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Água da chuva é alternativa para o interior de Rondon

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No alto dos seus 57 anos, o produtor rural Ademar Hofstetter é o que podemos chamar de um entusiasta para medidas de preservação ambiental, principalmente no que tange aos cuidados com a água. Na Linha Eldorado, no distrito de São Roque, em Marechal Cândido Rondon, ele tem três barracões destinados à suinocultura para 1,2 mil fêmeas, além da fábrica de ração. A água utilizada para manutenção da estrutura provém de um poço artesiano e da captação de uma “mina d’água”. Mas ele teme que no futuro a mina e o poço literalmente sequem. Mais ainda, Hofstetter pensa em aumentar a produção de suínos e se preocupa com a água da chuva que corre pela propriedade íngreme, podendo causar erosão.
Foi pensando nessas questões que, há alguns anos, ele chegou a construir uma cisterna para coletar e armazenar a água da chuva. Mas faltou-lhe alguns conhecimentos técnicos para que o projeto tivesse resultados positivos. Agora, porém, surge uma nova oportunidade de Ademar colocar sua ideia em prática, a partir de uma iniciativa do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Marechal Cândido Rondon (Saae) em parceria com a Itaipu Binacional, através do Programa Cultivando Água Boa, e com o apoio da Copagril e prefeitura. Trata-se de um projeto-piloto para coleta de água pluvial e armazenamento em cisternas de propriedades rurais.
Da ideia à realidade
A diretora do Departamento Técnico do Saae, engenheira civil Silvana da Silva Ramme, explica que a ideia partiu do diretor-executivo do Saae, Luis Carlos Lírio (Grilo), que manifestou sua preocupação pelo fato de praticamente em todas as linhas rurais do Serviço Autônomo, a água tratada também ser utilizada em sistemas de produção animal. A partir daí, foi buscado um modelo para aplicação nas propriedades em que pudesse ser coletada e armazenada a água da chuva. Um projeto parecido já é aplicado em Santa Catarina, desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves.
Aqui em Marechal Rondon, foi encontrado o parceiro ideal para pôr o projeto em prática – o Programa Cultivando Água Boa da Itaipu, cujo convênio será assinado no sábado (07). Silvana explica que, a princípio, será implantado um projeto-piloto em três propriedades, que têm atividades comerciais diferentes: a de Ademar Hofstetter, em São Roque (suinocultura), numa propriedade da Linha Ajuricaba (avicultura) e em outra de Iguiporã (bovinocultura). Os recursos são do Cultivando Água Boa. “Após a implantação, vamos fazer a análise dos resultados durante alguns meses, para posteriormente expandir o projeto para outros produtores que o queiram”, detalha Silvana.
Como funciona
O servidor do Saae Fábio Alexandre Regelmeier é um dos coordenadores do projeto. Ele explica que a intenção é coletar a água da chuva através dos telhados existentes na propriedade rural. Elas são conduzidas através de calhas e passam por um sistema de filtragem, considerado relativamente simples, utilizando caixas d’água comuns e pedras. O colaborador comenta que a água pode, inclusive, ser tratada para ser potável e, além disso, o sistema não abre brechas para riscos de tornar-se um criatório de insetos, como o mosquito da dengue (Aedes aegypti). A intenção é utilizar o reservatório para atividades de limpeza de instalações e demais serviços.
De acordo com Regelmeier e Silvana, cada propriedade precisa de um projeto específico, mas a perspectiva é de gerar um reservatório com capacidade para atender as necessidades da propriedade por pelo menos 15 dias. No entanto, quando se tem consciência ambiental, como o suinocultor Ademar Hofstetter, se pensa no futuro. “Vou poder poupar a exploração do poço e da mina, para garantir água por mais tempo”, comemora, analisando que pode aliviar a exploração do poço artesiano em quatro a cinco meses por ano.
“É muita água”, diz Hofstetter quando faz as contas. Em um metro quadrado de telhado, com um milímetro de chuva é coletado um litro de água. Na propriedade do rondonense, são três mil metros quadrados de telhado, com uma chuva de 10mm podem ser coletados 30 mil litros de água. Isso levando-se em conta a porcentagem dispensada do princípio da chuva, que “lava” o telhado.
Outro detalhe apontado pelos profissionais é o fato de que a água da chuva é gratuita. Eles chamam atenção para esse fato por conta da lei nº 9.433, que prevê a cobrança pela exploração dos recursos hídricos do país, caso dos rios. “Mais do que uma alternativa para reduzir custos com água, o projeto é uma alternativa para um problema mundial, que é a falta de água. Muito produtor ainda não tem dado a devida atenção à questão porque não teve problemas com falta de água. Mas temos que pensar no futuro e apresentar soluções viáveis e ambientalmente corretas como essa”, conclui Silvana. (Reportagem sobre o assunto você lê na próxima edição de O Presente Rural)

Fonte: Luciany Franco – O Presente Rural

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ASGAV e entidades da proteína animal promovem debate com pré-candidatos ao Governo do RS

Entidades do setor debateram temas como competitividade, logística, infraestrutura, sustentabilidade e políticas públicas para o desenvolvimento da proteína animal no Estado

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Foto e texto: Assessoria

Representantes da cadeia da proteína animal do Rio Grande do Sul estiveram reunidos na manhã desta quarta-feira (24), no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, para um debate com pré-candidatos ao Governo do Estado. Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) em parceria com o Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Estado do Rio Grande do Sul (SIPS), Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (SICADERGS) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (SINDILAT/RS), o encontro teve como objetivo ampliar o diálogo entre o setor produtivo e os postulantes ao Palácio Piratini.

Com mediação do jornalista Léo Saballa Jr., o painel reuniu lideranças empresariais, dirigentes de entidades e representantes das cadeias de aves, ovos, suínos, bovinos de corte e lácteos, responsáveis por uma parcela significativa da produção agroindustrial e das exportações gaúchas. A iniciativa proporcionou um espaço para apresentação das principais demandas do segmento, discussão de políticas públicas e construção de propostas voltadas ao fortalecimento da competitividade do setor.

Participaram do encontro os pré-candidatos Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Os pré-candidatos Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), também convidados pelas entidades organizadoras, não compareceram ao evento.

Ao longo do debate, os candidatos presentes abordaram temas relacionados ao ambiente de negócios, infraestrutura, logística, segurança jurídica, sustentabilidade, competitividade, resiliência climática e o papel estratégico do agronegócio na economia gaúcha. Também responderam aos questionamentos apresentados pelas entidades representativas da proteína animal, reafirmando o compromisso com o diálogo e com a busca por soluções capazes de impulsionar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

Para o presidente executivo da Organização Avícola do RS (ASGAV/SIPARGS), José Eduardo dos Santos, o encontro reforça a importância de aproximar o setor produtivo dos futuros gestores públicos.

“A cadeia da proteína animal é uma das grandes forças econômicas do Rio Grande do Sul, gerando emprego, renda e desenvolvimento em todas as regiões do Estado. Este debate permitiu apresentar aos pré-candidatos as demandas e os desafios enfrentados pelos diferentes segmentos, fortalecendo um diálogo institucional necessário para a construção de políticas públicas que assegurem a competitividade e o crescimento sustentável do setor”, destacou Santos.

A avicultura do Rio Grande do Sul, uma das principais atividades do agronegócio estadual, tem papel fundamental na geração de empregos, no desenvolvimento regional e na produção de alimentos para o mercado brasileiro e internacional.

Ao promover o debate em conjunto com as demais cadeias da proteína animal, a ASGAV e o SIPARGS reafirmam seu compromisso com o fortalecimento da competitividade do setor e com a construção de uma agenda voltada ao desenvolvimento sustentável da agroindústria gaúcha.

Fonte: Assessoria
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Seguro rural, menos risco e mais cautela: as recomendações para enfrentar o El Niño

Conselho de Agrometeorologia do Rio Grande do Sul orienta produtores a adaptar o manejo das lavouras e reforçar a proteção das propriedades.

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Foto: Divulgação/Seapi

A previsão de um El Niño forte no segundo semestre de 2026 não altera apenas o cenário climático do Rio Grande do Sul. O fenômeno também deve influenciar diretamente as decisões dos produtores rurais, desde a escolha das cultivares até o volume de investimentos nas lavouras.

Diante da perspectiva de chuvas acima da média, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou uma série de orientações técnicas voltadas às culturas de inverno e primavera-verão, além de recomendações para a pecuária.

Foto: Divulgação/Seapi

Entre as principais medidas estão a adesão ao seguro agrícola, o escalonamento das épocas de semeadura, o uso de cultivares com diferentes ciclos e a intensificação do monitoramento de doenças e pragas.

O conselho também recomenda que os produtores acompanhem regularmente as previsões meteorológicas e busquem apoio da assistência técnica para adequar o manejo das culturas às condições climáticas previstas.

Menos foco em recordes e mais atenção ao risco

Para as culturas de inverno, o boletim faz um alerta incomum: evitar investimentos com o objetivo de alcançar recordes de produtividade.

Segundo os técnicos, em anos influenciados pelo El Niño, como 2026, o ambiente tende a apresentar maior restrição produtiva em razão do excesso de chuvas e do aumento da incidência de doenças.

A recomendação é que os investimentos em fertilizantes e demais insumos sejam compatíveis com o

Foto: Divulgação

potencial produtivo de cada área e com as condições climáticas previstas.

Outra orientação é priorizar cultivares com maior resistência genética a doenças, especialmente manchas foliares, mosaico comum e doenças de espiga, como giberela e brusone.

O Copaaergs também recomenda a rotação de culturas, sobretudo para o trigo, evitando a semeadura em áreas que receberam trigo, triticale, cevada ou centeio no inverno anterior. A prática ajuda a reduzir a incidência de doenças foliares e podridões radiculares.

Chuvas elevam preocupação com doenças

O excesso de umidade previsto para os próximos meses deve aumentar a pressão de doenças nas lavouras.

Por isso, os técnicos recomendam monitoramento constante das áreas cultivadas e adoção de estratégias racionais de controle químico, evitando aplicações baseadas em calendários fixos.

Foto: Divulgação

As decisões sobre fungicidas e outros defensivos devem considerar a necessidade real da lavoura e as condições climáticas de curto prazo, que costumam apresentar maior precisão nas previsões.

No caso dos cereais de inverno, o boletim chama atenção também para a necessidade de monitorar a presença de micotoxinas nos grãos colhidos, problema que tende a se agravar em anos mais úmidos.

Soja e milho exigem planejamento

Para as culturas de primavera-verão, as orientações envolvem desde a preservação do solo até o respeito ao vazio sanitário da soja.

O Copaaergs recomenda que a semeadura seja iniciada apenas quando a temperatura do solo, a cinco centímetros de profundidade, estiver entre 16°C e 18°C, sempre observando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Outra estratégia sugerida é escalonar as datas de plantio e utilizar cultivares de diferentes ciclos,

Foto: Fernando Dias/Seapi

reduzindo a possibilidade de que as fases mais sensíveis das plantas coincidam com períodos de maior demanda evaporativa ou de instabilidade climática.

No caso do milho, os técnicos orientam que produtores que planejam duas safras antecipem ao máximo a semeadura da primeira, desde que respeitadas as recomendações do zoneamento agrícola.

Pecuária deve reforçar cuidados sanitários

Na pecuária, as recomendações estão voltadas principalmente ao manejo das pastagens e ao bem-estar animal.

O boletim orienta manter carga animal baixa ou moderada nas pastagens naturais durante o inverno, período em que o crescimento das forrageiras tende a ser menor devido ao excesso de nuvens e à redução da radiação solar.

Foto: Divulgação

Também é recomendada a suplementação alimentar com feno, silagem ou ração quando houver baixa disponibilidade de forragem.

Após episódios de chuva intensa, os técnicos sugerem reduzir temporariamente a lotação das pastagens para evitar danos provocados pelo excesso de pisoteio.

Outra preocupação é o aumento dos riscos sanitários. A combinação de chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas pode favorecer problemas de casco, principalmente em vacas leiteiras, além de ampliar a incidência de doenças.

O monitoramento do estresse térmico também entra na lista de prioridades, especialmente para animais de alta produção de leite. Segundo o Copaaergs, as temperaturas devem permanecer acima da média climatológica em parte do Estado, sobretudo em setembro.

Seguro agrícola 

Entre as recomendações gerais, o conselho destaca a adesão a programas públicos e privados de

Foto: Divulgação

seguro rural como uma das principais ferramentas para reduzir perdas em anos de maior instabilidade climática.

Além disso, os produtores são orientados a manter o solo protegido com plantas de cobertura, investir em práticas de conservação e ampliar a capacidade de armazenamento de água nas propriedades.

A avaliação dos técnicos é que, diante da previsão de um El Niño forte, a gestão de riscos será tão importante quanto as decisões relacionadas à produtividade das lavouras.

Fonte: O Presente Rural
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Estudo revela baixo impacto do milho safrinha na mudança de uso da terra no Brasil

Resultados quantificam o balanço de CO2 associado à mudança direta de uso e cobertura da terra e ao manejo do solo e suas contribuições para as emissões do etanol de milho brasileiro.

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Foto: Divulgação

O milho de segunda safra, cultivado após a soja na mesma área e no mesmo ano agrícola, tem se consolidado como uma das principais estratégias da agricultura brasileira para aumentar a produção sem necessidade de expansão da área plantada e, agora, também aparece associado à redução da pegada de carbono.

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros aponta que esse sistema produtivo contribui para diminuir emissões ligadas ao uso da terra e reforça o papel da agricultura tropical como modelo de intensificação sustentável.

Foto: Paulo Kurtz

Na prática, o sistema permite duas colheitas no mesmo ciclo agrícola, o que ajuda a quebrar o paradigma de que produzir mais depende necessariamente de abrir novas áreas.

A pesquisa foi realizada pelos pesquisadores Danilo Francisco Trovo Garofalo, Luciane Chiodi Bachion e Marcelo Moreira da consultoria Agroicone; Renan Novaes, Ricardo Pazianotto e Marília Folegatti da Embrapa Meio Ambiente; e ainda Daniel Alves de Aguiar, da Canopy, Rafael Cardão Augusto da Serasa Experian e Lucas Kreutzfeld da Epagri/SC. Durante dois anos, o grupo realizou um mapeamento inédito das áreas de milho de segunda safra em todo o Brasil com base em imagens de satélite.

Os dados foram cruzados com informações do projeto MapBiomas, permitindo analisar o uso e cobertura da terra em recortes temporais de 10 e 20 anos (2003–2013, 2013–2023 e 2003–2023).

O levantamento também considerou práticas de manejo do solo e mudanças no uso da terra para calcular o impacto de carbono associado à produção.

Carbono sob análise mais precisa

O estudo, publicado na revista científica npj Sustainable Agriculture, refinou estimativas sobre a chamada mudança direta do uso e cobertura da terra (dLUC, na

Foto: Fernando Dias

sigla em inglês), além de avaliar como o manejo do solo influencia o balanço de emissões do milho de segunda safra.

Esse tipo de análise é considerado essencial para entender com mais precisão o impacto ambiental de sistemas agrícolas intensificados, especialmente em culturas de grande escala e relevância global como o milho.

Os resultados também indicam impactos positivos em cadeias estratégicas, como a de biocombustíveis, que dependem de métricas cada vez mais robustas de sustentabilidade para atender exigências de mercado.

Tecnologia como base da intensificação sustentável

O estudo destaca ainda que a expansão do milho de segunda safra no Brasil está diretamente ligada ao avanço de tecnologias desenvolvidas para a agricultura tropical, que permitiram elevar a produtividade sem pressionar a expansão da fronteira agrícola.

Segundo os pesquisadores, esse modelo produtivo contribui para conciliar três objetivos centrais: segurança alimentar, redução de emissões de gases de efeito estufa e preservação ambiental.

Foto: Divulgação

Na avaliação do grupo, a intensificação sustentável observada no país mostra que tecnologia e manejo adequado podem desempenhar papel decisivo na transição para sistemas agrícolas de menor impacto ambiental.

Sistema de cultivo duplo

O mapeamento identificou que o milho de segunda safra ocupou 17,1 milhões de hectares no Brasil em 2023. No acumulado de 2003 a 2023, a área cresceu 14,4 milhões de hectares, consolidando o sistema de cultivo duplo como um dos principais diferenciais da produção de grãos no país.

Segundo o estudo, essa expansão ocorreu majoritariamente sobre áreas já consolidadas para a agricultura, reduzindo a necessidade de novas conversões de vegetação nativa e, consequentemente, a pressão por desmatamento.

Emissões até 80% menores

Ao cruzar esse mapeamento com dados de estoque de carbono do método BRLUC2, os pesquisadores estimaram que as emissões associadas à mudança direta do uso da terra (dLUC) variam entre 0,6 e 0,9 tonelada de CO₂ por hectare ao ano. Os valores ficam entre 40% e 57% abaixo das estimativas de metodologias nacionais e entre 40% e 80% inferiores às referências internacionais. Em ambos os casos, os cálculos não diferenciam sistemas de primeira e segunda safra no milho brasileiro.

Para os pesquisadores, a diferença reforça a importância de considerar o recorte espacial do milho de segunda safra nas estimativas de emissões ligadas ao uso da

Foto: Joana Silva

terra. “Esse novo mapeamento será muito útil para modelos de uso da terra nacionais e internacionais, como os próprios BRLUC e MapBiomas, para refinarem suas estimativas de uso da terra e de emissões associadas ao milho brasileiro, retratando-as de forma mais precisa”, afirmou Garofalo.

A análise também aponta ganhos adicionais relacionados ao manejo do solo. “Além dos efeitos relacionados à menor necessidade de expansão agrícola, a adoção de práticas de manejo sustentável ainda permitiu aumentar o armazenamento de carbono no solo, comparado ao sistema de safra única, compensando aproximadamente 20% das emissões geradas pela mudança de uso da terra”, destacou Luciane.

Impactos do modelo produtivo

Um dos principais impactos desse modelo produtivo aparece no setor de energia e transportes, onde o etanol produzido a partir do milho de segunda safra vem ganhando espaço como alternativa para ampliar a oferta de biocombustíveis sem necessidade de expansão da área agrícola. O efeito ambiental se reflete diretamente na intensidade de carbono do combustível derivado dessa matéria-prima.

O estudo estima que as emissões líquidas do etanol associadas à mudança de uso da terra e ao manejo do solo no sistema de segunda safra variam entre 2,3 e 5,3 g CO₂ MJ⁻¹ em um horizonte de 20 anos. Quando considerado o período mais recente, os valores caem para a faixa de 0,8 a 1,5 g CO₂ MJ⁻¹. Em comparação, a literatura aponta estimativas de até 30 g CO₂ MJ⁻¹ para o etanol de milho no Brasil, sem diferenciar sistemas de cultivo.

Foto: Divulgação

De acordo com Garofalo, os resultados reforçam a consistência técnica do indicador. “Esses dados validam cientificamente o baixo impacto ambiental do etanol de milho de segunda safra e seu potencial estratégico para o cumprimento das metas globais de descarbonização”, afirmou.

Dados podem alterar metodologias globais de cálculo de carbono

A pesquisa também aponta que, pela primeira vez, os benefícios desse sistema de cultivo foram quantificados de forma mais precisa, o que pode contribuir para a atualização de modelos nacionais e internacionais de cálculo da pegada de carbono associada à mudança direta do uso da terra.

Na avaliação da Luciane, a revisão desses parâmetros tende a impactar diretamente a competitividade do biocombustível. “A atualização desses indicadores resulta em uma menor pegada de carbono do etanol de milho de segunda safra frente aos cálculos atuais, aumentando a atratividade e a competitividade desse biocombustível, principalmente em setores desafiadores como o transporte marítimo e aéreo”, enfatizou.

Os pesquisadores destacam ainda que os efeitos da mudança de uso e cobertura da terra estão entre os pontos mais sensíveis nas discussões sobre biocombustíveis,

Fotos: Divulgação/AtmosMarine

especialmente em segmentos de difícil descarbonização, como aviação e navegação, que exigem métricas mais robustas para escala global.

A conclusão do estudo é que o sistema de segunda safra contribui para uma menor pegada de carbono do etanol de milho por dois fatores principais: a baixa emissão associada à mudança direta de uso da terra, já que não há necessidade de expansão agrícola, e o maior acúmulo de carbono no solo decorrente do cultivo sucessivo na mesma área.

No recorte histórico analisado, entre 2013 e 2023, o estudo também identificou uma redução de 73% nas emissões anuais líquidas de CO₂ provenientes da mudança direta de uso da terra associada ao milho, em comparação ao período anterior.

Fonte: O Presente Rural
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