Bovinos / Grãos / Máquinas
Alta nas exportações sustenta mercado do boi gordo no Brasil
Em fevereiro, embarques de carne bovina somaram 235,9 mil toneladas em 18 dias úteis, com a China e os Estados Unidos entre os principais destinos da proteína brasileira.

As exportações da carne bovina permanecem como o fator determinante para a sustentação dos preços domésticos da arroba do boi gordo.
O volume embarcado registra recordes há anos e o cenário não é diferente neste começo de 2026, evidenciando a competitividade da carne brasileira. Em fevereiro, em apenas 18 dias úteis, foram embarcadas 235,889 mil toneladas de carne bovina in natura, aumento de 23,9% em relação ao volume de fevereiro/25, conforme apontam dados da Secex.
Trata-se, inclusive, do melhor fevereiro da história. A média diária de exportação em fevereiro foi de 13,105 mil toneladas, 37,6% acima da registrada há um ano. A China continua sendo o principal destino da carne brasileira, recebendo quase metade de toda a proteína exportada.
Os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne. No mercado interno, segundo pesquisadores do Cepea, o atual conflito no Oriente Médio tem gerado algumas especulações no mercado brasileiro e, apesar de a região não ser um destino importante da carne bovina, o fechamento de canais de escoamento estratégicos e o consequente aumento nos valores dos fretes e seguros marítimos têm gerado preocupações, especialmente entre exportadores.
Diante disso, o Cepea observa que compradores já se mostram mais cautelosos e começam a avaliar novas estratégias de mercado. Vendedores, por sua vez, não concordam com os preços ofertados e optam por aguardar novas ofertas. Com isso, o ritmo de negócios é lento.

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Pronaf Mais Leite destina crédito subsidiado para modernizar pecuária leiteira
Recursos devem beneficiar 40 mil produtores com foco em tecnologia, manejo e eficiência produtiva.

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (27), em Andradina, no interior de São Paulo, a destinação de R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite). 

O programa é uma linha de crédito especial do governo federal focado no aumento da produtividade da pecuária leiteira familiar. O objetivo é financiar o melhoramento genético, com foco na transferência de embriões, além de infraestrutura, ordenhadeiras e tanques de resfriamento, visando aumentar a produção por animal.

A previsão é a de financiar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal com potencial de 3 a 8 litros por dia para 15 a 30 litros por dia.
Devem ser beneficiados cerca de 40 mil produtores familiares que poderão utilizar o recurso para comprar matrizes de alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, serviços de inseminação e FIV (Fertilização in Vitro), ordenhadeiras e tanques de resfriamento, além de investir no manejo, alimentação e infraestrutura produtiva.
Para acessar o crédito, o produtor precisa ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo, procurar os agentes financeiros Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul e apresentar um projeto técnico que demonstre a viabilidade do investimento.
O programa também inclui apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para orientar os produtores.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Foram disponibilizadas linhas de crédito para as cooperativas da agricultura familiar com taxas de juros de 3% ao ano, e para as demais cooperativas de leite do país, por meio do Programa Renovagro, com juros de 8,5% ao ano. “No país são 1,150 milhão de famílias que vivem da produção de leite no Brasil. Dessas, 950 mil são famílias da agricultura familiar. O leite é uma cadeia que é constituída majoritariamente nas pequenas propriedades, nos assentamentos da reforma agrária, nas propriedades da agricultura familiar. São eles que garantem a produção de leite que se transforma na diversidade de produtos que alimenta e leva nutrição”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Foto: Divulgação/OP Rural
A ministra também anunciou a destinação de R$ 15 milhões para a construção da primeira fábrica de leite em pó de cooperados no estado de São Paulo, que também aumentará a produção e a renda para os produtores, e a disponibilização de R$ 28 milhões para a assistência técnica e extensão rural dos produtores com o objetivo de impulsionar a produção de leite. “Além disso, no Programa Terra da Gente mais duas áreas serão desapropriadas pelo governo para o Sítio Boa Vista, em Americana, interior de São Paulo, e a Fazenda Caraúbas, em Santa Quitéria, no Ceará”, anunciou.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância da agroindústria e do cooperativismo como agregadores de valor. “Temos que ter a agroindústria, pegar o produto da terra e fazer manufatura. Aqui ficam duas lições sobre a importância do associativismo: quando a gente sonha sozinho é só um sonho, mas quando a gente sonha junto é o início de uma nova realidade. A outra é o cooperativismo, quanto mais abelha mais mel”, disse Alckmin.
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Queijo catarinense conquista título mundial em concurso internacional
Premiação reconhece excelência produtiva e projeta Santa Catarina no cenário global

O Queijo Reserva do Vale, da empresa Queijos Possamai, foi eleito o melhor queijo do mundo no 4º Mundial do Queijo do Brasil 2026, competição realizada em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril.
Produzido em Pouso Redondo (SC) por estabelecimento integrado ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), o queijo brasileiro superou concorrentes de 30 países. O resultado destaca a qualidade da produção nacional e a importância da certificação sanitária, coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para a ampliação do acesso a mercados e a garantia de elevados padrões produtivos.
Além do prêmio principal, a empresa recebeu outras nove medalhas na competição.
A diretora do Departamento de Planejamento e Estratégia do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e jurada oficial do concurso, Judi Nóbrega, destacou a relevância do Sisbi-POA para a competitividade das agroindústrias brasileiras.
“Resultados como esse demonstram, de forma concreta, que a adesão ao Sisbi-POA não é apenas um requisito regulatório, mas um diferencial competitivo. O sistema permite que agroindústrias alcancem novos mercados com segurança sanitária e qualificação dos processos produtivos, ampliando oportunidades sem abrir mão da qualidade. Ver um produto brasileiro, de uma agroindústria de pequeno porte, ser reconhecido como o melhor do mundo reforça a efetividade da política pública e o potencial do nosso sistema de inspeção”, afirmou.
Fundada em 1984, a Queijos Possamai mantém tradição familiar no município de Pouso Redondo, a cerca de 264 quilômetros de Florianópolis. Antes da adesão ao sistema, a empresa processava cerca de 3,5 mil litros de leite por dia. Atualmente, conta com rebanho de aproximadamente 600 animais e capacidade superior a 7 mil litros diários, crescimento acompanhado por investimentos em boas práticas produtivas e rigoroso controle sanitário.
A conquista projeta Santa Catarina no cenário internacional e reforça o potencial dos produtos de origem animal brasileiros.
Sisbi-POA
O Sisbi-POA foi criado em 2006 com o objetivo de integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal no país e ampliar as oportunidades de comercialização para as agroindústrias brasileiras.
Na prática, significa que o serviço de inspeção municipal ou estadual passa a ter seus procedimentos de fiscalização e controle reconhecidos como equivalentes aos adotados em nível federal. Isso garante padronização e harmonização das ações de inspeção, em conformidade com as normas técnicas estabelecidas pelo Mapa, além de ampliar significativamente as oportunidades de mercado com a comercialização em todo o território nacional.
Durante os primeiros 16 anos do sistema, entre 2006 e 2022, foram integrados 331 municípios em todo o Brasil. Entre 2023 e março de 2026, esse processo ganhou novo ritmo, com a integração de 1.184 novos municípios, elevando o total nacional para 1.515 municípios.
Grande parte desse crescimento tem sido impulsionada pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que permite compartilhar estrutura técnica, otimizar recursos e estruturar serviços de inspeção mais robustos e eficientes.
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Importações de leite atingem 235 milhões de litros em março
Cenário ainda é marcado por custos elevados e recomposição parcial de preços no Brasil, segundo a Embrapa.

O mercado lácteo iniciou 2026 sob um ambiente de incertezas no cenário internacional e ajustes de preços no Brasil. Fatores como tensões geopolíticas, variação nos custos de insumos e volatilidade cambial seguem influenciando a dinâmica do setor, de acordo com levantamento da Embrapa Gado de Leite, com base em dados da Serasa.
No mercado global, a produção de leite continua em expansão, porém em ritmo mais moderado. Os preços internacionais seguem em patamares inferiores aos observados no início de 2025, com o índice GDT acumulando queda de 10,35% entre janeiro e abril de 2026.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
No Brasil, o setor iniciou o ano com pressão sobre margens, após um período de baixa rentabilidade ao longo de 2025. Esse movimento levou a reajustes ao longo da cadeia produtiva, refletindo tentativas de recomposição econômica em diferentes elos do setor.
O leite UHT no atacado de São Paulo, por exemplo, encerrou o período em cerca de R$ 3,27 por litro em janeiro, com avanço para pouco acima de R$ 5,00 no início de abril. No mercado spot, os valores chegaram a aproximadamente R$ 3,60 por litro no mesmo período. O leite pago ao produtor também apresentou reajuste, passando de cerca de R$ 2,00 por litro em janeiro para R$ 2,39 em março.
Segundo a análise, a recomposição de preços ocorre após um período de forte compressão de margens, com impactos diretos sobre o fluxo de caixa das propriedades e o planejamento da atividade leiteira. Apesar da melhora recente, o cenário ainda é considerado sensível, diante de custos elevados e incertezas sobre a demanda.

Foto: Fernando Dias
No ambiente externo, o aumento das taxas de juros e a valorização do câmbio no Brasil têm influenciado a competitividade das exportações, ao mesmo tempo em que encarecem insumos importados. O volume de leite importado em março alcançou cerca de 235 milhões de litros em equivalente leite, mantendo patamar elevado.
Internamente, o consumo segue pressionado por fatores econômicos. O alto endividamento das famílias e o crescimento econômico mais moderado limitam a recuperação da demanda, mesmo com alguma estabilização recente da produção.
A análise também aponta que o custo de produção deve seguir sensível a variações em insumos como fertilizantes, energia e óleo diesel, além de fatores climáticos que impactam a produção de forragem e silagem. Nesse contexto, o setor segue em ambiente de cautela, com expectativa de ajustes graduais ao longo de 2026.



