Suínos
“Alimentação de precisão pode cortar custos de ração em até 10%”, aponta Ines Andretta
Manejo alimentar eficiente surge como principal estratégia para reduzir impactos ambientais e manter produtividade.

A produção de suínos no Brasil, cada vez mais intensiva e tecnificada, enfrenta o desafio de como alimentar o crescimento da demanda por proteínas sem comprometer o meio ambiente. Estudos apontam que a ração, elemento essencial na dieta dos animais, responde por até 70% das emissões de gases de efeito estufa da suinocultura.
Ao mesmo tempo, o manejo nutricional adequado pode reduzir o desperdício, otimizar o desempenho e diminuir impactos ambientais, transformando a alimentação em uma das principais alavancas para a sustentabilidade do setor. “Quando falamos de eficiência e sustentabilidade, a alimentação é o ponto onde conseguimos intervir de forma mais estratégica”, afirmou a doutora em Zootecnia, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ines Andretta, ao detalhar como a ciência da nutrição se conecta às ferramentas de avaliação ambiental, oferecendo caminhos concretos para a redução da pegada ecológica da produção suína.
Maior contribuidor da pegada ambiental

Doutora em Zootecnia, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ines Andretta: “A alimentação de precisão, aliada à seleção criteriosa de ingredientes, surge como estratégia prática e escalável para reduzir a pegada ambiental sem sacrificar produtividade” – Foto: Divulgação/Abraves-MG
A cadeia produtiva suína envolve múltiplas etapas, do cultivo das lavouras ao manejo de dejetos, mas é na alimentação que os impactos se concentram. “O setor de ração levanta preocupações ambientais porque depende de ingredientes globais e gera uma contribuição significativa para as emissões de gases de efeito estufa”, explicou Ines.
Estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) mostram que até 70% das emissões totais da suinocultura provêm da produção de ração, considerando cultivo, processamento e transporte de ingredientes. A dependência de cadeias globais, como o uso da soja brasileira em rações europeias, aumenta a complexidade da avaliação ambiental.
Além disso, a falta de dados harmonizados sobre fatores de emissão regionais torna difícil comparar resultados entre diferentes estudos. Nesse contexto, a especialista ressalta que para estratégias de mitigação eficazes, é essencial coletar dados locais, especialmente para ingredientes minoritários e logística de transporte, garantindo inventários de ração mais transparentes e precisos.
Ingredientes alternativos
Substituir ingredientes convencionais, como farelo de soja, por alternativas locais ou coprodutos agroindustriais, surge como uma estratégia promissora para reduzir impactos ambientais. Coprodutos de canola ou de outras agroindústrias podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa, desde que o balanceamento nutricional seja mantido.
A doutora em Zootecnia enfatizou que quando alternativas são usadas sem ajuste adequado de nutrientes, a digestibilidade cai, o crescimento dos animais diminui e os ganhos ambientais podem se perder. “Dietas com proteína reduzida, aminoácidos sintéticos e suplementação enzimática ajudam a diminuir a excreção de nitrogênio e fósforo, mitigando eutrofização e acidificação de solos e corpos d’água. O perfil de aminoácidos otimizado, aliado a aditivos funcionais, também pode melhorar a saúde intestinal, a absorção de nutrientes e a eficiência alimentar”, detalhou.
Ainda assim, a literatura científica sobre o uso de coprodutos e estratégias nutricionais avançadas é limitada. “Precisamos integrar variabilidade de ingredientes, digestibilidade e origem regional em modelos que simulem as condições reais da granja”, ressaltou a especialista.
Alimentação de precisão
A alimentação de precisão é definida como o fornecimento individualizado de nutrientes conforme a necessidade de cada animal. Em sistemas convencionais, dietas em grupo frequentemente resultam em superalimentação e excreção excessiva de nitrogênio e fósforo, com eficiência de retenção de nitrogênio chegando a apenas 35%. O resultado são lixiviação de nutrientes, volatilização de amônia e emissões de óxido nitroso, gases de efeito estufa potentes.
De acordo com Ines, a alimentação de precisão pode reduzir a excreção de nitrogênio e fósforo em 30 a 40%, além de cortar custos de ração em até 10%, sem comprometer o crescimento dos animais. “Estudos indicam ainda que dietas diárias individualizadas podem reduzir impactos das mudanças climáticas em 6%, da acidificação em 5% e da eutrofização em 5%”, pontuou.
Além de eficiência ambiental, esses sistemas permitem monitoramento contínuo do desempenho animal, possibilitando ajustes em tempo real. “Tecnologias como alimentadores automáticos e estimadores de necessidade baseados em inteligência artificial tornam viável a implementação de programas nutricionais individualizados em granjas comerciais”, mencionou Ines, destacando que barreiras como custo de infraestrutura e complexidade de gestão ainda limitam a adoção, especialmente em pequenas e médias propriedades.
Integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas
O futuro da suinocultura sustentável passa pela combinação de ciência da nutrição, avaliação ambiental e inovação tecnológica. “Precisamos de uma abordagem holística que considere saúde, bem-estar, desempenho, economia e impacto ambiental”, defendeu a pesquisadora, ressaltando: “A alimentação de precisão, aliada à seleção criteriosa de ingredientes, surge como estratégia prática e escalável para reduzir a pegada ambiental sem sacrificar produtividade”.
Para acelerar a transição, políticas públicas e incentivos econômicos podem ser decisivos. Programas nacionais de sustentabilidade, créditos de carbono e bancos de dados abertos sobre pegada de carbono dos ingredientes da ração podem apoiar produtores e formuladores de políticas. Colaborações internacionais e metodologias harmonizadas de avaliação ambiental também são necessárias para reduzir incertezas e permitir comparações confiáveis. “Treinar nutricionistas, engenheiros, economistas e técnicos para gerir sistemas integrados é fundamental. Só assim conseguiremos expandir a alimentação de precisão e promover uma suinocultura ambientalmente responsável e economicamente viável globalmente”, elencou Ines.
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Suínos
Suinfair 2026 confirma datas e abre vendas de estandes
Feira em Ponte Nova (MG) reunirá produtores, empresas e especialistas da suinocultura independente.

A Suinfair 2026 já está em fase de organização e comercialização de estandes, com programação técnica em estruturação. O evento será realizado nos dias 1º e 2 de julho, em Ponte Nova (MG), e se consolida como um dos principais encontros da suinocultura independente de Minas Gerais, reunindo produtores, empresas e especialistas do setor.
Promovida pela Associação dos Suinocultores do Vale do Piranga (Assuvap), com apoio da Cooperativa dos Suinocultores de Ponte Nova e Região (Coosuiponte) e parceiros, a feira deste ano terá como tema “Suinocultura em Movimento”, adotando um formato estratégico voltado para resultados práticos dentro da porteira. O evento busca conectar participantes, gerar troca de conhecimento e oportunidades reais de negócios.
A venda de estandes já está aberta e entra em fase decisiva, com número limitado de espaços, sinalizando forte interesse do mercado e expectativas positivas para a edição de 2026.
Além da feira de negócios, a programação inclui o seminário técnico, que contará com palestrantes confirmados e abordará conteúdos práticos, debates e discussões sobre tendências e desafios da suinocultura.
O Vale do Piranga, em Minas Gerais, é considerado o maior polo de suinocultura independente do Brasil, com produtores de alto nível técnico e atuação significativa no mercado. A realização da Suinfair na nova sede da Assuvap e da Coosuiponte reforça o protagonismo da região e fortalece a conexão entre os produtores.
A Suinfair 2026 se apresenta como um espaço de negócios, troca de conhecimento e desenvolvimento da suinocultura independente, com foco na valorização do produtor rural e no crescimento sustentável do setor.
Suínos
Avanço da produção e incertezas logísticas colocam suinocultura em alerta
Possíveis impactos do conflito no Golfo Pérsico e custos de ração podem afetar embarques e rentabilidade.

O ritmo de produção deve ser determinante para o desempenho das margens da suinocultura nos próximos meses. A tendência é de um cenário mais sensível, exigindo maior atenção tanto ao volume produzido quanto à capacidade de escoamento, especialmente para o mercado externo. Incertezas logísticas e possíveis mudanças nos custos de ração no segundo semestre reforçam a necessidade de cautela.
Na atividade, apesar do bom desempenho das exportações, o principal ponto de atenção continua sendo a velocidade de crescimento da produção. Mesmo com custos ainda controlados no curto prazo, a queda nos preços do suíno vivo desde o início do ano reduziu o espaço para novas pressões, comprimindo as margens e deixando o setor mais exposto a desequilíbrios entre oferta e demanda.

Ainda assim, o cenário pode se manter relativamente positivo se as exportações continuarem em bom ritmo. Um fator de risco é o conflito no Golfo Pérsico. Embora a região não seja um destino relevante para a carne suína brasileira, possíveis impactos indiretos sobre logística, fretes e o fluxo global de comércio podem afetar o ritmo dos embarques.
Esse risco ganha mais peso diante do aumento dos abates, que deve elevar a oferta interna e exigir maior capacidade de envio ao exterior. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, esse equilíbrio entre produção e exportação será fundamental para sustentar as margens do setor.
No campo dos custos, a atenção se volta principalmente para a ração no segundo semestre. Com o plantio do milho safrinha próximo do fim, o comportamento das chuvas entre abril e maio no Cerrado será decisivo para o potencial produtivo. Qualquer mudança nesse período pode impactar a oferta do cereal e aumentar a volatilidade dos preços.
Além disso, a demanda interna por milho segue firme, impulsionada pela produção de proteínas animais e pelo setor de etanol, o que reduz a margem de erro da safra. Por outro lado, o farelo de soja apresenta um cenário mais favorável, sustentado pela ampla produção e pelo maior ritmo de processamento no país, o que pode ajudar a amenizar os custos da ração ao longo do ano.
Suínos
Alta do milho reduz poder de compra do suinocultor pelo sexto mês seguido
Cereal sobe 4,6% em março e chega a R$ 70,96/sc em Campinas. Com suíno a R$ 6,94/kg, produtor compra 5,87 kg de milho por kg vendido.

O avanço dos preços do milho voltou a pressionar a relação de troca da suinocultura paulista em março. Dados do Cepea mostram que, na parcial até o dia 17, o poder de compra do produtor caiu pelo sexto mês consecutivo, refletindo a valorização do insumo frente à estabilidade do preço do animal.

Foto: Ari Dias
No período, o suíno vivo posto na indústria foi negociado à média de R$ 6,94 por quilo no estado de São Paulo (SP-5), leve alta de 0,5% em relação a fevereiro. Já o milho, principal componente da ração, registrou aumento mais expressivo: no mercado de lotes de Campinas (SP), a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 70,96, avanço de 4,6% no mesmo comparativo e a maior variação mensal desde março de 2025.
Com isso, a relação de troca se deteriorou. Neste mês, a venda de um quilo de suíno vivo permite a aquisição de 5,87 quilos de milho, queda de 3,9% frente ao mês anterior.
Apesar da piora no curto prazo, o indicador ainda mostra leve recuperação na comparação anual, com ganho de 2%. Segundo o Cepea, a valorização do milho está associada à oferta restrita no mercado spot e à demanda aquecida para formação de estoques, em um ambiente de incertezas no mercado internacional.



