Suínos
Aditivos minerais melhoram saúde intestinal da produção
Eles são uma das alternativas para eliminar os antibióticos, ou promotores de crescimento, na produção de suínos no país
Os casos de doenças como encefalopatia espongiforme bovina (BSE), febre aftosa, presença de E. coli O157:H7 e contaminação de carnes por dioxina reforçam a importância dos cuidados com a saúde animal e com a segurança alimentar na produção. Para evitar esses problemas, produtores têm investido em soluções naturais para garantir o desenvolvimento saudável dos animais e melhorar a produtividade. Uma das alternativas é a substituição dos antibióticos hoje incorporados à alimentação de suínos e aves por aditivos minerais, que melhoram a saúde intestinal, a imunidade, a absorção de nutrientes e a eficiência do crescimento do plantel. E a tendência é de que essa substituição ocorra cada vez mais, já que alguns mercados, como o Europeu, não consomem carnes produzidas com os promotores de crescimento a base de antibióticos. Entre os entraves para que o produtor encare o método alternativo está o custo mais elevado.
O gerente de negócios da América Latina para a Alltech do Brasil, Fabio Catunda, explica que os aditivos naturais se mostram como alternativa que ganha espaço no país entre produtores de aves e suínos por suas vantagens frente aos antibióticos. “Existe uma procura por alternativas a promotores de crescimento tradicionais, como os antibióticos. Uma das que vem ganhando mercado é o uso de aditivos minerais, que garantem a saúde do ambiente intestinal, que é o conceito básico quando se pensa em nutrição usando alternativas. O objetivo é oferecer equilíbrio para que o intestino comece a produzir bactérias boas”, revela Catunda. Ele explica que o intestino desequilibrado tem pior performance na absorção de nutrientes, ao passo que um sistema equilibrado garante essa máxima absorção dos nutrientes, refletindo diretamente na eficiência de crescimento.
De acordo com Fabio Catunda, alguns minerais traço podem substituir os promotores de crescimento a base de antibióticos com algumas vantagens. “Alguns deste micro minerais estão relacionados com a imunidade do animal, como por exemplo o Zinco e o Selênio. Outros promovem o crescimento através da diminuição de bactérias ruins, como por exemplo o Cobre”, comenta o gerente de negócios da Alltech.
O uso do Cobre como promotor de crescimento na forma de mineral orgânico tem ainda a vantagem de ser menos poluente. “No Brasil temos substituído grande parte do uso de Sulfato de Cobre por Cobre orgânico, usando metade da dose usada como promotor de crescimento. Já na Europa, qualquer dieta que polua é questionada. Por isso usamos o Cobre orgânico, ou Cobre protegido, para evitar maiores quantidades dessa substância nas fezes e reduzir a poluição ambiental. O animal excreta menos e polui menos”, frisa.
De acordo com Catunda, são várias as teorias que procuram mostrar o modo de ação do Cobre como agente promotor do crescimento. “A ação antimicrobiana ou modificadora da flora microbiana do trato gastrintestinal é descrita e discutida em inúmeros trabalhos científicos. Além disso, alguns trabalhos têm sugerido que o Cobre pode ter uma ação metabólica ou sistêmica na promoção do crescimento de leitões recém-desmamados”, conta.
O que usar?
Ao retirar os promotores de crescimento, o produtor pode substitui-los por aditivos minerais. “Se tirar (o antibiótico) e não cuidar da saúde intestinal, podem ocorrer problemas”, frisa Catunda. Entre as alternativas, de acordo com ele, que estão sendo bastante utilizadas, estão os prebióticos e os probióticos. “Temos os probióticos, que são vivos, como os lactobacilos. É uma bactéria boa que povoa o intestino, gerando a saúde intestinal. Já os pré-bióticos não são vivos, mas estimulam o aparecimento de bactérias boas, estimulam o parecimento da boa flora, como as linhas de ácidos e leveduras”, destaca.
Entre os dois, cita o gerente, há a vantagem do prebiótico por não ser vivo e, portando, não estar refém de possíveis antibióticos que por ventura tenham que ser inseridos na alimentação. “A vantagem do pré é porque não são vivos. Se precisar inserir um antibiótico na dieta do animal, esse medicamento não vai matar o prebiótico”, diz.
As alternativas para antibióticos na ração animal para promover o crescimento – e não como uso medicamentoso – incluem acidificação, enzimas, oligossacarídeos, ervas, minerais, rações líquidas fermentadas e vitaminas.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2015 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

