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Agritechnica: Uma das maiores feiras mundiais completa 30 anos de história e sucesso
A estreia da Agritechnica foi celebrada em Frankfurt em 1985, ano do centenário da DLG. Na época, a feira contou com 551 expositores (353 expositores alemães e 198 expositores estrangeiros) e público de 125 mil visitantes. A partir de então, a Agritechnica não parou de crescer foi fortalecida pela reunificação alemã, pelo dinamismo das mudanças políticas e econômicas da época e pela formação da grande Europa. A mudança do local da Agritechnica em 1995 (de Frankfurt para Hannover) também teve papel relevante para o crescimento da feira. Hannover foi e continua sendo considerada uma porta de entrada para os mercados dos países do leste europeu e da Europa Central. Além disso, assistimos nos últimos anos a um crescimento da interdependência global de todo o setor agrícola e da relevância cada vez maior que a agricultura exerce na economia mundial. A agricultura e a tecnologia agrícola representam o nosso futuro. Elas têm papel imprescindível na alimentação da crescente população mundial.
O número de visitantes da feira é outro fator que mostra o crescimento impressionante da Agritechnica: em 1985, em sua primeira edição, 125 mil profissionais (110 mil da Alemanha e 15 mil do exterior) visitaram a feira; em 2013, tivemos 450 mil visitantes (entre eles, mais de 100 mil do exterior).
Neste ano, a participação estrangeira perfaz 56% do total de expositores da feira. Comparados aos números da edição de 2013, tivemos um crescimento de 7%. Das 1.627 empresas estrangeiras presentes na Agritechnica, a maioria são italianas (399 empresas), holandesas (133), turcas (112), francesas (103), chinesas (100), austríacas (71), polonesas (70), canadenses (61), norte-americanas (52), dinamarquesas (47), britânicas (45), espanholas (45), finlandesas (40), indianas (38) e suecas (36). Aqui, na comparação com 2013, percebemos um aumento significativo na participação de empresas da Itália, Holanda, Turquia, Índia, Polônia e Suécia. É interessante notar que quase todos os países aumentaram a participação. Para a DLG, esses dados são um sinal claro de que os fabricantes internacionais estão utilizando cada vez mais a Agritechnica para entrar em novos mercados. Ao mesmo tempo, a DLG também interpreta esse desenvolvimento como resultado positivo de sua estratégia de marketing ao realizar pré-eventos da Agritechnica em diversos países e ao aumentar a divulgação dos serviços de viagens com isso, trouxemos a participação oficial de 20 países.
Agritechnica: motor de inovações para a agricultura
A Agritechnica é o motor de inovações mais importante da agricultura mundial. É o que comprovam os mais de 300 lançamentos anunciados pelos expositores e inscritos na DLG. São o resultado dos constantes avanços na tecnologia de sensoriamento e sistemas eletrônicos. Essas novidades refletem o grau de inovação de máquinas e sistemas que têm por objetivo tornar os processos de produção mais eficientes, precisos, sustentáveis e com menos custos. A tendência em automatizar o trabalho na produção vegetal vem acompanhado pelo avanço de softwares inteligentes para atender às exigências cada vez maiores em documentação, controle de qualidade, rastreamento, minimização de gastos em consertos e períodos de inatividade. Tais avanços, em conjunto com um sistema inteligente e simples de gestão de dados, proporcionam estruturas de trabalho abrangentes que cobrem toda a cadeia de produção: da a lavoura até o consumidor. Para essas demandas, a Agritechnica oferece uma enorme variedade de soluções. Eventos especiais como o Smart Farming Digital Cropping, também irão mostrar os avanços e as novas tendências do setor.
Systems & Components
O especial Systems & Components realizado no âmbito da Agritechnica estreia com o tema "Future Farming Fazenda do futuro". Aqui o visitante terá um panorama completo das inovações, tendências e avanços nas áreas de motores, sistemas hidráulicos, sistemas de eixo, tecnologia de propulsão, cabines, eletrônica, peças de reposição e de desgaste, além de softwares fáceis de usar. A Systems & Components deste ano tem foco nas quatro tendências tecnológicas: eficiência, confiança, segurança/ergonomia e proteção ao meio ambiente/desempenho ambiental (e aqui mencionamos a palavra-chave dióxido de carbono).
Uma agricultura moderna precisa do consenso da sociedade
Só com uma agricultura inovadora, baseada em conhecimento e know-how, conseguiremos enfrentar os desafios globais. Para isso, um dos pré-requisitos é obter aprovação contínua da sociedade em relação aos processos de produção da agricultura. Os avanços na produção agrícola terão de estar em pleno acordo com as exigências da sociedade. Para o produtor rural, isso representa um grande desafio: ele terá de lidar com a aprovação da sociedade em relação à agricultura moderna, apresentar soluções e integrá-las em sua estratégia de gestão. A oportunidade de dialogar com a sociedade também representa uma inovação técnica: diálogo traz mais respeito e proteção ao meio ambiente e aos recursos naturais.
Situação atual dos mercados
A colheita mundial de grãos sofreu grande queda, e a oferta excede a demanda. O acúmulo de estoques nos países exportadores causou pressão sobre os preços dos cereais. Atualmente, a demanda por exportação de cereais está aumentando e impactando os preços. Além da Rússia e da Ucrânia, produtores de países europeus também entraram no cenário das exportações. Isso levou a um aumento dos preços de grãos e a uma melhora das condições de comercialização.
Situação econômica e evolução dos negócios
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, os produtores rurais da Alemanha, Reino Unido e Polônia se mostram hoje menos satisfeitos com a situação de negócios. É o que mostra o resultado do Índice de Tendências Europeias, realizado na Alemanha, França, Reino Unido e Polônia pela DLG, em cooperação com o maior instituto de pesquisas de agromercado da Europa, a Kleffmann. São especialmente os criadores de animais que estão menos satisfeitos com a situação atual; já os produtores de fruta enxergam estabilidade no mercado. É o reflexo dos preços baixos dos produtores que colocam criadores de suínos e produtores de leite sob pressão. Na França o clima permanece estável e em patamar baixo (valor inalterado: 3,4). As medidas estatais para aliviar os criadores de animais parece tranquilizar a situação. Estimulados pela safra recorde de boa qualidade, os produtores de frutas da França se mostram mais satisfeitos do que os criadores de animais.
Em relação aos negócios dos próximos doze meses, criadores de animais dos quatro países se mostram menos otimistas. Em particular, os produtores de leite e de suínos estão mais cautelosos. Espera-se que a situação do mercado mude pouco, dada a grande oferta de leite e suínos que ainda persiste. Além disso, devido ao aumento de importações, a França observa uma concorrência crescente para os produtores de gado leiteiro; pois hoje, comparados a outros países europeus, eles ainda obtêm o maior preço pelo leite que produzem. Da mesma forma, produtores rurais entraram em conflito com a indústria de processamento de carne para estipular os preços dos suínos de abate.
Para produtores de frutas da Alemanha, França e Polônia, as expectativas de negócios permanecem estáveis quando comparadas com a pesquisa realizada no segundo trimestre. A estiagem não causou perdas na safra, como era esperado. Em relação ao inverno, os agricultores têm expectativa de alta de preços devido à crescente demanda por exportação de grãos. Além disso, a crescente demanda por parte da indústria doméstica de processamento deve avivar os negócios após terem processado seus estoques.
Interesse em investimentos permanece heterogêneo
Comparada com a pesquisa do segundo trimestre de 2015, a disposição a investir diminuiu na Alemanha e chega agora a 42%; o mesmo ocorre com Polônia (39%) e Reino Unido (24%). Na França, a disposição para fazer investimentos cresceu 2% e está agora em 23%. Nos últimos cinco anos, agricultores da Alemanha, Polônia e Reino Unido ampliaram a produção, renovaram instalações e investiram em tecnologia. Nas fases de baixa de preços, o foco muda e se concentra na liquidez especialmente para empresas que investiram com mais vigor nos últimos anos e tiveram aumento de obrigações. Nesse cenário, novos investimentos acabam sendo postergados. Na França, a disposição a investir permanece inalterável, ainda que em patamar baixo. Diferentemente dos produtores de suínos e de leite cuja disposição a investir está em declínio , produtores de frutas querem fazer mais investimentos (de 9 pontos percentuais no segundo trimestre aumentou agora para 22 pontos na pesquisa atual).
Áreas de investimento: lavouras fortalecidas
Os investimentos planejados na Alemanha vão para a lavoura (10 pontos percentuais a mais do que na pesquisa do segundo trimestre de 2015). No Reino Unido, os produtores rurais reforçam a diversificação da produção; na distribuição de investimentos, 7% a mais vão para a bioenergia e 4% a mais para a lavoura. No total, 46% dos agricultores que vão investir pretendem ampliar a capacidade atual de produção. Já os agricultores poloneses querem investir com mais vigor na criação de animais.
Foco: Desafios da Lavoura
Nos próximos anos, produtores de frutas terão de se adaptar ao fato de que menos substâncias estarão à disposição para a proteção de cultivos; além disso, haverá mais requisitos legais (Greening) a serem considerados. Nesse cenário, para agricultores alemães, franceses e poloneses será importante aplicar fertilizantes de forma mais eficiente. Os produtores desses países pretendem expandir o plano de produção e cultivar mais culturas de ciclo curto e aproveitar a entressafra. Por isso, na Alemanha, há mais interesse por inovações em tecnologia de fertilização (64%). Expectativa de inovações também há no setor de processamento de dados em área fixa (43%), no uso de computação em nuvem (26%) e em semeadoras de precisão (46%) para melhorar a produtividade.
Necessidade de conceitos sob medida para a digitalização de dados
A digitalização da produção demanda abordagens individuais para que cada empresa alcance melhores resultados de sua aplicação. 17% dos agricultores alemães ouvidos na pesquisa estão elaborando um conceito operacional para o uso de dados. 8% dos pesquisados já têm um conceito e estão em fase de digitalização sistematizada dos processos operacionais. Ao todo, um quarto dos agricultores pesquisados na Alemanha promove a digitalização operacional de forma sistematizada. Dos produtores pesquisados, 23% dos franceses, 16% dos poloneses e 19% dos britânicos usam ou planejam usar um conceito de utilização de dados como base para a digitalização operacional.
Soluções em nuvem têm uma série de vantagens no que se refere à digitalização: o armazenamento de dados é terceirizado, o que reduz os custos, pois serviços de processamento e análise são assumidos pelo provedor ou uma prestadora de serviços. Dessa forma, os agricultores utilizam de forma mais eficiente as possibilidades de avaliação dos dados operacionais. Além disso, com a infraestrutura adequada, os dados podem ser acessados independentemente da localização da propriedade. Mesmo assim, os agricultores ouvidos na pesquisa estão céticos em relação à segurança de dados: só 15% dos agricultores alemães e 13% dos agricultores franceses, poloneses e britânicos acham que existe segurança de dados em soluções de computação em nuvem. Esses números ilustram a necessidade de os fabricantes melhorarem as condições de segurança e informarem com mais clareza os usuários sobre a situação do setor. Diante do grande ceticismo que existe, segurança de dados é um critério importante de diferenciação na concorrência por clientes.
A nova geração de agricultores – em direção aos desafios do futuro
É animador como a geração mais jovem encara os desafios do futuro e tem anseio de enfrentar as demandas do mercado. Todos os eventos da feira atraem a nova geração de agricultores e o que se observa é um anseio dos jovens em querer enfrentar os desafios do futuro. Os jovens estão à procura de informações e experiências para definir os rumos para si mesmos, para seus negócios e garantir o sucesso nos próximos vinte a trinta anos. Por isso, neste ano jovens agricultores de vários países europeus irão remodelar ainda mais do que nas edições passadas a imagem da Agritechnica. A DLG irá oferecer uma variedade especial de informações com o evento Young Farmers Day, que será realizado no dia 12 de novembro com pódios de discussão e fóruns de oportunidades e empregos. O momento de destaque será novamente a Young-Farmers-Party no dia 12 de novembro, na TUI-Arena, ao lado do parque de exposições, com 6 mil participantes (ingressos esgotados).
Fonte: Ass. Imprensa da DLG

Colunistas
Crises internacionais expõem dependência do agro brasileiro por fertilizantes e diesel
Aumento dos custos e risco de desabastecimento colocam em xeque a produtividade e a segurança alimentar.

As guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Estados Unidos e Israel contra o Irã configuram uma crise que descortina ângulos inéditos da realidade e impõe reflexão estratégica. Ela irradia efeitos que transcendem o campo militar e alcançam, com intensidade, a segurança alimentar global. Para o Brasil, potência agrícola de dimensão planetária, a instabilidade internacional revela uma vulnerabilidade estrutural: a dependência externa de fertilizantes e de diesel.
Mais de 80% dos insumos utilizados na agricultura brasileira têm origem no exterior. O País importa mais de 40 milhões de toneladas anuais e ocupa a posição de quarto maior consumidor mundial, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Potássio, cálcio e nitrogênio compõem a base nutricional das lavouras, enquanto a soja absorve mais de 40% do volume aplicado. Essa dependência, tolerada por décadas em razão de custos e conveniências econômicas, tornou-se fator de risco em um cenário de rupturas logísticas, sanções comerciais e volatilidade de preços.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
A escalada dos custos dos insumos, agravada pela escassez global, impõe ao produtor rural decisões difíceis. A tendência de redução no uso de fertilizantes compromete a produtividade e projeta impactos diretos sobre a oferta de alimentos. Ao mesmo tempo, a elevação do preço do petróleo pressiona o custo do diesel, essencial à operação das máquinas agrícolas, enquanto o transporte marítimo enfrenta encarecimento do frete e restrições de navegação. O resultado converge para um ciclo de aumento de custos que alcança toda a cadeia produtiva e recai, de forma inexorável, sobre o consumidor.
Santa Catarina já experimenta esses efeitos. A necessidade anual de aproximadamente 500 mil toneladas de fertilizantes para o cultivo de 1,4 milhão de hectares evidencia a dimensão do desafio. Culturas como soja, milho, arroz e trigo, além da fruticultura e da horticultura, dependem diretamente desses insumos para viabilizar a produção em solos de baixa fertilidade natural.
A contradição brasileira reside no fato de possuir abundância de matérias-primas, como gás natural, rochas fosfáticas e reservas de potássio em Sergipe e no Amazonas, e, ainda assim, não alcançar competitividade industrial. A desindustrialização e a ausência histórica de prioridade estratégica para o setor consolidaram a dependência externa.
Diante desse quadro, a busca pela autossuficiência deixa de ser uma aspiração e assume caráter de necessidade/prioridade nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes representa um passo relevante ao estabelecer a meta de reduzir a dependência até 2050. Iniciativas como o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, ao prever incentivos fiscais, sinalizam um caminho possível para reverter a fragilidade estrutural.
A OCESC sustenta que o Brasil deve reestruturar sua política de fertilizantes com visão de longo prazo, integrando produção nacional, inovação tecnológica e práticas de manejo que promovam a recuperação e a eficiência do solo. A segurança no fornecimento desses insumos constitui condição indispensável para a soberania alimentar, para a estabilidade econômica e para a proteção do consumidor.
As crises internacionais não podem ser vistas apenas como ameaça, mas como impulso para decisões estratégicas. O Brasil reúne condições para transformar vulnerabilidade em força. A agricultura nacional, pilar da economia, exige uma base sólida que não dependa de fatores externos imprevisíveis.
Notícias
Bioinsumos movimentam R$ 6,2 bilhões e alcançam 194 milhões de hectares no Brasil
Área tratada cresce 28% em um ano, bionematicidas avançam 60% e inoculantes já estão presentes em 77 milhões de hectares, puxados por soja, milho e cana

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou mais de R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a área tratada com essas tecnologias chegou a 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre 2024. Os números, divulgados pela CropLife Brasil, indicam expansão acelerada do uso de soluções biológicas no manejo agrícola, especialmente dentro de estratégias de manejo integrado de pragas.
Para Renato Gomides, gerente executivo da entidade, o crescimento está associado tanto a fatores conjunturais quanto estruturais enfrentados pelo produtor rural. “Quem acompanha a agricultura, sabe que o produtor enfrenta vários desafios como variabilidade de preço de commodities, de preço de produtos ou taxas de juros elevadas, que são desafios conjunturais da situação econômica e setorial do país. E existem desafios estruturais na produção, ligados à crescente pressão por soluções mais sustentáveis no campo. E os bioinsumos surgem exatamente nesse cenário, como uma tecnologia viável e integrada, para alcançar uma produção mais sustentável”, afirmou.

O crescimento do insumo biológico no campo está atrelado a um conjunto de fatores, como a profissionalização e expansão da indústria, a necessidade de combate a pragas resistentes pelo manejo integrado de insumos químicos e biológicos, a busca por soluções sustentáveis para a lavoura e a maior adoção do produto (em repetidas aplicações ou misturas).

Segmentos
A CropLife Brasil monitora quatro segmentos no mercado de bioinsumos: biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e inoculantes. Em 2025, a distribuição da área tratada entre esses segmentos foi concentrada principalmente em inoculantes, que representaram 40% do total, seguidos por bioinseticidas (24%), bionematicidas (23%) e biofungicidas (13%).
Os inoculantes, compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, foram aplicados em 77 milhões de hectares no ano passado, o que evidencia a crescente adoção dessa tecnologia na transição da agricultura brasileira para modelos de baixa emissão de carbono.
O desempenho entre 2024 e 2025 mostra um avanço mais expressivo dos bionematicidas, que ampliaram sua área de uso em 16 milhões de hectares, um salto de cerca de 60% ano a ano. Esse crescimento sinaliza a consolidação dos bionematicidas como um componente relevante das práticas de manejo sustentável no país. “Os bioinsumos deixam de ser uma tendência e se tornam cada vez mais uma realidade no campo, é o que reflete a confiança do produtor rural no uso dessa tecnologia. Se observarmos o crescimento do triênio (2022-2024), nós já víamos um aumento na ordem de 15% ao ano. Já em 2025, houve um crescimento de 28% em relação ao ano anterior, alcançando o recorde de 194 milhões de hectares. O principal destaque que temos são os bionematicidas, que tiveram aumento de 60% em área tratada, adicionando 16 milhões de hectares no ano. Esse avanço mostra como a adoção vem sendo acelerada, principalmente em culturas de larga escala”, destacou a diretora de bioinsumos da entidade, Amália Borsari.

Já com relação ao valor de mercado do insumo biológico em 2025, o movimento de crescimento é igualmente relevante, com alternância dos destaques. A ordem dos segmentos fica em bioinseticidas (35%), bionematicidas (30%), biofungicidas (22%) e inoculantes (13%).
O segmento dos biofungicidas (microrganismos como bactérias e fungos) foi o que mais cresceu em valor (41%), atingindo R$ 1,4 bilhão. A tecnologia vem sendo utilizada no controle de doenças complexas como o mofo branco e a ferrugem.

Desempenho culturas agrícolas e estados
Entre os cultivos, a soja (62%), o milho (22%) e a cana (10%) são as culturas mais consolidadas no uso de bioinsumos. Além delas, o conjunto de outras culturas como algodão, café, citrus e hortifruti (HF) somam, aproximadamente, 6%.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza bioinsumos, puxado pelo cultivo da soja, que adota inoculantes em 90% da área da cultura. Em seguida, São Paulo e Goiás assumem os segundo e terceiro maiores mercados de bioinsumos, com 17% e 14% de área tratada pela tecnologia, respectivamente. O desempenho do estado paulista é impulsionado pelo cultivo da cana e pelos cítricos.
A região de Matopiba, que envolve os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, crescente cinturão de produção de grãos, representa 11%. “O cenário para os defensivos biológicos é promissor, evidencia o panorama de 2025. O produtor já compreende a importância da tecnologia, que complementa as práticas adotadas na proteção de cultivares”, salienta Gomides.

Notícias
Faesc solicita redução temporária do ICMS do diesel para aliviar custos no campo em Santa Catarina
Pedido, com apoio da CNA, relaciona alta do petróleo à pressão sobre colheita e plantio da segunda safra e mira o principal insumo logístico da produção agropecuária.

A guerra no Oriente Médio desestabilizou as cadeias de suprimento de petróleo provocando forte alta de preços dos seus derivados, situação que também afeta a agricultura brasileira. Para aliviar os efeitos para o produtor rural catarinense, em expediente enviado ao governador Jorginho Mello, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reivindicou, com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a redução dos tributos estaduais sobre o diesel.

Presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, justificou que a solicitação decorre dos recentes aumentos nos preços do petróleo e de seus derivados no mercado internacional – Foto Divulgação/Imagem e Arte
No documento, o presidente José Zeferino Pedrozo pede a adoção de medida emergencial para a redução imediata e temporária das alíquotas do Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização de óleo diesel no Estado. Ele argumenta que, atualmente, os tributos estaduais adicionam valor significativo do diesel comercializado e entre os diversos tributos incidentes sobre o combustível, destaca-se o ICMS.
Pedrozo justifica que a solicitação decorre dos recentes aumentos nos preços do petróleo e de seus derivados no mercado internacional, considerando os impactos sobre a economia nacional, sobretudo em um período sensível ao setor agropecuário, marcado pela colheita e o plantio da segunda safra. “Os efeitos desse cenário sobre os custos de produção e a atividade econômica nacional geram grande preocupação”, relata o dirigente.
A redução temporária das alíquotas do imposto estadual contribuirá para mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis sobre toda a economia nacional, com reflexos diretos na redução dos custos de produção agropecuária, na moderação dos preços dos alimentos ao consumidor e na diminuição das pressões inflacionárias. Além disso, a medida poderá proporcionar um ambiente macroeconômico mais estável, contribuindo para a trajetória de redução da taxa básica de juros (Selic).

Foto: Shutterstock
Na avaliação da Faesc, a redução tributária será compensada pelo aumento da produção nacional de petróleo e de seus derivados, bem como pela ampliação da atividade econômica e da arrecadação decorrente desse dinamismo.
Reivindicação semelhante também foi encaminhada ao Governo Federal, com vistas à avaliação de medidas relativas ao PIS/Pasep e Cofins, também incidentes sobre o diesel.
O presidente da Faesc espera apoio do Estado e vai contribuir com propostas que auxiliem na redução dos custos logísticos e produtivos associados aos recentes conflitos geopolíticos, que impactam a economia brasileira.
