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Aletéia Balestrin inicia gestão do Nucleovet com foco em capacitação e protagonismo profissional
Médica-veterinária assume a presidência do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas para o biênio 2026/2027.

Fortalecer o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), estimular a formação de novas lideranças, ampliar capacitações, promover o conceito de saúde única e inovar na realização dos Simpósios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite estão entre os principais objetivos da nova diretoria da entidade, que projeta uma atuação ainda mais próxima e alinhada às demandas atuais da comunidade veterinária e zootécnica.
Nesta entrevista, a presidente da gestão 2026/2027, médica-veterinária Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca alguns objetivos da entidade para os próximos anos.
O que a motivou a assumir a presidência de uma das entidades mais atuantes de SC?
Antes de tudo, o carinho e o sentimento de pertencimento que construí com a entidade ao longo dos anos. Sempre acompanhei de perto o trabalho do Núcleo e vi de dentro o quanto ele transforma pessoas, fortalece profissionais e faz diferença real no nosso setor. Em muitos momentos da minha trajetória o Nucleovet foi inspiração, aprendizado e ponto de apoio.
Assumir a presidência nasceu desse vínculo. Senti que era o momento de retribuir tudo o que recebi, de colocar minha energia e minha experiência a serviço de algo maior. É uma mistura de orgulho, responsabilidade e entusiasmo. Eu acredito profundamente no potencial do nosso grupo, na força da união e na capacidade que temos de continuar crescendo, inovando e representando a classe e Santa Catarina com excelência. No fundo, o que realmente me motivou foi a vontade genuína de contribuir com pessoas que admiro, por uma causa em que acredito, num lugar que considero uma extensão da minha própria caminhada profissional.
Quais são as metas e os objetivos para esses dois anos de mandato?
Minhas metas e objetivos estão muito conectados ao propósito que me trouxe até aqui: fortalecer o Nucleovet como uma entidade cada vez mais relevante, humana e presente na vida dos profissionais e das instituições que fazem parte do nosso setor.
Quero, primeiro, consolidar e ampliar o que já funciona bem, nossos eventos, capacitações e ações técnicas, mantendo o alto nível que sempre marcou o Nucleovet, mas trazendo também novas abordagens, temas atuais e formatos que aproximem ainda mais a comunidade veterinária.
Outra meta importante é intensificar o diálogo e as parcerias. Acredito no poder da cooperação, seja com órgãos públicos, universidades, empresas ou outras entidades. Abrir portas, criar pontes e trabalhar de forma integrada é essencial para que possamos evoluir como classe e como setor.
Também quero olhar com atenção para as pessoas: apoiar a formação contínua, estimular a participação de novos profissionais, dar espaço a diferentes perfis e incentivar a construção de lideranças. Meu objetivo é que o Nucleovet seja, cada vez mais, um ambiente acolhedor, moderno e inspirador.
Desejo deixar um legado de continuidade, fortalecer a instituição para que siga crescendo muito além da minha gestão, com processos mais estruturados, comunicação eficiente e uma visão estratégica que acompanhe as transformações do agro e da Medicina Veterinária.
Na sua avaliação, quais as principais aspirações da classe de médicos veterinários e zootecnistas?
Elas estão ligadas ao reconhecimento, ao desenvolvimento e às condições para exercerem seu trabalho com dignidade e impacto. Somos profissionais que carregam uma enorme responsabilidade com a saúde animal, com a produção de alimentos, com o meio ambiente e, no fim das contas, com a sociedade como um todo, e isso faz com que algumas demandas sejam muito claras.
Acredito que a primeira grande aspiração da classe é ter valorização profissional real. Reconhecimento técnico, remuneração justa, respeito às atribuições e espaço para atuar com autonomia são pontos frequentemente mencionados e sentidos no dia a dia.
Outra aspiração importante é acesso a atualização constante. Nosso setor evolui rapidamente, seja em tecnologia, sanidade, bem-estar animal ou sistemas produtivos. Por isso, muitos profissionais buscam oportunidades de capacitação de qualidade, que sejam práticas e que realmente façam diferença na rotina.
Também percebo um desejo crescente de pertencimento e representatividade. A classe quer sentir que tem voz, que é ouvida, que suas preocupações são levadas adiante por entidades comprometidas e atuantes. Participar de espaços onde decisões são construídas de forma coletiva é algo que fortalece muito o sentimento de união.
E, por fim, existe uma aspiração muito humana: ter condições de trabalho que permitam exercer a profissão com propósito, com ética, com segurança, com estrutura e com orgulho da trajetória escolhida. No fundo, todos querem contribuir de maneira positiva e deixar um legado no setor.
Como os profissionais vinculados ao Nucleovet podem atuar junto à entidade em busca de conhecimentos, tecnologias e inovações?
O primeiro passo é participar dos eventos, cursos e comissões promovidos pela entidade, que são justamente pensados para oferecer atualização constante e atuação nos nossos eventos. Outra forma importante é contribuir com sugestões, demandas e experiências práticas, ajudando a direcionar temas, identificar necessidades e construir agendas relevantes para a classe. Essa troca direta fortalece todo o ecossistema. Também é fundamental engajar-se nos projetos, comissões e iniciativas internas, abrindo espaço para networking, acesso a diferentes realidades e interação com especialistas, empresas e instituições parceiras. Por fim, a participação ativa, seja compartilhando informações, seja aproximando novos profissionais, cria um ambiente fértil para que o Nucleovet siga sendo um polo de inovação, aprendizado e referência técnica.
Quais as novidades para os Simpósios de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite?
O Nucleovet está estruturando um conjunto de novidades que reforçam o posicionamento técnico da entidade e a relevância desses eventos no cenário nacional. O ano de 2026 é muito especial porque além de estarmos completando 55 anos como entidade, comemoraremos 15 anos de edições do SBSBL.
Podemos citar de maneira prática: qualificação da programação científica, com curadoria ainda mais criteriosa, priorizando temas emergentes, pesquisas recentes e especialistas reconhecidos no Brasil e no exterior. Ampliação dos espaços dedicados à inovação e tecnologia, permitindo maior aproximação entre profissionais, empresas e centros de pesquisa. Melhoria na estrutura dos eventos, com ambientes planejados para favorecer interação e troca de experiências entre diferentes elos da cadeia produtiva. Novos formatos de conteúdo, como painéis temáticos e debates orientados por dados, fortalecendo a discussão técnica e a aplicação prática do conhecimento. Integração entre educação continuada e desenvolvimento profissional, reforçando o compromisso do Nucleovet com a formação de lideranças e a valorização da classe.
Essas iniciativas têm como objetivo elevar ainda mais o nível técnico dos simpósios, consolidando-os como plataformas estratégicas para disseminação de conhecimento, atualização profissional e fortalecimento das cadeias produtivas.
Em 2026 o Nucleovet completa 55 anos. Como você visualiza os próximos anos da entidade?
Quando penso nos próximos anos do Nucleovet, especialmente ao celebrarmos 55 anos em 2026, vejo uma entidade que não apenas honra sua história, mas que se projeta com força para o futuro. Nosso legado nos dá base, mas é o nosso propósito que nos impulsiona. Visualizo um Nucleovet ainda mais aberto, inovador e conectado. Um espaço onde profissionais se encontram para aprender, trocar experiências e construir soluções que realmente transformem o nosso setor. Uma entidade capaz de unir tradição e modernidade, mantendo a essência que sempre nos guiou, mas com energia renovada para enfrentar os desafios de um mundo em constante evolução. Acredito que os próximos anos serão marcados por mais participação, mais colaboração e mais protagonismo. Vejo o Nucleovet liderando diálogos importantes, aproximando gerações, estimulando novas lideranças e ampliando sua presença como referência técnica e humana. Mais do que acompanhar as mudanças, queremos ser parte delas. E construir, junto com todos os profissionais, um futuro em que a Medicina Veterinária e a Zootecnia sigam avançando com conhecimento, ética, união e propósito.
Que mensagem você deixa para os associados e parceiros do Nucleovet?
Quero deixar uma mensagem do coração: obrigada por caminharem conosco. Cada um de vocês faz parte da história, da força e do propósito do Nucleovet. É a confiança de vocês que nos move, que nos desafia e que nos inspira a buscar sempre mais. Quando olhamos para tudo o que já construímos juntos, vemos muito mais do que eventos e projetos. Vemos pessoas comprometidas, profissionais apaixonados pelo que fazem, relações que se fortalecem e um sentimento genuíno de pertencimento. É isso que nos torna especiais. Quero que cada associado e parceiro saiba que são essenciais. Que suas ideias importam, que sua presença faz diferença e que o Nucleovet é, antes de tudo, uma casa construída por muitos e para muitos. Sigamos juntos, com entusiasmo, união e confiança no futuro. Ainda há muito para realizar, e é uma alegria saber que podemos contar uns com os outros para ir ainda mais longe. Meu mais sincero obrigada.

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Comitê lista ações prioritárias para Programa de Redução de Agrotóxico
Diário Oficial publica responsabilidade de cada instituição.

O Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) publica na edição desta quarta-feira (4) do Diário Oficial da União iniciativas prioritárias para implementar o plano. 

As medidas tomam por base o Decreto 12.538/2025, que criou o programa, e incluem as ações intersetoriais a serem executadas inicialmente. O plano tem validade para o biênio 2026-2027.
Ao todo, são 31 eixos de atuação, com a participação de mais de dez instituições, como ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, Educação; da Agência Nacional de Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Entre os principiais pontos, estão ações para o desenvolvimento de alternativas aos agrotóxicos, formação e qualificação para o uso desses produtos, além de medidas econômicas e fiscais para a redução no uso desses produtos.
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Plataforma com inteligência artificial aprimora diagnóstico da ferrugem asiática da soja
Sistema em nuvem integra dados climáticos, agronômicos e imagens digitais para indicar risco da doença e recomendar manejo técnico.

Cientistas brasileiros desenvolveram uma plataforma para diagnosticar a ferrugem asiática da soja, uma das doenças mais severas que afetam a cultura. A tecnologia integra inteligência artificial (IA) com a análise combinada de dados climáticos, agronômicos e de imagens digitais. O sistema, baseado em nuvem, avalia o risco de ocorrência da doença e gera relatórios com recomendações de manejo técnico, contribuindo para decisões mais precisas no campo.
A ferramenta coleta dados de sensores ambientais, imagens digitais de folhas e parâmetros agronômicos como cultivar, espaçamento e época de semeadura. Os resultados são apresentados em um painel online, que permite aos agricultores acompanhar séries temporais de dados climáticos e imagens de plantas.
O sistema foi desenvolvido como parte do projeto Ferramenta Digital Avançada para Gestão de Riscos Agrícolas , com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ). A iniciativa fez parte do doutorado do cientista da computação Ricardo Alexandre Neves na Universidade Federal de São Carlos ( UFSCar ), com Paulo Cruvinel , pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), como orientador.
O estudo “Um sistema de inteligência baseado em nuvem para análise de risco de ferrugem asiática da soja em culturas de soja” foi publicado em julho de 2025 pela revista AgriEngineering .
A fusão de dados facilita o diagnóstico.
Os cientistas desenvolveram o sistema por meio de pesquisa em fazendas, utilizando um modelo que incorpora variáveis climáticas, dados relacionados a plantas de soja e dados obtidos a partir de imagens digitais de folhas de soja. As variáveis climáticas foram observadas durante o período de monitoramento da área.
“A tecnologia classifica a favorabilidade da doença em três níveis — baixo, médio e alto — dependendo da combinação de variáveis relacionadas ao estágio da infestação. Isso permite diagnósticos e prognósticos para o controle da doença com maior eficácia e precisão”, acrescenta Neves. Segundo ele, o nível de favorabilidade é definido por inferência estatística com base no comportamento do conjunto de variáveis.

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Os pesquisadores explicam que o sistema funciona combinando dados. Os principais permitem a análise de fatores essenciais para o desenvolvimento do fungo, como o período de umidade foliar — umidade relativa acima de 90%, na faixa de temperatura entre 15°C e 28°C — ou o ponto de orvalho.
O trabalho utiliza técnicas de processamento avançadas e específicas para extrair informações de imagens digitais de folhas de soja. Padrões de cores, como verde, amarelo e marrom, são associados aos estágios de progressão da doença.
Cruvinel relata que, para integrar os dados, o estudo avaliou dois métodos. Ao final, a escolha para o sistema recaiu sobre o modelo de Cadeias Ocultas de Markov, que proporciona robustez, eficácia e eficiência ao processo de tomada de decisão. Essa metodologia mostrou-se superior à lógica fuzzy, alcançando 100% de precisão na correspondência dos cenários avaliados para o risco de ocorrência da ferrugem asiática em áreas de cultivo de soja.
“O modelo desenvolvido para combinar dados de diferentes variáveis possibilitou estruturar um conjunto completo de regras que considera sistematicamente diferentes situações em que a doença tem probabilidade de ocorrer”, afirma o pesquisador.
Durante o estudo de quatro anos com a cultivar convencional de soja BRS 536 da Embrapa , os pesquisadores utilizaram mais de 2 gigabytes de dados por ciclo de cultivo, considerando informações coletadas em campos reais durante o cultivo, em parcelas georreferenciadas na região de Poxoréu-MT e fotografadas sob índices de luminosidade conhecidos.
Dados disponíveis para agricultores na web
Os relatórios analíticos disponíveis no painel de controle foram compilados com base em vinte anos de dados históricos e permitem a avaliação dos períodos do ciclo de cultivo. O sistema possui uma interface amigável para navegação, pois está organizado com informações básicas de interesse para agricultores e potenciais usuários.
Segundo Cruvinel e Neves, os relatórios visam apoiar a tomada de decisões dos agricultores relativamente à gestão das áreas cultivadas, permitindo avaliar a ocorrência ou ausência da ferrugem asiática e a severidade da doença. Além disso, oferecem recomendações agronómicas baseadas no diagnóstico para o controlo da doença.
Cruvinel acrescenta que os relatórios podem ser encontrados na aba “Recomendações Agrícolas” do painel de controle, onde também há um link para o site AGROFIT , um banco de dados com informações sobre agroquímicos e produtos relacionados que foram registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ) do Brasil , para consulta e seleção de fungicidas recomendados para o controle da ferrugem asiática.
A solução reduz o uso de fungicidas.
Os pesquisadores afirmam que o sistema possibilita monitorar a presença ou ausência da ferrugem asiática da soja, bem como avaliar a dinâmica da ocorrência da doença em diferentes estágios de severidade e risco no processo de produção agrícola.
“O ponto-chave da pesquisa foi criar um método que integre dados heterogêneos para fornecer um diagnóstico mais confiável. Basear-se apenas em imagens ou dados climáticos isolados não é suficiente para uma avaliação precisa, o que pode levar a diagnósticos falso-positivos. Além disso, a solução oferece prevenção e uso racional de fungicidas”, afirma Neves, que atualmente é professor do Instituto Federal de São Paulo ( IFSP ), campus São João da Boa Vista.
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Setor produtivo cobra diálogo sobre jornada de trabalho no Brasil
Entidades empresariais defendem debate técnico e alertam para impactos econômicos e operacionais de mudanças na legislação trabalhista.

A Coalizão de Frentes Produtivas recebeu na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), na terça-feira (03), presidentes e representantes das principais confederações nacionais para discutir a modernização da jornada de trabalho no Brasil. No encontro, parlamentares e lideranças do setor produtivo defenderam que o debate avance com base técnica, diálogo e responsabilidade, diante de riscos como aumento de custos e informalidade.
Ao longo da reunião, deputados e senadores reforçaram que a discussão sobre a modernização da jornada de trabalho é legítima e relevante, mas exige cautela na condução. A avaliação apresentada foi a de que mudanças dessa dimensão precisam considerar diferenças setoriais, impactos econômicos e efeitos sobre o emprego formal.

Presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho: “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral”
O presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), afirmou que o tema não pode ser tratado apenas sob a lógica da disputa eleitoral, nem ser simplificado diante de sua complexidade. “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral. O cidadão não vai querer essa proposta quando descobrir que o alimento vai ficar mais caro, o combustível, tudo. Precisamos ser responsáveis com o nosso país e precisamos deixar isso para depois da eleição”, disse.
Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), ressaltou a importância de incluir os representantes dos trabalhadores no debate. Segundo ele, sindicatos e empresários compartilham o interesse de proteger os trabalhadores e devem participar da construção de soluções para o tema. “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários. Eles precisam fazer parte dessa discussão. Se temos a convicção de que determinadas mudanças podem prejudicar os trabalhadores, por que não chamá-los para o debate? Eles precisam estar entre nós”, afirmou.

Deputado Alceu Moreira: “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários”
O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, também criticou a polarização em torno do tema e defendeu um debate mais equilibrado. “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população. Temos que debater para que essa armadilha não pegue o povo brasileiro”, afirmou.
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, também destacou a importância da reunião e afirmou que o debate não pode ser conduzido sob a lógica eleitoral. Segundo ele, o foco deve estar no que é melhor para o país.

Deputado Domingos Sávio: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”
Durante o encontro, o professor e sociólogo José Pastore fez uma apresentação aos parlamentares e representantes das confederações sobre os possíveis impactos da proposta em discussão. Ele afirmou que a PEC prevê uma redução rápida e impositiva da jornada, sem espaço para negociação, e lembrou que, historicamente, mudanças desse tipo no Brasil ocorreram de forma gradual.
Pastore avaliou que, diante de uma alteração abrupta, setores público e privado tenderiam a buscar mecanismos de ajuste, com efeitos como repasse de custos aos preços, aceleração da automação e redução de postos de trabalho formais, além de aumento da informalidade. “Os trabalhadores mais afetados são os que trabalham 44 horas, que são os mais vulneráveis. Essa nova lei pode, infelizmente, desproteger os trabalhadores”, salientou.
Manifesto

Deputado Júlio Lopes: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”
O manifesto entregue à Coalizão nesta terça-feira parte da premissa de que o debate sobre a modernização da jornada não deve ser tratado como uma escolha entre qualidade de vida e atividade econômica. Segundo as entidades, os dois objetivos podem avançar juntos, desde que o emprego formal seja preservado como ativo social e que eventuais mudanças sejam construídas com base técnica, previsibilidade e diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público.
O documento também defende que o aprofundamento da discussão ocorra em ambiente institucional propício à construção de consensos duradouros, com análise técnica dos impactos e das alternativas de implementação. Para o setor produtivo, uma agenda dessa dimensão exige tempo político e debate qualificado para acomodar diferenças entre cadeias produtivas, regiões e modelos operacionais.
A presidente-executiva da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella, afirmou que o manifesto dá unidade ao posicionamento do setor produtivo e coloca as entidades à disposição para contribuir com a construção de alternativas. “Assinamos e apresentamos hoje esse manifesto para trazer unicidade a essa discussão e estamos juntos para amadurecer e buscar melhores alternativas para essa modernização. O passo é importante, mas a gente precisa de coerência. Esse manifesto coloca o setor à disposição para esse debate”, enfatizou.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, reiterou a necessidade de evitar a redução do tema a narrativas políticas e criticou a condução apressada do debate. “O capital e o trabalho se complementam. Por qual motivo fazer uma discussão tão séria de forma tão açodada? Isso não faz sentido”, ressaltou.
A vice-presidente da Fecomércio, Gisela Lopes, disse que a entidade está alinhada ao manifesto e defendeu mais tempo para discussão, com valorização da negociação coletiva. “Nós temos a negociação coletiva e o assunto em si precisa ser prorrogado para o ano que vem, visto que deve prejudicar muita gente. Estamos de acordo com o movimento por um debate amplo e paciente”, declarou.
Para Cristiane de Oliveira, diretora-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), o setor financeiro acompanha com preocupação o andamento das discussões no Congresso e considera essencial garantir segurança jurídica nas contratações e negociações. “Se não tivermos equilíbrio no debate, e isso só é possível com diálogo, caso o texto seja aprovado como está e como alguns querem, teremos problema em todos os segmentos”, avaliou.
Na mesma linha, o vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, afirmou que a indústria vê risco de impactos negativos sobre emprego e preços, caso a proposta avance sem a devida transição. “Nós da indústria estamos alinhados com o setor. O aumento da informalidade e dos preços será absurdo, trazendo inúmeros prejuízos para o país”, disse.
Emprego formal no centro do debate
Segundo o IBGE, em 2025, o Brasil tinha 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado. Já o Ministério do Trabalho e Emprego registrou estoque de 48,45 milhões de vínculos celetistas em dezembro de 2025, de acordo com o Novo Caged. Embora as bases usem recortes diferentes do mercado de trabalho, ambas apontam para a dimensão do contingente formal que, na avaliação das entidades, deve estar no centro de qualquer mudança na jornada.





