O atual cenário da suinocultura brasileira é preocupante. Produtores e associações buscando soluções para enfrentar a crise e manter o seguimento ativo e competitivo. A conjuntura que nos é apresentada se deve a soma do elevado custo de produção e do descompasso entre demanda e oferta de suínos.
Infelizmente, em relação a variável custo de produção, as opções não são muitas, em função do mercado de grãos. No curto prazo, pensar em aumentar a demanda interna pela carne suína nos parece utopia. Contar com novos contratos de exportação ou abertura de novos mercados globais é esperar pela “salvação divina”, sem efetivamente criar condições para enfrentarmos o momento e nos prepararmos com sabedoria e discernimento para evitarmos situações similares no futuro.
No nosso ponto de vista, a saída mais plausível seria um controle mais efetivo na oferta de suínos. E não estamos falando em reduzir coberturas, abater leitões ou algo que seja tão radical, mas sim em um ajuste no peso de abate dos nossos animais. Obviamente este ajuste no peso deveria ter sido realizada de forma estratégica, orquestrada por informações contundentes de mercado e realizada de forma proativa e não reativa. Mas sim, não fizemos isso, então neste momento nos resta reagir e buscar reduzir o nosso peso de abate, para minimizar o descompasso oferta x demanda.
Fizemos uma conta bem simples, conforme tabela abaixo:

A redução no peso ao abate em aproximadamente 8% (124,00 para 114,50) e 17% (124,00 para 103,00) representa uma redução compatível a aproximadamente 160 e 355 mil fêmeas, respectivamente, para o plantel brasileiro. Essa redução se realizada de forma estratégica, através de uma associação entre restrição alimentar e redução na idade de abate poderá sim ser efetiva no enfretamento da crise. Precisamos somente cuidar para no primeiro momento não elevarmos ainda mais a oferta em função da redução da idade do plantel. Por isso a importância de coordenar restrição alimentar com redução na idade ao abate.
Essa ação poderá ainda ter efeitos marginais no fluxo de caixa, em função da redução no volume de ração demandado e ampliação no período de estoque de grãos e de outros insumos, conforme realidade de cada unidade produtiva.
Essa estratégia é embasada por uma simples conta. No cenário atual, produzir um quilo de suíno nas últimas semana de alojamento está mais caro que o preço pago por este quilo na maioria das praças brasileiras. Desta forma, nos parece prudente pensarmos nesta ótica: minimizar o prejuízo e reduzir oferta.
Entendemos que o sistema produtivo de suínos no Brasil é um organismo vivo, orgânico, com muitas peculiaridades e principalmente individualidades. Mas se neste momento as praças brasileiras não se unirem e trabalharem em conjunto o prejuízo poderá ser duradouro. As associações do segmento terão uma função estratégica de suma importância na coordenação deste enfretamento da crise, orientando de forma segura, confiável e responsável as ações cabíveis. Por outro lado o suinocultor precisará agir de forma conjunta, com visão global e não apenas em seu próprio sistema. Lideranças precisam necessariamente assumir os seus postos e trabalhar em prol do segmento.
Quem sabe um dia poderemos chegar a um grau de proatividade sistêmica que nos permita entender a demanda em tempo real e hábil para ajustar a oferta, por um simples ajuste no peso ao abate, e evitarmos perdas significativas no nosso setor. Para tal, a ação conjunta necessariamente deverá prevalecer sobre atitudes individuais. Talvez esse seja o maior desafio.
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Fonte: Por Gustavo Gattás e Fabrício Faleiros, zootecnistas e DSc Produção e Nutrição Animal na AnimalNutri