pré-evento no dia 31 de março, que abordou um dos principais gargalos enfrentados no campo: a mão de obra rural. Naldo Luiz Dalmazo, consultor em Gestão de Empresas com mais de 40 anos de experiência em gerenciamento de processos e formação de equipes, conduziu a palestra “Desafios da mão-de-obra rural: perspectivas do extensionista de campo na realidade das granjas”.

Consultor em Gestão de Empresas, Naldo Luiz Dalmazo: “Tecnologia é parte do processo de decisão, mas precisa fazer sentido para a realidade de quem produz”
Dalmazo destacou que, para atuar de forma eficiente, o profissional de campo precisa dominar ferramentas em três áreas fundamentais: liderança, método e conhecimento técnico. Para ilustrar o perfil e os desafios do extensionista, o consultor comparou a função com a atividade de vendedores. Ambas as profissões compartilham características como o trabalho individual, o enfrentamento de conflitos de interesse e rejeições, a necessidade de atingir metas arrojadas e a dependência do cliente ou produtor. Enquanto os vendedores comercializam produtos físicos, os extensionistas ‘vendem’ ideias e processos.
Entretanto, tantos vendedores quanto extensionistas estão sujeitos a efeitos colaterais semelhantes: a tendência de parar de ouvir e aprender, a crença de que sua região é única, o desenvolvimento de métodos próprios sem padronização e o uso excessivo do poder do cargo. Para mitigar esses riscos, Dalmazo apontou contramedidas como a capacitação estruturada, o acompanhamento próximo do supervisor com checagem de rotinas e o estímulo contínuo à escuta ativa, ao aprendizado e à expansão de horizontes.
O consultor também reforçou a importância da andragogia, que é a arte e a ciência de orientar adultos no processo de aprendizagem, como base para o trabalho com agricultores e granjeiros. “Esses profissionais não são uma mente vazia, eles trazem consigo valores, experiências e domínio sobre seus próprios processos. Dessa forma, para que o aprendizado seja eficaz, o extensionista deve respeitar essas vivências, oferecer soluções aplicáveis a problemas reais e criar um ambiente participativo e sem censura”, disse, enfático.
Dalmazo ainda apresentou a proposta de um processo de formação e preparação de supervisores, com o objetivo de reforçar o treinamento de jovens extensionistas. Entre os conteúdos abordados nesse processo estão a construção de fluxos de trabalho de alta eficiência, métodos rápidos de diagnóstico das propriedades, estratégias de intervenção para melhoria sanitária e a capacitação dos supervisores para atuarem como multiplicadores.
Método do Arco
Uma das principais técnicas apresentadas foi o Método do Arco, que consiste em cinco etapas: observação da situação ou problema, estruturação do problema e identificação dos pontos-chave, teorização com explicações técnicas, formulação de hipóteses de solução e aplicação prática por meio de um plano de ação. O foco, segundo Dalmazo, é que o extensionista tenha um fluxo claro, saiba diagnosticar rapidamente os gargalos no sistema de produção e possa intervir respeitando o processo de aprendizagem dos adultos.
O profissional reforçou que a atuação eficaz dos extensionistas depende de método e de uma liderança ativa dos supervisores, que devem conhecer bem suas equipes, fornecer feedback constante e desenvolver os profissionais de campo. “Agricultores e granjeiros têm vasta experiência e adotam inovações quando percebem vantagens claras. Eles valorizam o entendimento dos processos e não aceitam simplesmente uma ordem sem fundamento. Tecnologia é parte do processo de decisão, mas precisa fazer sentido para a realidade de quem produz”, enfatizou.
Gestão das granjas

Médico-veterinário e doutor em Zootecnia, Roniê Pinheiro: “O colaborador precisa se sentir valorizado e parte de um time que compartilha dos mesmos objetivos”
Na sequência, o médico-veterinário e doutor em Zootecnia, Roniê Pinheiro, trouxe à tona um aspecto fundamental para a gestão das granjas: os fatores que devem ser considerados na hora de recrutar profissionais. Pinheiro destacou a importância de uma abordagem estratégica para atrair e reter talentos, com foco em quatro pilares fundamentais: proposta de valor, desenvolvimento, meritocracia e autonomia. “Esses conceitos, quando aplicados corretamente, não apenas atraem candidatos qualificados, mas também criam um ambiente de trabalho onde os colaboradores se sentem valorizados e motivados a alcançar seu máximo potencial”, afirmou o especialista.
Cultura de alta performance
A cultura de alta performance foi outro ponto enfatizado por Pinheiro. Ele mencionou que para fomentar uma cultura organizacional de excelência, é essencial oferecer promoções internas, remunerações competitivas, um plano de desenvolvimento de longo prazo e capacitação contínua em todos os níveis. “A colaboração entre as equipes, a autonomia e a liberdade também são aspectos fundamentais para engajar os colaboradores e criar um ambiente de trabalho saudável e eficiente. Quando você proporciona esse tipo de ambiente, os colaboradores se sentem mais engajados e dispostos a contribuir para o sucesso da organização”, frisou.
No entanto, Pinheiro alertou que a simples contratação de bons profissionais não é suficiente. A implementação de um processo de onboarding bem estruturado, com acompanhamento constante e feedback construtivo, é essencial para garantir que os novos colaboradores se adaptem rapidamente e se sintam parte da equipe. Além disso, ele ressaltou a importância de criar planos de desenvolvimento que contemplem não apenas o aprendizado técnico, mas também a evolução pessoal e profissional do indivíduo. “O onboarding não pode ser visto como uma formalidade, mas como um processo fundamental para integrar o colaborador à cultura da empresa”, ponderou.
Processos internos
A gestão de pessoas também envolve a análise de processos internos, como mudança de gestores, a capacitação de supervisores para que possam multiplicar seus conhecimentos, e a preparação para sucessão, garantindo que as futuras lideranças estejam bem treinadas e alinhadas com os valores da empresa. “A sucessão não pode ser deixada para última hora. Precisamos preparar nossos líderes do presente para que eles possam formar os líderes do futuro”, enalteceu Pinheiro.
O especialista também afirmou que o objetivo deve ser ter a pessoa certa, no lugar certo, pelo tempo certo, uma fórmula que, se bem aplicada, é garantia de sucesso organizacional. “Esse alinhamento é muito importante para garantir que a empresa tenha sempre os profissionais mais capacitados para enfrentar os desafios”, salientou.
Felicidade no trabalho
Pinheiro também destacou que a felicidade no trabalho está intimamente ligada ao sentimento de ser amado, ouvido e respeitado dentro da organização. “O colaborador precisa se sentir valorizado e parte de um time que compartilha dos mesmos objetivos. Ele deve ser capaz de errar sem medo de represálias, mostrar suas vulnerabilidades e transformá-las em oportunidades de aprendizado e crescimento”, afirmou.
Mesa de debate
Após a palestra, os participantes se reuniram para uma mesa redonda, moderada pelo médico-veterinário, especialista em Agronegócio João Fausto. “O encontro proporcionou um espaço para troca de experiências e reflexões sobre a gestão de equipes no agronegócio, com foco na adaptação às mudanças do setor e na construção de equipes de alto desempenho”, destacou.
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Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Suínos
Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026
Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.
No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.
De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.
Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.
No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.
Suínos
Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro
Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.







