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Agricultura gaúcha adota sistema que premia boas práticas no campo
Programa Terra Forte vai atender 15 mil propriedades da agricultura familiar com diagnóstico técnico, planos individualizados e incentivo à adoção de práticas de conservação do solo.

O Rio Grande do Sul começou a incorporar critérios técnicos de manejo do solo como ferramenta para reduzir riscos climáticos, ampliar sustentabilidade produtiva e melhorar o acesso ao seguro rural na agricultura familiar. A estratégia será aplicada dentro do Programa de Recuperação Socioprodutiva, Ambiental e de Resiliência Climática da Agricultura Familiar Gaúcha, conhecido como Operação Terra Forte, criado após os impactos das enchentes de 2024 no estado.
A metodologia utilizada será baseada no Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo (ZarcNM), desenvolvido pela Embrapa, que classifica as áreas produtivas conforme práticas de manejo e conservação do solo adotadas nas propriedades.
O tema foi debatido durante capacitação on-line promovida pela Embrapa para técnicos e extensionistas da Emater-RS, reunindo mais de 150 conexões entre profissionais que atuarão diretamente no programa.
Diagnóstico detalhado nas propriedades

Engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e coordenador da Operação Terra Forte, Ronaldo Carbonari: “Estamos usando o conceito dos níveis de manejo do Zarc para termos um parâmetro para evoluir na classificação” – Foto: Divulgação
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e coordenador da Operação Terra Forte, Ronaldo Carbonari, o programa atenderá 15 mil estabelecimentos da agricultura familiar em 495 municípios gaúchos. Cada propriedade selecionada passa por um diagnóstico técnico detalhado, envolvendo questionários, geolocalização, análise química e física do solo, bioanálise (BioAS) e cálculo de estoque de carbono.
A metodologia do ZarcNM também passou a ser utilizada para classificar as áreas destinadas à produção de grãos conforme o nível de manejo adotado. “Estamos usando o conceito dos níveis de manejo do Zarc para termos um parâmetro para evoluir na classificação. Temos a convicção de que a classificação das glebas em níveis de manejo é uma excelente forma de induzir a adoção de boas práticas junto aos produtores”, afirmou Carbonari.
Os dados preliminares já mostram predominância de sistemas considerados mais vulneráveis do ponto de vista climático e conservacionista. Das 1.082 glebas diagnosticadas com produção de grãos, 785 foram classificadas no Nível de Manejo 1 (NM1), considerado o mais baixo. Outras 196 áreas ficaram no NM2, 91 no NM3 e apenas 10 no NM4, o nível mais elevado da escala. “Muitas delas só cultivam soja, mantendo a terra em pousio no restante do ano. Falta diversificação”, avaliou Carbonari.
Critérios avaliados
A classificação do ZarcNM considera critérios ligados à conservação e à qualidade do solo, como tempo sem revolvimento, cobertura permanente com palhada, saturação por bases, teor de cálcio, saturação por alumínio e diversidade de cultivos.
Práticas como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e manutenção de palhada são consideradas decisivas para ampliar retenção de água no solo e reduzir impactos de estiagens.
Também existem critérios de exclusão e rebaixamento de categoria. A ausência de cultivo em contorno e o uso sequencial de determinadas culturas, como leguminosas, podem reduzir a classificação das áreas.
Segundo os pesquisadores da Embrapa, os experimentos realizados em unidades de pesquisa e áreas comerciais mostram diferença significativa no desempenho da soja em anos de adversidade climática conforme o nível de manejo adotado.
Seguro rural terá subvenção maior para áreas melhor manejadas
Além da recuperação produtiva, o modelo também começa a alterar a política de seguro rural.
Na safra 2026/27, o Rio Grande do Sul passará a integrar a expansão do projeto piloto do ZarcNM para a cultura da soja. A metodologia já havia começado a ser utilizada de forma experimental no Paraná na safra passada.
O diferencial do modelo é que áreas classificadas em níveis mais elevados de manejo terão acesso a maior subvenção no prêmio do seguro rural dentro do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Segundo resolução divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, produtores enquadrados no NM1 terão subvenção de 20% no seguro. O percentual sobe para 30% no NM2, 35% no NM3 e chega a 40% no NM4.
No milho segunda safra, em áreas do Paraná e Mato Grosso do Sul, o subsídio poderá atingir 50% para áreas classificadas nos níveis NM3 e NM4.
A expectativa da Embrapa é ampliar gradualmente o uso do ZarcNM para outras culturas e também integrá-lo futuramente ao Proagro.
Tecnologia e aplicativos passam a integrar o campo
Durante a capacitação, a Embrapa também apresentou o aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível gratuitamente para celulares Android e iOS.
A plataforma reúne informações sobre janelas de plantio em mais de 50 culturas agrícolas nos municípios brasileiros e faz parte da estratégia de digitalização do gerenciamento de risco climático no campo.
Ao final do treinamento, técnicos da Emater destacaram o potencial da metodologia para acelerar a adoção de práticas conservacionistas nas propriedades gaúchas. “Excelente metodologia de nível de manejo. Certamente usaremos essa ferramenta para colocar em prática nas áreas trabalhadas na Operação Terra Forte, incentivando os produtores a migrar do NM1 para níveis mais avançados, buscando sustentabilidade no manejo das culturas através da diversificação”, enfatizou o extensionista da Emater de Erechim, Cezar Rosa.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



