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Bovinos / Grãos / Máquinas Senso Agropecuário 2017

Agricultura familiar representa maior contingente dos estabelecimentos agrícolas do país

Estabelecimentos de agricultura familiar têm participação significativa nos alimentos que vão para a mesa dos brasileiros

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A agricultura familiar encolheu no país. Dados do Censo Agropecuário de 2017 apontam uma redução de 9,5% no número de estabelecimentos classificados como de agricultura familiar, em relação ao último Censo, de 2006. O segmento também foi o único a perder mão de obra. Enquanto na agricultura não familiar houve a criação de 702 mil postos de trabalho, a agricultura familiar perdeu um contingente de 2,2 milhões de trabalhadores.

De acordo com a Lei 11.326, para ser classificado como agricultura familiar o estabelecimento deve ser de pequeno porte (até 4 módulos fiscais); ter metade da força de trabalho familiar; atividade agrícola no estabelecimento deve compor, no mínimo, metade da renda familiar; e ter gestão estritamente familiar.

Dez anos depois, a configuração dos produtores mudou. Aumentou muito o número de estabelecimentos em que o produtor está buscando trabalho fora, diminuiu a mão de obra da família e está diminuindo a média de pessoas ocupadas. O estabelecimento acaba não podendo ser classificado porque não atende aos critérios da lei”, comenta Antônio Carlos Florido, gerente técnico do Censo Agropecuário.

Outro fator é o envelhecimento dos chefes das famílias, ao mesmo tempo em que os filhos optam por outras atividades fora do domicílio agrícola, explica Luiz Fernando Rodrigues, gerente substituto do Censo Agro 2017.  “As pessoas estão ficando idosas, o que reduz o número de ocupados. Além disso, há o aumento da mecanização e da contratação de serviços”, acrescenta Rodrigues.

A Lei 11.326 foi regulamentada pelo Decreto 9.04/2017, que mudou a forma de classificar o estabelecimento, principalmente em relação à renda do produtor, com a nova exigência de ser predominantemente obtida no domicílio. Em 2017, dos 4,6 milhões de estabelecimentos de pequeno porte que poderiam ser classificados como de agricultura familiar, apenas 3,9 milhões atenderam a todos os critérios.

Ainda assim, a agricultura familiar continua representando o maior contingente (77%) dos estabelecimentos agrícolas do país, mas, por serem de pequeno porte, ocupam uma área menor, 80,89 milhões de hectares, o equivalente a 23% da área agrícola total. Em comparação aos grandes estabelecimentos, responsáveis pela produção de commodities agrícolas de exportação, como soja e milho, a agricultura familiar responde por um valor de produção muito menor: apenas 23% do total no país.

Considerando-se, porém, os alimentos que vão para a mesa dos brasileiros, os estabelecimentos de agricultura familiar têm participação significativa. Nas culturas permanentes, o segmento responde por 48% do valor da produção de café e banana; nas culturas temporárias, são responsáveis por 80% do valor de produção da mandioca, 69% do abacaxi e 42% da produção do feijão.

Fonte: IBGE
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Estresse térmico: quais os impactos causados na produção leiteira e a importância do monitoramento

O estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, acarreta um impacto muito grande sobre o desempenho das vacas

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Artigo escrito por Anna Luiza Belli, médica veterinária, mestre e doutora em Produção Animal e coordenadora de Território da MSD Saúde Animal Intelligence

Dentro dos sistemas de produção da pecuária leiteira, garantir conforto para os animais é fundamental. O estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, acarreta um impacto muito grande sobre o desempenho das vacas. Com o avanço das tecnologias e acesso às informações, os produtores de leite brasileiros têm dado maior atenção ao rebanho neste quesito.

A condição de estresse térmico pelo calor nas vacas ocorre devido às temperaturas altas encontradas em países tropicais, como o Brasil. Durante todo o ano, o rebanho pode ser impactado pelo clima, inclusive no inverno. Por isso, os produtores começaram a perceber que resfriar os animais é imprescindível e tem um impacto positivo na produtividade, principalmente na produção de leite.

O que é?

O estresse térmico pelo calor é uma condição de desconforto que pode ser caracterizada pelo aumento da temperatura retal e da frequência respiratória; redução do consumo de alimentos; projeção da cabeça para frente e mais tempo em pé. A temperatura retal pode passar dos 39˚C, sem que o animal apresente nenhum quadro de doença infecciosa e a frequência respiratória passa dos 60 movimentos por minuto, mesmo quando ele se encontre deitado ou parado. Essa condição pode ser gerada pela combinação de quatro principais fatores: pela elevada temperatura do ambiente, baixa velocidade do ar, alta umidade do ar e pela radiação solar direta.

Quais os efeitos negativos do estresse térmico?

Uma consequência imediata destas alterações é a queda da produção de leite. Se observarmos a curva de produção anual da maioria das fazendas, a produção de leite durante o inverno costuma ser maior do que durante o verão, com o mesmo número de animais em lactação e o mesmo manejo nutricional. Em muitos casos, essa variação pode ser atribuída totalmente ao desconforto térmico dos animais, causado pelas altas temperaturas e umidade encontradas no verão, quando a fazenda não possui um sistema de resfriamento eficiente. Porém, diferente do que se imaginava há algum tempo, essa queda da produção não se deve apenas à diminuição do consumo.

Os animais que se encontram sob estresse térmico precisam lançar mão de recursos metabólicos para debelar calor e regular a temperatura corporal. Esses mecanismos, como o aumento da frequência respiratória, por exemplo, consomem grande parte da energia que em uma situação normal seria destinada pelo organismo para a produção de leite. O sistema imune dos animais também é afetado, em especial do trato digestivo, determinando um aumento do estado inflamatório do animal. O que, por sua vez, também consome grande quantidade de energia, a qual poderia ser utilizada pela glândula mamária. Além de prejudicar a produção de leite, o sistema imune comprometido também pode determinar uma maior ocorrência de doenças, especialmente durante o período de transição. Os efeitos negativos do estresse térmico não se limitam ao animal.

Se a condição de estresse térmico ocorre em uma vaca prenha durante o período seco, por exemplo, efeitos negativos irão ocorrer sobre o feto. Como o principal momento de ganho de peso do feto é durante o terço final da gestação, o consumo e o metabolismo alterados da mãe durante esse período vão comprometer o desenvolvimento final das bezerras. A cria então apresenta menor peso ao nascimento; comprometimento da capacidade de absorver a imunidade passiva advinda do colostro; menor ganho de peso nos primeiros 30 dias de vida e mais chance de desenvolver doenças. Todos estes problemas podem determinar um menor desempenho desse animal ao longo de toda a sua vida produtiva adulta.

Mecanismos para resfriar os animais

Para ajudar os animais a estarem em conforto térmico, as fazendas têm adotado alguns mecanismos, como os sistemas de resfriamento, que podem ser direto ou indireto.

No sistema de resfriamento indireto, os animais são molhados por um aspersor de água de baixa pressão, que deve possibilitar gotas grossas que efetivamente molhem o animal. Em seguida os animais precisam receber ventilação forçada, e é por meio dessa ventilação que o animal efetivamente é resfriado a partir da evaporação da água. Esse ciclo de molhar e ventilar dura cerca de 3 a 5 minutos, totalizando de 30 a 40 minutos por momento de resfriamento. Segundo a literatura, ao longo do dia, um animal de alta produção precisa ser resfriado por pelo menos 4 horas. Esse sistema de resfriamento pode ser feito nas salas de espera da ordenha, nas linhas de cocho ou até mesmo em estruturas específicas para banho dos animais.

Já o mecanismo de resfriamento direto pode ser conseguido pelo controle da temperatura e da umidade do ar em que os animais se encontram. Esse mecanismo só pode ser obtido em galpões de resfriamento e nos chamados túneis de ventilação. Nessas estruturas, que podem ser fechadas e totalmente climatizadas, objetiva-se que o ambiente fique com a temperatura controlada em torno de 15oC, ou pelo menos mais fresca do que no ambiente externo.

Em sistemas a pasto, a sombra é um mecanismo importante para ajudar o animal a controlar o calor corporal. Isso pode ser obtido seja por meio de sombra natural proporcionada por árvores ou artificial por meio de sombrites estáticos ou móveis. Mas mesmo que o animal tenha acesso à sombra, o resfriamento pelo método indireto ainda é extremamente importante.

Por conta dos efeitos negativos do estresse térmico e do custo da adoção dos sistemas de resfriamento, é essencial estar atento e adotar medidas para garantir conforto ao rebanho. No entanto, não basta apenas adotar mecanismos de resfriamentos sem ter certeza de que a ferramenta está sendo eficiente. Um sistema de monitoramento é um importante aliado do produtor nesse sentido.

A tecnologia pode captar a frequência respiratória de cada animal e é capaz de identificar a condição térmica de um determinado grupo, mensurando para o produtor, por meio de gráficos, qual é a porcentagem de vacas sob estresse térmico daquele lote ou do rebanho. O produtor pode passar a tomar decisões assertivas e consegue saber, por exemplo, qual momento do dia os animais têm mais desconforto térmico, o melhor horário para fazer o resfriamento e se o método utilizado está sendo eficiente, sem precisar colocar um termômetro no animal. Além de monitorar o estresse térmico, a tecnologia permite ainda correlacionar a ruminação, a atividade e a ofegação com aspectos nutricionais e consequentemente de produção.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Alerta da Embrapa

Fim do inverno é período para revisar plano anual de controle do carrapato

Para pesquisadora e médica veterinária, Claudia Gulias Gomes, um bom plano deve ter como premissas a adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas

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Arquivo/OP Rural

Queda na produtividade, doenças e até mesmo a morte do animal. Estes são alguns dos problemas que os carrapatos podem provocar no rebanho bovino, de corte e leite. Por isso, é preciso que o pecuarista tenha um bom planejamento na fazenda para garantir que esta praga não lhe cause dores de cabeça.

De acordo com a médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Claudia Gulias Gomes, a dinâmica populacional do carrapato dos bovinos na região Sul é fortemente influenciada pelo clima, já que o inverno mais rigoroso do que o observado no restante do país favorece o controle natural da infestação dos campos nesta época do ano. “Há, portanto, uma tendência de redução populacional durante o inverno e aumento ascendente das infestações na primavera, verão e outono. Quando as medidas de controle adotadas são insuficientes ou ineficazes, a infestação dos campos alcança níveis críticos no outono, acompanhado, geralmente, de maior incidência de surtos de tristeza parasitária bovina (TPB), doença transmitida pelo carrapato”, conta.

Ela informa que a carga parasitária do rebanho, no entanto, é influenciada por muitos fatores. “O clima é somente um deles. Também são determinantes do grau de infestação de uma fazenda as práticas de controle adotadas, a sensibilidade genética da raça, idade dos bovinos, estado fisiológico, dieta do rebanho, práticas de manejo das pastagens e práticas de manejo do próprio rebanho. Desta forma, é possível observar propriedades lindeiras em situações de controle populacional completamente distintos”, afirma.

Para evitar ou, no mínimo, controlar a praga, a especialista comenta que o pecuarista deve elaborar, com a orientação de técnicos capacitados, um plano ou estratégia de controle anual que tenha como foco a redução da infestação do campo e do número de tratamentos com antiparasitários ao longo dos anos. “A estratégia de controle nunca será a mesma para diferentes propriedades, pois depende do grau de infestação da propriedade no momento do planejamento, sensibilidade da população de carrapato local às bases químicas disponíveis no mercado, sensibilidade do rebanho ao carrapato e à TPB, características particulares do sistema produtivo (cria, recria, terminação, ciclo completo, somente pecuária, iLP, iLPF, etc.), assim como a viabilidade na adoção de medidas de controle não químicas adequadas ao sistema produtivo. Como as infestações dos campos são dinâmicas, assim como as práticas de manejo da propriedade, é recomendado que se revise este plano anualmente”, menciona.

Se não adotadas as medidas, as perdas podem ser altas. “Os prejuízos para a saúde do rebanho incluem o estresse, anemia, redução do apetite e, consequentemente, do ganho de peso, aumento do risco de infecção pelos parasitos que causam a TPB, aumento do risco de ocorrência de bicheiras (miíases) e, em casos extremos, o óbito”, alerta.

Além do mais, as perdas podem ser também econômicas. “A redução na produção de carne/leite é a perda econômica direta. Há dados de pesquisa que estimam perda de 1,37 e 1,18 gramas de peso corporal por fêmea ingurgitada (teleógina) para Bos taurus e seus cruzamentos com Bos indicus, respectivamente. Porém, há também uma perda indireta, muito importante, associada à desvalorização do couro, gastos adicionais com medidas emergenciais de controle e eventuais mortes de animais em consequência do alto parasitismo ou pela ocorrência de surtos de TPB”, explica.

Manejos necessários

Claudia conta que além da elaboração e revisão do plano anual de intervenção baseado em premissas de prevenção e controle condizentes com as particularidades do sistema produtivo, existem outros manejos e práticas gerais de extrema importância no enfrentamento deste desafio.

Um deles é manter a oferta de alimento em quantidade e qualidade adequados à categoria animal durante todo o ano. “O estresse nutricional afeta a imunidade dos bovinos, permitindo o desenvolvimento de um maior número de carrapatos. Cada teleógina que cai no pasto pode gerar em torno de 3.000 novos carrapatos. Dieta adequada é, portanto, uma medida preventiva contra o parasitismo”, informa a pesquisadora.

Também é necessário adequar a lotação animal à capacidade das pastagens, mantendo em mente que quanto maior for o número de animais por área, maior será a probabilidade de infestação da pastagem e dos animais.

Além disso, o descarte de animais com alta sensibilidade ao carrapato do rebanho também é uma prática recomendada. “A sensibilidade/resistência do bovino ao parasitismo pelo carrapato possui um forte componente genético e é, portanto, uma característica herdável”, diz. A condução de quarentena na entrada de animais na propriedade, de forma a evitar o risco de introdução de cepas resistentes aos acaricidas comerciais, é outro manejo que deve ser priorizado pelo produtor.

Outra prática importante é o uso consciente dos antiparasitários. “Manter registro dos tratamentos, delinear estratégia de uso adequado à situação em conjunto com veterinário, monitoramento anual da sensibilidade da população aos acaricidas por meio do teste de biocarrapaticidograma, treinamento/orientação de funcionários por veterinário quanto às instruções para dosagem, via de aplicação e armazenamento correto dos acaricidas, observância aos períodos de carência para abate ou consumo de leite são importantes”, destaca.

Claudia ainda comenta que na ausência de uma forma de prevenção contra a TPB, o carrapato deve ser controlado, mas não erradicado. “Caso contrário, os animais ficarão muito sensíveis à infecção e o risco de surtos aumenta. As baixas infestações funcionam como uma imunização natural, já que o carrapato é o principal vetor dos agentes que causam a doença”, diz.

A atenção do pecuarista deve se voltar ainda para o sistema produtivo escolhido na propriedade. “Estima-se que 95% dos carrapatos de uma propriedade estejam no pasto, na forma de ovos, larvas ou fêmeas adultas que se desprenderam do bovino para postura (fases de desenvolvimento de vida livre). Somente os 5% restante estariam nos animais (larvas, ninfas e adultos – machos e fêmeas – fases de desenvolvimento de vida parasitária). As condições do ambiente junto ao solo, no local onde o rebanho é mantido, podem ser favoráveis ou desfavoráveis à sobrevivência das fases de vida livre. As escolhas de manejo feitas pelo homem interferem nestas condições”, comenta.

A pesquisadora explica que o confinamento tem particularidades distintas da criação extensiva e pode ser bastante diverso quanto às condições do campo, dieta ofertada, período e idade de exposição dos animais ao desafio do parasitismo. “Então, é esperado que haja diferença de manejo entre animais confinados e não confinados ao se pensar em estratégias de controle parasitário. As particularidades do sistema, grau de infestação da propriedade e práticas em execução serão determinantes para a escolha das medidas de intervenção. Mas, não há receita pronta”, afirma.

Planejamento é essencial

Segundo a pesquisadora da Embrapa, o fim do inverno é um bom período para o delineamento ou revisão do plano anual de controle, baseado nas premissas de adoção de medidas de prevenção ao parasitismo, redução das infestações do campo e redução do número de tratamentos anual com acaricidas. “Na revisão do plano, o técnico e o produtor poderão fazer os ajustes necessários conforme a evolução obtida no ano anterior e, avaliar a viabilidade de adoção de medidas de controle não químicas, de forma a reduzir a frequência de uso dos acaricidas”, comenta.

Claudia explica que em propriedades com alta infestação, o controle deve ser iniciado já na primavera, de forma a evitar o aumento populacional ascendente no verão e outono. “A adoção do controle estratégico é indicada em propriedades com alta ou média infestação dos campos. Porém, é preciso conhecer quais bases funcionam na propriedade para saber que produtos poderiam ser usados. O intervalo entre tratamentos será estruturado conforme o período de efeito residual do(s) produto(s) de escolha e de forma a interferir no ciclo de desenvolvimento do carrapato em suas gerações iniciais”, informa.

Já em uma fazenda com baixa infestação por carrapato, menciona a pesquisadora, onde o número de tratamentos já é reduzido, o uso do controle estratégico poderia agravar a sensibilidade do rebanho à tristeza parasitária bovina. “Portanto, não há receita pronta que se adeque a todas as propriedades. A revisão do planejamento deve ser contínua e realizada por profissionais com conhecimento técnico”, reitera.

A especialista comenta que as altas infestações por carrapato podem causar prejuízos muitos maiores do que o investimento em medidas de caráter preventivo, seja pelas perdas em produção ou pelo custeio adicional com medidas emergenciais em casos de ocorrência de resistência múltipla aos acaricidas e perda de animais em surtos de TPB. “A medicação curativa aplicada com frequência traz consigo o aumento do custo no controle e o rápido estabelecimento da resistência do carrapato às bases químicas em uso, não sendo, portanto, uma alternativa sustentável no longo prazo. O cenário atual é escassez de bases químicas no mercado e a perspectiva de surgimento de acaricidas com mecanismos de ação diferenciados é baixa. A aplicação consciente do conhecimento acumulado sobre estratégias de controle do carrapato se torna ainda mais primordial para a garantia da sustentabilidade produtiva, bem-estar animal e segurança do alimento, preceitos valorizados cada vez mais pelo consumidor”, aconselha.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Impactos do clima para os parasitas na pecuária

A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos

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Divulgação/Biogénesis Bagó

Artigo escrito por João Paulo Lollato, médico veterinário, pós-graduado em Produção e Reprodução de Bovinos, MBA em Gestão Comercial e mestrando no programa de Mestrado Profissional em Clínicas Veterinárias e coordenador de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Brasil

As alterações de clima afetam o dia a dia de consumidores e dos negócios. As atividades rurais estão ainda mais sujeitas às interferências das mudanças de temperatura ou condição climática. O produto, seja a colheita dos grãos ou o boi gordo, é muito dependente do fator clima para que o ciclo produtivo comece e termine com o êxito desejado.

As altas temperaturas podem interferir em diversos aspectos, que vão desde a formação muscular do animal até a sua capacidade reprodutiva. O calor é um dos principais fatores de estresse para o gado de corte, uma vez que todas as raças têm um limite de tolerância às altas temperaturas.

A interferência do clima nos bovinos de corte não acontece somente de forma direta, afetando o seu bem-estar, por exemplo. Indiretamente, a mudança de temperatura e as chuvas impactam a produção dos grãos que são utilizados na alimentação dos animais, como é o caso da soja e do milho, além da pastagem, que se refere a boa parte da alimentação diária.

De forma direta, é possível destacar que quando o gado passa por momentos de estresse térmico, a sua saúde acaba sofrendo as consequências. É fato que o calor serve para aumentar a taxa de crescimento dos músculos dos bovinos, mas quando o calor é excessivo, eles acabam não se alimentando direito e diminuindo o peso. A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos.

Quando analisamos a produtividade média do rebanho bovino brasileiro, percebemos que os níveis ainda são muito baixos quando comparados a outros países no mundo. Esses níveis necessitam ser rapidamente incrementados, em especial a taxa de abate, que no Brasil está em torno de 25 % e, como referência, os EUA possuem 35%. Ou seja, a cada gargalo da produção, a rentabilidade do negócio diminui.

Parasitos

A atividade pecuária pode ter sua rentabilidade comprometida significativamente pelos efeitos dos parasitas tanto internos quanto externos que afetam os bovinos. As perdas econômicas no Brasil foram estimadas em aproximadamente R$ 13,96 bilhões. Para esta conta foram consideradas as perdas potenciais que somam os prejuízos reais causados pelos parasitas, a perda de produtividade, os investimentos em medicamentos e ainda o reflexo desta perda de produtividade para a indústria. O grande causador deste prejuízo são os vermes internos, que representam cerca de 51% das perdas geradas por parasitas. Estima-se que cada bovino parasitado pode deixar de ganhar até 41 Kg por ano, ou seja, o parasita consumindo mais de duas arrobas de carne de cada animal não tratado.

Dentre os parasitas que acometem os bovinos, segue um quadro com os principais agentes parasitários internos e externos:

Controle estratégico parasitário

Considerando esses prejuízos e o que temos hoje no mercado de medicamentos para controle de parasitas, tanto internos quanto externos, desenvolveu-se o conceito de controle estratégico parasitário.

Para se montar este controle temos que levar em consideração alguns pontos importantes. Nos animais, a idade, a raça ou grau de sangue, a suscetibilidade individual, o status nutricional e o comportamento de pastejo são pontos de extrema importância para se construir um programa estratégico. Devemos também levar em consideração e cuidar com a avaliação dos parasitas, nos quais avaliamos a resistência, infecciosidade, especificidade, distribuição e concentração parasitária.

Outro ponto de extrema importância a ser considerado para um controle estratégico é o ambiente, devendo ser levado em conta topografia, cobertura de solo, aguada, clima, pluviosidade e tipo de pastagem. Lembrando que apenas 5% dos parasitas são os que vemos estão nos animais e os outros 95% estão no ambiente.

Avaliados todos esses pontos, viabilizamos as drogas presentes no mercado veterinário no programa de controle estratégico. Atualmente o conceito desenvolvido na Embrapa do 5-7-9 ou 5-8-11 é muito utilizado, pois consideramos o 5, mês de maio (entrada da estação seca), ou seja, aplicar um produto à base de ivermectina 1,13% ou doramectina 1,10% viabiliza muito os animais diminuírem seu desafio de parasitas, tanto internos quanto externos para enfrentar a escassez de matéria seca (pastagens). A aplicação do 7 ou 8, dependendo do controle, seria relacionada ao mês de julho ou agosto, pois nessa época do ano, a seca já está estabelecida em grande parte do país, de forma que o desafio para ectoparasitas é menor e os parasitas estarão se refugiando dentro dos animais. Por isso é interessante uma aplicação de Fosfato de Levamisol concentrado porque ele elimina grande parte da verminose presente nos animais. A outra aplicação seria realizada no mês 09 ou 11, correspondente aos meses em que tem início a  estação das águas, e realiza-se a aplicação de um produto longa ação, geralmente uma ivermectina 3,15%, que fará com que os animais passem tranquilamente pela estação de melhores pastagens com menor desafio tanto para parasitas internos quanto externos.

Devemos considerar ainda que animais provenientes de compras devem receber um tratamento antiparasitário logo na chegada à nova propriedade pensando em evitar uma contaminação das pastagens. Não é rotina realizar exames nos animais para saber sobre a carga verminótica devido à dificuldade de locais para exame. Por isso, uma aplicação estratégica de Doramectina 1,10 % na chegada dos animais faz esta limpeza tanto de parasitas internos quanto externos.

O uso de “pour on” para controle de ectoparasitas é extremamente importante também para auxiliar o controle estratégico, pois contamos com produtos à base de Cipermetrina, Clorpirifós e Butóxido de Piperonila (PBO), que são extremamente eficazes contra moscas e auxiliam muito bem no controle de carrapatos. Para controle dos carrapatos especificamente, o Fluazuron tem um trabalho muito importante no controle deste parasita nos animais e nas pastagens.

O controle estratégico é uma ferramenta prática, eficaz e rentável que, utilizado da forma correta, evita os prejuízos provocados pelos parasitas e utiliza o clima como ferramenta para auxiliar no controle dos parasitas.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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