Conectado com

Suínos

Alpha-monolaurina: mais saúde e desempenho para os animais

Conhecida como monolaurato de glicerol, um composto natural encontrado no leite materno humano e em concentrações menores em outros leites de mamíferos.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A necessidade do uso racional de antimicrobianos na produção intensiva dos animais é uma demanda mais que urgente. Problemas associadas ao uso excessivo que promovem desenvolvimento de bactérias resistentes se tornaram um problema de saúde pública, uma responsabilidade agora cobrada pelos principais mercados consumidores. Diante disso, estratégias e tecnologias mais naturais que permitam promover melhorar a saúde e por consequência, o desempenho e a produtividade dos animais ganham cada vez mais relevância.

Zootecnista, doutor em Nutrição de Aves e Suínos e gerente técnico da Feedis, Silvano Bünzen:”α-monolaurina é um forte candidato para redução dos desafios de patógenos e melhora na saúde intestinal” – Foto: Divulgação

Assim é com a α-monolaurina, também conhecida como monolaurato de glicerol, um composto natural encontrado no leite materno humano e em concentrações menores em outros leites de mamíferos e que se destaca por suas propriedades antimicrobianas, antivirais e anti-inflamatórias.

A α-monolaurina é reconhecida como segura pela FDA, composto por uma molécula de ácido láurico ligado na posição 1 do glicerol através de processo de esterificação. Esta ligação confere características importantes para uso na alimentação, como maior estabilidade da molécula a temperatura e pH, o que preserva o ácido pela passagem no estômago de forma “natural”, sem que precise ser protegido ou recoberto, como normalmente ocorre com os ácidos encapsulados. Dessa forma, esta molécula tem sido cada vez mais utilizada como aditivo em rações para animais, por permitir maior ação e efetividade, sem ter perdas ao longo do trato digestivo.

Vários autores têm estudado a α-monolaurina pelo seu efeito melhorador de desempenho nos animais, associado a melhora na imunidade, microbiota, ação anti-inflamatória e antimicrobiana.

Quando comparados a outros ácidos de cadeia curta e média, a α-monolaurina tem apresentado maior efetividade sobre diferentes agentes patógenos, inclusive bactérias gram positivas, como Streptococcus e Staphylococcus, atuando de forma sistêmica e não somente no trato digestivo. Além disso, quando comparado ao seu ácido correspondente, o ácido láurico, presente no óleo de coco, mostrou baixa atividade contra Streptococcus suis enquanto α -monolaurina foi muito mais efetiva.

Outra pesquisa também evidenciou o efeito da α-monolaurina sobre alguns agentes virais, protegidos por camada lipídica (capsídeo), já que uma das principais ações da monolaurina se dá sobre a promoção do rompimento da membrana lipídica, expondo o conteúdo intracelular e prejudicando a sua multiplicação. Se encaixam nesta categoria os coronavírus, como o vírus da influenza. Assim, um dos efeitos da α-monolaurina sobre animais acometidos por surtos respiratórios provocados por influenza está relacionado a redução da sintomatologia e manutenção do consumo e desempenho.

A α-monolaurina também possui ação anti-inflamatória, reduzindo a produção de citoquinas pro inflamatórias. Atividade imunomoduladora é outra característica importante atribuída a α-monolaurina. Uma pesquisa demonstrou que a α-monolaurina pode reduzir a produção de citoquinas e exibir ação anti-inflamatória. Resultado semelhante foi obtido em 2023, que, suplementando matrizes suínas nas fases de gestação e lactação, pesquisadores verificaram aumento nos níveis de IgA e IgG no colostro e no leite, com reflexo positivo sobre o peso dos leitões e da leitegada ao desmame. O aumento das imonuglobulinas no colostro e leite pode aumentar o status imunitário dos leitões, trazendo fortes ganhos sobre o desempenho destes animais.

Condições ideais

Quando conseguimos melhorar o sistema imune dos animais, reduzindo o desafio existente e aumentando o número de células de defesa dos animais, proporcionamos condições para que expressem todo o seu potencial, e o resultado é uma expressiva melhora no desempenho. Uma outra pesquisa evidenciou isso quando suplementou matrizes suínas nas fases de gestação e lactação com diferentes níveis crescentes de α-monolaurina (GML), obtendo forte aumento no peso dos leitões ao desmame, resultado da maior produção de leite e da melhora do status imunitário dos leitões ao nascimento e ao desmame, o que sem dúvidas trará benefícios sobre o desempenho subsequente.

Forte candidato

Devido as inúmeras vantagens que a α-monolaurina tem apresentado sobre a saúde e o desempenho dos animais, em estudo recente utilizou-se a combinação da α-monolaurina e da tributirina em dietas para leitões desmamados buscando a retirada do uso do zinco em níveis promotores (3.000 g/ton), indicando ser esta uma estratégia viável para a redução no uso de altos níveis de zinco.

Assim, devido à combinação de suas ações sobre aumento na resistência contra determinados patógenos, melhora do sistema imune e sua influência positiva sobre o metabolismo de nutrientes e a microbiota, a α-monolaurina é um forte candidato para redução dos desafios de patógenos e melhora na saúde intestinal e no desempenho de suínos em diferentes idades.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: silvano.bunzen@feedis.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Silvano Bünzen, zootecnista, doutor em Nutrição de Aves e Suínos e gerente técnico da Feedis.

Suínos

Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos

Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

Publicado em

em

Imagem: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.

Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.

A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.

Resistência

A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.

Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.

Compostagem

A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.

A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura

Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.

A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.

“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.

Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica

A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.

A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.

A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura

Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

Publicado em

em

Fotos: Pigma Desenvolvimentos

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.

O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.

Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.

O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.

Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.