Empresas
Alta na procura por nutrição vegetal favorece crescimento da Satis acima dos 30%
Agronegócio aposta em tecnologias do setor para atender aumento de área plantada em momento de instabilidade no cenário internacional

A série de bons resultados da empresa mineira Satis nas últimas temporadas anuncia os planos de investimentos em indústria, logística e inovação para atender a alta da demanda pelo setor de nutrição vegetal. A companhia fechou o ano-safra 21/22 com crescimento de 36% em seu faturamento, bem acima da média registrada pelo agronegócio no país, que ficou na casa dos 8%. Nesta nova temporada 22/23, a meta da marca é crescer cerca de 33%, mantendo a média registrada desde a safra 2015/16.
Para sustentar este ritmo, a Satis investirá a partir de 2022 em novos centros de distribuição no Oeste baiano, interior de SP, MS e MA, essas que são algumas das principias regiões atendidas pela empresa. A área de indústria também ganhará foco especial. Nos dois próximos anos, a companhia irá construir uma linha de produção totalmente nova em um terreno ao lado de sua atual fábrica em Araxá/MG. O investimento previsto será por volta dos R$ 4 milhões, incluindo a aquisição de equipamentos e estruturas. “Com isso, iremos ampliar em quatro vezes nossa capacidade de produção e, assim, dar condições para as metas de crescimento dos próximos anos”, destaca o CEO da empresa, Endrigo Bezerra.
O cenário atual contribui para o desempenho positivo da empresa, bem como do mercado de nutrição vegetal no Brasil, que somente em 2021 cresceu cerca de 24%, segundo dados da associação que representa as indústrias do setor, a Abisolo. O avanço constante das áreas de plantio em culturas como a soja, principal mercado atendido pela Satis, e a instabilidade do cenário internacional envolvendo relevantes fornecedores de fertilizantes, como a Ucrânia e a Rússia, favorecem a alta na procura por produtos do setor, especialmente soluções foliares e organominerais. “O mercado, especialmente das grandes culturas, está ávido por alternativas que contribuam para a sustentabilidade do negócio. E à medida em que o produtor passe a conhecer melhor a nutrição vegetal, suas tecnologias e benefícios, abre-se um leque de oportunidades para crescermos ainda mais”, destaca o presidente da Satis, José do Nascimento Ribeiro.
Tal cenário positivo para a empresa mineira torna-se ainda mais perceptível quando analisado o desempenho de seu portfólio. Um dos produtos mais tradicionais da marca, o Sturdy, bioativador de aplicação foliar voltado ao desenvolvimento estrutural e radicular da planta, teve alta de 47% em vendas. Opções mais recentes como a linha Aplik+, que potencializa a aplicação de produtos com menor perda na lavoura, teve expressiva alta de 74%. “São índices que comprovam a confiança do cliente em nossas soluções, bem como o aprimoramento técnico de nossas equipes e estrutura”, comenta Nascimento ao lembrar o Campo Experimental lançado recentemente junto à fazenda sede em Araxá para a criação e aperfeiçoamento de novas tecnologias. A área tem sido um importante cartão de visitas da marca junto a produtores e parceiros, que podem conhecer de perto a eficiência de seus produtos.
Presente em mais de 90% do território nacional, a Satis registrou seus principas índices de 21/22 nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Além da soja, o feijão destacou-se como uma das melhores performances no período, juntamente com as culturas de milho, algodão e hortifrutigranjeitos. Com estes bons resultados e o ritmo forte das negociações para a atual temporada, a estimativa da empresa é fechar o ano-fiscal acima dos 30%.

Empresas Suinocultura
Da versatilidade à nutrição: como a carne suína tem conquistado o paladar dos brasileiros
A qualidade da carne está diretamente ligada ao processo produtivo no campo; o setor de suinocultura é um dos motores do superávit da balança comercial do agronegócio nacional

A carne suína segue ganhando destaque na mesa do brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Anual (ABPA), o consumo alcançou a marca de aproximadamente 19,1 quilos por habitante em 2025, o que representa um aumento de 19% nos últimos cinco anos. Esse cenário promissor é reflexo de uma produção nacional que ultrapassa 5,5 milhões de toneladas anuais e exportações que atingiram cerca de 1,51 milhão de toneladas no ano passado.
Por trás desses números expressivos está o trabalho de produtores de alimentos, empenhados em atender às exigências do consumidor moderno, com transparência, bem-estar animal e segurança alimentar. Para alcançar padrões elevados e conquistar a confiança do consumidor em atributos como maciez, suculência e cor, a cadeia produtiva se profissionalizou e se modernizou.
“A qualidade da carne suína que chega à mesa do consumidor é resultado de uma cadeia produtiva altamente complexa e integrada, na qual manejos sanitários, estratégias nutricionais, melhoramento genético, ambiência e bem-estar animal atuam de forma sinérgica. No Brasil, essa cadeia é considerada uma das mais modernas do mundo, sustentada por avanços contínuos em tecnologia, manejo e ciência aplicada”, afirma a médica-veterinária Amanda Daniel, coordenadora técnica da unidade de Suinocultura da MSD Saúde Animal.
A trajetória de consolidação da carne suína
Historicamente, o consumo de carne suína no Brasil foi impactado por mitos relacionados à saúde, alguns deles baseados em sistemas produtivos antigos que já não representam a realidade atual. “A associação da carne suína a altos teores de gordura, colesterol ou riscos sanitários ainda persiste em parte do imaginário coletivo, embora essas percepções venham sendo progressivamente desconstruídas com o avanço da ciência e da produção moderna”, destaca Amanda.
Essa mudança de percepção está diretamente relacionada à evolução tecnológica da suinocultura e ao maior acesso à informação por parte da população. “Atualmente, a carne suína apresenta perfil nutricional significativamente diferente daquele observado há décadas, com maior magreza, melhor padronização e maior controle sanitário, reflexo do melhoramento genético, da nutrição de precisão e das práticas modernas de manejo”, complementa a profissional.
A força que a carne suína tem hoje no mercado brasileiro é justamente consequência do trabalho sério e dedicado de diversos produtores e profissionais do agro. Para que o consumidor final possa ter acesso a cortes saborosos e de alta qualidade, existe uma ampla cadeia produtiva, com processos rigorosos e muito cuidado.
No Brasil, toda a carne suína comercializada passa por um sistema oficial de inspeção veterinária para assegurar a qualidade e segurança do alimento, a fim de proteger o consumidor e permitir que apenas produtos próprios cheguem ao mercado. “Durante o abate, cada animal e carcaça são avaliados. Caso seja identificado qualquer problema de saúde ou lesão que possa comprometer o consumo, a carne pode ser condenada parcialmente ou até totalmente descartada”, pontua Ísis Pasian, coordenadora técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal.
A versatilidade da proteína
Com cortes variados, temperados e de fácil preparo, a proteína suína deixou de ser uma coadjuvante para se tornar, em muitas ocasiões, o prato principal nas refeições das famílias. “A carne suína é uma proteína extremamente versátil, que atende às mais diversas ocasiões de consumo e perfis de consumidores. Hoje, contamos com uma ampla variedade de cortes, desde opções mais magras e práticas para o dia a dia até cortes especiais que agregam sabor e sofisticação às refeições”, destaca Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).
Ainda segundo o executivo, a carne suína evoluiu muito nas últimas décadas e, atualmente, destaca-se pelo excelente valor nutricional. “É fonte de proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B e minerais importantes para a saúde. Essa combinação de versatilidade, sabor e nutrição faz da carne suína uma escolha cada vez mais presente na mesa dos brasileiros.”
Para ressaltar a força dessa proteína, ocorreu em junho a Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), organizada pela ABCS e com apoio de empresas parceiras, como a MSD Saúde Animal. Uma ação que promove ainda mais o consumo, valorizando os cortes e desmistificando a carne suína junto aos consumidores.
Empresas
Better Beef produz carne premium em modelo verticalizado de autossuficiência energética e agricultura regenerativa
Na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), maior confinamento coberto e com baias concretadas da América Latina, o grupo aplica princípios de agricultura regenerativa e transforma resíduos em insumos agrícolas

O Better Beef, empresa do Better Group, um dos maiores grupos frigoríficos do Brasil, transformou mais de 40 mil toneladas de resíduos industriais em nutrição animal, em apenas um ano. Com base em fatores de emissão de referência do setor (GHG Protocol), esse resultado representa redução de 20.537 toneladas de CO₂ no ambiente.
“Enquanto o mercado discute sustentabilidade, o Better Group pratica esse conceito em cada elo da cadeia. Com nosso propósito de ‘Alimentar Hoje. Cuidando do Amanhã”, construímos um sistema para entregar carne de excelência com impacto ambiental reduzido, em um modelo maduro de economia circular aplicado à pecuária”, informa Everton Gardezan, gerente de marketing do Better Group.
Esse não é o único exemplo. Por meio do processamento e recuperação da levedura oriunda da fermentação de usinas e cervejaria, o Better Beef produziu, no ano passado, mais de 2 milhões de litros de álcool, contemplando álcool industrial, álcool neutro e álcool carburante.
O álcool carburante é utilizado no abastecimento da frota própria, promovendo autossuficiência energética e redução do consumo de combustíveis fósseis. Já o álcool industrial e o álcool neutro atendem aos mercados industriais e domissanitários, agregando valor ao processo e fortalecendo o conceito de economia circular dentro do ecossistema agroindustrial. Baseada em fatores de referência setorial, esse processamento representa economia de aproximadamente 4.000 toneladas de CO₂ equivalente.
Os números crescerão ainda mais com a entrada em operação do Projeto Batata-Doce, que prevê o aproveitamento de descarte agrícola da região para produção de 15.000 litros de álcool, 20 toneladas de WDG (aditivo nutricional) e biogás na ordem de 10.000 Nm³/dia, que será utilizado inicialmente como energia térmica no processo industrial.
Além disso, na Agropecuária Vista Alegre (Better Beef Confinamento), maior confinamento coberto e com baias concretadas da América Latina, o grupo aplica princípios de agricultura regenerativa e transforma resíduos em insumos agrícolas. O esterco produzido por mais de 136 mil animais/ano é reaproveitado para enriquecimento do solo, reduzindo a dependência de adubos químicos e contribuindo para o sequestro de carbono.
“Nosso negócio não é somente produzir carne. Nosso compromisso é restaurar o ecossistema. Estamos provando que é possível ter alta produtividade e, ao mesmo tempo, fortalecer a terra para as próximas gerações”, assinala Everton Gardezan.
Empresas CONSUMO EM ALTA
Copa do Mundo deve impulsionar consumo de carne suína em churrascos e petiscos
Nutribras Alimentos aposta em receitas práticas com linguiça e filé mignon suíno para atender demanda durante os jogos da Seleção Brasileira

A expectativa de aumento no consumo de carnes durante a Copa do Mundo de 2026 já movimenta a indústria de alimentos. De olho nesse cenário, a Nutribras Alimentos aposta na força da carne suína entre os torcedores brasileiros e sugere receitas práticas como a linguiça fatiada na air fryer ou na churrasqueira, além de palitinhos de filé mignon suíno com pimentões para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.
A estratégia acompanha uma tendência apontada pela Scanntech, que projeta crescimento superior a 10% na demanda por proteínas nos dias de partidas do Brasil. O levantamento também mostra que 86% dos brasileiros associam diretamente o futebol ao churrasco, reforçando a relação entre esporte, confraternização e consumo de carnes.
Nesse contexto, a carne suína ocupa posição de destaque. Tradicional nas churrasqueiras brasileiras por meio da linguiça, picanha e da panceta, ela também vem ganhando espaço em formatos mais práticos para reuniões entre amigos e familiares.
“Os dados mostram algo que nós percebemos no dia a dia do mercado: quando o brasileiro se reúne para torcer, tem churrasco e se tem churrasco, tem carne suína. Por isso, ela tem se consolidado como uma das principais escolhas dos consumidores, principalmente pelas receitas práticas. A ideia é não perder o jogo!”, afirma a diretora geral da Nutribras Alimentos, Julce Lucion.
Uma das apostas da Nutribras é evidenciar a praticidade da carne suína para não perder o jogo, e com o uso da air fryer, presente em milhões de lares brasileiros. Uma opção é o palitinho de filé mignon suíno com pimentões, preparado com cubos de carne já temperada alternados com pimentões verde e amarelo. A receita leva cerca de 10 minutos na fritadeira elétrica e pode ser servida com mostarda cremosa e limão.
Outra opção é a linguiça suína fatiada na air fryer, que fica pronta em aproximadamente 15 minutos e pode ser acompanhada de cebolinhas douradas e gomos de limão. O preparo rápido permite que os anfitriões aproveitem a partida sem passar muito tempo na cozinha.
Além dessas receitas, produtos como linguiças para churrasco, torresmo, panceta e outros cortes suínos continuam entre os preferidos dos brasileiros para reunir a torcida em frente à televisão.



