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Agricultura repete velhas práticas e acelera surgimento de daninhas resistentes

Sem rotação efetiva de herbicidas e com aplicações inadequadas, produtores enfrentam invasoras com impacto potencial de até 70% na produtividade.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O plantio da soja avança no Brasil. Segundo relatório mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 34,4% da área prevista no País com a oleaginosa já foi semeada. Com o encaminhamento da safra, o produtor precisa ficar atento à incidência de plantas daninhas, e escolher o herbicida correto para evitar a resistência de algumas espécies a algumas soluções.

Além disso, é preciso respeitar as Boas Práticas Agrícolas na aplicação dos herbicidas. “Em qualquer população de planta daninha, mesmo que sejam todas da mesma espécie, há variações genéticas naturais. Essa mutação faz com que ela seja ligeiramente menos afetada por um herbicida específico. E por isso as ferramentas de Boas Práticas Agrícolas precisam ser seguidas, entre elas a rotação e combinação de mecanismos de ação de herbicidas. “Junto a este fato, é necessária uma aplicação correta do defensivo, e o conjunto de ferramentas permeadas pelas Boas Práticas Agrícolas é essencial no processo”, explica o PhD em Físico-Química de Superfícies, Jair Francisco Maggioni, que atua em empresa do setor na área de boas práticas agrícolas.

Boas práticas agrícolas

Foto: Pablo Henrique Aqsenen/Adapar

Entre as recomendações de Boas Práticas Agrícolas para aplicar os herbicidas, Maggioni diz que é fundamental respeitar as orientações descritas na bula de cada produto e realizar a aplicação obedecendo aos seguintes parâmetros: temperatura ambiente inferior a 30ºC, umidade relativa do ar superior a 55%, velocidade média do vento entre 3 e 10 km por hora, volume de calda entre 100 e 150 litros por hectare, pontas de pulverização com indução de ar e regulagem das gotas e barras de pulverização a 50 centímetros de altura do alvo, além do mapeamento das culturas vizinhas.

Em relação à segurança do aplicador, o uso dos Equipamentos de Proteção Individual é obrigatório durante todo o manuseio do produto. “Quando falamos de herbicidas, também é importante fazer a monitorização e identificação precoce das plantas daninhas, aplicação correta dos herbicidas, rotação de culturas, rotação e combinação de mecanismos de ação de herbicidas, eliminação de plantas sobreviventes, higienização de máquinas e equipamentos, além da educação e atualização técnica constante dos aplicadores”, ressalta Maggioni.

Prejuízo à soja

Nos últimos anos, diversas plantas daninhas têm aumentado a resistência a herbicidas devido a diferentes fatores, como pressão de seleção, uso contínuo do mesmo herbicida, mutação genética, uso incorreto e falta de rotação de herbicidas, entre outros. Como exemplo, está o Capim-amargoso (Digitaria insularis), comum ao Cerrado e com potencial de reduzir o potencial produtivo da lavoura em até 40%, de acordo com estudos da Embrapa, mas podendo chegar a 70%, em alguns casos, e amplamente resistente ao Glifosato (inibidores da EPSPs).

Outra daninha é a buva (Conyza spp.), que possui uma reprodução rápida, com mais de 200 mil sementes por planta, o que lhe traz vantagem competitiva em relação ao desenvolvimento da soja e resistência a inibidores da ALS (como Clorimuron), além do Glifosato

Além delas, estão também o Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), com a mesma característica resistente do capim-amargoso e bastante agressiva, com capacidade reprodutiva – uma única planta pode produzir mais de 120 mil sementes, que apresentam alta viabilidade no solo e são facilmente disseminadas, e o Caruru (Amaranthus hybridus), que tem um grande potencial de infestação e pode reduzir a produtividade da soja em até 79% e tem o maior caso de resistência múltipla entre as principais daninhas: Glifosato, inibidores da ALS e de PPO.

Mutação e resistência

A produção de soja praticamente dobrou no Brasil nos últimos dez anos. Na safra 2014/15, foram registrados 96,2 milhões de toneladas e, na última temporada, 171,4 milhões de toneladas. Porém, neste período, novas populações de invasoras, com mutação e evolução biológica, surgiram nas lavouras, impactando diretamente nos modos de manejo por parte dos agricultores.

Entre os motivos favoráveis às daninhas, o especialista aponta:

  1. Uso Contínuo do Mesmo Mecanismo de Ação (MOA): Pode causar o desenvolvimento de resistência nas plantas daninhas, pois seleciona e favorece os indivíduos que sobrevivem e se reproduzem. Isso leva a um controle mais difícil e custoso no futuro, diminuindo a eficácia do produto ao longo do tempo.
  2. Monocultura ou Sucessão de Culturas de Baixa Rotação: A ausência de rotação de culturas pode favorer o surgimento contínuo de plantas daninhas (falta de alternância de espécies pode criar um ambiente favorável para o desenvolvimento), além de poder degradar o solo e aumentar sua vulnerabilidade a essas ameaças.
  3. Subdosagem de Herbicidas: Aplicar doses menores que a recomendada pode não controlar 100% das invasoras – pois o herbicida não atinge a dose letal –, criando um ambiente que pode selecionar plantas daninhas resistentes, fazendo com que o controle seja mais difícil com o tempo.

“A solução não está em um único modo de ação ou um produto isolado, mas sim na diversificação inteligente. É necessário quebrar o ciclo dessas daninhas resistentes usando todas as ferramentas disponíveis, e as Boas Práticas Agrícolas ajudam o produtor a realizar a aplicação correta, na dose e alvo recomendados”, salienta Maggioni.

Fonte: Assessoria Corteva Agriscience

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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo

Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

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Foto: Divulgação

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.

“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.

Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.

Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.

“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep

Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

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Foto: Divulgação

Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.

A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.

“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Alberto Cancian, produtor de tilápias de Marechal Cândido Rondon

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado

Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.

Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Rosimeri Draghetti, piscicultora de Santa Helena

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal

A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.

Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.

Mais ações previstas

O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.

De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.

“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.

As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.

Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos

Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

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Foto: Divulgação/Freepik

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

Foto: Divulgação/Freepik

A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.

Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.

Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

Foto: Divulgação/Freepik

não apenas um ajuste momentâneo.

A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.

Fonte: Assessoria Sinditrigo PR
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