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Aditivos alternativos podem evitar perdas de desempenho na retirada de promotores antimicrobianos

Como estratégia na retirada de APCs, além da implementação do uso de aditivos alternativos, são necessárias a adoção de boas práticas de manejo, melhoria da higiene nas granjas, vacinação e biosseguridade rigorosa.

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Foto: Arquivo/OP Rural

O uso de antibióticos em níveis subterapêuticos na alimentação dos animais de produção promove o desempenho e melhora a eficiência alimentar. No entanto, o uso de antibióticos promotores de crescimento (APCs) tem sido controverso com o passar dos anos devido ao desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos em animais e humanos. Desta forma, a Organização Mundial da Saúde sugeriu que o uso dos APCs, que também são usados na medicina humana, seja banido pela legislação, até que as avaliações de risco sejam realizadas, seguindo o “princípio da precaução”. A proibição total dos APCs na alimentação animal pela UE em 2006, para produção e importação, desencadeou a tomada de decisão para diversos países, levando a necessidade de implantação de formas alternativas, garantindo que anos de resultados em desempenho não fossem perdidos. O movimento em direção ao uso restrito de APCs em animais de produção parece ser um começo inevitável para uma futura proibição global.

No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) vem aumentando a lista de moléculas proibidas para uso como melhoradores de desempenho, permitindo apenas o seu uso terapêutico, com a necessidade da prescrição de médico veterinário para determinadas moléculas. Com as recentes restrições, ocorreu a diminuição das opções de moléculas disponíveis para uso como melhorador de desempenho para determinadas espécies ou fases produtivas. Para matrizes de frangos de corte na fase de produção, por exemplo, os melhoradores atualmente permitidos e registrados no Brasil são apenas a virginiamicina e a enramicina.

A indústria avícola enfrenta hoje um grande desafio para manter o desempenho produtivo das aves, devido ao aumento dos custos com alimentação e à necessidade de suplementos alternativos para substituir os antibióticos utilizados nas rações. Segundo a metanálise realizada em 2019, a retirada dos APCs poderia impactar economicamente US$ 0,03 por animal produzido. Atualmente, alternativas possíveis aos APCs estão disponíveis no mercado, podendo ser implantadas na produção para melhorar o desempenho dos animais.

Algumas estratégias empregadas são o uso de modificadores da microflora entérica, incluindo acidificantes, probióticos, enzimas, produtos fitoterápicos, intensificadores da microflora e imunomoduladores. No entanto, a busca por uma única intervenção para substituir os antibióticos tem se mostrado menos eficiente do que uma abordagem multifatorial. O principal modo de ação desses aditivos pode ser dividido em quatro estratégias básicas:

  1.  Redução direta de patógenos
  2. Estimulação ou introdução de bactérias benéficas
  3. Melhoria da utilização de nutrientes pelo hospedeiro
  4. Estimulação ou modulação do sistema imunológico da ave

A eficácia desses produtos depende da compreensão de seu modo de ação e de sua influência no animal. Uma combinação de alimentação estratégica e tipos de aditivos alimentares pode ajudar a alcançar uma boa saúde intestinal, ecossistemas entéricos estáveis e desempenho de produção sustentável das aves, diminuindo a necessidade ao uso de APCs.

Alguns aditivos alternativos possuem tecnologias que melhoram sua estabilidade e ação no trato digestivo do animal, aumentando a chance de sucesso ao uso. Os ácidos orgânicos são parcialmente dissociados na parte superior do trato digestivo, porém a sua ação é de 20 a 100 vezes maior quando está na sua forma não dissociada, ou seja, é necessária uma forma de “proteção” para que sua dissociação aconteça no local desejado dentro do animal. Já os óleos essenciais são rapidamente absorvidos no duodeno, o que impossibilita que atue na microbiota na parte distal do intestino. Portanto, esses componentes devem ser protegidos ou conter alguma tecnologia capaz de fazê-los atuar no local correto do trato digestivo.

Os produtos classificados como aditivos zootécnicos devem apresentar testes de eficácia in vivo para seu registro junto ao Mapa. Portanto, para homologar as alternativas disponíveis, avalie os testes de eficácia apresentados pelos fornecedores. Além de proporcionar uma melhora na performance ou saúde dos animais, a estratégia alternativa deve produzir retorno econômico comparável para uso comercial.

Como estratégia na retirada de APCs, além da implementação do uso de aditivos alternativos, são necessárias a adoção de boas práticas de manejo, melhoria da higiene nas granjas, vacinação e biosseguridade rigorosa.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Fonte: Por Eveline Berwanger Zootecnista, doutora em Produção e Nutrição Animal com foco em avicultura

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Conbrasfran 2026 discute novos desafios da avicultura além da produção nas granjas

Evento aborda impacto de custos, comércio global e ambiente regulatório na competitividade da cadeia.

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Foto: Divulgação

Pressionada por custos de produção, volatilidade no comércio internacional e riscos sanitários, a avicultura brasileira começa a ampliar o foco de seus debates técnicos para além da produção dentro das granjas. Questões como ambiente regulatório, eficiência logística, geopolítica e estratégias comerciais passam a ganhar espaço nas discussões do setor, refletindo uma mudança no perfil dos desafios enfrentados pela cadeia.

Esse movimento será um dos eixos centrais da Conbrasfran 2026, a Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango, que estruturou sua programação técnica em diferentes frentes para acompanhar a complexidade crescente da atividade. Ao longo de três dias, a agenda setorial reunirá fóruns já consolidados e novos espaços de debate.

Para o presidente Executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador do encontro, José Eduardo dos Santos, a programação responde a um novo contexto econômico global e operacional do setor. “A avicultura continua sendo altamente eficiente do ponto de vista produtivo, mas hoje o resultado está cada vez mais condicionado a fatores externos, como custos logísticos, geopolítica, ambiente tributário e acesso a mercados. Discutir esses temas de forma integrada é essencial para manter a competitividade”, afirma.

Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran, realizada pela Asgav, podem ser encontradas na página do evento, acesse clicando aqui, através do Instagram @conbrasfran, do What’sApp (51) 9 8600.9684 ou do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.

Fonte: Assessoria Conbrasfran
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Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026

Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.

No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.

No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.

A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.

O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária

Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

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Foto: Indea MT

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.

A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.

Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.

“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.

Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.

Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: Assessoria Seapi
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