Avicultura
Alta do frango reduz vantagem competitiva frente às demais proteínas
Demanda interna aquecida e exportações sustentam valorização da carne avícola, enquanto suínos recuam e bovinos mantêm estabilidade.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta que os preços da carne de frango avançaram entre abril e maio, até o dia 20, no mercado paulista. Em movimento contrário, a carne suína registrou recuo nas cotações, enquanto a bovina permaneceu praticamente estável no período.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural
Com isso, a proteína avícola perdeu parte da competitividade frente às principais concorrentes no mercado doméstico.
No atacado da Grande São Paulo, o frango inteiro resfriado foi negociado, na média parcial de maio, a R$ 7,31 por quilo, valor 1,6% superior ao observado em abril. Segundo pesquisadores do Cepea, o desempenho foi sustentado principalmente pela demanda interna aquecida e pelo ritmo favorável das exportações de produtos avícolas, fatores que contribuíram para sustentar os preços no mercado interno.
Apesar da valorização no acumulado do mês, o centro de pesquisas observa uma desaceleração nas negociações desde o início da segunda quinzena de maio. A redução da liquidez no mercado atacadista já provoca ajustes negativos nas cotações e pode limitar novos avanços nos preços do frango nas próximas semanas.

Foto: Mapa
De acordo com o Cepea, caso esse movimento de enfraquecimento das negociações persista, há possibilidade de pressão adicional sobre os valores da proteína avícola.
Na comparação com as concorrentes, o frango inteiro resfriado segue mais barato no atacado paulista. Em maio, o produto foi comercializado, em média, a R$ 1,38 por quilo abaixo da carcaça especial suína e a R$ 7,31 por quilo abaixo da carcaça casada bovina.

Avicultura
Indústria de ovos do Rio Grande do Sul avalia desacelerar produção
Setor cita alta dos custos, impactos do tarifaço sobre as exportações aos Estados Unidos e retração no consumo como fatores que pressionam a atividade.

A indústria de ovos do Rio Grande do Sul avalia reduzir o ritmo de produção diante do cenário de instabilidade econômica e do aumento dos custos. O tema foi debatido na terça-feira (07), durante reunião da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs/Ovos RS), na Serra Gaúcha, que reuniu representantes do setor para discutir o mercado, a produção e questões técnicas e econômicas.
Entre os fatores que preocupam o segmento estão os impactos remanescentes do tarifaço que inviabilizou as exportações de ovos para os Estados Unidos, a alta nos custos de produção, incluindo embalagens plásticas, e a cautela dos consumidores diante da situação econômica, o que tem refletido no consumo.

Foto: Giovanna Curado
Segundo a entidade, esse cenário poderá levar produtores e indústrias a desacelerarem a produção como forma de enfrentar o momento. A definição sobre eventuais ajustes será feita individualmente por cada empresa, conforme sua realidade e plano de contingência.
“Estamos atravessando um momento de instabilidade no comércio de um dos alimentos que é base para muitas refeições e preparo de muitos outros alimentos. Assim, medidas de mitigação serão necessárias para evitar danos maiores na oferta de ovos no mercado”, afirma o presidente executivo da Organização Avícola do RS, José Eduardo dos Santos.
A entidade destaca ainda que, caso o cenário atual persista, os reflexos no mercado e no comércio de ovos deverão ser percebidos gradualmente.
Em relação ao mercado externo, as exportações gaúchas de ovos no primeiro semestre de 2026 seguem em recuperação em volume na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2025, o setor foi afetado pela suspensão das exportações para diversos países após o registro sanitário de Influenza Aviária, em maio.
Avicultura
Exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul atingem US$ 731 milhões no semestre
Volume embarcado cresceu 7,8% na comparação anual, enquanto junho registrou alta de 41,2% nas vendas externas.

As exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul seguiram em ritmo de recuperação no primeiro semestre de 2026, consolidando o avanço da avicultura gaúcha no mercado externo. Os resultados registrados em junho e no acumulado do ano demonstram a manutenção da demanda internacional pela proteína produzida no Estado, refletindo a competitividade, a qualidade e a segurança sanitária da produção gaúcha.

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Os resultados do primeiro semestre confirmam a força da avicultura do Rio Grande do Sul e a confiança dos mercados importadores na qualidade dos nossos produtos” – Foto: Divulgação/Asgav
No comparativo entre junho de 2025 e junho de 2026, o volume exportado de carne de frango passou de 40.152 toneladas para 56.696 toneladas, representando crescimento de 41,2%. A receita acompanhou esse desempenho, saltando de US$ 69,6 milhões para US$ 115,5 milhões, alta de 66%.
No acumulado de janeiro a junho, as exportações gaúchas totalizaram 374.593 toneladas, frente às 347.618 toneladas embarcadas no mesmo período de 2025, avanço de 7,8%. Em receita, o setor alcançou US$ 731 milhões, crescimento de 17,1% em relação aos US$ 624,2 milhões obtidos no primeiro semestre do ano anterior.

Foto: Divulgação
Segundo o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, os números demonstram a trajetória da recuperação do setor e a capacidade da avicultura gaúcha de ampliar sua presença no mercado internacional.
“Os resultados do primeiro semestre confirmam a força da avicultura do Rio Grande do Sul e a confiança dos mercados importadores na qualidade dos nossos produtos. O crescimento expressivo tanto em volume quanto em receita, evidencia o fator resiliência das indústrias locais e reforça o compromisso do setor com a excelência produtiva, a biosseguridade e o abastecimento regular dos mercados internacionais”, destaca.
Mercado internacional
No cenário nacional, as exportações brasileiras de carne de frango também encerraram o primeiro semestre de 2026 com desempenho histórico. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 2,936 milhões de toneladas entre janeiro e junho, volume 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 5,7 bilhões, crescimento de 17%, configurando o melhor resultado da série histórica tanto em volume quanto em faturamento. Somente em junho, os embarques brasileiros somaram 482,8 mil toneladas, com receita de US$ 985,5 milhões, altas de 40,6% e 54,7%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Avicultura
Cotações dos ovos têm variação de até 1,73% nas principais praças
Ovos brancos registraram baixas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, enquanto vermelhos alternaram altas e quedas.

Os preços médios dos ovos registraram variações discretas nas principais praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na segunda-feira (6).
No mercado de ovos brancos, as cotações recuaram em todas as regiões pesquisadas. A maior queda foi registrada em Recife (PE), de 0,89%, com o produto cotado a R$ 144,38. Em seguida aparecem Santa Maria de Jetibá (ES), com recuo de 0,60% e preço médio de R$ 140,56, Grande São Paulo, com queda de 0,29% e cotação de R$ 141,82, Bastos (SP), com baixa de 0,03% e preço de R$ 133,21, e Grande Belo Horizonte (MG), onde o valor ficou em R$ 146,17, após leve recuo de 0,02%.
Para os ovos vermelhos, o comportamento foi misto. A maior alta ocorreu na Grande São Paulo, onde a cotação avançou 1,73%, para R$ 155,27. Também houve valorização em Grande Belo Horizonte (0,40%), com preço médio de R$ 157,88, e em Recife (0,25%), onde o produto foi negociado a R$ 163,14. Já em Santa Maria de Jetibá (ES), a cotação apresentou leve recuo de 0,02%, para R$ 160,46, enquanto em Bastos (SP) a queda foi de 0,40%, com preço médio de R$ 149,29.




