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Alimenta 2025 encerra primeira edição com foco em biosseguridade, inovação e novos mercados

Evento realizado em Curitiba (PR) reuniu os principais players do setor de proteína animal no Brasil.

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Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do Alimenta 2025. Foto: Divulgação/Alimenta

O Alimenta 2025 – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal terminou na quarta-feira (18), em Curitiba (PR), após três dias de debates, negócios e articulações que reuniram os maiores nomes do setor no Brasil. O evento contou com a presença de autoridades, empresários e técnicos que discutiram os rumos da proteína animal, com foco em biosseguridade, sustentabilidade e expansão global. Ao todo, mais de 1,5 mil pessoas participaram da feira, nos três dias de evento.

Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do Alimenta 2025. Foto: Divulgação/Alimenta

Entre os destaques da programação estiveram o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes; o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera Mano Filho; o economista Marcos Troyjo; o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Renato de Alcantara Rua; e o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Serroni Perosa.

 Balanço

Para Roberto Kaefer, presidente do Alimenta 2025, o congresso inaugurou um fórum estratégico para o setor. “Conseguimos impulsionar a criação de um espaço integrado para análise do cenário atual e das perspectivas futuras para todas as cadeias de proteína animal, como frango, suíno, bovino, peixe e ovos”, destacou.

Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do Alimenta 2025. Foto: Divulgação/Alimenta

Questões envolvendo produção, exportação, desafios sanitários, inovação, sustentabilidade e impacto socioeconômico entraram na pauta do evento. “O grande diferencial do Alimenta foi o de oferecer uma abordagem multiproteína, integrada, com foco técnico e institucional. Reunimos líderes, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e representantes do setor produtivo em um mesmo espaço”, salientou Kaefer.

O empresário ressaltou a necessidade de se definir, de forma conjunta, o volume de produção atual e o potencial de crescimento em cada setor. “Na parte de bovinos, o Brasil já conta com uma exportação consolidada para China e Estados Unidos. No frango, o Paraná é o maior exportador e o país está despontando com 470 mil toneladas comercializadas com o mercado externo”, explicou.

O ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, fez um balanço das oportunidades e desafios no cenário econômico atual. Foto: Divulgação/Alimenta

Durante sua participação, Paulo Guedes avaliou que o cenário geopolítico global está enfrentando um momento instável, barulhento e imprevisível. No entanto, pontuou que, ao contrário de uma guerra convencional, o que se enfrenta hoje é “um caos difuso, onde todos falam alto, se agitam, mas ninguém desliga o som”. O ex-ministro frisou que, em tempos de incerteza, planejamento estratégico, inteligência de mercado e cooperação institucional são armas mais importantes do que nunca para o setor de proteína animal.

Ricardo Santin, presidente da ABPA, destacou as estratégias para manter a competitividade em meio a um cenário global desafiador. Para ele, isso depende da capacidade de adaptação do segmento. “Temos respondido às mudanças climáticas com investimento em genética, nutrição de precisão e boas práticas agropecuárias. No campo sanitário, a atuação firme do Ministério da Agricultura, aliada ao comprometimento do setor produtivo com a biosseguridade, tem sido essencial”, reforçou.

Santin lembrou ainda que, frente às políticas protecionistas, a estratégia brasileira tem sido a diversificação de mercados, a abertura de canais diplomáticos e a construção de uma imagem sólida de confiança internacional, com rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória.

Perspectivas

Eliana Panty, uma das organizadoras do evento, definiu o congresso como um marco para o setor. “Pela primeira vez, lideranças das maiores agroindústrias, cooperativas, produtores e associações se reuniram no mesmo espaço, falaram a mesma língua. Isso mostra a maturidade do setor, que vai superar desafios como a sanidade e a instabilidade geopolítica com essa união”, afirmou.

Cerca de 1,5 mil pessoas participaram do Alimenta 2025. Foto: Divulgação/Alimenta

Panty destacou, ainda, que o Alimenta contribuiu para posicionar o Paraná como grande protagonista na soberania alimentar. Ela adiantou que a próxima edição já está em planejamento, com maior integração das cadeias de ovos e bovinos.

Selmar Marquesin, diretor do O Presente Rural, que também esteve à frente da organização, disse que o evento superou as expectativas. “Alcançou o objetivo de unir toda a cadeia e fomentar uma discussão ampla sobre biosseguridade e melhorias na produção de proteína animal. As empresas participantes deram retornos muito positivos e demonstraram satisfação com o nível do congresso”, avaliou.

Além das discussões estratégicas, o Alimenta 2025 promoveu reuniões técnicas sobre inspeção sanitária, saúde animal e regulamentações, como os encontros dos comitês COESA, COESUI e COESAQUA, e a 1ª Reunião do Grupo Diga Sim ao SIM (Cosud), com foco nos avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).

Quem faz acontecer

O Alimenta – Congresso e Feira de Proteína Animal é uma realização de O Presente Rural, em parceira com Holus Comunicação e Sindiavipar, com correalização da Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação (Fundep).

O ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho, falou sobre o mercado global de proteína animal e o protagonismo brasileiro. Foto: Divulgação/Alimenta

O evento conta com a Vaccinar como expositora platinum e com a participação de empresas expositoras como Agrifirm, Alivira, Aviagen, Biocamp, Boehringer Ingelheim, Biochem, Buchi Brasil, Cobb, De Heus, Feedis, Huvepharma, Mebrafe, Imeve, Oligo Basics, Ourofino, Prado, Poly Sell, Provita, Sanex, Sauvet, Suiaves, Zheng Chang do Brasil, Phibro e Natural BR Feed.

E ainda conta com patrocínio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Copel e com o apoio da Fiep, da Frimesa, da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Adapar), do Governo do Paraná, além do apoio institucional de importantes entidades do setor: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Nacional dos Fabricantes de Equipamentos para Aves e Suínos (Anfeas), Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), Asgav, Coopavel e Embrapa.

Fonte: Assessoria Alimenta

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários

Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

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Grãos e rações devem ficar sobre paletes com distanciamento da parede para evitar surgimento de roedores – Foto: Divulgação/Connan

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.

As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.

Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.

No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.

Princípios fundamentais

Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.

No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.

Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.

Fonte: Assessoria Connan
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores

Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.

Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.

Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.

Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.

No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.

Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.

Fonte: O Presente Rural com informações Amcham
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado

Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

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Foto: Shutterstock

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.

No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.

Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.

Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.

Complexo soja

O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.

Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.

Milho e trigo

No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.

Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.

Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.

Fonte: O Presente Rural
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