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Adapar apresenta ações do PNCEBT em debate sobre sanidade e desafios para cadeia leiteira no Paraná

Evento abriu espaço para debater o futuro do setor, destacando investimentos, sanidade e iniciativas para fortalecer a cadeia produtiva.

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Fotos: Divulgação/Sistema Faep

Estratégias e desafios para o fortalecimento da cadeia do leite no Paraná foram temas debatidos por lideranças do setor produtivo e da indústria em encontro promovido pelo Sistema Faep na última segunda-feira (24). Rafael Gonçalves Dias, chefe do departamento de Saúde Animal (DESA) da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), detalhou no encontro o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). O evento “Perspectivas do Setor Lácteo 2025 a 2030” trouxe a apresentação dos principais projetos da entidade na área, além de palestras sobre sanidade na pecuária e iniciativas voltadas ao diagnóstico da cadeia produtiva.

Vigente no Brasil desde 2002, o programa é regulamentado de forma independente em cada Estado. No Paraná, todos os produtores e fornecedores de leite para laticínios são obrigados a realizar exames anuais de brucelose e tuberculose.

“A produção de leite oscila bastante por causa das crises, o que afeta a questão sanitária no campo. No entanto, vemos a preocupação dos produtores em manter a sanidade dos rebanhos. Apesar dos avanços do programa ao longo dos anos, a prevalência dessas doenças ainda não reduziu significativamente. Quanto menor a prevalência, mais desafiador se torna o trabalho, porque começa o processo de erradicação”, ressaltou. “O programa é uma engrenagem que envolve produtores, Adapar, Ministério da Agricultura, médicos veterinários e indústrias”, complementou o chefe da Saúde Animal da Adapar.

O PNCEBT adota medidas compulsórias, como a vacinação de bezerras e o controle de trânsito, além de ações voluntárias, como a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose. De acordo o departamento de Saúde Animal, anualmente o Paraná registra cerca de mil casos positivos de tuberculose em bovinos e aproximadamente 200 de brucelose. Enquanto os focos de tuberculose permanecem estáveis desde 2014, os de brucelose tiveram uma redução significativa desde 2020, impulsionada pela restrição na entrada de bovinos, uma medida estratégica para a obtenção do status de área livre de febre aftosa sem vacinação.

Entre os desafios para o avanço do programa, Dias apontou falhas na execução dos testes diagnósticos e a oscilação na oferta de insumos e vacinas. “Precisamos evoluir na abordagem dessas doenças para alcançar a erradicação. Uma das principais mudanças que queremos implementar é o teste Elisa, permitindo reduzir a frequência de exames a campo e realizar a testagem diretamente no tanque de leite”, concluiu Dias.

Ações estaduais

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Natalino Avance de Souza, ressaltou que a força do Paraná no agronegócio vem da sua capacidade histórica de organização e cooperação. “Ou a gente se arranja, ou vamos perdendo competitividade”, alertou.

O presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressaltou a importância da iniciativa como uma oportunidade de unir a força do setor leiteiro paranaense, alinhando estratégias e impulsionando ações para fortalecer toda a cadeia produtiva.

“Trabalhamos ativamente na articulação de políticas públicas, na defesa dos interesses do setor e no fortalecimento da cadeia, sempre buscando um ambiente favorável para o desenvolvimento da pecuária leiteira. No campo da sanidade, temos parcerias fortes com autoridades estaduais e federais para garantir a saúde dos rebanhos e a segurança dos nossos produtos lácteos. Juntos, vamos levar a pecuária leiteira do Paraná a novos patamares de qualidade, inovação e sustentabilidade”, afirmou. O Sistema Faep possui várias iniciativas em prol da cadeia produtiva do leite.

O coordenador estadual de Bovinocultura de Leite do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Rafael Piovezan, apresentou o diagnóstico da cadeia produtiva do leite, elaborado a partir da demanda da Aliança Láctea. O levantamento foi conduzido por mais de 80 profissionais a campo, com entrevistas e questionários aplicados em 1.517 propriedades leiteiras. A base de dados será atualizada a cada dois anos, garantindo um acompanhamento contínuo do setor.

Foram também apresentados os programas do IDR-Paraná voltados ao apoio aos produtores de leite, como o projeto Ordenha Limpa, Controle Leiteiro e Manutenção de Pastagens. Alves ressaltou a parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) no controle de brucelose e tuberculose em municípios com baixos índices de vacinação, por meio de campanhas, incentivo à certificação e ações de educação sanitária.

Lideranças do setor

Outras lideranças também contribuíram à discussão acerca dos desafios para o desenvolvimento da cadeia leiteira paranaense. O presidente do Sindileite-PR, Éder Desconsi, destacou os investimentos em curso na indústria para ampliar o processamento de leite no Paraná, com foco nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. “Deixamos de lado apenas intenções e estamos concretizando grandes investimentos, agregando valor à produção com uma diversificação de produtos, além do soro e das proteínas”, disse. O ex-governador do Paraná, Orlando Pessuti, enfatizou a importância da união do setor para fortalecer a verticalização da produção leiteira. “Daqui para frente, temos que fazer mais e melhor. Para chegar a novos patamares, vamos ter que investir mais em assistência técnica, pesquisa e qualificação dos produtores. Dessa forma, vamos poder construir um caminho ainda mais virtuoso para a pecuária de leite no Estado do Paraná”, pontuou.

Por fim, Airton Spies, coordenador da Aliança Láctea, apresentou o Plano de Desenvolvimento da Competitividade Global do Leite Sul-Brasileiro (PDCGL). O documento configura um diagnóstico detalhado das fragilidades do setor, com diretrizes e ações estratégicas para fortalecer a cadeia produtiva nos próximos anos. O projeto foi desenvolvido de forma colaborativa por lideranças do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Fonte: Assessoria Adapar

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários

Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

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Grãos e rações devem ficar sobre paletes com distanciamento da parede para evitar surgimento de roedores – Foto: Divulgação/Connan

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.

As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.

Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.

No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.

Princípios fundamentais

Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.

No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.

Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.

Fonte: Assessoria Connan
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores

Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.

Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.

Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.

Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.

No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.

Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.

Fonte: O Presente Rural com informações Amcham
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado

Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

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Foto: Shutterstock

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.

No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.

Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.

Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.

Complexo soja

O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.

Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.

Milho e trigo

No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.

Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.

Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.

Fonte: O Presente Rural
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