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Agronegócio do Tocantins fecha 2025 com crescimento e VBP de R$ 22,4 bilhões
As cinco principais atividades somam a vasta maioria do faturamento, com destaque para soja, bovinos e milho.

O agronegócio do Tocantins encerra o ciclo de 2025 com um desempenho nominal positivo, atingindo um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 22.413,46 milhões. O montante representa um crescimento de 8,48% em relação aos R$ 20.661 milhões registrados em 2024. Embora o avanço sinalize uma expansão da atividade produtiva local, o estado ocupa a 13° posição no ranking nacional de faturamento agropecuário entre as unidades federativas listadas, representando apenas 1,59% do VBP total do Brasil.
Enquanto o Tocantins cresceu cerca de 8,5%, o cenário nacional apresentou uma aceleração mais contida, porém em escalas monumentais. O VBP do Brasil saltou de R$ 1.233.003,50 milhões em 2024 para R$ 1.412.203,57 milhões em 2025, uma alta de 14,5%.

Este dado revela um “descolamento” importante: apesar de o Tocantins estar em uma trajetória ascendente, o ritmo de crescimento do estado ficou seis pontos percentuais abaixo da média nacional. Enquanto o país expandiu sua riqueza no campo de forma robusta, o Tocantins mantém uma participação marginal (apenas 0,01% do VBP de determinados produtos específicos em âmbito nacional), evidenciando que a dinâmica econômica do estado ainda não acompanha a tração das grandes potências agrícolas como Mato Grosso e Paraná.
A economia rural tocantinense permanece fortemente concentrada. As cinco principais atividades somam a vasta maioria do faturamento, com destaque para o complexo soja-carne.
Soja: Líder absoluta com R$ 9.659,3 milhões. Comparado aos R$ 8.955,2 milhões de 2024, a cultura cresceu 7,8%, consolidando-se como o motor do estado.
Bovinos: O setor pecuário faturou R$ 6.841,7 milhões, uma alta de 9,9% frente aos R$ 6.223,5 milhões do ano anterior.
Milho: Registrou R$ 2.553,5 milhões, um crescimento de 4,9% em relação aos R$ 2.433,4 milhões de 2024.
Arroz: Apresentou um dos saltos mais expressivos, saindo de R$ 863,1 milhões para R$ 1.053,2 milhões (+22%).
Cana-de-Açúcar: Estabilizou-se em R$ 489,6 milhões, com leve alta sobre os R$ 478,5 milhões anteriores.
O setor de aves e ovos, mostra comportamentos distintos. O VBP de Frangos subiu de R$ 347,2 milhões para R$ 360,3 milhões (+3,7%). Já a produção de Ovos teve um crescimento mais robusto de 8,8%, atingindo R$ 317,8 milhões. O setor de Leite também avançou, saindo de R$ 253,5 milhões para R$ 272,2 milhões. O Trigo, por sua vez, não possui expressão estatística nos dados do estado.
Histórico
O gráfico de evolução histórica (2018–2025) revela uma curva ascendente consistente. Em 2018, o VBP era de R$ 11.621 milhões. O valor atual de R$ 22.413 milhões representa uma expansão de 92% em sete anos.
Entretanto, a análise técnica sugere um crescimento de caráter misto. Embora haja ganho de área e produtividade (visto no salto de 2020 para 2021), a manutenção da última posição no ranking nacional e a forte dependência de apenas dois produtos (soja e bois, que compõem 65% das lavouras e 35% da pecuária no estado, respectivamente) indicam que o crescimento é, em grande parte, impulsionado pela valorização das commodities no mercado global (valor nominal), e menos por uma mudança na matriz produtiva regional.
Os dados revelam que o principal desafio estrutural do Tocantins não é a falta de crescimento, mas a escala e a diversificação. O estado opera em um modelo de alta concentração em commodities de exportação, o que o torna vulnerável a oscilações internacionais de preços. A base produtiva de pequeno valor agregado (frutas e culturas secundárias) ainda não possui peso suficiente para alterar a posição do estado no ranking nacional, mantendo-o como a menor economia agropecuária do país em termos de VBP total.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

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Governo federal prepara decreto de salvaguardas para acordo Mercosul-UE
Texto será analisado pela Casa Civil e estabelece mecanismos para proteger produtores nacionais em caso de aumento das importações europeias.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou na quarta-feira (25) que o decreto sobre as salvaguardas do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será enviado para a Casa Civil, onde passará por análise jurídica antes da publicação. A salvaguardas são instrumentos de proteção a produtores nacionais. 


Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas, caso sejam sancionados por organismos europeus. Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul, cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.
O setor do agronegócio nacional quer que essas salvaguardas sejam assumidas também pelo governo brasileiro, em caso de aumento das importações de produtos europeus concorrentes. “Sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando a proposta, para passar pelos ministérios, o decreto de salvaguardas”, declarou o vice-presidente.
A fala foi feita após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto que ratifica o acordo entre o bloco europeu e o sul-americano, que vai criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com produção avaliada em US$ 22 trilhões e mercado consumidor de 720 milhões habitantes.
A Casa Civil poderá consultar outros ministérios, como a Fazenda, para depois enviar o decreto para assinatura do presidente da

Bandeira do Mercosul
República, antes que o Senado Federal aprove a ratificação do acordo. O texto da ratificação foi aprovado na quarta-feira pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Como funcionam as salvaguardas
Salvaguardas são mecanismos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas. Caso fique comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:
- Estabelecer cotas de importação;
- Suspender a redução tarifária prevista no acordo;
- Restabelecer o nível de imposto anterior à vigência do tratado.
O decreto deverá definir prazos, procedimentos de investigação e condições para aplicação das medidas.
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Câmara autoriza uso de até R$ 500 milhões do FGO para crédito do Pronaf
Projeto visa ampliar garantias para agricultores familiares sem impactar as contas da União e segue para sanção presidencial.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (16) o Projeto de Lei 2213/25, que autoriza o uso de recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O texto, de autoria do Senado, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Administrado pelo Banco do Brasil, o FGO facilita o acesso ao crédito por empresas e setores específicos, diminuindo os riscos para os bancos.
De acordo com o projeto, até R$ 500 milhões do FGO poderão ser utilizados para garantir as operações do Pronaf, que oferece linhas de crédito com condições especiais a agricultores familiares. O texto aprovado altera a Lei 13.999/20, que institui o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).
Um ato conjunto dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda definirá como esses recursos serão alocados, quais limites máximos de garantia poderão ser concedidos, os critérios de elegibilidade dos agricultores familiares e de suas cooperativas.
O ato deve indicar ainda quais operações do Pronaf poderão receber cobertura do FGO. As instituições financeiras autorizadas a operar

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
crédito rural no Pronaf poderão solicitar essa garantia, respeitados os limites proporcionais de suas carteiras e o montante efetivamente aportado pela União e pelos demais cotistas.
O relator do projeto, deputado Rogério Correia (PT-MG), disse que a medida não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União. O deputado citou o Balanço Patrimonial Consolidado do próprio FGO, referente a dezembro de 2024, que mostra que o fundo detinha R$ 43 bilhões em ativos totais, o que demonstra, segundo Correia, que a eventual destinação de até R$ 500 milhões para operações do Pronaf representa uma fração modesta de sua capacidade financeira.
“A medida não afeta sua aptidão [do FGO] para dar cobertura às garantias relacionadas ao Pronampe, nem compromete a estabilidade do fundo. Diante desse cenário, conclui-se que o projeto não produz impacto orçamentário ou financeiro imediato sobre as contas da União, uma vez que apenas autoriza a utilização de recursos já existentes no FGO”, afirmou
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Argentina e Uruguai aprovam Acordo Mercosul-UE; Brasil ainda depende de aval do Senado
Após sessões extraordinárias em Montevidéu e Buenos Aires, países iniciam processo de integração comercial.






