Avicultura
África do Sul e Singapura retiram restrições à carne de frango do Brasil
Decisão reforça adesão à regionalização e amplia para 25 o número de países com comércio liberado após foco de Influenza aviária no Rio Grande do Sul.

Mais dois países retiraram as restrições às exportações brasileiras de carne de frango, impostas após a detecção de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em Montenegro (RS). África do Sul e Singapura retomaram completamente as importações do produto, ampliando a lista de mercados liberados ao setor avícola nacional.

Foto: Ari Dias
A suspensão temporária havia sido adotada como medida de precaução, conforme protocolos internacionais de sanidade animal. Com a decisão dos dois países, sobe para 25 o número de nações que mantêm o comércio de carne de aves com o Brasil sem restrições.
Situação atual das exportações de carne de frango do Brasil
Sem restrições
- África do Sul
- Argélia
- Argentina
- Bolívia
- Bósnia e Herzegovina
- Cuba
- Egito
- El Salvador
- Emirados Árabes Unidos
- Filipinas
- Índia
- Iraque
- Lesoto
- Líbia
- Marrocos
- Mauritânia
- Mianmar
- Montenegro
- Paraguai
- República Dominicana
- Singapura
- Sri Lanka
- Uruguai
- Vanuatu
- Vietnã
Com suspensão total
- Albânia
- Canadá
- Chile
- China
- Macedônia do Norte
- Malásia
- Paquistão
- Peru
- Timor-Leste
- União Europeia
Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul
- Angola
- Arábia Saudita
- Armênia
- Bahrein
- Bielorrússia
- Cazaquistão
- Coreia do Sul
- Kuwait
- México
- Namíbia
- Omã
- Quirguistão
- Reino Unido
- Rússia
- Tajiquistão
- Turquia
- Ucrânia
Suspensão apenas no município de Montenegro (RS)
- Catar
- Jordânia
Suspensão nos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra
- Japão
Suspensão limitada por zona geográfica (regionalização)
- Hong Kong
- Maurício
- Nova Caledônia
- São Cristóvão e Nevis
- Suriname
- Uzbequistão
Essas medidas seguem os critérios de regionalização, conforme previstos pelo Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e pelo Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A regionalização permite que países importadores reconheçam áreas específicas com status sanitário distinto dentro do mesmo território, evitando a suspensão ampla das exportações. A medida é considerada essencial para garantir a fluidez do comércio internacional mesmo diante de focos pontuais de doenças.

Avicultura 26º SBSA
Entraves logísticos desafiam a produção de grãos no Brasil
Apesar do aumento exponencial da produção de milho e soja nas últimas duas décadas, país sofre com gargalos de armazenagem e logística

As tendências globais do mercado de commodities, a produção brasileira de grãos e os desafios no abastecimento da indústria brasileira foram debatidos pelo especialista em gestão estratégica, Arene Trevisan, nesta terça-feira (7), primeiro dia do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet).
Ao apresentar dados sobre oferta e demanda global de grãos, o administrador destacou que a soja tem um estoque global confortável, sustentado por boas safras. Lembrando que o Brasil lidera globalmente a produção e exportação do grão.
No caso do milho, o estoque global em queda tem levado ao alto custo de produção, o que sinaliza um novo ciclo de preços na bolsa. Em relação à oferta e demanda global, hoje os Estados Unidos e China juntos representam 56% da produção global e o Brasil figura em terceiro lugar, com 10% da produção mundial. Já na exportação, os EUA lideram e o Brasil aparece em segundo lugar. “O Brasil passou de importador para um dos principais protagonistas no trading global de milho”, afirmou Trevisan.
Nas últimas duas décadas, o aumento na produção brasileira de grãos foi expressivo. Segundo pesquisa trazida pelo palestrante, esse crescimento alcançou 247% no período.
A capacidade de armazenagem, entretanto, não acompanhou esse boom na produção. O país ainda enfrenta um grande déficit, que exige todo um planejamento da cadeia produtiva. “Crescemos muito em produção, mas a armazenagem não dá conta e é muito caro produzir armazenagem. Hoje não se compra milho e soja, se compra promessa de plantio, pois é preciso planejar por conta da falta de infraestrutura de armazenagem”, explicou.

TRANSPORTE FERROVIÁRIO
A dependência do modal rodoviário é outro gargalo. O Brasil possui uma densidade ferroviária muito baixa, com cerca de 30 mil quilômetros de extensão total, proporção expressivamente inferior a países com dimensões semelhantes. “Além disso, muitas dessas ferrovias estão abandonadas e a maioria transporta minérios de ferro. As commodities são uma parcela menor transportada”, explicou.
Para Trevisan, o crescimento do transporte ferroviário é estratégico para a expansão econômica. “Precisamos pensar mais em estratégia, envolver a sociedade organizada na discussão de projetos ferroviários. A infraestrutura de armazenagem e logística definirão a competitividade do setor das carnes, especialmente no Sul do Brasil”, concluiu.
O especialista ainda ressaltou indicadores que demonstram que nos municípios onde há forte presença da avicultura e da suinocultura há também melhora no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM). Trata-se de cadeia que reafirma seu potencial para o desenvolvimento econômico e social local como um todo.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site: https://nucleovet.com.br/simposios/avicultura/inscricao.
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Como anda a exportação de frango com a crise no Oriente Médio?
Embarques para países impactados pelo Conflito do Oriente Médio seguem recebendo produtos, ainda que parcialmente, mesmo com fechamento do Estreito de Ormuz

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera em 6% o total exportado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 476 mil toneladas.
A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025.
No ano (janeiro a março), o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. O crescimento é ainda mais expressivo em receita, com US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,586 bilhões no ano passado.
China retomou o ritmo das importações praticadas antes de maio de 2025 (quando ocorreu um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na produção comercial do Brasil, situação que já foi superada), com total de 51,8 mil toneladas em março deste ano (+11,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior). No ranking dos principais destinos estão o Japão, com 42,1 mil toneladas (+41,3%), a Arábia Saudita, com 38,7 mil toneladas (-5,3%), a África do Sul (+21,4%), com 33,1 mil toneladas e a União Europeia, com 30,7 mil toneladas (+33,7%).
Em uma análise dos efeitos da Guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do estreito de Ormuz, as exportações para os países do Oriente Médio que são destinos da carne de frango do Brasil registraram queda de 19,8% nos volumes embarcados em março deste ano na comparação com o mês de fevereiro, anterior ao conflito.
“Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas. São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. As gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo. No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial, nos principais destinos da Ásia”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal estado exportador, o Paraná embarcou 202 mil toneladas, número 5,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 109 mil toneladas (+2,7%), Rio Grande do Sul, com 70,7 mil toneladas (+11,9%), São Paulo, com 32,5 mil toneladas (+22,6%) e Goiás, com 26 mil toneladas (+14,8%).
Avicultura
Modelo tradicional de cálcio e fósforo perde precisão na dieta de aves, diz especialista
Estudos indicam que formulação baseada em valores totais de minerais não reflete a absorção real, exigindo modelos mais precisos para melhorar desempenho, reduzir custos e minimizar impactos ambientais.

O equilíbrio nutricional das dietas de frangos de corte, especialmente na relação entre cálcio (Ca) e fósforo (P), passou a ter impacto direto não apenas no desempenho produtivo, mas também no custo da ração e na carga ambiental da atividade. Em um cenário de maior exigência técnica, estudos conduzidos pela pesquisadora Roselina Angel, doutora em Nutrição de Aves e professora da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, indicam que a forma como esses minerais vêm sendo tradicionalmente utilizados na formulação já não atende plenamente às demandas atuais da avicultura intensiva.

Pesquisadora Roselina Angel apresenta durante o 26º SBSA evidências de que o modelo tradicional de formulação com cálcio total e fósforo disponível não reflete o aproveitamento real dos minerais em frangos de corte e pode comprometer eficiência produtiva e custo da dieta
A temática será detalhada pela especialista durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece entre os dias 07 e 09 de abril em Chapecó (SC), com foco na necessidade de revisão dos parâmetros utilizados na formulação de rações. Ela possui ampla atuação científica internacional, com sete capítulos de livros publicados, mais de 180 artigos científicos revisados por pares e mais de 265 resumos científicos, além de ter ministrado mais de 300 palestras em diversos países.
Seu trabalho recente se concentra na otimização da nutrição de fósforo por meio da compreensão da interação com cálcio, desenvolvendo ferramentas que aumentam a eficiência econômica da utilização de nutrientes e reduzem o impacto ambiental da produção avícola. Sua pesquisa tem contribuído diretamente para avanços na sustentabilidade ambiental e econômica da indústria avícola.
Em um dos estudos conduzidos pela pesquisadora aponta que a formulação baseada em cálcio total (tCa) e fósforo disponível (AvP) não reflete a fração efetivamente absorvida no trato digestivo. Como alternativa, Roselina propõe o uso de coeficientes de digestibilidade ileal padronizada (SID) para ambos os minerais, permitindo estimar com maior precisão o aproveitamento real na ave. Essa abordagem reduz a necessidade de margens de segurança elevadas na formulação, que frequentemente resultam em excesso de minerais na dieta.
Variabilidade do calcário
Outro ponto crítico identificado nos estudos de Roselina está na variabilidade do calcário, principal fonte de cálcio utilizada na avicultura e responsável por até 75% do Ca das dietas.
Em pesquisas publicadas recentemente, a autora demonstra que diferenças de solubilidade, granulometria e origem geológica interferem diretamente na digestibilidade, o que pode gerar respostas produtivas distintas mesmo em dietas com níveis semelhantes de cálcio. Essa variabilidade amplia o risco de desequilíbrios nutricionais quando a formulação se baseia apenas em valores totais.
Interação com fitato limita aproveitamento de minerais
A interação entre cálcio e fitato aparece nos estudos como um dos principais fatores que limitam o aproveitamento de minerais. Presente em ingredientes vegetais como milho e farelo de soja, o fitato forma complexos insolúveis com o cálcio, reduzindo a disponibilidade tanto de Ca quanto de P.
Dados experimentais apresentados pela pesquisadora indicam que níveis elevados de cálcio intensificam essa ligação, comprometendo a digestibilidade dos minerais e de outros nutrientes, como aminoácidos e lipídios. Esse mecanismo contribui para perdas nutricionais e aumento da excreção de fósforo.
Melhoria da eficiência nutricional

Nesse contexto, o uso de fitase tem papel relevante na melhoria da eficiência nutricional. A enzima atua na quebra do fitato, liberando o fósforo ligado e reduzindo sua interação com o cálcio. Resultados observados nos estudos conduzidos por Roselina mostram aumento consistente na digestibilidade do fósforo e ganhos variáveis na disponibilidade de cálcio, especialmente em dietas com maior teor de fitato. A adoção dessa estratégia permite reduzir a inclusão de fosfatos inorgânicos e melhorar o aproveitamento global da dieta.
Apesar dos benefícios da fitase, os próprios estudos indicam que sua eficiência está diretamente relacionada ao nível de cálcio presente na dieta. O excesso de Ca reduz a ação da enzima e limita o aproveitamento dos nutrientes. Além disso, níveis elevados de cálcio podem interferir negativamente na digestibilidade de gordura, aminoácidos e microminerais, afetando a conversão alimentar.
Precisão nutricional reduz custos e perdas ambientais
Do ponto de vista econômico, análises derivadas dessas pesquisas mostram que a maior precisão na formulação permite reduzir custos com ingredientes minerais e melhorar a eficiência produtiva.
A redução da excreção de fósforo também tem impacto direto na gestão ambiental, especialmente em regiões com alta concentração de produção avícola, onde o acúmulo de nutrientes pode comprometer a qualidade da água e do solo.
A evolução genética das aves intensifica esse cenário ao aumentar a sensibilidade a desequilíbrios nutricionais. Linhagens modernas apresentam maior potencial produtivo, mas exigem maior precisão na oferta de nutrientes. Nesse contexto, a substituição de modelos baseados em teor total por sistemas fundamentados em digestibilidade e interação entre nutrientes tende a se consolidar como referência técnica na formulação de dietas.
Os resultados apresentados nos estudos de Roselina indicam uma mudança de abordagem na nutrição mineral de frangos de corte, com foco em eficiência de utilização, redução de perdas e maior controle sobre os fatores que influenciam o desempenho produtivo.



