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Agro bate recordes de exportação enquanto fiscalização sanitária opera no limite
Com US$ 16,6 bilhões embarcados em abril, sistema de defesa agropecuária alerta para falta de pessoal e risco de gargalos nos portos.

O agronegócio brasileiro vive seu maior momento na história recente, registrando um recorde mensal de US$16,6 bilhões exportados em abril e atingindo a marca histórica de 600 mercados internacionais abertos. No entanto, por trás das cifras bilionárias que sustentam a balança comercial e impulsionam o Produto Interno Bruto (PIB), a engrenagem logística e sanitária que garante a saída dessas mercadorias opera no limite. O sistema de defesa agropecuária faz um alerta: manter este ritmo de crescimento exige investimentos urgentes em estrutura e recomposição de pessoal.

Os principais motores desse crescimento recente foram as proteínas animais, que registraram desempenhos históricos em abril. A carne bovina liderou o setor com uma alta expressiva de 29,4% na receita e expressivas 252 mil toneladas embarcadas no mês. A China se consolidou como o principal destino comercial, absorvendo cerca de 56% de todas as vendas externas do produto. Os setores de carne suína e de frango também acompanharam a tendência de forte expansão, com a proteína suína crescendo 8,3% e os embarques de frango alcançando o patamar de 486,5 mil toneladas.
Toda essa dinamicidade no comércio exterior, contudo, gera um reflexo direto nas estruturas de controle do país. Para que esses volumes recordes de alimentos saiam dos frigoríficos e entrem nos navios, eles dependem 100% de certificações sanitárias internacionais rígidas e de liberação alfandegária célere. Com mercados altamente exigentes liderando o consumo global, qualquer falha ou lentidão nos processos de fiscalização pode gerar gargalos logísticos nos portos, atrasar contratos e causar prejuízos de proporções históricas.
Segundo Ricardo Nascimento, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a credibilidade conquistada pelo Brasil é o que permite ao país vender para os destinos mais restritivos do mundo, mas o sistema oficial está sob forte pressão devido ao aumento exponencial do volume de trabalho frente a um quadro defasado de servidores.”Os controles oficiais e a certificação agropecuária asseguram aos países importadores que os produtos brasileiros são totalmente seguros. A nossa atuação em portos, aeroportos, fronteiras e dentro das plantas frigoríficas é o que dá o ‘passaporte’ para essa produção. Mas o enfraquecimento da defesa agropecuária por falta de pessoal e investimentos é um risco real. Pode comprometer a velocidade dos embarques e toda a credibilidade construída pelo Brasil ao longo das últimas décadas”, adverte Nascimento.

O dirigente lembra que a eficiência e a rapidez do setor foram testadas recentemente em episódios críticos, como a gestão de focos de influenza aviária no continente e as exigências de rastreabilidade do mercado europeu e asiático. “A resposta rápida, técnica e cirúrgica do serviço oficial diante de ameaças sanitárias evitou embargos massivos e protegeu bilhões de dólares em comércio exterior. A fiscalização não é um custo regulatório ou uma barreira burocrática; ela é um ativo financeiro estratégico para o país”, conclui.
Além do impacto no comércio exterior, o avanço das exportações redesenhou o cenário macroeconômico interno. O forte ritmo de envios de carne para o exterior, aliado a uma menor oferta de animais prontos para o abate no campo, pressionou os preços domésticos. A arroba do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica do Cepea, superando a marca de R$ 344, refletindo em uma alta de até 45% no preço da carne ao consumidor final no acumulado dos últimos dois anos.
Para o Anffa Sindical, este cenário de preços elevados e alta demanda global reforça que o consumidor, tanto o estrangeiro quanto o brasileiro, exige contrapartidas rígidas de qualidade. Diante disso, o fortalecimento da carreira dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) e a modernização dos sistemas de vigilância são apontados pelo sindicato como as únicas garantias para que o país continue batendo recordes de exportação sem colocar em risco a segurança alimentar e a reputação do selo brasileiro no mundo.

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Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026
CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.
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Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura
Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.
Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.
A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.
A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.
Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.
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Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul
Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto
Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.
De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.
Economia circular e aproveitamento de resíduos
As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.
Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.
Programação
A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.
O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.
Manhã
08h – Credenciamento/Recepção
08h30 – Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço (por adesão)
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento






