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Alta densidade é desafio, mas tem solução

Questão preocupa principalmente na fase de terminação; manejo correto e diferenciado é solução para evitar maiores problemas

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Com o auxílio da tecnologia se tornou possível que o suinocultor aumentasse o número de leitões desmamados/fêmea/ano (DFA). Mas, com isso, surgiu um desafio que vem sendo enfrentando pelos agentes da suinocultura nos últimos anos: a alta densidade das granjas. Problemas com espaço, nutrição e sanidade acabaram se tornando comuns devido a esta questão. Se não tratada de forma correta, com um manejo adequado, as perdas do produtor podem ser altas.

É sabido que o melhoramento genético das últimas décadas focou em aumento da produtividade como, por exemplo, aumento do número de leitões por fêmea por ano, melhoria da taxa de mortalidade e, por consequência, melhor bem-estar dos animais. “Este melhoramento é importante para produção de um produto de qualidade e de preço adequado para o consumidor, especialmente com o aumento nos preços dos insumos de produção ao longo do tempo. A média de leitões desmamados/fêmea/ano, que em 2008 era de 27, em 2017 subiu para 33 em granjas brasileiras”, comenta a médica veterinária e mestranda do Setor de Suínos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Fiorin Hernig.

A profissional comenta que estas melhorias trouxeram, no entanto, um desafio caracterizado pelo aumento no número de animais no plantel, o que exige investimentos em construção de novas instalações, gerando despesas e preocupações com o espaço disponível nas propriedades. “Além disso, existem regulamentações e limites em relação a quantidade de animais e dejeto produzido em cada área de acordo com a qualidade de terra disponível. Este desafio é muitas vezes solucionado alojando-se mais animais por baia (aumento na densidade) e reduzindo-se o tempo entre lotes”, diz.

Ela explica que, entretanto, ao aumentar a densidade das baias, é preciso mensurar adequadamente alguns desafios sanitários e zootécnicos que serão enfrentados, além da manutenção do bem-estar dos animais. “Para tal, é importante avaliar não só o espaço de baia por animal, mas a quantidade de animais por cocho e por bebedouros. Alguns produtores têm trocado os comedouros por modelos mais largos e adicionado mais bebedouros por baia para manter as recomendações das empresas de melhoramento genético”, conta.

Luciana acrescenta que em alguns momentos, a melhoria nas taxas de prenhez e parto, por exemplo, podem ocasionar um percentual de fêmeas gestantes superior ao espaço disponível nas baias, aumentando a densidade e gerando prejuízos aos animais, principalmente em casos onde o piso é em maior parte compacto. “Outra preocupação é com o espaço disponível nas gaiolas de maternidade, bem como nas baias de creche, recria e terminação, tendo em vista que o número de leitões nascidos vivos aumentou em média de 12 para 14, entre 2008 e 2017, nas granjas brasileiras”, sustenta.

A dificuldade em se fornecer o espaço adequado pode ser um problema em todas as fases de criação, isso porque o planejamento na construção de uma granja é adequado para um plantel e índices produtivos pré-definidos, o que não atende ao aumento do número de animais e melhoria na produtividade, explica a médica veterinária. Ela acrescenta que, no entanto, o sucesso na produção depende diretamente de uma boa gestão. “A crescente preocupação com o bem-estar animal na produção tecnificada trouxe à tona discussões, entre outros temas, sobre o espaço ideal para criação dos animais e reforçou a necessidade de se estudar, conhecer e respeitar a densidade e lotação”, comenta.

Segundo a médica veterinária, a fase que o produtor enfrenta maiores dificuldades com alta densidade é o final da terminação, já que ainda que seja respeitado o número de suínos por metro quadrado, é a fase onde se tem maior quantidade de quilos por metro quadrado. “O que alguns produtores fazem para evitar ou minimizar esta situação é o que é conhecido como “abate parcelado”, quando os animais mais pesados são enviados para o abate algumas semanas antes dos próximos mais pesados, e assim por diante”, conta.

Quais os danos e o que fazer

Luciana explica que, primeiramente, para evitar maiores danos, os produtores devem conhecer os índices produtivos verdadeiros da sua granja e a capacidade física das suas instalações, respeitando o espaço necessário de acordo com a fase de produção. “Atualmente, há softwares que facilitam o acompanhamento diário dos dados, gerando médias e gráficos que possibilitam a tomada de decisões rapidamente. Desta forma, pode-se organizar os lotes respeitando-se os manejos sanitários”, informa.

A pesquisadora diz que no caso de se optar por um aumento na lotação das baias, o sucesso depende de um bom planejamento prévio, pois o produtor poderá apensar tomar a decisão e arcar com consequências negativas, ou ter ciência de que precisa fornecer o máximo conforto aos animais, para que eles desempenhem seu potencial nestas condições, provendo bons resultados à granja.

É preciso ainda, de acordo com a médica veterinária, estar atento ao fato de que o maior contato entre os animais, pela proximidade, facilita a transmissão de patógenos, o que dificulta na prevenção e erradicação de doenças. Ela explica, que há ainda a dificuldade na identificação de animais doentes e tratamento, podendo levar ao aumento na mortalidade.

“Outro ponto chave é o cuidado com a ambiência adequada aos animais, nas diferentes fases, considerando a temperatura ideal. Além disso, há a necessidade de renovação do ar dentro das instalações, evitando o acúmulo de poeira e gases, que prejudicam o trato respiratório, provocam e exacerbam quadros clínicos”, destaca. Luciana afirma que, entretanto, quando os pontos críticos são bem mapeados previamente e se tem claras as formas de preveni-los e solucioná-los através de manejos diários na granja, o produtor consegue atingir suas metas com sucesso.

Nas gestantes

A médica veterinária destaca ainda que quando se trata de fêmeas gestantes, se criadas sob alta densidade, sem que se tenha um planejamento adequado, elas podem não desfrutar do espaço necessário para o bem-estar, mas, principalmente, disputam por comida e para acessar bebedouros. “Isto se agrava quando o fornecimento de ração não é bem distribuído na baia, ou não é limpa adequadamente (preocupação maior onde o piso é em maior percentual compacto), pois restringe o acesso ao alimento, bem como ele pode se misturar a sujidades”, conta.

Além do mais, Luciana diz que pisos sujos podem propiciar quadros de infecção no trato reprodutivo e/ou urinário, como cistites, descargas vulvares e abortos. “Outra preocupação é com o número de bebedouros por fêmea ou a vazão inadequada de água (ideal: 1,5 a 2,0 litros/minuto), pois o baixo consumo de água pode ocasionar problemas urinários e, por consequência, reprodutivos, culminado com quadros de abortos”, diz.

Nesse sentido, a médica veterinária conta que é possível optar por medidas como a troca de pisos compactos por vazados, quando possível, o que facilita a higienização das baias. Além do mais, é possível ainda aumentar o número de bebedouros e de espaço linear nos comedouros das baias – como comedouros mais largos, que possibilitem que um maior número de animais tenha acesso a ração simultaneamente –, facilitando o acesso e reduzindo as disputas. “Estas ações envolvem menor custo que ampliações das construções e promovem bons resultados”, explica. Ela acrescenta que outro ponto importante é o cuidado com a ambiência, promovendo temperatura, ventilação e umidade adequadas, e promovendo a renovação de ar da sala, o que pode ser obtido com manejos de cortinas adequados, por exemplo.

Luciana explica que é preciso ainda se atentar para os aspectos comportamentais dos animais. “É sabido que os suínos manifestam um comportamento de hierarquia no grupo e, desta forma, fêmeas submissas podem ser prejudicadas, deixando de consumir a quantidade de ração diária adequada para a fase, consumindo pouca água no dia e sofrendo injúrias durante as brigas, podendo até sofrer lesões mais graves”, destaca. Assim, esclarece, é observado, por exemplo, casos de abortos, fêmeas que chegam vazias ao parto (abortos não detectados nas baias) e/ou fêmeas lesionadas principalmente nos membros, que apresentam dificuldade em se locomover.

E complementa que é sabido também que para fêmeas gestantes, deve haver a preocupação em relação a mistura de animais de diferentes linhagens/genéticas, tendo em vista que há diferenças inerentes a isso. “Algumas linhagens genéticas de suínos apresentam maior agressividade na disputa pela hierarquia, o que pode se agravar quando o espaço na baia é reduzido. Deve então separar as fêmeas por: 1) categoria, por exemplo, leitoas e porcas, e 2) por condição corporal, com o objetivo de melhorar a interação entre elas”, destaca.

Outro manejo sugerido pela médica veterinária é a remoção de fêmeas mais agressivas das baias, assim que elas são identificadas, transferindo-as para gaiolas e promovendo melhor ambiente entre as remanescentes. “Hoje há linhas de estudos voltadas ao comportamento dos animais que alegam que o fornecimento de enriquecimento ambiental pode reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida dos animais. Neste caso, é indicado uso de materiais com os quais os leitões e até fêmeas possam interagir, distraindo-se, o que reduziria as brigas e disputas, como correntes suspensas, bolas de material resistente, entre outros”, conta.

Leitões em fase de creche e terminação

Luciana expõe que quando se pensa em leitões nas fases de creche, recria e terminação, é observado o mesmo caso de redução de acesso aos comedouros e bebedouros por parte dos animais submissos e/ou menores. “Este quadro pode culminar com baixo desenvolvimento destes animais, baixo consumo diário de ração, queda no ganho de peso diário e peso final”, diz. Outra preocupação, segundo a médica veterinária, é com os possíveis quadros de canibalismo. “Isto porque, provendo de menor espaço para se locomover e explorar o ambiente, os suínos praticam este comportamento de mordedura, o que se exacerba com o crescimento destes e, além das lesões iniciais, pode se agravar com a disseminação de agentes e aparecimento de abscessos na coluna, por exemplo”, esclarece.

Ela conta que as mesmas medidas já mencionadas para as fêmeas gestantes, relacionadas ao piso, comedouros e bebedouros, devem ser aplicadas nas baias de creche, recria e terminação. “Na creche ainda, quando se tem um ambiente com alta carga de patógenos associado às lesões na pele, pode-se observar quadros de epidermites, mas que se respeitados os protocolos de higienização e manejos básicos, raramente ocorrerão”, diz.

Uma opção praticada em lotes de terminação, de acordo com Luciana, é o abate segregado, que consiste na remoção de percentual de animais com maior peso cerca de 15 dias antes da data prevista para o abate, com o intuito de promover melhores condições aos que permanecem na instalação, já que eles desfrutam então de mais espaço na baia, assim como maior facilidade de acesso ao comedouro e bebedouro. “Deve-se atentar, no entanto, para algumas dificuldades, como, por exemplo, a logística de transporte, o jejum preconizado ao abate para os animais removidos e as datas do protocolo de imunocastração quando praticado”, observa.

Prejuízos também são financeiros

Luciana comenta que a densidade ideal vai variar em cada sistema de produção e granjas. “Fatores que vão influenciar são: quantidade e qualidade dos comedouros e bebedouros disponíveis, status sanitário, qualidade do manejo dos animais, ajuste dos comedouros, qualidade e níveis da dieta, genética, tipos de pisos, entre outros”, afirma. Ela complementa que o aumento da densidade pode aumentar ou diminuir a lucratividade dos produtores, dependendo de como for abordado. “É importante consultar o veterinário responsável para se obter as melhores recomendações para a sua granja”, recomenda.

A médica veterinária destaca ainda que é preciso ter em mente que a suinocultura apresentou uma evolução considerável nos últimos anos, ou seja, o aumento no número de animais, e, por consequência, na densidade, mesmo sem investimentos em ampliação das instalações, foi conquistado pela maioria dos produtores com boas práticas de produção e seguindo orientações dos veterinários responsáveis, o que é representado pelo maior número de desmamados/fêmea ano, bem como pela redução em índices de mortalidades.

Além do mais, tendo em vista que a suinocultura vem apresentando uma evolução nos resultados, com investimentos em tecnologia, genética, manejo e nutrição, por exemplo, algumas linhas de pesquisa têm sido voltadas para atualização de recomendações antigas, como o espaço na creche e espaço linear de comedouros, por exemplo, explica Luciana. “Além disso, com a melhoria da tecnologia de vídeo associada à inteligência artificial já se discute a respeito de se selecionar animais menos agressivos dentro de algumas linhagens genéticas, com intuito de reduzir as disputas/brigas, o que possibilitaria a melhoria no bem-estar em casos de alojamento baias coletivas”, destaca.

Solução está no manejo

Os problemas com a alta densidade não passam mais despercebidos pelos olhos dos profissionais da área. De acordo com o gerente de Divisão Pecuária da Cooperativa Agroindustrial Lar, médico veterinário Dirceu Zotti, de forma geral as granjas estão produzindo mais e isso está gerando este problema, e o manejo pode contribuir para a melhoria de resultados neste contexto. “Podemos melhorar as condições gerais de limpeza, aumentar o fornecimento de bebedouros e comedouros conforme número específico de animais, usar programa diferenciado de vacinações, melhorar ventilação e/ou climatização dos barracões, aumentar a dedicação específica dos funcionários em determinadas áreas de maior atenção, como por exemplo, na maternidade e na área de coberturas na gestação. Estes seriam alguns dentre vários outros que podemos lançar mão neste momento específico”, comenta.

De acordo com o profissional, sem dúvidas a sanidade é também um ponto que merece atenção. “Quanto mais adensado trabalhamos, mais propenso a diminuir nossa sanidade estaremos. Por isso a importância de lançarmos mão de alguns manejos diferenciados neste momento”, comenta. Para Zotti, entre outras medidas adotadas pelo suinocultor, ele pode ajustar o plantel conforme a produtividade. “Ou seja, diminuir o número de fêmeas por exemplo, para que o número de leitões na creche seja conforme o recomendado. Ou então aumentar o tamanho da granja para atender esta necessidade de espaço, conforme o projeto de número de matrizes”, aconselha. “Minha forma de ver a questão do adensamento é que isso deve ser um problema momentâneo, caso contrário poderemos ter sérios prejuízos ao longo prazo”, alerta.

O médico veterinário reitera que esta realidade da alta densidade nas granjas deve ser encarada de forma natural em determinado momento, e jamais como rotina ao longo do tempo. “Pois, se não tivermos condições adequadas, perderemos em desempenho”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

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Foto: Shutterstock

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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