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Alimento de qualidade na fase pré-inicial: a chave para o sucesso na produção avícola

Dessa forma, o fornecimento de uma nutrição equilibrada e de fácil digestibilidade é essencial para garantir um bom desenvolvimento intestinal.

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Artigo escrito por Rodrigo de Freitas Jacob, Zootecnista, mestre em Ambiência e Nutrição de Monogástricos e doutor em Nutrição de Monogástricos, Consultor técnico em Nutrição de Aves na Vaccinar Nutrição Animal

A primeira semana de vida é a mais crítica para o desenvolvimento dos pintinhos. Durante esse período, ocorre um intenso crescimento dos órgãos do trato gastrointestinal e a maturação do sistema imunológico. A transição alimentar, da utilização do saco vitelino rico em proteínas e gorduras para uma dieta sólida baseada em carboidratos, exige adaptações fisiológicas significativas. Dessa forma, o fornecimento de uma nutrição equilibrada e de fácil digestibilidade é essencial para garantir um bom desenvolvimento intestinal.

Nesta fase, o crescimento dos pintinhos é impressionante, com as casas genéticas estimando um aumento de peso entre 4,6 e 4,8 vezes em relação ao peso inicial. O intestino tem um papel fundamental nesse processo, pois é responsável pelo processamento dos alimentos ingeridos. Por isso, a saúde intestinal nos primeiros dias de vida exige atenção especial, influenciando diretamente o desempenho produtivo e o bem-estar das aves.

Entretanto, o trato gastrointestinal dos pintinhos recém-eclodidos ainda está em desenvolvimento, tornando-os vulneráveis a desequilíbrios na microbiota, infecções e deficiências na digestão. Para fortalecer a saúde intestinal, é fundamental promover uma microbiota equilibrada, garantindo a predominância de microrganismos benéficos de modo a prevenir o crescimento excessivo de patógenos nos primeiros dias de vida.

Além disso, o intestino dos pintinhos é responsável pela absorção eficiente de nutrientes essenciais ao crescimento, como proteínas, vitaminas e minerais. Qualquer inflamação ou desregulação no trato gastrointestinal pode comprometer essa absorção, resultando em menor ganho de peso e piora da conversão alimentar.

Compreender a fisiologia e as necessidades nutricionais das aves nesse período desafiador é essencial para desenvolver estratégias que garantam condições adequadas ao seu crescimento durante toda a criação. Até os sete dias de idade, o aparato enzimático das aves ainda está em desenvolvimento, tornando fundamental o fornecimento de uma dieta completa, balanceada e composta por ingredientes de alta qualidade e digestibilidade para assegurar a oferta diária de nutrientes.

Na Fábrica

Na fábrica de ração, o controle rigoroso da qualidade das matérias-primas é indispensável, pois qualquer falha nesse processo pode comprometer significativamente os resultados econômicos. Além disso, a atenção aos processos de fabricação da ração é crucial para garantir um alimento de qualidade para as aves. A granulometria da ração é um fator determinante, pois influencia diretamente o desenvolvimento da moela, órgão essencial para o processamento dos alimentos no trato gastrointestinal.

A forma física da ração deve ser avaliada com critério, dado seu impacto no desempenho das aves. A ração peletizada e triturada apresenta benefícios como menor desperdício, melhor conversão alimentar e maior disponibilidade de energia e proteína, resultando em melhor uniformidade e um ganho de peso superior aos sete dias de vida.

Estudos mostram que cada grama adicional na fase pré-inicial pode representar um aumento de 3 a 5 gramas no peso da ave aos 28 dias de idade, podendo chegar a 5 a 8 gramas a mais aos 42 dias de idade, um impacto significativo tanto na produção de carne quanto na rentabilidade.

Para fortalecer a saúde intestinal e imunológica das aves, é indispensável utilizar as ferramentas disponíveis no mercado. O uso de tecnologias, longe de ser um custo, deve ser encarado como um investimento estratégico, pois se trata da fase mais importante do desenvolvimento da ave. Entre as principais soluções, destacam-se:

1. Probióticos e Prebióticos

Os probióticos são microrganismos benéficos que ajudam a modular a microbiota intestinal, competindo com bactérias patogênicas e estimulando o sistema imunológico. Cepas de Bacillus estão consolidadas como tecnologias para melhorar a saúde intestinal.

Os prebióticos, por outro lado, são fibras e compostos não digeríveis que servem como substrato para o crescimento de bactérias benéficas. A inulina e os mananoligossacarídeos (MOS) são exemplos de substâncias que favorecem a colonização de microrganismos positivos no intestino.

2. Enzimas Digestivas

A adição de enzimas exógenas na dieta, como fitase, xilanase e protease, melhora a digestão e a absorção de nutrientes, reduzindo o substrato para o crescimento de bactérias patogênicas no intestino. Além disso, reduz custos de formulação e melhora a rentabilidade dos sistemas de produção.

3. Óleos Essenciais

Extratos vegetais, como os óleos essenciais de canela, cravo e tomilho, possuem propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias naturais, ajudando a manter a integridade intestinal e reduzindo a necessidade do uso de antibióticos melhoradores de desempenho.

4. Ácidos orgânicos

A adição de ácidos orgânicos, como ácido benzóico e butírico, ajuda a reduzir o pH do intestino, criando um ambiente desfavorável para patógenos e promovendo o crescimento de bactérias benéficas.

5. Aditivos Adsorventes

O uso estratégico desses aditivos contribui para a manutenção da saúde intestinal e melhora os índices produtivos. Os aditivos adsorventes desempenham um papel essencial na redução dos efeitos adversos provocados pelas micotoxinas no organismo das aves.

Considerações finais

Na fase pré-inicial, a nutrição adequada é crucial, e um alimento completo, balanceado e de fácil digestão é essencial para garantir o desenvolvimento adequado das aves. A primeira semana de vida requer atenção especial e deve ser vista como um investimento, pois os esforços em nutrição, saúde intestinal e qualidade da ração nessa fase têm impacto direto no desempenho das aves ao final do lote. Portanto, adotar estratégias nutricionais eficientes e inovações tecnológicas é fundamental para maximizar a produtividade e a rentabilidade dos sistemas de produção.

O acesso à edição digital do jornal Avicultura Corte & Postura é gratuito. Para ler a versão completa online, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com Rodrigo de Freitas Jacob

Avicultura Retrospectiva 2025

Impulsionado por exportações e consumo interno mercado de ovos cresce em 2025

Produção avança, preços atingem picos no primeiro trimestre e embarques ao exterior batem recorde, mesmo com ajustes ao longo do ano e desafios pontuais no mercado internacional.

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Em 2025, o mercado de ovos manteve trajetória positiva, com produção e embarques recordes, apesar do caso de gripe aviária em granja comercial, em maio.

Pesquisas do Cepea mostram que as cotações atingiram recordes reais no início do ano; mas, com o aumento da oferta interna ao longo de 2025, passaram a recuar. Ainda assim, o bom ritmo dos embarques ajudou a limitar a baixa interna.

Os preços da proteína iniciaram 2025 abaixo dos praticados em dezembro/24, refletindo a demanda ainda retraída, típica do começo do ano. Em fevereiro, porém, o aumento gradual da procura com o retorno das aulas escolares e a oferta mais limitada elevaram os valores, que atingiram os maiores patamares da série histórica do Cepea. As altas persistiram até março, período em que tradicionalmente a demanda pela proteína é impulsionada pela Quaresma. No entanto, passaram a cair a partir de abril em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, com exceção de agosto.

Foto: Freepik

A produção nacional de ovos para consumo somou 3,04 bilhões de dúzias (de janeiro a setembro/25), volume 6,9% superior ao do mesmo período de 2024 e um recorde, de acordo com o IBGE. No mercado externo, a evolução dos casos de gripe aviária reduziu a oferta de ovos em diversos países.

Nos EUA, um surto significativo levou o país a intensificar as compras da proteína brasileira, cujo volume, entre janeiro e novembro, superou em 825% o total importado no ano anterior.

Segundo a Secex, nos 11 primeiros meses de 2025, os embarques de ovos in natura e processados somaram 38,64 mil toneladas, 109% acima do volume de todo o ano de 2024 e um recorde.

O setor também enfrentou alguns desafios externos. O tarifaço imposto pelo governo norte-americano em agosto reduziu os envios dos ovos aos EUA. Por outro lado, novos mercados foram abertos, como o México. Além disso, a rápida resolução do caso isolado de IAAP permitiu ao Brasil a retomada do seu status sanitário internacional e evidenciou o potencial do País para seguir atendendo as crescentes demandas interna e externa.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura

Nutrição ganha papel estratégico na imunidade e no controle de doenças na avicultura

Ração deixa de ser apenas fonte de desempenho e passa a atuar como ferramenta biológica, reforçando defesas das aves em um cenário de menor uso de antibióticos.

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Por décadas, a nutrição animal foi vista como ferramenta para garantir desempenho, peso e conversão alimentar. Mas, em um cenário de restrição ao uso de antibióticos e pressão crescente por sustentabilidade, a alimentação tem assumido outro papel estratégico na avicultura, que é atuar a favor da imunidade e no controle de patógenos.

Especialista em Imunologia Veterinária e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Breno Castello Branco Beirão: “É possível melhorar como acontecem as defesas se damos alguns nutrientes em momentos específicos. Hoje isso ainda é bastante teórico, pois a ração é fixa dentro de cada empresa, mas há potencial para o futuro” – Foto: Arquivo Pessoal

A ciência vem mostrando que a ração é mais do que combustível, é também um modulador biológico capaz de ajustar o comportamento do sistema imune, tornando as aves mais resistentes a desafios sanitários. Vitaminas, minerais, aminoácidos e aditivos funcionais não apenas nutrem, mas também influenciam como o organismo reage a infecções, inflamações e desequilíbrios intestinais.

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Breno Castello Branco Beirão, especialista em Imunologia Veterinária, explica que todos os nutrientes têm papel na modulação do sistema imunológico das aves, alguns de forma mais marcante, como as vitaminas A e D, os aminoácidos triptofano e arginina e os carboidratos.

Esses nutrientes, detalha Beirão, podem mudar de forma significativa a intensidade e a rapidez da resposta imune. “Há aminoácidos especialmente relevantes no controle imune, como glutamina, arginina e triptofano. A alteração deles modifica de maneira importante as defesas”, afirma.

No caso da energia dietética, explica, o essencial é o equilíbrio. “A quantidade total e a velocidade de uso são determinantes. A glicemia elevada constantemente ativa as células imunes, e o uso de fibras pode ajudar a mitigar isso”, menciona.

Mais do que nutrientes

O professor ressalta que a suplementação de vitaminas, minerais e prebióticos pode aprimorar as defesas naturais, mas o ponto-chave é o momento da oferta. “É possível melhorar como acontecem as defesas se damos alguns nutrientes em momentos específicos. Hoje isso ainda é bastante teórico, pois a ração é fixa dentro de cada empresa, mas há potencial para o futuro”, observa.

Na prática, o desafio está na rigidez dos sistemas industriais de alimentação. Cada empresa trabalha com formulações padronizadas, o que limita ajustes pontuais conforme a idade das aves, as condições do lote ou a carga de patógenos. “Talvez estratégias como a nutrição in ovo ou via água possam permitir maior flexibilidade”, expõe Beirão.

Controle de patógenos pelo intestino

As doenças entéricas, como coccidiose e enterites bacterianas, estão entre as principais causas de perdas produtivas. Nesses casos, as estratégias nutricionais buscam suprimir inflamações e, ao mesmo tempo, otimizar a resposta imune, explica o professor. “Sabemos um pouco sobre o uso de aditivos bióticos e nutricionais, mas ainda há espaço para melhorar esse conhecimento. É uma área nova de pesquisa”, salienta.

A ação dos aditivos funcionais, como probióticos, enzimas, óleos essenciais e acidificantes, ocorre em múltiplas frentes. “Eles interagem diretamente com as células imunes e alteram a microbiota intestinal, influenciando a presença de patógenos. Há inúmeros mecanismos, e esses são alguns dos mais conhecidos”, detalha.

Em relação à acidificação intestinal, Beirão observa que, embora muitos microrganismos se tornem resistentes aos ácidos, a técnica ainda provoca mudanças importantes na microbiota, dificultando a colonização por agentes como Salmonella e Escherichia coli.

Imunidade desde cedo

Outro ponto crítico é o início da vida das aves, quando o sistema imune ainda está em formação. “A maturação imune é muito dependente de estímulos nos primeiros momentos da vida. Estímulos com probióticos, leveduras e nutrição que sustente a formação dos tecidos mudam a resposta para toda a vida do animal”, afirma Beirão.

Segundo ele, investir na imunocompetência precoce é um dos caminhos mais promissores para reduzir o uso de antibióticos. “A nutrição pode ajudar, mas não sozinha. É preciso mudar manejo junto. Várias das estratégias que já mencionamos contribuem para isso”, acrescenta.

Avaliar, medir e ajustar

Hoje, nutricionistas contam com ferramentas sofisticadas para monitorar a saúde intestinal das aves. “Já há indicadores tecnificados, como análise de microbioma e permeabilidade intestinal”, menciona o professor, acrescentando: “Contudo, os parâmetros clínicos e zootécnicos ainda são o padrão ouro, embora sejam retrospectivos e não preditivos.”

Mesmo com limitações práticas, a convergência entre nutrição, imunidade e controle sanitário já é uma realidade respaldada pela pesquisa. “Há muitos estudos demonstrando resultados concretos, mas o problema é operacional: como manejar a dieta de uma empresa inteira quando as demandas são localizadas?”, questiona Beirão. A resposta, sugere ele, pode estar em inovações que permitam ajustar a nutrição de forma mais dinâmica e personalizada.

A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Avicultura de Santa Catarina reforça liderança e deve fechar 2025 com resultados positivos

Estado amplia produção e receita mantém protagonismo nas exportações de carne de frango e sustenta competitividade mesmo diante de custos elevados e desafios sanitários globais.

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A avicultura industrial de Santa Catarina apresentou desempenho positivo em 2025 e reforçou sua posição estratégica no cenário nacional e internacional, mesmo diante de um ambiente econômico adverso e de desafios sanitários enfrentados pelo setor em âmbito global. A avaliação é do diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Jorge Luiz de Lima, ao analisar os principais indicadores do ano.

O Estado respondeu por 26,3% de todo o volume de carne de frango exportado pelo Brasil e por 22,8% da receita obtida com as vendas externas do produto, números que evidenciam o peso da avicultura catarinense dentro da cadeia avícola brasileira. Enquanto o desempenho nacional foi marcado por produção recorde e leve retração nas exportações, Santa Catarina conseguiu ampliar produção e receita, sustentado pela diversificação de mercados e pela competitividade do setor.

Diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Jorge Luiz de Lima: “Após o caso de influenza aviária no Rio Grande do Sul, a rápida resposta sanitária, o controle da situação e a reconhecida biosseguridade do sistema produtivo brasileiro permitiram a manutenção e a reabertura de mercados, fator que também beneficiou diretamente Santa Catarina”

Em 2025, a produção catarinense de carne de frango cresceu 2,5% em relação a 2024, acompanhando o movimento nacional, que alcançou cerca de 15,4 milhões de toneladas, alta próxima de 3%. A receita do setor em Santa Catarina avançou 6,3% no mesmo período, resultado que compensou, em parte, o aumento de 6,5% nos custos de produção, pressionados principalmente pela logística. Segundo a ACAV, o cenário foi ainda mais desafiador em função da taxa básica de juros em torno de 15%, considerada um fator adverso para investimentos e capital de giro.

No comércio exterior, Santa Catarina manteve protagonismo. Arábia Saudita, Japão, Países Baixos, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido figuraram entre os principais destinos da carne de frango produzida no Estado. Ao longo do ano, Reino Unido e México se consolidaram como grandes compradores, ampliando a base de mercados e reduzindo riscos comerciais. Esse desempenho ganha relevância quando comparado ao cenário brasileiro, que registrou uma queda aproximada de 2% nas exportações totais, projetadas em cerca de 5,2 milhões de toneladas, em função de embargos temporários impostos após a detecção de um foco de influenza aviária em maio.

Apesar desse revés pontual, o faturamento da avicultura brasileira com exportações superou US$ 5,4 bilhões em 2025, demonstrando a força do setor no mercado global. “Após o caso de influenza aviária no Rio Grande do Sul, a rápida resposta sanitária, o controle da situação e a reconhecida biosseguridade do sistema produtivo brasileiro permitiram a manutenção e a reabertura de mercados, fator que também beneficiou diretamente Santa Catarina”, observou o diretor executivo.

No mercado interno, o consumo permaneceu elevado, impulsionado pelo frango como proteína de menor custo para o consumidor. De acordo com a ACAV, o setor encerrou 2025 com preços estáveis e margens favoráveis, mesmo diante do aumento de custos e das incertezas econômicas. O desempenho catarinense, que concentra pouco mais de um quarto das exportações brasileiras de carne de frango, confirma a relevância do Estado para a avicultura nacional e sustenta perspectivas positivas para 2026, tanto em produção quanto em mercados.

Fonte: Assessoria ACAV
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