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Agricultura digital pode ajudar Brasil a atingir projeção de safra de milho recorde

Cerca de 75% dos produtores do cereal já aderiram à agricultura 4.0, o que deve contribuir para a safra atual atingir a marca de 127 milhões de toneladas.

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O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo e a expectativa é de aumento de 12,5% na safra de 2022/23 – atingindo o recorde histórico de 127 milhões de toneladas segundo pesquisa da Conab. Para atingir esta marca, os produtores contaram com um aliado importante: a agricultura digital. Segundo o estudo Guia do Milho, realizado pela Climate Fieldview, 75% usam o recurso na lavoura.

A pesquisa entrevistou agrônomos, donos de fazenda e profissionais de agricultura digital e apontou para duas ferramentas como as mais utilizadas: os softwares de monitoramento, adotados por metade dos produtores, e soluções de previsão climática, usadas por 25%.

Entre as tecnologias utilizadas, a telemetria agrícola é a menos usada: só 12,5% dos produtores de milho optam por ela. Com o uso de sensores nos equipamentos da fazenda, esta tecnologia permite a coleta de dados sobre o desempenho do maquinário – e evitar prejuízos decorrentes do mal funcionamento.

Segundo o Guia do Milho, dois recursos dividem a preferência dos produtores: a tecnologia de clima e a tecnologia agronômica. Cada uma é usada em 43,8% das lavouras brasileiras que produzem o grão.

Enquanto a primeira oferece previsões climáticas com antecedência de maneira precisa e traçar estratégias mais assertivas cuidar da lavoura, a segunda ajuda a monitorar, gerir e identificar riscos à qualidade do milho.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Investimento em agricultura digital 
Para os produtores de milho, a agricultura 4.0 oferece maior eficiência à produção. Segundo a Climate Fieldview, os principais benefícios entre os pesquisados são a aceleração do plantio e da colheita, acesso a dados e informações precisas e monitoramento da lavoura em tempo real.

O controle de doenças e precisão de plantio, aliado à homogeneização do perfil do solo são outros impactos positivos da tecnologia apontados pelo estudo. Não à toa, o uso das soluções tecnológicas para a agricultura são crescerão 183% até 2026. Segundo estudo da 360 Research & Reports, este mercado atingirá o valor de US$ 8,33 bilhões. “A gestão de informações com plataformas inteligentes e uso de satélites é um caminho sem volta”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola, Fernando Miguel Scaramuzza.

Já o professor da Universidade Federal de Santa Maria, Antônio Luís Santi, diz que se trata de um momento promissor para o setor. No entanto, o foco na qualidade é central para o uso da tecnologia na produção de milho. “O importante não é a quantidade de dados, e sim, o que fazemos com as informações que realmente importam”, afirma.

Profissionalização 
Segundo 360 Research & Reports, a agricultura digital será responsável pela criação de 178,8 mil vagas de emprego. No entanto, os produtores de milho enfrentam desafios para usá-la.

A Climate Fieldview constatou que a profissionalização é o principal, citado por 62,6% dos entrevistados. Enquanto 43,8% enfrentam dificuldades na hora de encontrar profissionais qualificados, 18,8% apontam para a baixa oferta de cursos profissionalizantes.

Outros obstáculos constatados pelo estudo são a conectividade e a conexão entre plataformas – lembrados, respectivamente, por 25% e 12,5% dos produtores de milho.

Foto: Paulo Ribeiro

Custos de produção 
No que tange às preocupações dos produtores de milho, os custos de produção estão no topo da lista: foram apontados por 56,3%. Já a oscilação do dólar vem em seguida, mencionada por 31,3% devido à margem de lucro e ao preço dos insumos utilizados.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária aponta para um aumento de 40% nos custos da produção de milho na atual safra. Entre o principal motivo está o custo de fertilizantes, responsáveis por 60% dessa alta. Isso se deve ao fato do Brasil importar 85% do insumo.

Neste contexto, a projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é de que o ano ainda sim seja favorável ao produtor. “Será um ano de margens menores, custos de produção ainda elevados, mas boa produção”, explica o diretor técnico Bruno Lucchi.

Para ele, a desaceleração da economia global fará com que importadores não aumentem a demanda. ”Acreditamos que a quantidade exportada pelo Brasil aumentará porque teremos uma supersafra de grãos. Esperamos que o volume exportado anule a queda de preços”, conclui.

Fonte: Assessoria Climate Fieldview

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França

Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: "Quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória" - Foto: Divulgação/Comissão Europeia

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.

Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.

A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.

A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.

Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.

Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.

No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.

Fonte: O Presente Rural
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio

Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

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O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação

Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.

No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.

União Europeia

Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.

Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.

Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.

Salvaguardas

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.

Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação

Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”

Sobre o acordo

Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.

O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília

Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

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Foto: Divulgação

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação

De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.

A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.

Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.

Fonte: O Presente Rural
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