Conectado com

Notícias

Alimentos sobem 302% e superam inflação geral em 62% no Brasil em quase 20 anos

Pesquisa indica inflação estrutural da comida no Brasil, com altas de até 516% em frutas e perda de poder de compra para itens in natura.

Publicado em

em

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um estudo divulgado na última semana pela organização não governamental ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, mostra que a inflação de alimentos no Brasil se configura como um fenômeno estrutural, que encarece mais os produtos frescos em comparação com os ultraprocessados. O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico. Segundo ele, a inflação dos alimentos no Brasil não pode ser atribuída exclusivamente a questões sazonais, oscilações temporárias que tendem a se corrigir espontaneamente quando a estação muda. O estudo aponta o exemplo de alta no preço do tomate durante a entressafra.

Economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico: “A inflação é estrutural, pois não decorre apenas de choques temporários, é específica, porque está associada às características históricas do modelo de desenvolvimento brasileiro” – Foto: Renato Formagin

O economista também defende que a inflação dos alimentos não pode ser só explicada por fatores conjunturais, que seriam variações por eventos não recorrentes, que podem durar meses ou poucos anos. Um exemplo é a desvalorização súbita do câmbio.

O estudo classifica a inflação da alimentação como estrutural, composta por pressões permanentes que não se resolvem sozinhas e exigem mudanças no modo como a economia está organizada. “A inflação é estrutural, pois não decorre apenas de choques temporários, é específica, porque está associada às características históricas do modelo de desenvolvimento brasileiro”, escreve o pesquisador no estudo.

Alta acima da inflação

Em quase 20 anos, o custo da alimentação do brasileiro subiu 302,6%, ou seja, multiplicou por quatro, enquanto a inflação geral do país foi de 186,6%. Isso significa que, de junho de 2006 a dezembro de 2025, o encarecimento da comida supera em 62% o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação oficial.

Para efeito de comparação, Palmieri Junior mostra que nos Estados Unidos, no mesmo período, o nível de preços dos alimentos ficou cerca de 1,5% acima da inflação geral.

O pesquisador ressalta que no Brasil, quando acontece algum tipo de crise e os preços dos alimentos sobem muito, há resistência de recuo. “Aumentar é fácil, mas

Foto: Divulgação

depois, em algum momento, cair um pouco, isso é muito difícil. Vi isso em relação a alguns outros países”, ressaltou.

Ao detalhar os grupos alimentícios do custo da comida no Brasil, a pesquisa revela que os itens que mais subiram foram:

  • Tubérculos, raízes e legumes (359,5%),
  • Carnes (483,5%) e
  • Frutas (516,2%)

Saudáveis x ultraprocessados

O levantamento mostra que a perda do poder de compra é mais sentida em alimentos in natura. “Se uma pessoa destinasse, por exemplo, 5% do salário mínimo para comprar alimentos em 2006, hoje, com essa mesma proporção, ela conseguiria levar mais produtos ultraprocessados e menos alimentos saudáveis”, diz.

Entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas caiu cerca de 31%; e para hortaliças e verduras, 26,6%. Já para compra de refrigerantes (+23,6%) e embutidos como presunto (+69%) e mortadela (+87,2%), aumentou.

Foto: Jaelson Lucas

Pelo lado dos ultraprocessados, o economista explica que o barateamento está associado ao fato de ter elementos como os aditivos, que são industriais, com menos oscilação de preço. Outro ponto é o fato de serem cultivos de “monotonia”, quando o solo é usado insistentemente para poucos tipos de alimentos, o que reduz a resiliência do cultivo. “Poucos ingredientes básicos, como trigo, milho, açúcar e óleo vegetal, passam a ser transformados em milhares de produtos distintos por meio da adição de aditivos químicos”, diz.

Para o professor, o menor efeito da inflação nos alimentos ultraprocessados direciona as escolhas, fazendo as pessoas a comprar produtos menos saudáveis. “Você vai tendo uma mudança nos padrões de consumo a partir disso”, menciona.

Uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou os fatores que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas.

Modelo exportador

Um dos fatores que levam ao aumento persistente dos preços, assinala, é a inserção internacional do Brasil e o modelo agroexportador. O fato de o país ser um dos

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

maiores exportadores de alimentos do mundo faz com que a prioridade dos produtores seja vender para outros países e receber o valor da produção em dólares, em vez de direcionar para o mercado interno.

Na década de 2000, mostra o estudo, o país exportava 24,2 milhões de toneladas de alimento e importava 14,2 milhões de toneladas. Em 2025, as exportações saltaram para 209,4 milhões de toneladas, enquanto as importações ficaram em 17,7 milhões. “Esse indicador mostra a quantidade líquida de alimentos produzidos no país cujo destino é o mercado externo, reforçando o papel do Brasil como grande exportador e aumentando a influência do mercado internacional sobre os preços internos”, afirma.

O direcionamento para exterior faz com que os produtores brasileiros deem prioridade para itens que são mais demandados em outros países, como soja, milho e cana de açúcar.

A área dedicada ao cultivo dessas culturas passou de 41,93 milhões de hectares em 2006 para 79,30 milhões de hectares em 2025. Essa diferença é maior que todo o território da Alemanha (35,7 milhões de hectares).

No mesmo período, a área dedicada ao cultivo de arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana encolheu de 10,22 milhões de hectares para 6,41 milhões de hectares. Para efeito de comparação, o estado da Paraíba se estende por 5,64 milhões de hectares.

Foto: Joédson Alves

Insumos mais caros

Outro elemento apontado como causa do encarecimento recorrente dos alimentos é o custo dos insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos, colheitadeiras e outras máquinas.

O estudo comparou preços dos triênios 2006-2008 e 2022-2024 e identificou os seguintes aumentos na moeda real:

  • fertilizantes: 2.423%.
  • herbicidas e reguladores de crescimento: 1.870%
  • colheitadeiras: 1.765%
  • inseticidas: 1.301%
  • ureia (fertilizante nitrogenado): 981%
  • peças e partes de máquinas agrícolas: 667%

Para o pesquisador, isso reflete a ausência de uma estratégia de desenvolvimento, com expansão de commodities (matérias-primas negociadas em grandes quantidades e preços internacionais) baseada em insumos e tecnologias controlados por oligopólios de países desenvolvidos.

O autor explica que há um ciclo vicioso que se reflete nos preços internos. “Isso afetou o preço para todo mundo, inclusive para aquele pequeno produtor de feijão.

Foto: Valter Campanato

Ele nem exporta, mas vai pagar o alto custo do preço dos insumos, e esse custo vai ser repassado para o preço do feijão”, exemplifica.

Concentração

Essa dependência é associada a outro fator que, na visão de Palmieri Junior, leva à inflação dos alimentos: a concentração da cadeia produtiva. No estudo, ele revela que apenas quatro empresas estrangeiras de sementes respondem por 56% do mercado global.

No caso de empresas pesticidas, quatro companhias de fora do país abocanham 61% do mercado. Nas máquinas agrícolas, 43% do mercado equivalem à participação de quatro empresas estrangeiras.

Na indústria alimentícia, prossegue o estudo, cinco marcas de duas empresas têm participação de 74,2% no mercado de margarina brasileiro. Situação semelhante acontece no mercado de massa instantânea (73,7%). Cinco marcas de três empresas alcançam 83% do mercado de chocolates/bombom.

Foto: Geraldo Bubniak

Inflação invisível

O economista cita que a inflação dos alimentos é ainda pior do que mostram os números, por causa da “inflação invisível”, que não é possível de ser medida. Ele classifica como esse fenômeno os produtos que mantêm o preço, mas alteram os ingredientes, acrescentando itens mais baratos em detrimento dos mais caros, fazendo com que o produto final perca qualidade.

Um exemplo é o sorvete, que passa a receber menos leite e mais açúcar. O mesmo acontece com o chocolate, que perde cacau em pó e ganha açúcar. “Se o custo é reduzido piorando a qualidade, e vende com o mesmo preço, é uma inflação que não é computada pelos órgãos de pesquisa. Como você vai captar isso?”, questiona.

Soluções

A publicação aponta alguns caminhos com capacidade de reverter a trajetória inflacionária da comida. “O preço da comida não é apenas uma variável econômica. Expressa escolhas políticas, distributivas e civilizatórias sobre o modelo de sociedade que se pretende construir”, frisa o autor.

Entres as sugestões estão:

  • desconcentração produtiva e fortalecimento das economias locais
  • reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno
  • fortalecimento de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Centrais de Abastecimento dos estados (Ceasas)

    Foto: Geraldo Bubniak

  • ampliação de acesso à terra
  • crédito à produção condicionado a produção para o mercado interno

Palmieri Junior cita como referência países desenvolvidos, como Estados Unidos e nações europeias, que adotaram políticas de reforma agrária para ampliar o acesso à terra. “Isso permite distribuir melhor a produção e fortalece a soberania alimentar”, afirma.

Na avaliação do economista, a medida também atende a interesses econômicos mais amplos. “Com alimentos mais baratos, o consumidor pode direcionar renda para outros bens e serviços, o que dinamiza diferentes setores. Quando uma parcela elevada da renda é absorvida pela alimentação, há restrição ao consumo em outras áreas da economia”, salienta.

Fonte: Agência Brasil

Notícias

Superávit da balança comercial alcança US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho

Resultado foi impulsionado pelo crescimento de 40,6% das exportações na comparação com o mesmo período de 2025.

Publicado em

em

Fotos: Cláudio Neves

Na primeira semana de julho de 2026, comparada a julho do ano de 2025, as exportações cresceram 40,6% e somaram US$ 5,89 bilhões. As importações cresceram 10,4% e totalizaram US$ 3,62 bilhões. Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,27 bilhões, com crescimento de 149,0%, e a corrente de comércio aumentou 27,3%, alcançando US$ 9,51 bilhões.

Foto: Claudio Neves

No acumulado entre janeiro até a primeira semana de julho deste ano, em comparação a janeiro/julho de 2025, as exportações cresceram 11,8% e somaram US$ 190,66 bilhões. As importações cresceram 5,4% e totalizaram US$ 146,03 bilhões. Como consequência destes resultados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 44,63 bilhões , com crescimento de 39,2%, e a corrente de comércio registrou aumento de 8,9%, atingindo US$ 336,70 bilhões.

Até a primeira semana de julho, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 1,5% em agropecuária, que somou US$ 0,95 bilhões; crescimento de 81,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,76 bilhões e, por fim, crescimento de 39,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,17 bilhões. A combinação destes resultados levou o aumento do total das exportações.

balanca.jpeg

Fonte: Agência Gov
Continue Lendo

Notícias

O agronegócio entre a prosperidade e os limites ambientais

Maior fronteira de expansão agrícola do país, o bioma impulsiona a produção de alimentos e as exportações brasileiras, enquanto o avanço sobre a vegetação nativa intensifica o debate sobre água, clima e os limites desse modelo de desenvolvimento.

Publicado em

em

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para entender como o avanço da fronteira agrícola do Matopiba influencia a economia regional e os recursos hídricos do país, a reportagem esteve em Balsas, no Sul do Maranhão. O município se consolidou como um dos principais polos da expansão agrícola brasileira e simboliza o contraste entre o dinamismo econômico promovido pelo agronegócio e as preocupações relacionadas à conservação do Cerrado.

Presidente do Sindicato Dos Produtores Rurais De Balsas, Airton Zamingnan: “Nós temos a vocação, temos o clima, temos o porto [de Itaqui, em São Luís] e temos os solos” – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindi Balsas), Airton Zamingnan, a transformação econômica da região está diretamente ligada ao desenvolvimento da atividade agropecuária.

Segundo ele, o estado reúne condições naturais favoráveis à produção agrícola, como clima, disponibilidade de chuvas, solos aptos ao cultivo e a proximidade do Porto do Itaqui, em São Luís, responsável por parte importante do escoamento da safra brasileira. “Nós temos a vocação, temos o clima, temos o porto [de Itaqui, em São Luís] e temos os solos. Cem por cento do Maranhão tem precipitação para se fazer no mínimo uma cultura. Qual a possibilidade que tem o estado sem seu agronegócio? Você acha que vai se instalar uma Volkswagen ou Mercedes para montar caminhão? Muito pouco provável. O agronegócio é a oportunidade de levar renda, trabalho e economia para essas regiões”, afirmou Zamingnan.

A percepção de que o agronegócio representa uma oportunidade de ascensão econômica também aparece no cotidiano das comunidades rurais. Em escolas da zona rural de Balsas, crianças afirmam que desejam trabalhar futuramente como operadoras de máquinas agrícolas ou motoristas de caminhão, profissões ligadas diretamente à cadeia produtiva do campo.

Mesmo entre moradores críticos à expansão das lavouras, há reconhecimento da importância econômica da atividade. O agricultor familiar José Carlos dos Santos, que vive em uma comunidade rural localizada a cerca de 300 quilômetros da sede do município e denuncia o avanço do desmatamento, considera que o setor desempenha papel essencial na geração de renda, mas defende limites para sua expansão. “Ele tem o lado destruidor, mas, por outro lado, ele traz o alimento para mesa porque são várias comunidades e famílias que dependem do agro para sobrevivência. Ao mesmo tempo, a gente vive lutando para pôr um limite para o grande produtor não acabar com o nosso bioma”, ponderou Santos.

Setor defende expansão e afirma que preservação também interessa ao produtor

Airton Zamingnan contesta a ideia de que o agronegócio seja o principal responsável pelos problemas ambientais do estado. Segundo ele, as áreas ocupadas por lavouras representam apenas 2,9%

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

do território maranhense, enquanto a atividade gera benefícios econômicos para aproximadamente um milhão de habitantes da macrorregião sul do estado.

O dirigente também compara a contribuição econômica do setor aos recursos destinados à preservação ambiental. “O agronegócio do Brasil gera por ano R$ 1,4 trilhão em receitas. O Fundo Amazônia, financiado por Alemanha e Noruega, não dá 0,1% do que o agro traz para economia brasileira”, afirmou Zamingnan.

O valor citado inclui receitas geradas ao longo da cadeia produtiva, incluindo lucros e remunerações distribuídas a empresários, executivos e acionistas.

Para o presidente do Sindi Balsas, preservar os recursos naturais é uma necessidade também do ponto de vista econômico, uma vez que alterações climáticas afetam diretamente a produção agrícola. “A gente tem que fazer de forma correta. Você não adentra o rio. Ele tem que ser preservado. Não tem que querer gostar ou não gostar. Nós somos favoráveis à lei que tem e eu acho que o meio ambiente tem que ser preservado”, declarou Zamingnan.

A mesma linha de argumentação tem sido adotada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participa da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada neste mês em Belém (PA).

Foto: Divulgação

Em publicação institucional, o vice-presidente da entidade, Muni Lourenço, afirmou que o objetivo é demonstrar que a agropecuária brasileira pode contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Além da produção sustentável da agropecuária brasileira, o objetivo é mostrar ao Brasil e ao mundo que o agro tem um papel fundamental para contribuir com as soluções climáticas e garantir a segurança alimentar e energética”, afirmou Lourenço.

A CNA e outras entidades representativas do agronegócio foram procuradas para conceder entrevistas específicas para esta série de reportagens, mas não responderam aos contatos. As manifestações das organizações que aceitaram participar estão distribuídas ao longo desta reportagem.

Influência política do agronegócio entra no debate

Enquanto representantes do setor defendem a expansão da produção, pesquisadores apontam que o peso econômico do agronegócio também se traduz em forte influência política.

O projeto De Olho nos Ruralistas, que monitora a atuação do agronegócio empresarial, sustenta que a concentração fundiária histórica ajuda a explicar a formação das elites econômicas brasileiras e sua presença nas estruturas de poder.

Segundo o coordenador da iniciativa, Bruno Bassi, a origem desse processo remonta ao período colonial. “É impossível você explicar a história da riqueza no Brasil, a formação das elites

Foto: Gessí Ceccon

econômicas brasileiras, sem falar de terra e território, e da ocupação desse território, muitas vezes ilegal, através de grilagem”, afirmou Bassi.

Na avaliação do pesquisador, a elevada concentração de terras resulta também em concentração de representação política.

Com base em dados do Censo Agropecuário de 2017, ele afirma que grandes proprietários rurais, responsáveis por cerca de 1% a 2% das terras agrícolas brasileiras, possuem influência significativa no Congresso Nacional. “Esse setor de grandes proprietários, que representa cerca de 1% ou 2% do total das terras agrícolas do Brasil, segundo dados do Censo Agropecuário, são donos de uma bancada com 300 deputados e mais de 50 senadores. Como a gente pode falar em democracia, em representação política, quando você tem uma disparidade tão grande de representação de uma classe?”, questionou Bassi.

O pesquisador também argumenta que, mesmo empresas que assumem compromissos ambientais no mercado internacional acabam apoiando, por meio de sua representação política, iniciativas que flexibilizam a legislação ambiental. “Por mais que as empresas estejam captando recursos internacionais de bilhões de dólares para planos de ação [climática], o que a gente vê na prática é que, no Congresso, continua uma agenda de desregulamentação ambiental”, afirmou Bassi.

Foto: Rodrigo Pereira Carneiro

Entre os exemplos citados está o projeto de lei que flexibilizou o licenciamento ambiental. A proposta foi parcialmente vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que editou uma medida provisória e encaminhou um novo projeto de lei com o argumento de reduzir possíveis impactos ambientais. Os vetos, a medida provisória e a nova proposta ainda dependem de análise do Congresso Nacional.

Governo aposta em incentivos para tornar produção mais sustentável

O Ministério do Meio Ambiente afirma que a estratégia federal não é confrontar o setor produtivo, mas estimular práticas que conciliem produção e conservação. Segundo a diretora do Departamento de Recursos Hídricos da pasta, Iara Bueno Giacomini, a prioridade é construir soluções em parceria com o agronegócio. “Não é apontar um dedo e falar que ‘você é errado’. Mas no sentido de falar: ‘olha, o seu negócio está em risco. A gente gostaria de ajudar você a pensar como fazer isso de uma maneira mais adequada, mais eficiente e sustentável'”, explicou Giacomini.

O ministério reconhece, contudo, que o avanço do desmatamento permitido pelo atual Código Florestal pode comprometer a segurança hídrica nacional, afetando o abastecimento de água, a geração de energia elétrica e a própria produção agropecuária.

Como parte da estratégia para reduzir esse risco, o governo destaca o programa Eco Invest, que captou R$ 30 bilhões destinados à recuperação de pastagens degradadas e ao aumento da produtividade agrícola.

Outra medida em elaboração é a regulamentação das Áreas Prioritárias para Conservação de Águas do Cerrado (APCACs). Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o decreto deve ser publicado em breve e tem como objetivo fortalecer a proteção das nascentes e dos recursos hídricos do bioma, considerado estratégico para o abastecimento de grande parte do território brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

Geopolítica, clima e inovação pautam seminário sobre o futuro da soja brasileira

Evento da Embrapa Soja reunirá especialistas e lideranças do agronegócio para discutir os fatores que influenciam a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Publicado em

em

Foto: Gilson Abreu

A competitividade da cadeia produtiva da soja brasileira diante dos desafios globais será o foco da 8ª edição do Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na sede da Embrapa Soja, em Londrina (PR). O evento é gratuito e reunirá especialistas, pesquisadores, representantes da indústria, produtores rurais e agentes públicos para discutir os principais temas que influenciam o futuro do setor.

Foto: José Fernando Ogura

Promovido pela Embrapa Soja em parceria com a Abiove, Anec, Aprosoja/MS, Aprosoja/PR, ASCB, CNA, OCB e Sindirações, o seminário é considerado um dos mais importantes fóruns técnicos da cadeia da soja no Brasil. A programação abordará temas estratégicos que vão desde a qualidade do grão até a produção de farelo, óleo e biocombustíveis, além de discutir sustentabilidade, inovação tecnológica, regulamentações, logística, geopolítica e competitividade.

A abertura do evento, a partir das 14 horas do dia 04 de agosto, contará com a conferência “Geopolítica Global e seus efeitos sobre o agronegócio mundial”, ministrada por Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e chefe de Relações Internacionais. Na sequência, o primeiro painel discutirá a agenda Brasil-China para o agronegócio, abordando oportunidades, desafios e perspectivas para o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. Entre os palestrantes confirmados está André Dobashi, vice-presidente da Aprosoja/MS.

No segundo dia, a programação será dedicada aos desafios e oportunidades da cadeia produtiva da

Foto: R.R.Rufino

soja, com início às 08 horas. Um dos destaques será a palestra do professor Marcos Silveira Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, que apresentará reflexões sobre os impactos das mudanças climáticas na produtividade, na qualidade nutricional da soja e na geopolítica do agronegócio. Outro tema em evidência será a logística do setor, com palestra de Thiago Péra, coordenador do Esalq-LOG, que discutirá os avanços necessários para superar os gargalos da infraestrutura brasileira.

A inovação e a rastreabilidade também estarão entre os assuntos debatidos, destacando o uso de tecnologias para aumentar a eficiência e a transparência na cadeia produtiva.

Encerrando o seminário, o terceiro painel será dedicado ao papel do biodiesel na descarbonização das cadeias produtivas. Especialistas discutirão como empresas têm adotado o biocombustível como estratégia para reduzir emissões, além dos impactos das métricas ambientais na valorização dos produtos e das perspectivas de ampliação do uso do biodiesel no transporte e na mecanização agrícola.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.