Suínos
Aeradores não fazem mágica, mas quase
Se você está pensando em entrar para a piscicultura porque acha que o modelo de negócio é só colocar o peixe e dar a ração, é melhor pensar em outra atividade
A qualidade da água é um dos elementos primordiais para o desenvolvimento da aquicultura. Controlar os níveis de oxigênio, pH, alcalinidade, dureza e turbidez são fundamentais para que os peixes cresçam de maneira homogênea e dentro do período desejado. Se qualquer desses elementos estiver fora dos parâmetros, em poucas horas uma população inteira de um viveiro pode ser aniquilada. Se você está pensando em entrar para a piscicultura porque acha que o modelo de negócio é só colocar o peixe e dar a ração, é melhor pensar em outra atividade.
A Reportagem do jornal O Presente Rural foi até Palotina, no Oeste do Paraná, e conversou com dois experts no assunto: o doutor em Oceanografia biológica Eduardo Ballester, que é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e com a bióloga, pesquisadora e responsável pelo Laboratório de Qualidade de Água e Limnologia da UFPR, Lucíola Thais Baldan. Ela resume: “Para controlar a qualidade da água, a aeração é uma das coisas que resolvem. O papel da aeração na aquicultura é imenso”.
Um dos principais motivos para usar os aeradores é a oxigenação do ambiente aquático. O professor Ballester explica que há três maneiras de oxigenar a água. “No cultivo de peixes ou camarões, a gente tem as seguintes fontes de oxigênio: água de renovação, interface de água com coluna de ar e o fitoplâncton, que são microalgas que produzem oxigênio por meio da fotossíntese. No entanto, é preciso entender o balanço nesse caso do fitoplâncton, pois ele produz durante o dia e consome à noite. Por isso a parte mecânica (aeração) é importante. De maneira geral, promovem interação entre coluna de água e a massa de ar, criando bolhas e oxigenando a água”, explica.
A professora explica qual a dinâmica da oxigenação dentro de um viveiro durante um dia inteiro. “Uma das chaves para o sucesso da aquicultura é o é oxigênio dissolvido. Quando tem a gente faz um acompanhamento ao longo de 24 horas de um viveiro, percebe que a maior produção de oxigênio é entre duas e três da tarde, pois tem mais sol e há uma maior produção pela fotossíntese das algas. No entanto, as mesmas algas que produzem durante o dia consomem a noite, quando elas não produzem. Acabou a luz, para a fotossíntese, mas essas microalgas continuam respirando. Acontece que por volta das 4-5 horas da manhã temos falta de oxigênio, que só vai voltar a ser produzido lá pelas 7-8 horas da manhã. Nesse período de quatro ou cinco horas sem oxigênio o peixe sofrendo, a amônia aumentando, ele vai se intoxicar, etc.”, explica. “Se o aerador está ligado, está promovendo que entre oxigênio por difusão. O oxigênio que está no ar vai para a água. O aerador promove que moléculas da água, que estão juntinhas, se espalhem e o oxigênio consiga entrar na água”.
Mais que oxigênio
Manter a água homogênea, com nutrientes e temperatura ideais em todas as partes do tanque de produção, também é papel da aeração. O professor Ballester destaca que “a aeração não serve só para colocar oxigênio na água, mas também para fazer o processo de desestratificação do viveiro”. Se o tanque estiver estratificado, explica, parte dele vai ter ambiente ideal e parte vai ter um ambiente desafiador, o que causa inúmeros problemas, como adensamento dos animais. Caso a água fique muito tempo parada, cita a professora Lucíola, inúmeros problemas vão aparecer, como aumento de pH, aumento da amônia, entre outros.
“A aeração é importantíssima para fazer a desestratificação da água”, cita o professor. “Se metade do seu tanque está com temperatura baixa, o peixe vai para a outra metade. Ou seja, você está reduzindo em 50% o seu espaço de cultivo e o desempenho está diretamente relacionado com a densidade de cultivo. Quanto maior a densidade, menor o desempenho. Se tem desestratificação, o animal ocupa todo o espaço disponível”, orienta o pesquisador.
Essa desestratificação, no entanto, precisa ser feita de forma suave para não causar ainda mais problemas. “Se misturar a água de maneira bruta, vai haver o crescimento excessivo do fitoplâncton, que vai acabar morrendo em massa e produzir substâncias nocivas aos peixes”, alerta a pesquisadora.
Erros de manejo
Verão, inverno e outono exigem manejos diferentes do viveiro, mas muitas vezes essa mudança não é observada pelos produtores, de acordo com Ballester. “O manejo muda muito entre inverno e verão. No verão é mais complicado”, cita Lucíola. “O metabolismo do animal muda, a dinâmica do fitoplâncton muda, assim tem que mudar o manejo, como os níveis de arraçoamento”, justifica Ballester.
“Quando a temperatura aumenta muito, os níveis de oxigênio diminuem. Com temperatura alta há mais possibilidade de surgimento de bactérias nocivas. No inverno, os maiores problemas são com os fungos. Há também problemas com as variações rápidas de temperatura (amplitude térmica)”, aponta.
“É no verão que o produtor vem pedir ajuda pra gente (UFPR). Isso porque nesse período aumentam os níveis de alguns compostos nitrogenados e, junto com floração de algas, deixa o produtor desesperado porque começa a morrer muito peixe”, cita a professora. “Quando o sol entra na água, temos um metro de luz solar que é transformado em calor. Esse calor vai dissipar. Se você não circula a água no tanque todo, vai ter extratificação térmica”, aponta. Em outras palavras, vai ficar mais calor na parte de cima do tanque e mais frio e com concentração de nutrientes na parte inferior. “Quando a temperatura oscila muito, coloca os nutrientes de baixo para cima onde está a luz, dai o fitoplâncton vai crescer muito, o que não é desejado. O fitoplâncton é fundamental para a produção de oxigênio, é fonte de alimento, vai ter relação com pH, que por sua vez será relacionado com a toxidez da amônia (excretada), com a alcalinidade e com a condutividade. É uma completa interação de parâmetros físicos, químicos e biológicos”, cita Ballester.
Ele alerta para o manejo equivocado, apesar da vasta experiência de alguns piscicultores do Oeste do Paraná. “Apesar de termos produtores com grande experiência, mais de 20 anos de aquicultura, ainda encontramos erros básicos. Um deles é que a água tem capacidade de conservar seu calor, mas quando chega o inverno a água é renovada. Renovou a água, coloca mais agua gelada e desestabiliza a temperatura. O produtor continua com a tática de renovação, que ele deveria ajustar”, comenta.
Entrando numa fria
Mas que problemas a água mais fria pode causar? Inúmeros, inclusive o adoecimento e até morte dos animais. “Se você esfria a água no viveiro, diminui o metabolismo do peixe e, por consequência, diminui o consumo de ração. Se ele come menos, não vai se desenvolver adequadamente”, aponta Ballester.
E pior ainda: “Sobra ração”, aponta a professora. Ballester justifica a preocupação da colega. “Se sobra ração, primeiro efeito imediato é o custo. A ração é responsável por cerca de 40 a 50% dos custos de produção. Se sobrou ração é porque ele não prestou atenção na temperatura da água e não ajustou a taxa de arraçoamento. Em segundo lugar, a ração não consumida vai decompor e gerar amônia, gerando problema de toxidez da amônia na água”, alerta.
Com muita amônia na água, o peixe também deixa de comer porque, como não consegue liberar a amônia de seu corpo porque o ambiente já está cheio dela, para de comer para não se intoxicar. Lucíola explica: “Se tem muita amônia no meio ambiente, não consegue excretar amônia. Então para de comer porque sabe que se comer vai se intoxicar”, aponta. “Para de comer, para de crescer, fica debilitado e abre porta para doenças”, acrescenta o professor da UFPR.
Para evitar tamanha dor de cabeça, segundo a pesquisadora, “basta cuidar com parâmetros mais simples”. “A gente olha o básico, oxigênio dissolvido, pH, turbidez (o quanto a luz consegue atravessar), condutividade (capacidade de transmitir elétrons – agua pura, condutividade zero, alcalinidade e dureza (basicamente vão permitir que pH não oscile tanto)”, cita. Manter o pH estável, entre 6 e 8,5, ajuda a manter estáveis também os níveis de amônia e a condutividade. Para se ter uma ideia, conta, o aumento do pH em 1 ponto eleva em até 10 vezes a toxidez da amônia. Mas o professor alerta que, de maneira geral, os piscicultores “não medem muito esses parâmetros”.
Oxigênio é base para oxidação da amônia
O oxigênio serve como uma espécie de base para oxidação da amônia, segundo Ballester. De acordo com ele, se falta oxigênio, as algas que fariam a decomposição da amônia não conseguem executar o trabalho e o ambiente fica tóxico. “O animal come a ração, que é proteína e tem nitrogênio. Depois de metabolizar, esse nitrogênio se transforma em amônia. Essa amônia vai ser transformada em compostos menos tóxicos (nitrito e o nitrato). Todo esse processo é dependente de oxigênio, pois é uma oxidação. O processo é mediado por bactérias nitrificantes. Na falta de oxigênio, essas bacterias não conseguem oxidar a amônia, que é extremamente tóxica e persiste no meio”, aponta o professor. “A oxigenação da água é geralmente a resposta para todos os problemas”, emenda a professora.
De acordo com eles, níveis altos de amônia afetam diretamente as brânquias do animal, que são responsável pela sua oxigenação, mas também por outras funções. “O resultado é um efeito drástico sobre a brânquia do animal, com uma série de danos. A brânquia faz trocas gasosas (respiração), mas é também responsável por excreção da amônia, pelo equilíbrio osmótico e iônico e pelo controle térmico dos animais. Na hora que afetei a brânquia, eu comprometi todo esse funcionamento da fisiologia do peixe”, diz Ballester. “Isso quer dizer que se um dos parâmetros estiver alterado, prejudica demais porque a brânquia vai sobrecarregar ou trabalhar menos. Então o peixe come menos, cresce menos e assim por diante”, amplia Lucíola.
Ballester refoça a importância do uso correto de aeradores: "Para o produtor evitar os principais problemas, mesmo em cultivo sendo intensivo, um dos principais fatores é o dimensionamento e uso correto dos aeradores. Só assim você vai atingir a produtividade e evitar problemas de qualidade de água e de efluentes”, aponta o pesquisador.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
