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Airton Spies traz olhar profundo sobre presente e futuro da cadeia de leite no Brasil
À medida que o setor cresce, várias tendências moldam a forma como o leite é produzido, processado, distribuído e consumido no país.

Com uma vasta geografia e recursos naturais abundantes, o Brasil possui condições favoráveis para se destacar cada vez mais na produção de leite. Historicamente, a região Sul do país tem desempenhado um papel de destaque nesse setor, com suas terras férteis e clima propício para a pecuária leiteira, no entanto, o futuro do leite brasileiro transborda as fronteiras dos estados sulistas, com diferentes regiões do país explorando seu potencial e contribuindo para o crescimento e a diversificação da indústria leiteira, com destaque para o insuperável estado de Minas Gerais.
À medida que a cadeia cresce, várias tendências moldam a forma como o leite é produzido, processado, distribuído e consumido no país. O aumento da conscientização dos consumidores sobre a origem e a qualidade dos alimentos também tem impulsionado a demanda por produtos lácteos mais saudáveis, sustentáveis e inovadores, uma vez que os consumidores estão cada vez mais interessados em saber sobre as práticas de produção, bem-estar animal, rastreabilidade e impacto ambiental da indústria do leite.
Além disso, a tecnologia desempenha um papel crucial na transformação do setor leiteiro. Desde a aplicação de sistemas de monitoramento e gestão em tempo real nas fazendas até a automação de processos industriais, a tecnologia está otimizando a eficiência da produção, melhorando a qualidade e segurança dos produtos e permitindo a adoção de práticas mais sustentáveis.
No entanto, à medida que o setor vislumbra um futuro promissor no Brasil, também enfrenta desafios significativos. Questões como mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, volatilidade dos preços, concorrência global e a necessidade de garantir a rentabilidade dos produtores. Neste contexto, o engenheiro agrônomo, coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira e consultor da Spiesagro, Airton Spies, afirma que explorar o futuro do leite no Brasil envolve analisar as oportunidades emergentes, as tendências tecnológicas, as demandas dos consumidores e as estratégias adotadas pelos diversos atores do setor.
Região Sul

Engenheiro agrônomo, coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira e consultor da Spiesagro, Airton Spies – Foto: Divulgação
O profissional enfatiza que a produção de leite na região Sul do Brasil está se expandindo além da média nacional, impulsionada pelo uso crescente de tecnologias avançadas que aprimoram a produtividade e a qualidade do leite. “Estamos testemunhando uma transformação no setor, uma revolução silenciosa, que está rompendo com o modelo tradicional de produção de leite para consumo familiar e venda de excedentes, migrando para um modelo no qual os produtores se especializam e o leite se torna sua principal ou única atividade econômica. Isso resulta em uma maior escala de produção e uma diminuição no número de produtores”, analisa.
Conforme Spies, os produtores de médio e grande porte estão aumentando sua escala de produção e profissionalizando suas operações, seguindo o exemplo de outras cadeias de produção animal. “Estima-se que nos últimos oito anos mais de 50% dos produtores de leite deixaram a atividade nos três estados da região Sul”, estima o coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira.
No setor de laticínios também ocorre uma mudança significativa, com a concentração da produção em um número menor de empresas. Gradualmente, o setor está se organizando para aumentar a eficiência da logística de coleta e investir no desenvolvimento da capacidade de seus fornecedores de leite. “Tudo isso contribui para tornar o setor mais competitivo em relação a outras regiões do país”, comenta o engenheiro agrônomo.
Por sua vez, Spies enaltece que as principais oportunidades do setor residem na expansão do mercado externo para produtos lácteos brasileiros. Embora a região Sul já seja responsável por 40% do leite industrializado do país, sua população consumidora representa apenas 15% do total do Brasil. “Para aumentar ainda mais a produção é crucial conquistar novos mercados, inclusive em regiões distantes. No entanto existem grandes desafios, entre os quais a necessidade de reduzir o custo de produção, resolvendo os gargalos que o setor enfrenta e que resultam em custos médios finais 20% mais elevados dos produtos em relação aos custos dos lácteos nos principais países exportadores”, expõe Spies.
Para lidar com esses desafios, os governadores e líderes da região sulista estabeleceram a Aliança Láctea Sul-Brasileira em 2014. Essa aliança é um fórum permanente que reúne o setor público e privado com o objetivo de resolver problemas comuns e aproveitar as oportunidades, por meio de uma estratégia conjunta delineada no Plano de Eficiência e Competitividade para o setor de leite.
Tendências
A perspectiva para a produção de leite na região Sul é a continuação do processo de transformação estrutural e tecnológica que já está em andamento. Isso vai levar à modernização do setor e à sua maior competitividade, inclusive no mercado global. “Os efeitos dessa transformação incluem a eliminação de ineficiências na cadeia de produção e a fabricação de produtos lácteos que possuem os três atributos essenciais para competir no mercado internacional: alta qualidade, baixo custo e eficiência logística/industrial”, menciona Spies.
Produção nacional x produção sulista
Em relação a produção total de leite produzido no Brasil, Spies diz que tem se mantido estagnada nos últimos nove anos, tanto em termos de volume total produzido, que se mantém em 34 bilhões de litros por ano, como na produção de leite industrializado, que estagnou em 25 bilhões de litros/ano. “Na verdade, houve até mesmo uma redução de 5,1% em 2022 quando comparado com o ano anterior. No entanto, na região Sul, a produção de leite continua a crescer impulsionada pela revolução tecnológica e organizacional que o setor tem implementado.
Essa tendência é particularmente evidente na região formada pelo Noroeste gaúcho, Oeste catarinense e Sudoeste paranaense, que representa a área com a maior concentração desse novo cluster de produção de leite no Brasil. Além disso, a mesorregião do Centro Oriental do Paraná se destaca pela produção de leite com o uso de tecnologia de ponta e um cooperativismo sólido, tornando-se a nova referência para a produção competitiva de leite no país”, destaca.
Inovações
O engenheiro agrônomo ressalta que novas tecnologias são apresentadas e incorporadas a todo momento na cadeia produtiva do leite. No nível de produção a campo, existem avanços que aprimoram a produtividade, a qualidade e humanizam o trabalho dos produtores. A melhoria genética do rebanho, o desenvolvimento de novas variedades de plantas forrageiras, o uso de máquinas mais adequadas para a produção de alimentos, o manejo do gado, a ordenha e o resfriamento do leite, bem como tecnologias que melhoram a sanidade e o bem-estar animal, são apenas alguns exemplos. “Inovações para aprimorar a gestão do negócio e monitorar animais, máquinas e pastagens por meio de inteligência artificial, agricultura de precisão e ordenha automatizada estão se tornando realidade no campo. Esses avanços contribuem para melhorar a eficiência e os resultados, seja na produção baseada em pastagens ou em sistemas de confinamento, como compost barn ou free stall”, avalia o consultor.
No setor industrial, Spies evidencia melhorias no transporte do leite, com caminhões adequados que controlam e mantêm a qualidade do leite ao longo de todo o percurso e que estão impactando a cadeia produtiva. “Essas mudanças estão acontecendo com tanta velocidade, que no curto e médio prazo, não haverá mais espaço para quem não adotar os novos padrões tecnológicos. A régua vai subir para todos”, enaltece.
Iniciativas e políticas públicas
Existem várias iniciativas e políticas públicas que podem ser implementadas para apoiar o crescimento e a sustentabilidade da produção de leite na região Sul. Spies enfatiza que uma das principais missões dos governos é garantir um ambiente macroeconômico estável, promovendo um crescimento seguro e livre da economia. “Isso impulsiona investimentos, gera mais empregos, melhora a renda da população e, consequentemente, aumenta o consumo de produtos lácteos, que está estagnado no Brasil em 165 litros por habitante/ano há quase uma década, devido à alta elasticidade-renda desses produtos”, pondera Spies.
Para a melhoria da eficiência e da competitividade da produção, o profissional cita as principais políticas públicas que precisam ser implantadas para apoiar o crescimento e a sustentabilidade do setor, entre as quais estão melhoria nas estradas rurais, investimentos em redes de energia trifásica, infraestrutura de conectividade para acesso à internet no campo, defesa agropecuária robusta para proteger os rebanhos e sanear doenças como a brucelose e tuberculose, incentivo à pesquisa e assistência técnica, linhas de crédito customizadas para a produção de leite e especialmente, um programa de incentivo à exportação de lácteos para as indústrias. “É preciso criar um ambiente favorável a investimentos, com crédito e incentivos fiscais, para criar as condições iniciais de competitividade exportadora. O Brasil já tem habilitação para exportar lácteos para dezenas de países, porém o problema é que nossos custos de produção ainda estão acima da média dos principais exportadores”, avalia, salientando: “Superar os gargalos que geram esses custos a mais deve ser a prioridade das políticas públicas e do setor privado. Nesse contexto se inclui a reforma tributária, para proporcionar um tratamento justo e eliminar as assimetrias na tributação que o setor enfrenta. Somente através de esforços conjuntos será possível impulsionar a competitividade e a sustentabilidade da produção de leite no país”.
Desafios e oportunidades para os produtores

Foto: Shutterstock
Atualmente, os produtores de leite no Sul do Brasil enfrentam diversos desafios que afetam sua competitividade e impactam o setor como um todo. O principal desafio reside no alto custo de produção dos lácteos, o que resulta em uma falta de competitividade no mercado externo. Diversos fatores contribuem para esse alto custo, incluindo a baixa produtividade média por vaca e por hectare de terra, a baixa produtividade da mão de obra e a desorganização da logística. “Trabalhamos muito e empregamos uma estrutura fixa muito cara para produzir pouco leite. A produção de leite no Brasil é muito dispersa e heterogênea. A média nacional é de 2.250 litros de leite/vaca/ano, mas na região Sul as vacas já produzem 3.800 litros/ano em média”, compara.
Na prática, o Brasil tem vários “Brasis” quando o assunto é leite, tanto na produção, como no mercado. Enquanto a região Nordeste, com seus nove estados, produz menos da metade do volume total que sua população de 67 milhões de habitantes consome, a região Sul tem uma produção que atende 2,5 vezes o volume que seus 30 milhões de habitantes absorvem. “Por essa razão, as políticas de desenvolvimento do setor devem ser diferenciadas. No Nordeste e demais regiões do Brasil, a produção pode aumentar para abastecer o mercado local e regional, enquanto no Sul temos que preparar a produção para conquistar o mercado internacional”, ressalta, complementando: “Devemos lembrar que o mercado de lácteos no Brasil ainda goza da proteção de uma Tarifa Externa Comum de 28%, que o país impõe aos produtos importados de países que não fazem parte do Mercosul. É importante eliminar as ineficiências que o setor ainda tem e se preparar para poder competir de igual para igual com o mercado”.
O consultor reitera que as oportunidades estão na exportação e no aumento do consumo interno por meio de melhoria da renda per capita da população, resultado do crescimento da economia. Porém o mercado interno está saturado para o poder de compra atual dos consumidores.
A produção nacional atende 97% do consumo interno e o país exporta menos de 0,2% da produção nacional. “A situação de estagnação atual implica em que para um produtor aumentar sua produção outro tem que reduzir ou sair da atividade. Portanto, para ‘furar o teto’ limitado pelo mercado interno, a região Sul precisa organizar e formatar sua produção para rumar para os portos, embarcar nos navios na forma de leite em pó, queijos e manteiga e conquistar os principais mercados importadores do mundo. Existem também oportunidades para exportar produtos diferenciados de maior valor agregado que devemos aproveitar, mas o volume é limitado”, pontua Spies.
A renda per capita em países populosos como a China e diversas outras nações da Ásia, Oriente Médio, África, América Latina e América Central está melhorando e o consumo de proteínas animais tende a crescer.
A boa notícia para o Brasil é que os principais exportadores de lácteos – Nova Zelândia, União Europeia, Estados Unidos, Austrália, Argentina e Uruguai – têm pouco espaço para aumentar sua produção, muito por conta de pressões ambientais e metas assumidas no Acordo do Clima pela redução de emissões de gases que causam efeito estufa. “Nesse cenário, o Brasil terá espaço para participar ativamente no abastecimento desses mercados, pois temos aqui, mais terra, água, sol e fotossíntese para produção de plantas forrageiras e grãos que as vacas convertem em produtos lácteos. Precisamos converter essa nossa vantagem comparativa em uma vantagem competitiva, aliás, como já fizemos em diversas cadeias do agronegócio brasileiro, inclusive, com o boi de corte”, frisa o profissional.
Sustentabilidade ambiental e Bem-estar animal
A sustentabilidade ambiental e a preocupação com o bem-estar animal estão tendo um impacto muito grande sobre a cadeia produtiva. Spies ressalta que essas influências resultam do aumento da consciência ambiental da população em geral e são drivers positivos para o setor melhorar seu desempenho e sua imagem. “O consumo consciente e responsável está se espalhando como uma prática normal entre os consumidores, principalmente em mercados mais exigentes. A produção de lácteos feita com degradação de recursos naturais não será tolerada pelo mercado. Práticas de agricultura sustentável, regenerativa, que reduza ou zere as emissões líquidas de carbono ao longo da cadeia produtiva vão ser muito mais valorizadas e agregam valor”, exalta o consultor.
O coordenador geral da Aliança Láctea Sul-Brasileira elenca que a produção atual precisa atender aos princípios do tripé da sustentabilidade – ambiental, econômica e social – e também estar alinhada com a agenda ESG – ambiental, social e governança – para o que as certificações de conformidade serão necessárias. “Investimentos em geração de energia renovável com base em biogás, fotovoltaica e eólica devem ser parte do modelo de produção com sustentabilidade”, assegura, complementando: “Produzir leite submetendo os animais a qualquer tipo de sofrimento ou crueldade é totalmente rechaçado pelo mercado e pelos consumidores, além de ser eticamente deplorável. O setor terá que dar toda a atenção e investir cada vez mais em conforto animal, para gerar as condições de bem-estar animal necessárias. A produção de leite com ‘vacas felizes’ não será um diferencial, mas uma condição para acessar o mercado”, reforça Spies.
Indústrias de laticínios
De outro lado, Spies salienta que as indústrias de laticínios precisam investir no desenvolvimento dos ‘seus fornecedores’. Isso significa estabelecer relações mais fidelizadas, sólidas e duradouras com os produtores de leite. “O setor não pode funcionar na relação informal, baseada no ‘fio do bigode’. Há necessidade de se estabelecer formas de contratualização da produção, para trazer mais segurança para ambos os lados. Só assim teremos mais condições de investir e crescer. A alta ociosidade da capacidade industrial, que na região Sul é estimada em 40%, é nefasta e gera custos que o setor não pode carregar, se quiser competir abertamente com o mercado global”, alerta Spies, ampliando: “Não existe produtor de leite sustentável sem indústria, e não existe indústria viável sem o produtor. É preciso estabelecer parcerias formais, com integração da produção, que vai trazer mais previsibilidade e competitividade para a cadeia produtiva. Sem contratos, não há como exportar, e sem exportação, há pouco espaço para crescer”.
Menos produtores de leite
A redução do número de produtores de leite, por meio da seleção dos mais eficientes, como vem acontecendo, não significa necessariamente que o setor vai empregar menos pessoas. Ao contrário, o número de empregos, renda e oportunidades que o setor vai gerar depende muito mais do volume total de leite que será capaz de produzir, processar e vender. “Teremos menos produtores de leite, mas como a produção utiliza muito trabalho, surgirão milhares de empregos ao longo da cadeia produtiva, de forma que a mudança em curso vai trazer muitos benefícios para o país. O leite é o setor que tem grandes ganhos de eficiência a incorporar e é sim candidato a ser mais uma estrela do agronegócio brasileiro”, exalta.
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Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina
Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais. Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.
No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.
Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná
Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade
Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.
Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.
Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.
Mais produtividade
Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.
Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.
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Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025
Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.
As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso
O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.
Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.
Antropozoonoses
Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato
brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.
No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.
Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.
Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.
Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.
Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.
Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação
a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.
O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.
Prevenção
A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.
Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.
Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves
Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.
Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves
A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.
Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.
A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo
Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.
O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.



