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Agricultura familiar ganha força com invenções que aumentam produtividade

Concurso Nacional de Inventos seleciona soluções como debulhadora de feijão, envasadora de mel e veículos elétricos solares para pequenas propriedades.

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Foto: Henrique Carvalho

Debulhadora de feijão verde, veículo elétrico solar para pulverização e roçagem, envasadora semiautomática de mel, cultivador equipado com três enxadinhas para cobertura em substituição ao uso da carpideira e motocicleta adaptada como triciclo para uso por pequenas propriedades rurais no lugar de tratores de alto custo. Essas e outras invenções foram selecionadas no 1º Concurso Nacional de Inventos de Máquinas, Equipamentos e Implementos voltados à realidade da agricultura familiar, que  mobilizou criadores de todas as regiões do País e recebeu 242 inscrições.

São inventos de autoria de agricultores e empreendedores da agricultura familiar que têm como objetivo serem utilizados em pequenas propriedades rurais para melhorar o manejo, aumentar a produtividade e a renda, reduzir a penosidade e assegurar mais qualidade de vida ao homem do campo. São, enfim, soluções pensadas para enfrentar desafios cotidianos da produção no campo, como reduzir o esforço físico do trabalho, melhorar processos produtivos e ampliar a eficiência das atividades agrícolas. O resultado final do concurso já está disponível na página oficial da iniciativa, acesse clicnado aqui.

A premiação será entregue aos inventores na terça-feira (17), na Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar que ocorrerá até nesta quarta-feira (18), na Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).  Os equipamentos (protótipos) estarão expostos no local da premiação. Veja a programação completa do evento aqui.

Inclusão produtiva

Promovida pela Embrapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Conab, a Feira é um marco para a inovação e a mecanização do setor produtivo rural, reunindo lideranças governamentais, entidades de pesquisa, setor industrial, agricultores e cooperativas em prol do fortalecimento da soberania alimentar brasileira. Tem como objetivo promover o acesso a tecnologias e máquinas, reafirmando o compromisso do governo federal com a inclusão produtiva, o desenvolvimento sustentável e a valorização da agricultura familiar como pilar da economia nacional.

Embrapa lança com parceiros 2 catálogos de máquinas e equipamentos

Durante a feira, será lançada a página Mecaniza Social, acesse clicando aqui, um espaço virtual onde estão disponíveis dois catálogos, Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia e Catálogo de Máquinas e Equipamentos da Agricultura Familiar.

O Catálogo da Sociobioeconomia traz inventos importantes que têm como objetivo contribuir para a melhoria das condições de trabalho na Amazônia Legal, em especial para as cadeias do açaí, babaçu, castanha-da-amazônia e cupuaçu. Um exemplo é o trabalho de estudantes do ensino médio do Instituto Federal do Maranhão e do Instituto Estadual do Maranhão. Os grupos, respectivamente sob orientação dos professores Fernando Tocantins e Felipe Borges Pereira, desenvolveram uma colheitadeira manual de coco babaçu e uma estufa para secagem do mesocarpo do babaçu, a partir de demandas de quebradeiras de coco.

Ainda na cadeia do babaçu, destaca-se o equipamento de uso individual acionado manualmente através de alavanca. Iniciativa da Embrapa Maranhão, o equipamento foi desenvolvido para melhorar ergonometricamente as condições de trabalho. Na foto ao lado, quebradeiras de coco de babaçu trabalham com o equipamento.

A plataforma de colheita de açaí com debulhador hidráulico é outro protótipo desenvolvido por um produtor rural para reduzir a penosidade da colheita do açaí cultivado em terra firme. Trata-se de uma carretinha rebocável por trator, com estrutura em aço e fechamento em madeira. Graças à técnica aplicada, não é necessário o uso de gancho junto a foice, pois o corte é direcionado de forma precisa, fazendo com que o cacho caia diretamente dentro das asas da plataforma. Trata-se da  Plataforma BIO-1,  um equipamento agrícola semimecanizado projetado para a colheita eficiente do açaí em sistemas de plantio solteiro (uma estipe). Combina segurança, agilidade e baixo desperdício, sendo ideal em plantas de médio a grande porte.

A analista da Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA), Mazillene Borges,  trabalhou na prospecção de equipamentos e protótipos que compõem o Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia das cadeias produtivas do açaí e do cupuaçu.

“Conhecer a realidade de como  produtores, extrativistas e agricultores familiares das cadeias do açaí e do cupuaçu estão criando alternativas para melhorar a produção dos produtos da biodiversidade foi uma grande experiência. Fizemos a prospecção em seis estados da Amazônia: Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Amazonas. Foi uma equipe multidisciplinar, com cinco unidades da Embrapa”, relata  Mazillene Borges.

O trabalho de prospecção consistiu em fazer o levantamento das cadeias de produção, identificando a quantidade produzida e comercializada, em seguida, a equipe buscou conhecer os equipamentos que usavam na coleta e produção e que estão no mercado. Foram identificados motosserras, roçadeiras, modelos de motos de embarcação para transporte do açaí das áreas de manejo para comercialização, bem como as agroindústrias estão fazendo seus próprios equipamentos. Também foram visitadas pequenas indústrias metalúrgicas instaladas no Pará para produzir máquinas para as agroindústrias.

“O mais fantástico foi perceber como as pessoas foram se atentando para essas necessidades e inventando máquinas para atender a demanda do processamento industrial do açaí, por exemplo”, conta a analista. Com este trabalho, foi possível identificar mais de 25 modelos de equipamentos inventados pelos produtores para colher o açaí, melhorar a produtividade e a penosidade do trabalho. E por fim, levantamos também a questão da segurança do trabalho, as necessidades e lacunas tecnológicas que precisamos ficar atentos”, afirma.

Família de inventores

A foto ao lado traz o apanhador de açaí (vara) – uma ferramenta criada pelo extrativista Edilson Cavalcante Costa (camisa rosa) de Abaetetuba, no Pará, para facilitar a coleta do fruto na floresta, que ainda se encontra em desenvolvimento, ou seja, já existe o protótipo, e necessita de parceria para ser replicado em maior quantidade. Na foto, Mazillene Borges entre Edilson Costa e o filho que também é inventor. Ele criou o debulhador de cacho de açaí.

No catálogo, também é possível conhecer e adquirir o classificador de castanha-da-amazônia com separador de cascas, que classifica as amêndoas por tamanho no processamento. O classificador de castanha-da-amazônia encontra-se disponível para comercialização.

Catálogo de Máquinas para a Agricultura Familiar

Além das inovações para as cadeias da sociobiodiversidade, a plataforma integra o Catálogo de Máquinas para a Agricultura Familiar. Esta seção reúne ativos estratégicos como máquinas de plantar alho e colhedoras de espigas de milho, focadas no ganho de eficiência produtiva. A estrutura do portal foi desenhada para facilitar o acesso ao mercado, conectando o homem do campo a empresas parceiras e agentes financeiros, garantindo que a tecnologia chegue à ponta com o suporte de instituições como o BNDES.

“Os catálogos estão disponíveis em um ambiente virtual desenvolvido pela Embrapa que também realizou o mapeamento, a seleção e a caracterização dos equipamentos indicados no site Mecaniza. Queremos ofertar ao produtor rural um espaço onde ele se sinta seguro para fazer suas aquisições”, explica Daniel Papa, analista da Gerência-Adjunta de Inclusão Socioprodutiva e Digital da Embrapa, e coordenador do projeto de criação do catálogo.

Segundo ele, as soluções tecnológicas dos inventores estão organizadas em dois grandes grupos, o Catálogo de Máquinas e Equipamentos da Agricultura Familiar, trabalho realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com a Embrapa. E o Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia, trabalho realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC.

“Na Embrapa, compreendemos que a mecanização da agricultura familiar e do extrativismo não deve ser vista apenas como um incremento produtivo, mas como um instrumento fundamental de dignidade e soberania alimentar, capaz de reduzir a penosidade do trabalho e assegurar mais qualidade de vida ao homem e à mulher do campo. Ao lançarmos ferramentas como Plataforma Mecaniza Social e dos dois catálogos, reafirmamos nosso compromisso institucional de entregar inovações que nascem da própria realidade rural, transformando protótipos e invenções em ativos de mercado escalonáveis que fortalecem a inclusão produtiva em todas as regiões do Brasil”, ressalta a presidente da Embrapa Silvia Massruhá.

Para a presidente, as  mulheres rurais da Amazônia, especialmente aquelas que vivem do da cadeia produtiva  do açaí, do babaçu, da castanha e do babaçu, a tecnologia apropriada representa um passo decisivo em direção à equidade e à valorização do seu papel sistêmico na bioeconomia. O desenvolvimento de equipamentos ergonômicos — como as máquinas adaptadas para as quebradeiras de coco ou as plataformas semi- mecanizadas para a colheita de açaí — é essencial para reduzir o esforço físico e garantir a segurança no manejo desses produtos da biodiversidade. “Integrar a inovação científica aos saberes tradicionais permite que essas mulheres liderem a gestão de suas propriedades com eficiência, consolidando a agricultura familiar como um pilar resiliente e sustentável para o futuro do país”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Ascom

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Agricultura familiar pode ganhar ferramenta de inteligência artificial para gestão das propriedades

Plataforma vai integrar dados produtivos e agroambientais para auxiliar a tomada de decisões no campo.

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Foto: Divulgação

A agricultura familiar poderá contar com uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões no campo. É o que prevê o Projeto de Lei 240/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, que propõe a criação de um sistema voltado à organização, integração, padronização e proteção de dados agroambientais e produtivos.

A proposta altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais e estabelece que

Foto: Divulgação

o sistema seja utilizado como suporte à gestão das pequenas propriedades, oferecendo informações que possam contribuir para o planejamento da produção e para a tomada de decisões pelos produtores.

Na justificativa do projeto, o autor da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), afirma que o alto custo das tecnologias baseadas em inteligência artificial ainda limita o acesso dos agricultores familiares a essas ferramentas, ampliando a diferença tecnológica em relação às grandes empresas do agronegócio. “A ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural”, aponta.

Caso seja aprovado, o sistema deverá reunir informações agroambientais e produtivas em uma plataforma

Foto: Divulgação/Freepik

estruturada para subsidiar decisões relacionadas à gestão das propriedades, com foco na melhoria da eficiência e da competitividade da agricultura familiar.

O Projeto de Lei 240/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para apreciação do Senado antes de eventual sanção presidencial.

Fonte: O Presente Rural
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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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