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Açúcar natural diminui efeitos da seca na cultura do milho

O açúcar trealose é uma opção muito demandada pela indústria por ser natural e não apresentar toxicidade

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Sandra Brito

Pesquisa realizada em parceria entre a Universidade Federal de Alfenas (Unifal, MG) e a Embrapa Milho e Sorgo (MG) testou o potencial de dois novos grupos químicos do açúcar natural trealose – tosila e azido – para mitigar os efeitos da seca no milho. Experimentos com uma variedade híbrida sensível à seca em casa de vegetação mostraram maior crescimento das plantas tratadas com esses derivados. Isso comprova o efeito bioestimulante da substância e abre caminho para novos estudos em prol da redução do estresse hídrico no cultivo desse cereal no Brasil. Por ser natural, o açúcar trealose vem sendo apontado como alternativa para diabéticos e em dietas alimentares com redução de glicose.

Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo “A mixture of trehalose derivatives mitigates the adverse effects of water deficits in maize: an analysis of photosynthetic efficiency” (Uma mistura de derivados de trealose mitiga os efeitos adversos do déficit hídrico no milho: uma análise da eficiência fotossintética) e no periódico Photosynthetica – Jornal Internacional de Pesquisa em Fotossíntese.

Segundo os pesquisadores Paulo César Magalhães, da Embrapa Milho e Sorgo, e Thiago Corrêa de Souza, da Universidade Federal de Alfenas, o híbrido de milho com sensibilidade à seca foi utilizado para avaliar melhor o efeito do tratamento com a mistura dos derivados de trealose. “O principal resultado foi o aumento da taxa fotossintética (intensidade de fotossíntese) em plantas submetidas às substâncias. Esse incremento se deu pela maior densidade de estômatos (estruturas microscópicas que se encontram na epiderme das folhas), que são estruturas responsáveis pela realização de trocas gasosas foliares”, explicam os estudiosos.

Magalhães destaca que, apesar de ter sido um estudo básico, abre perspectivas para que novos bioestimulantes possam ser usados no futuro, na mitigação do estresse hídrico em plantas de milho.

A Embrapa tem um histórico grande e muito produtivo de pesquisas realizadas em conjunto com o professor Thiago Souza. “O Instituto de Química (IQ), representado pela professora Danielle F. Dias, e o Instituto de Ciências da Natureza (ICN) da Universidade têm uma infraestrutura muito boa, com colegas treinados e com ótima expertise no assunto abordado”, acrescenta Magalhães. O artigo publicado no Photosynthetica foi gerado a partir da dissertação de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCA-UNIFAL) da aluna Alexandra dos Santos Ambrósio, intitulada Aplicação de derivados de trealose em folhas de milho sob déficit hídrico: avaliação anatômica e fotossintética.

Uso de tecnologia garante a posição do Brasil no mercado internacional

O professor da Universidade Federal de Alfenas ressalta que o Brasil é um dos grandes produtores globais de milho. De acordo com o estudo da Embrapa O agro no Brasil e no Mundo: uma síntese do período de 2000 a 2020, o País ocupa a terceira posição na produção de milho, com 100 milhões de toneladas (8,2% do total), superado apenas pelos Estados Unidos e pela China. Nas últimas décadas, a posição relativa do Brasil não se alterou quando se considera a produção do grão, mas cresceu em termos de exportações.

Em 2020, os produtores brasileiros de milho exportaram 38 milhões de toneladas, ou seja, 19,8% das exportações totais do produto, sendo o segundo maior exportador do grão, atrás apenas dos Estados Unidos. Só no ano passado as exportações nacionais de milho somaram US$ 6 bilhões.

“É necessário que haja a busca por novas tecnologias para lidar com os diferentes estresses que possam prejudicar a produção agrícola e, assim, não comprometer a economia brasileira. O açúcar trealose tem sido utilizado na indução à tolerância ao déficit hídrico, sendo capaz de gerar modificações anatômicas, morfológicas e fisiológicas para a planta conseguir sobreviver e manter sua produtividade alta frente a condições de seca”, explica Thiago.

O que é o açúcar trealose e qual o seu papel na mitigação da seca em milho?

O açúcar trealose é classificado como dissacarídeo porque a sua estrutura constitui-se de duas glicoses. Trata-se de um produto muito apreciado pelas indústrias por ser amplamente encontrado na natureza (em cogumelos, camarões, insetos, bactérias e plantas), além de não apresentar toxicidade.

“Em plantas, o trealose é produzido nas células, em pequena quantidade, com a função de proteção contra o dessecamento e o estresse por déficit hídrico. Vários artigos científicos vêm mostrando que uma pulverização foliar de trealose, ou seja, uma aplicação exógena desse produto, pode induzir a tolerância ao déficit hídrico, aumentando parâmetros fisiológicos, biomassa e, consequentemente, a produção de grãos”, explica Souza.

Paulo César Magalhães acrescenta que a busca por soluções para aliviar o déficit hídrico é uma das prioridades da pesquisa agropecuária brasileira, visto que ele leva à diminuição da produtividade em diversas culturas. “No caso do milho, a preocupação é ainda maior na segunda safra, quando o estresse causado pela falta de água é iminente”, enfatiza.

O conhecimento da química orgânica permite realizar modificações na estrutura do trealose e produzir derivados dessa substância, como foi o caso da pesquisa desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Universidade Federal de Alfenas. “Como o trealose é uma substância natural e, a partir dela, chegamos aos derivados, esses compostos podem ser chamados de semissintéticos”, diz Souza.

Segundo ele, além dos resultados para a área agrícola, há também estudos sobre substâncias semissintéticas derivadas de trealose voltadas à saúde humana, como agentes anti-inflamatórios, por exemplo. “Apesar dos avanços, ainda dependemos de mais contribuição científica sobre esse assunto, especialmente no que se refere à pulverização de novos derivados na agricultura para potencializar o efeito mitigador do trealose em plantas”, pontua.

Pesquisa comprova aumento da taxa fotossintética

O trealose já possui efeito comprovado de mitigação de estresse por déficit hídrico. A novidade do estudo desenvolvido pela Embrapa e pela Universidade Federal de Alfenas foi incorporar dois novos grupos químicos (tosila e azido) para medir a eficiência fotossintética em milho sob déficit hídrico, considerando as trocas gasosas foliares, a fluorescência da clorofila e a anatomia foliar.

A mistura utilizada no experimento foi aplicada com pulverizador manual em dois momentos: 12 horas antes da imposição do estresse por déficit hídrico e cinco dias após a imposição do estresse. As plantas contendo de cinco a seis folhas totalmente expandidas foram submetidas ao estresse hídrico por 12 dias, seguido de reidratação. “De forma resumida, foram mensurados parâmetros de fluorescência da clorofila e de trocas gasosas foliares, além de medições anatômicas das plantas de milho”, explica o professor da Universidade Federal de Alfenas.

“A mistura de derivados de trealose aumentou as taxas fotossintética e de transporte de elétrons, além de reduzir os danos no aparato fotossintético. Levou ainda a modificações anatômicas na folha que podem favorecer a taxa fotossintética, como o aumento na densidade de estômatos, que são anexos da epiderme foliar responsáveis pelas trocas gasosas. Todos esses efeitos são primordiais para uma maior tolerância ao déficit hídrico em milho”, acrescenta Souza.

O estudo mostrou que a adição dos dois novos grupos químicos potencializa o trealose em seu papel mitigador de estresse hídrico. A mistura de derivados deflagrou respostas da planta a favor da manutenção da atividade fotossintética, mesmo que haja perda de água.

“Esses resultados contribuem para futuras pesquisas de prospecção de produtos para amenizar estresses climáticos, conhecidos como bioestimulantes, para expandir e explorar melhor a atividade agrícola, diminuindo os riscos climáticos”, concluem os pesquisadores.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo

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Comércio exterior e logística no setor agropecuário: desafios e oportunidades para o transporte e escoamento

Exportações de soja em outubro, caíram 22,9% em relação ao mês anterior, um reflexo de flutuações no mercado, mas o acumulado de 2024 manteve-se robusto, com 94,2 milhões de toneladas exportadas de janeiro a outubro.

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Fotos: Claudio Neves

O mercado de fretes e a logística de escoamento se destacam como elementos essenciais no atual cenário da agricultura brasileira, especialmente diante do crescimento expressivo da produção de grãos previsto para a safra 2024/25. A estimativa de 322,53 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 8,2% em relação à safra anterior, traz desafios adicionais para a infraestrutura de transporte e os processos logísticos do país. A análise consta na nova edição do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta sexta-feira (22).

A melhoria nas condições climáticas tem favorecido o avanço das semeaduras, com destaque para as culturas de soja e milho, mas, para que a produção chegue ao mercado internacional, é crucial um sistema de escoamento eficiente. Nesse sentido, os portos brasileiros desempenham papel fundamental, especialmente os do Arco Norte, que têm se consolidado como uma via vital para exportação. Em outubro de 2024, os portos do Arco Norte responderam por 35,1% das exportações de grãos, superando a participação de 33,9% registrada no mesmo período de 2023.

Com o aumento da produção de soja e milho, as expectativas de escoamento nos próximos meses apontam para um cenário desafiador, com necessidade de otimizar os fretes para atender ao crescimento das exportações. Em outubro, as exportações de soja caíram 22,9% em relação ao mês anterior, um reflexo de flutuações no mercado, mas o acumulado de 2024 manteve-se robusto, com 94,2 milhões de toneladas exportadas de janeiro a outubro. Já as exportações de milho, que enfrentam uma redução de 34,1% nas estimativas para a safra 2023/24, exigem adaptação no transporte, uma vez que a oferta menor pode reduzir a demanda por fretes no curto prazo, mas com aumento da competição por capacidade logística.

A movimentação de fertilizantes, por sua vez, também demanda atenção na logística. Em outubro de 2024, os portos brasileiros importaram 4,9 milhões de toneladas de fertilizantes, o que representa um incremento de 5,9% em relação ao mês anterior. Este crescimento contínuo na importação exige um cuidado especial no transporte desses insumos, visto que o Brasil é um dos maiores compradores internacionais e uma base importante de consumo de fertilizantes.

Por outro lado, o transporte de cargas no Brasil segue enfrentando desafios estruturais. De acordo com o Boletim da Conab, a ampliação das capacidades de escoamento nos portos, especialmente no Arco Norte, é uma estratégia chave para lidar com o aumento do volume de exportações e garantir que os fretes se mantenham competitivos.

Em suma, a logística no setor agropecuário brasileiro se apresenta como um elo crucial para garantir o sucesso das exportações de grãos. A integração entre os diferentes modais de transporte, o aprimoramento da infraestrutura portuária e a adaptação às demandas de escoamento serão decisivos para que o Brasil continue sendo um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo.

Fretes

Em outubro de 2024, os preços do frete apresentaram variações significativas entre os estados brasileiros. Os preços subiram em estados como Bahia, Goiás e Minas Gerais e Distrito Federal, principalmente devido ao aumento na demanda, impulsionado pela exportação de grãos e a importação de fertilizantes. Em Goiás, a melhora nos preços do milho também gerou aumento na demanda por fretes. Já em estados como Paraná, Piauí e São Paulo, os preços ficaram mais baratos, com o Paraná registrando uma redução de 16,67% na região de Cascavel, refletindo a baixa demanda por grãos. No Piauí, a diminuição nas exportações de soja resultou em uma queda de 4,10% no mercado de fretes. Por outro lado, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentaram estabilidade nos preços, com pouca variação nas cotações, devido a um equilíbrio entre a demanda e a oferta de fretes.

O Boletim Logístico da Conab é um periódico mensal que coleta dados em dez estados produtores, com análises dos aspectos logísticos do setor agropecuário, posição das exportações dos produtos agrícolas de expressão no Brasil, análise do fluxo de movimentação de cargas e levantamento das principais rotas utilizadas para escoamento da safra. Confira a edição completa do Boletim Logístico – Novembro/2024, disponível no site da Companhia.

Fonte: Assessoria Conab
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Clima favorável impulsiona cultivos da primeira safra, aponta boletim de monitoramento

Precipitações regulares e bem distribuídas criaram um ambiente propício para a semeadura e o desenvolvimento dos cultivos.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

As condições climáticas favoráveis nas primeiras semanas de novembro impactaram positivamente o cenário agrícola brasileiro. Na região Central do país, precipitações regulares e bem distribuídas criaram um ambiente propício para a semeadura e o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra.

O Norte-Nordeste experimentou uma expansão das áreas beneficiadas por chuvas, incluindo regiões do Matopiba que anteriormente enfrentavam déficit hídrico. Esse cenário impulsionou o processo de semeadura na maior parte dessa região.

Foto: Gilson Abreu

Em contraste, o Sul do país registrou uma redução nas precipitações, o que facilitou o avanço da colheita do trigo e a semeadura dos cultivos de primeira safra. De modo geral, as condições agroclimáticas se mostraram favoráveis, proporcionando umidade adequada para o desenvolvimento das lavouras.

No Rio Grande do Sul, a semeadura do arroz progrediu significativamente, com a maior parte concluída dentro do período considerado ideal. A maioria das lavouras encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo, beneficiando-se das condições climáticas que favoreceram a germinação e o estabelecimento das plantas. Em Santa Catarina, temperaturas médias e incidência solar adequadas contribuíram para o bom desenvolvimento das culturas.

Estas informações estão presentes no Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), publicado mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam).

A versão completa do Boletim está disponível para consulta no site oficial da Conab, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Conab
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Show Rural investe em obras para melhorar experiência de visitantes

Com o objetivo de garantir mais conforto e eficiência à experiência de visitantes e expositores, várias obras físicas acontecem no parque e serão entregues já para a 37ª edição.

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Fotos: Divulgação/Coopavel

Avançam os preparativos para a 37ª edição do Show Rural Coopavel, evento que reafirma o Oeste do Paraná como um dos principais polos do agronegócio mundial. De 10 a 14 de fevereiro de 2025, visitantes do Brasil e do exterior terão acesso a um espaço renovado, com melhorias que reforçam o compromisso da Coopavel com a inovação, a sustentabilidade e a excelência em infraestrutura. “Melhorar continuamente é uma das regras que fazem o sucesso do Show Rural, referência em inovações e tendências para o agronegócio”, destaca o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

Com o objetivo de garantir mais conforto e eficiência à experiência de visitantes e expositores, várias obras físicas acontecem no parque e serão entregues já para a 37ª edição. O restaurante do parque está em ampliação em 500 metros quadrados, permitindo o atendimento de mais mil pessoas por refeição. A área de entrega de bebidas é reformulada para otimizar o fluxo, enquanto novos buffets, mesas e utensílios foram adquiridos para manter o alto padrão de qualidade em uma estrutura com capacidade para servir mais de 40 mil refeições diariamente.

A mobilidade no parque também recebe melhorias. São mais de seis mil metros quadrados de ruas asfaltadas. Uma das novidades mais aguardadas é a cobertura da Rua 10, que conecta o Portal 4 ao Pavilhão da Agricultura Familiar. Com 400 metros lineares, essa obra, viabilizada em parceria com a Barigui/Volkswagen, eleva para mais de 6,2 mil metros quadrados a área coberta do parque, garantindo conforto aos visitantes em qualquer condição climática, observa o coordenador geral Rogério Rizzardi.

Para ônibus

Para receber caravanas de todo o Brasil e de outros países será criado um estacionamento exclusivo para ônibus com capacidade para 400 veículos. Estrategicamente localizada, a nova estrutura promete praticidade e organização para os grupos que participam da maior mostra de tecnologia para o campo da América Latina.

Outro destaque é o barracão de 1,2 mil metros quadrados dedicado à gestão de resíduos. Essa estrutura permitirá separação e correta destinação de materiais antes, durante e depois do evento, reforçando o compromisso da cooperativa e do evento técnico com práticas ambientalmente responsáveis.

Evolução

Com essas inovações e investimentos, o Show Rural Coopavel segue como referência global, combinando hospitalidade, tecnologia e respeito ao meio ambiente, reforça o presidente Dilvo Grolli. O tema da 37ª edição será Nossa natureza fala mais alto.

Fonte: Assessoria Coopavel
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