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Agroconsult confirma projeção de 172,1 milhões de toneladas para nova safra de soja
Rally da Safra encerra avaliação de lavouras em 13 estados; produtividade média é estimada em 60 sacas por hectare e área plantada soma 47,8 milhões de hectares.

Com a conclusão da etapa soja do Rally da Safra, depois de três meses em campo e 62 mil quilômetros percorridos em 13 estados, a Agroconsult, organizadora da expedição, confirma sua estimativa de produção da safra brasileira de soja 24/25 acima de 172 milhões de toneladas, conforme divulgado em janeiro, na largada da 22ª edição da expedição. O novo recorde de 172,1 milhões de toneladas, divulgado na última quinta-feira (27), representa crescimento de 16 milhões de toneladas em relação à safra anterior (+10,7%) e de 10 milhões de toneladas sobre o último recorde de 22/23 (+6%). A estimativa leva em conta mudanças em produtividades estaduais, verificadas nas lavouras pelas equipes técnicas, e alteração na área plantada, a partir da avaliação por satélite da ferramenta Cropdata.

Foto: Eduardo Monteiro
“Desde o início do Rally, nossas projeções indicavam que essa safra tinha tudo para ser recorde e, ao longo desses três meses de trabalho de campo, confirmamos os números. Ao analisar a produção nacional, pode parecer que nada mudou, porém, há variações regionais importantes que merecem destaque”, explica André Debastiani, coordenador da expedição.
A diferença na produção entre os estados brasileiros em março supera 12,5 milhões de toneladas, em comparação ao mês de janeiro. Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Paraná e a região do MAPITO acrescentaram 6,1 milhões de toneladas à projeção de janeiro, enquanto Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina retiraram 6,4 milhões de toneladas.
Seis estados devem registrar novos recordes de produtividade: Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Tocantins e Rondônia. O destaque segue com o Mato Grosso, que, apesar do atraso na regularização das chuvas no plantio e do excesso de chuva durante a colheita, espera colher uma safra acima de 50 milhões de toneladas. “Os dados de campo do Rally da Safra dos últimos anos tem revelado um incremento contínuo no número de grãos por hectare e peso de grãos no estado. Essas variáveis são muito influenciadas pelo clima, mas também estão relacionadas ao bom manejo fitossanitário e nutricional das lavouras e aos constantes ganhos genéticos”, diz Debastiani. Diante desse cenário, a produtividade média projetada é de 66,5 sacas por hectare. Já Goiás e Minas Gerais sofreram com o clima seco ao longo do mês de março, mas, mesmo assim, as estimativas indicam produtividades recordes de 68 e 66,5 sacas por hectare, respectivamente.

Outros cinco estados com bons resultados são Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Piauí, todos com produtividades acima da média nacional de 60 sacas por hectare. A Bahia se destaca nesse grupo, mas não alcançará recorde de produtividade em razão do período quente e seco ao longo do mês de março, durante a fase final de enchimento dos grãos. Mesmo assim, o estado permanece com o título de maior produtividade média do Brasil pelo terceiro ano consecutivo, com 68 sacas por hectare, dessa vez dividindo o título com Goiás. O Paraná também é destaque, com produtividade estimada em 63 sacas por hectare. As regiões Norte e Oeste do estado enfrentaram períodos de mais de 20 dias de clima seco e quente durante o enchimento de grãos, o que comprometeu seu resultado. Mesmo cenário enfrentou o estado de São Paulo, que deve registrar produtividade média de 62 sacas por hectare.
Já o Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul foram os dois grandes prejudicados pelas condições climáticas adversas a partir de meados de dezembro. No Rio Grande do Sul, as chuvas irregulares e o clima quente se estenderam até o mês de março, levando à nova revisão negativa da sua produtividade, agora em 37,5 sacas por hectare. A safra do estado gaúcho, estimada em janeiro em 20,2 milhões de toneladas, deve ficar próxima de 15,3 milhões de toneladas.
Diferente do Rio Grande do Sul, em que praticamente todas as regiões apresentam perdas significativas, no Mato Grosso do Sul, o Norte do estado – que representa um terço da área plantada – deve alcançar ótimas produtividades e compensar parte das perdas da região Sul, contribuindo para que a produtividade média do estado alcance 51,1 sacas por hectare.
Aumento de área

A avaliação da área plantada com o uso de imagens de satélite pelo CropData apontou ampliação da área brasileira de soja em março em 315 mil hectares, chegando ao total de 47,8 milhões de hectares. O crescimento é de 2,1% ou 1 milhão de hectares em relação à safra anterior.
A 22ª edição do Rally da Safra é patrocinada pelo Banco Santander, OCP Brasil, BASF, Credenz® e SoyTech™ (marcas de sementes da BASF), xarvio® (plataforma digital oficial do Rally), Biotrop, JDT Seguros e Tim Brasil.
As equipes técnicas avaliaram as condições de mais de 1,6 mil lavouras de soja durante as fases de desenvolvimento e de colheita desde o dia 12 de janeiro nos estados de MT, GO, MG, MS, PR, SC, SP, RS, PA, MA, PI, TO e BA. Outras seis equipes percorrerão as lavouras de milho segunda safra em maio e junho. Técnicos da Agroconsult e das empresas patrocinadoras visitarão produtores rurais nas regiões Sudeste do MT, Sudoeste de GO, Planalto do RS e Oeste do PR, entre abril e maio.
As áreas avaliadas pelo Rally da Safra 2025 respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho.

Colunistas
Por que cuidar dos animais significa cuidar das pessoas e garantir a sustentabilidade do agronegócio?
Além dos ganhos para os animais, o bem-estar impacta diretamente a qualidade do produto final. Animais menos estressados têm melhor imunidade e menos lesões, o que aumenta o aproveitamento das carcaças.

O conceito de bem-estar na produção animal evoluiu. Não se trata apenas de garantir a qualidade de vida dos animais, mas de entender que o ambiente de trabalho é um fator determinante para que essas práticas aconteçam de forma consistente. Cuidar dos animais é, inevitavelmente, cuidar das pessoas que trabalham com eles.
Para que o manejo seja executado com precisão, calma e eficiência, é necessário proporcionar infraestrutura adequada e fluxos operacionais claros. Isso envolve melhorias estruturais, como pisos antiderrapantes, corredores bem dimensionados e sistemas de iluminação e ventilação pensados para reduzir o estresse.

Quando o ambiente é organizado e planejado, diminuem-se os riscos e evita-se o retrabalho, permitindo que o colaborador concentre sua energia nas manobras técnicas corretas, sem improvisações ou esforço físico excessivo. O resultado é um ciclo virtuoso: investir no bem-estar do colaborador cria as condições para que o bem-estar animal ocorra de forma natural.
Assim, a qualidade do manejo é reflexo direto de um ambiente mais seguro. Enquanto o manejo inadequado, caracterizado por uso excessivo de força, ruídos e agitação, aumenta as chances de acidentes, quedas e lesões, os protocolos bem estabelecidos tornam o trabalho previsível e fluído. Ou seja, o bem-estar animal só se consolida com colaboradores seguros e capacitados.
Os benefícios observados na prática incluem:
- Redução de acidentes e afastamentos: decorrente do manejo calmo e sem força excessiva.
- Diminuição do estresse ocupacional: rotinas bem definidas e animais com melhor comportamento reduzem a carga mental da equipe.
- Melhor clima e retenção de talentos: equipes treinadas em empatia colaboram mais e sentem maior satisfação e propósito, o que fortalece o vínculo com a empresa.
Para validar essa integração positiva entre animais, seres humanos e o meio ambiente, o mercado tem ao seu dispor as certificações. Um exemplo é a Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar, que adota uma visão baseada nos princípios de One Welfare (Bem-estar Único), avaliando simultaneamente o ambiente, o manejo e os impactos sobre pessoas, animais e a sustentabilidade.
Monitorando indicadores integrados, como níveis de vocalização, acidentes ocupacionais, desempenho produtivo, uso adequado de equipamentos e tecnologias sustentáveis, capacitação e cultura de manejo ético e conformidade socioambiental, a certificação assegura que o bem-estar animal e humano caminhem juntos, fortalecendo a resiliência do negócio e gerando valor para a sociedade.
Reflexos na qualidade do alimento
Além dos benefícios humanos, o bem-estar animal possui relação direta e comprovada com a qualidade do produto final. Animais sob menor estresse apresentam melhor resposta imunológica e redução de lesões e hematomas, o que garante maior aproveitamento de carcaças.
Há também ganhos produtivos tangíveis, como a melhoria na aparência e uniformidade da casca de ovos, leite de maior qualidade e carne com parâmetros físico-químicos mais estáveis, o que significa um produto que mantém suas características de qualidade, segurança e frescor por um período de tempo mais longo, sofrendo alterações mínimas durante o armazenamento, transporte e processamento.
Com todas essas avaliações, é certo que as empresas que integram bem-estar único ao sistema de produção fortalecem seu compromisso com alimentos mais seguros, éticos e sustentáveis, bem como permitem um clima organizacional melhor e mais saudável.
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Santa Catarina aprova programa bilionário para impulsionar crédito rural
Nova política estadual cria até 10 linhas de financiamento e prevê R$ 1 bilhão para fortalecer cooperativas, agroindústrias e produtores em todas as regiões.

O Programa Coopera Agro SC, considerado uma das mais robustas iniciativas de estímulo ao agronegócio catarinense, foi aprovado na terça-feira (09), pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Enviado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), o programa representa um marco para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer cooperativas e agroindústrias e impulsionar a competitividade do campo em todas as regiões.
A iniciativa prevê a criação de até 10 linhas de crédito, somando R$ 1 bilhão em financiamentos voltados a agricultores vinculados a cooperativas e integradoras. As condições são diferenciadas, os financiamentos terão taxa de juros reduzida, próxima a 9% ao ano, com prazo total de 10 anos, incluindo dois anos de carência.
A operacionalização financeira será conduzida em parceria entre o Governo do Estado e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), por meio da aquisição de Letras Financeiras com prazo de 10 anos. O programa prevê R$ 200 milhões aportados pelo Estado e R$ 800 milhões pelo setor privado. Como incentivo adicional, o Governo poderá liberar créditos acumulados de ICMS, limitados a até 50% do valor investido.
Com potencial estimado de R$ 26 bilhões em impacto econômico, 40 mil empregos diretos e indiretos e benefícios para mais de 120 mil produtores rurais, o Coopera Agro SC é apontado como um programa de transformação estrutural para o setor. “A aprovação do Coopera Agro SC pela Assembleia Legislativa é um avanço para a nossa agricultura. Significa mais renda e oportunidades para impulsionar ainda mais a força do nosso campo e de toda cadeia produtiva”, afirma o governador Jorginho Mello.
O programa também responde a desafios estruturais do setor, como o custo elevado do crédito rural e a necessidade de ampliar investimentos que sustentem a competitividade. “O Coopera Agro SC marca um novo patamar de apoio ao agronegócio catarinense. Estamos criando um ambiente mais favorável para que agricultores, cooperativas e agroindústrias possam investir com segurança e crescer. É um programa que moderniza o acesso ao crédito, fortalece quem produz e garante mais renda e oportunidades no campo. Santa Catarina passará a contar com um programa inovador, que certamente será referência para o país”, destaca o secretário da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini.
A coordenação do programa é da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).
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Coamo antecipa R$ 200 milhões das sobras aos cooperados
Pagamento chega a 32,5 mil associados e aquece a economia regional no fim do ano.

A manhã desta quarta-feira (10), foi de movimentação nas unidades da Coamo no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, onde os mais de 32,5 mil cooperados estão recebendo a antecipação de R$ 200 milhões das sobras. O pagamento é proporcional à participação de cada associado, com R$ 0,70 por saca de soja, R$ 0,20 por saca de milho, R$ 0,20 por saca de trigo e 1,5% sobre o valor dos insumos adquiridos. O restante das sobras será repassado após a Assembleia Geral Ordinária, marcada para fevereiro de 2026.

Entre os cooperados que retiram o benefício está Leocyr Mota Junior, de Campo Mourão. Ele afirma já ter destino definido para o recurso. “Vamos cumprir uns compromissos, vem num momento bom para passar um natal melhor”, diz. Para Mota, a antecipação representa o retorno coletivo. “É um resultado do esforço de todos os cooperados”, frisa.
A cooperada Patrícia Aparecida Santiago, também de Campo Mourão, utilizará o valor recebido para organizar as despesas familiares. “Eu vou adiantar umas parcelas da escola das crianças e fazer umas comprinhas de natal”, comenta. Ao lado do filho, Enzo, ela avalia que as sobras trazem previsibilidade ao planejamento financeiro. “É uma segurança. Você sabe que no final do ano vai receber uma sobra e consegue se programar.”
O presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, destaca que a antecipação faz parte da história da cooperativa. “Nós antecipamos parte do resultado para dezembro, para que o cooperado faça o que bem entender e possa viver o natal com a família”, afirma. Ele explica que a prática acompanha a lógica do cooperativismo. “Na Coamo, os mais 32,5 mil cooperados são clientes e donos também, e recebem na proporção do que operam.”
Gallassini observa que, mesmo com oscilações de preços e perdas pontuais de produção em determinadas regiões, a Coamo mantém a margem operacional que permite realizar a antecipação anual. “Quando o preço sobe, paga mais; quando baixa, paga menos, mas sempre numa proporção”, explica. Segundo ele, o resultado deste ano acompanha o cenário de mercado e possibilita a distribuição prevista, com o restante das sobras sendo repassado no início de 2026.
O presidente lembra ainda que a antecipação movimenta a economia dos municípios da área de ação da cooperativa. “O comércio já conta com essa antecipação, porque realmente movimenta o município de modo geral”, afirma. Ele reforça que a prática permanece como um diferencial da Coamo desde a sua fundação, consolidando a relação com os cooperados e contribuindo para que cada família encerre o ano com maior segurança financeira.



