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Água: da essência à negligência

A água está presente a todo momento nas granjas, seja na água de bebida dos animais, para limpeza ou nos processos produtivos – na produção da ração, nos frigoríficos, etc.

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Fotos: Divulgação/Crystal Spring

É fato que a água é um dos nutrientes mais importantes, se não o mais importante para os suínos. Atualmente os índices de desperdício de água na produção de suínos no Brasil ainda estão bem aquém do que alguns países na Europa ou América do Norte já atingem. O manejo da água ainda é um tema por muitas vezes negligenciado no dia a dia da produção, seja pela abundância ou ainda pelo baixo custo no Brasil, geralmente não damos a devida atenção a este recurso que é finito e vai se tornar cada vez mais importante nas agendas de sustentabilidade em nossa indústria.

A água está presente a todo momento nas granjas, seja na água de bebida dos animais, para limpeza ou nos processos produtivos – na produção da ração, nos frigoríficos, etc. Estudos demonstram que o desperdício de água na criação de suínos varia, mas chega a números de até 27 a 52%. A maneira como a água é apresentada aos suínos, a vazão de água nos bebedouros e as diretrizes de manejo em geral têm impactos diretos nestes níveis de perdas. Além disso existe o impacto no custo de remoção/destinação de dejetos. Um estudo realizado pela Embrapa Suínos aponta que a cada mil litros de água adicionados aos dejetos, um custo de R$10,00 a 12,00 é agregado para destinação, um custo de produção, pouco explorado.

Quanta água um suíno precisa?

Ao nascer, a água representa até 80% do peso corporal de um leitão e diminui para aproximadamente 50% em um suíno que atinge o peso de abate de acordo com o estudo publicado em 2019.

Em fase de gestação as fêmeas precisam de 12 a 23 L/dia de água, enquanto que em lactação de 19-40 L/dia. Do nascimento ao desmame os suínos precisam entre 50-350 ml/dia de água. Já pós desmame esta relação muda, pois está diretamente ligada ao consumo e ração, sendo exigida uma relação de 2:1 a 3:1 entre consumo de ração e de água. Vários fatores afetam esta relação de consumo, mas via de regra suínos em crescimento requerem cerca de 2,6 litros de água por kg de ração ingerida.

A composição das dietas é um dos fatores que impactam significativamente as variações de consumo dos animais, dietas com altos níveis de proteínas e sal, por exemplo, causam maior ingestão de água pelos animais. Outro fator é o estresse térmico dos animais. Diversos estudos demonstram correlação direta entre temperaturas, altas ou baixas, e o consumo de água e ração. Um destes estudos realizou uma meta análise que mostra que em condições de 29 a 35°C, observa-se até 270g menos de consumo diário e 57,57g a menos de GPD em relação a suínos criados em ambientes mantidos a 18-25°C.

Quando este valor extrapolado para um período de engorda pode-se perder até 5kg no peso final de abate. Estudos demonstram também que a temperatura da água de bebida impacta diretamente a performance dos animais, sendo temperaturas de 18-20°C as mais adequadas para garantir um adequado consumo.

Manejo de Água na maternidade/lactação

Na lactação um trabalho monitorou a ingestão de água das fêmeas e controlou o desempenho de performance dos leitões. A maior ingestão de água nas primeiras horas pós-parto demonstrou um efeito direto na performance da leitegada, com impactos significativos tanto nos 3 primeiros dias quanto no período subsequente de 7-14 dias. A ingestão de água adequada pelas fêmeas impactou também em um melhor desempenho em consumo de ração. O mesmo trabalho também demonstrou que leitões com maior GPD tem como sua principal fonte de hidratação o leite enquanto que os leitões de menor GPD consomem mais água, devido a busca das fontes de água para evitar a desidratação.

Manejo de Água na fase de creche

O manejo da água é fundamental na creche, especialmente para os leitões recém-desmamados. Um estudo demonstrou que a ingestão de água pode ser até 3,5 vezes maior que o normal quando os suínos em fase de creche enfrentam estresse térmico.

Muitas vezes é difícil garantir que os leitões recém-desmamados procurem água e bebam nos primeiros dias de alojamento. Com o estresse da saída da maternidade, mudança de ambiente, introdução ao grupo na baia, a desidratação é um dos maiores desafios enfrentados por esses leitões.
É necessário que haja bebedouros suficientes com fluxo de água adequado para garantir o acesso dos leitões à água fresca e hidratação. Como recomendação geral, a proporção de bebedouro por leitão na creche é de um para cada 10 a 15 leitões com fluxo recomendado de 300mL a 550mL por minuto, na busca do equilíbrio correto entre ingestão de água e desperdício.

Os eletrólitos, assim como suplementos nutricionais, podem ser administrados para ajudar a manter os suínos hidratados nas primeiras semanas após o desmame. Produtos que fornecem cloreto, sódio, vitaminas, magnésio e acidificantes de pH ajudam a manter o intestino equilibrado, o que mantém os animais saudáveis para beber e comer.

Por fim, deve-se considerar o impacto do tipo de comedouro. A alimentação seco/úmida é uma ótima maneira de garantir que os leitões recém-desmamados comecem a comer assim que cheguem ao crechário. Disponibilizar um bebedouro no comedouro permite que os animais misturem seu próprio alimento, fazendo uma “papa”, o que comprovadamente aumenta a ingestão de água e ração, resulta em um intestino mais saudável e melhora o GPD. Comparado a comedouros secos tradicionais, a melhora da ingesta em um comedouro seco/úmido resulta em um ganho de peso adicional de 1,5 a 3 kg durante a fase de creche com 35% menos desperdício de água. Vale lembrar que o sucesso neste tipo de alimentação está diretamente ligado ao adequado fluxo de água nos bebedouros (vazão) dos comedouros.

Conclusão
A água é essencial em todos os aspectos do crescimento do suíno e desempenha um papel crítico na produção. Garantir o fornecimento adequado de água deve ser foco prioritário do manejo, porém a redução dos desperdícios também é fundamental e será cada vez mais importante no dia a dia das granjas. Existem maneiras excelentes de fornecer água potável aos suínos e equipamentos e protocolos de manejo que visam a redução das perdas. Avalie, pesquise e passe a olhar e avaliar o recurso água como um potencial para melhoria produtiva e de controle de custos em sua granja.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na Nutrição e Saúde Animal clique aqui. Boa leitura!

Fonte: Por: Gefferson Almeida da Silva, médico-veterinário, gerente de Desenvolvimento de Negócios na Crystal Spring e Natalia Rimi Heisterkamp, administradora de empresas, diretora da Crystal Spring

Suínos

Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

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Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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Suínos

Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

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A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.

O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.

Resiliência

Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.

A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.

Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026

Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.

No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.

De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.

Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.

No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.

Fonte: Assessoria Cepea
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