Notícias
Agro brasileiro perde previsibilidade com aumento de secas e calor extremo
Secas prolongadas, ondas de calor e chuvas irregulares já alteram o planejamento das safras, elevam gastos no campo e impulsionam busca por tecnologias de adaptação climática.

Secas mais longas, ondas de calor intenso e chuvas irregulares deixaram de ser eventos isolados e passaram a interferir diretamente na rotina do agronegócio brasileiro. No campo, produtores enfrentam perdas de produtividade, aumento dos custos operacionais e mais dificuldade para planejar safras diante de um cenário climático cada vez menos previsível.

Especialista em Agronegócio e mestrando em Mudanças Climáticas, Felipe Vicentini Santi: “O desafio será produzir em um ambiente climático mais instável sem comprometer a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade” – Foto: Divulgação
Os impactos já atingem diferentes regiões e cadeias produtivas. O excesso de calor acelera a evaporação da água, reduz o potencial produtivo das lavouras e afeta o equilíbrio do solo. Ao mesmo tempo, períodos prolongados de estiagem pressionam reservatórios, dificultam o manejo hídrico e aumentam os custos com irrigação e manutenção da atividade.
Alertas emitidos pela FAO e pela Organização Meteorológica Mundial indicam que eventos climáticos extremos vêm ocorrendo com maior frequência e intensidade em diferentes regiões do planeta. Segundo os organismos internacionais, as mudanças climáticas já representam risco crescente para a produção global de alimentos e para a segurança alimentar.
No Brasil, os efeitos são percebidos desde o desenvolvimento das lavouras até o planejamento logístico das cadeias agrícolas. Em algumas regiões, produtores convivem com perda de produtividade causada por temperaturas elevadas, enquanto outras enfrentam irregularidade das chuvas e dificuldade de armazenamento de água.
Segundo Felipe Vicentini Santi, especialista em agronegócio e mestrando em Mudanças Climáticas, o setor sempre precisou lidar com oscilações climáticas, mas o comportamento dos fenômenos mudou nos últimos anos.
“O produtor rural está enfrentando menos previsibilidade e uma intensidade maior dos extremos climáticos. Isso afeta desde o planejamento da safra até a capacidade de manter estabilidade produtiva ao longo do ano”, afirma.
Custos sob pressão

Foto: Jose Fernando
Além das perdas produtivas, o novo cenário climático também pressiona financeiramente o campo. Gastos com irrigação, recuperação de solo, controle de pragas e adaptação operacional tendem a crescer à medida que os eventos extremos se tornam mais frequentes.
Em algumas regiões, produtores já relatam dificuldade para manter previsibilidade financeira e definir estratégias para as próximas safras diante da volatilidade climática.
O cenário também acelera a adoção de novas tecnologias dentro das propriedades rurais. Sistemas de irrigação inteligente, monitoramento climático em tempo real, agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e uso de dados para tomada de decisão ganham espaço como ferramentas para reduzir riscos produtivos.
Para o especialista, a capacidade de adaptação será determinante para a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos. Embora o Brasil siga entre os maiores produtores mundiais de alimentos, o avanço das mudanças climáticas deve ampliar a pressão sobre produtividade, gestão de recursos naturais e eficiência operacional no campo. “O desafio será produzir em um ambiente climático mais instável sem comprometer a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade”, pontua Santi.

Notícias
Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026
CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.
Notícias
Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura
Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.
Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.
A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.
A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.
Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.
Notícias
Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul
Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto
Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.
De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.
Economia circular e aproveitamento de resíduos
As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.
Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.
Programação
A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.
O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.
Manhã
08h – Credenciamento/Recepção
08h30 – Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço (por adesão)
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento







