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Acsurs manifesta-se em nota conjunta contra a reforma tributária no RS
Para entidades, aumentar a carga tributária é encarecer os alimentos ao consumidor e reduzir empregos, além de gerar mais custos para o produtor, agroindústrias e cooperativas

Um manifesto sobre a reforma tributária no Estado do Rio Grande do Sul foi publicado na sexta-feira (18). O documento é assinado pela Associação de Criadores de Suínos do RS (ACSURS), Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do RS (Sips), Federação da Cooperativas Agropecuárias (FecoAgro/RS) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS).
O presidente da Acsurs, Valdecir Luis Folador, explica que as entidades não concordam com o plano de reforma tributária apresentado, pois desta forma vai penalizar o setor produtivo do RS, do produtor à indústria. “A Acsurs posiciona-se contrariamente à proposta apresentada por não atender às demandas feitas pelas entidades junto ao Governo do RS. Essas entidades não mediram esforços e dialogaram, até agora, com o Governo, com a Secretaria da Fazenda, para que pleitos fossem atendidos”, ressalta o dirigente. Segundo ele, a reforma tributária impactará negativamente no setor produtivo como um todo, chegando ao produtor rural.
Segundo as entidades, o texto visa atacar um problema de forma paliativa sem uma proposta que a longo prazo traga uma solução efetiva e que beneficie a todos. “Se aprovada sem que as especificidades dos setores sejam analisadas, poderá gerar prejuízos exorbitantes, inviabilizando, inclusive, o desenvolvimento da economia local, em especial a competitividade com os demais estados do Sul. Reformas são necessárias, porém, existem outras atitudes que devem ser tomadas antes”, destaca a nota.
A nota diz ainda que o contribuinte, do campo e da cidade, não consegue mais arcar com a já pesada carga tributária imposta pelos governos, federal, estadual e municipal. “No que tange ao agricultor familiar, é preciso salientar as várias adversidades enfrentadas ao longo dos últimos anos, principalmente em 2020, ano que já começou com uma forte estiagem que assolou lavouras em todo o estado causando prejuízos em diversas culturas. Como se não bastasse, a pandemia afetou diretamente e seriamente a rendas das famílias do campo”, afirma.
Para as entidades que assinam a nota, aumentar a carga tributária é encarecer os alimentos ao consumidor e reduzir empregos, além de gerar mais custos para o produtor, agroindústrias e cooperativas.
Leia a nota na íntegra
A Associação Gaúcha de Avicultura – ASGAV, o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do RS – SIPARGS, o Sindicato das Indústrias de Produtos de Suínos do RS – SIPS, o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do RS – SICADERGS, a Associação dos Criadores de Suínos do Estado do RS – ACSURS, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do RS- FECOAGRO e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul – FETAG- RS vem à público manifestar sua extrema preocupação com a proposta de reforma tributária apresentada pelo Governo do Rio Grande do Sul, que aumenta a tributação no estado e hoje tramita em regime de urgência no Legislativo gaúcho, sem que a sociedade civil e setores produtivos, direta e fortemente prejudicados tivessem melhores condições de discutir o assunto.
O texto visa atacar um problema de forma paliativa sem uma proposta que a longo prazo traga uma solução efetiva e que beneficie a todos. Se aprovada sem que as especificidades dos setores sejam analisadas, poderá gerar prejuízos exorbitantes, inviabilizando, inclusive, o desenvolvimento da economia local, em especial a competitividade com os demais estados do Sul.
Reformas são necessárias, porém, existem outras atitudes que devem ser tomadas antes.
Vale ressaltar que, se comparado com outros estados da região Sul, já é perceptível que o Rio Grande do Sul ocupa hoje um papel de menor expressão em relação à competitividade no cenário nacional. Assim, se o objetivo do estado é conseguir maior arrecadação, deve facilitar, simplificar e padronizar o sistema de benefícios fiscais, bem como incentivar o aumento das operações locais e a produção que tenha como destino outros estados do País. Até mesmo o IPVA será reajustado, cobrando de veículos com mais de vinte anos de fabricação e que hoje são isentos.
No que tange especificamente ao agronegócio, é importante destacar que se trata de uma peça fundamental na economia do estado, sendo, inclusive, o setor que mais emprega e investe há muitas décadas no local. Sem segurança jurídica e relação harmoniosa entre estado e setor privado, não há investimento.
O contribuinte, do campo e da cidade, não consegue mais arcar com a já pesada carga tributária imposta pelos governos, federal, estadual e municipal. No que tange ao agricultor familiar, é preciso salientar as várias adversidades enfrentadas ao longo dos últimos anos, principalmente em 2020, ano que já começou com uma forte estiagem que assolou lavouras em todo o estado causando prejuízos em diversas culturas. Como se não bastasse, a pandemia afetou diretamente e seriamente a rendas das famílias do campo.
Estes setores aqui representados, participam com 80% no valor bruto da pecuária gaúcha e também considerável participação na agricultura, geram milhares de atividades rurais e industriais, empregos diretos e indiretos, além, de produzirem alimentos que atendem as mais diversas classes sociais.
Aumentar a carga tributária é encarecer os alimentos ao consumidor e reduzir empregos, além de gerar mais custos para o produtor, agroindústrias e cooperativas.
As entidades são contrárias a aprovação da reforma tributária da forma que ela está sendo proposta.

Notícias
Frimesa supera R$ 7 bilhões em faturamento e registra resultado histórico em 2025
Crescimento de 7% na receita foi apresentado durante Assembleia Geral Ordinária, mesmo em cenário macroeconômico adverso.

Em Assembleia Geral Ordinária (AGO) realizada na última quarta-feira (25), a Frimesa Cooperativa Central apresentou aos seus delegados e conselheiros o balanço oficial de 2025. Mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso, a Central registrou um faturamento histórico de R$ 7,04 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior. O desempenho, impulsionado pela estratégia de agregação de valor e eficiência operacional, resultou em um incremento de R$ 460,3 milhões na receita bruta.
A Frimesa é composta por cinco cooperativas filiadas: Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Sua cadeia produtiva é sustentada por 1.485 produtores de leite e 1.062 suinocultores integrados. No campo social, a Central encerrou o ciclo com 12.986 colaboradores diretos, tendo gerado 482 novos postos de trabalho ao longo do ano.
Resiliência e Valor Agregado
A estratégia da Frimesa em 2025 focou na diversificação do mix e na otimização de custos. Com o processamento de 3,2 milhões de suínos e 258 milhões de litros de leite, a cooperativa manteve a estabilidade da cadeia produtiva que envolve suas filiadas.
“2025 foi positivo para a Frimesa. As metas foram alcançadas e ultrapassamos a casa dos sete bilhões com muito trabalho, disciplina e cooperação”, destaca o Diretor-Presidente Executivo, Elias José Zydek. “Agimos coletivamente para manter a estabilidade da cadeia produtiva e fortalecer todos os seus elos. A Frimesa funciona como o motor que transforma a produção do campo em valor compartilhado”.
Destaques Operacionais e de Mercado
Exportações: O mercado externo foi decisivo, com avanço de 19,4% nas vendas internacionais. A Frimesa detém hoje 8% de participação nas exportações brasileiras de carne suína e domina 52% do share no Paraná.
Eficiência em Lácteos: Apesar da pressão de preços no setor, a produtividade cresceu 2% com uma redução de 7,6% no custo por quilo.
Presença no Varejo: A central encerrou o ano com um mix otimizado de 567 produtos ativos e uma carteira robusta de 48.925 clientes em todo o país.
Produção Total: Foram mais de 500 mil toneladas de alimentos produzidos (somando carnes e lácteos).
O presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, acompanhou a Assembleia e enalteceu a resiliência da Frimesa diante dos desafios do setor. Para Ricken, os resultados reafirmam a sua relevância do estado: “O cooperativismo alcançou R$ 11 bilhões de resultado líquido em 2025, com a agroindústria respondendo por 85% desse valor. É a prova de que o sistema segue crescendo e demonstrando sua solidez”.
Novo Conselho Fiscal
Durante a AGO, foram eleitos os novos membros do Conselho Fiscal para o exercício de 2026. Sendo como efetivos: Elder Candido Gabriel (Copacol), Elias Garcia (Primato) e Olívio José Herrmann (Copagril) e suplentes: Simoni Tessaro Hiehues (Lar), Orival Betinelli (C.Vale) e Sergio Luiz Squizatto (Copacol).
Notícias
Tarifaço global amplia volatilidade no comércio marítimo e pressiona logística brasileira em 2026
Escalada de medidas protecionistas, oscilações nos fretes e redirecionamento de rotas elevam custos e reforçam o papel da análise de dados nas cadeias globais.

O comércio exterior inicia 2026 sob o impacto persistente de um novo ciclo de elevação tarifária em grandes economias, movimento que vem sendo classificado por analistas como um tarifaço global. A intensificação de políticas industriais defensivas, somada às tensões geopolíticas e à reorganização das cadeias produtivas, tem aumentado a complexidade operacional do transporte marítimo e pressionado custos ao longo da cadeia.

Especialista em Tecnologia para Logística Marítima, Marcos Silva: “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes. Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos” – Foto: Divulgação
Projeções recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam crescimento moderado do comércio de mercadorias após a desaceleração observada entre 2023 e 2024, enquanto o volume de medidas restritivas segue elevado em nível global. Relatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontam que incertezas regulatórias, custos logísticos e gargalos portuários permanecem entre os principais fatores de risco para a fluidez das trocas internacionais.
No Brasil, dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a corrente de comércio continua em patamar historicamente alto, mas com maior volatilidade de preços e prazos logísticos, especialmente em rotas mais sensíveis a mudanças tarifárias.
Para o especialista em Tecnologia para Logística Marítima, Marcos Silva, o impacto do tarifaço vai além do aumento direto de custos. “O tarifaço não afeta apenas a competitividade do produto, mas também altera fluxos comerciais, pressiona a previsibilidade das rotas e exige um nível muito maior de inteligência de dados para sustentar decisões operacionais”, ressalta.
Segundo Silva, a principal mudança em curso é estrutural, com o comércio marítimo passando a operar de forma mais sistemática sob um ambiente de incertezas. “O transporte marítimo entrou definitivamente na era da volatilidade. Sem visibilidade de fretes e capacidade e desempenho portuário, as empresas ficam expostas a ineficiências que antes eram diluídas pelo crescimento do comércio”, aponta.
Volatilidade nos fretes e nas rotas

Indicadores internacionais de frete, como o Shanghai Containerized Freight Index (SCFI) e o Drewry World Container Index, registraram oscilações relevantes ao longo de 2024 e 2025, refletindo ajustes de capacidade das grandes alianças marítimas e choques geopolíticos em rotas estratégicas.
Na avaliação de Silva, a elevação de tarifas tende a amplificar esse movimento ao provocar redirecionamento de cargas, mudança de origens produtivas e maior desequilíbrio na reposição global de contêineres. “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes. Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos”, explica.
Reconfiguração dos fluxos

A leitura dos dados consolidados de 2025 já evidencia, na prática, os efeitos dessa reconfiguração do comércio global. Segundo análises da Datamar, o Brasil encerrou o ano com crescimento moderado nas exportações conteinerizadas de 2% e com avanço um pouco mais robusto nas importações, chegando a 4,4%.
De acordo com Silva, o desempenho sugere estabilidade, mas a análise detalhada revela movimentos estruturais relevantes ao longo do ano. “As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,1% em 2025, refletindo diretamente mudanças tarifárias que impactaram os fluxos comerciais, sobretudo no segundo semestre. Em contrapartida, os embarques para outros mercados cresceram 4,1%, compensando parcialmente essa retração”, avalia.
Mesmo nesse contexto, o último trimestre do ano indicou uma inflexão positiva, com crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre de 2024, sinalizando ajustes de rota e recomposição gradual da demanda internacional.
A segmentação por produto reforça o cenário de assimetria: cadeias como carnes, tabaco e produtos vegetais apresentaram crescimento, enquanto café, açúcar e madeira registraram quedas relevantes. “O número consolidado importa, mas ele esconde histórias muito diferentes por produto, mercado e momento do ano. É nesse nível de detalhe que estão os sinais que orientam decisões futuras”, destaca Silva.
Segundo ele, esse tipo de leitura só é possível com bases históricas robustas e modelos analíticos capazes de capturar mudanças estruturais. “O tarifaço acelera a necessidade de inteligência aplicada. Plataforma de inteligência de comércio marítimo permitem enxergar não apenas o que aconteceu, mas antecipar tendências em um ambiente de incerteza crescente”, pontua.
Digitalização ganha urgência

Esse cenário tem acelerado investimentos em plataformas de inteligência logística, integração de dados portuários e análise preditiva. Estudos da McKinsey e da UNCTAD já vinham apontando a digitalização do transporte marítimo como um dos principais vetores de eficiência da década, tendência que ganha tração adicional com o ambiente mais protecionista.
Para Silva, empresas que tratarem dados como ativo estratégico terão vantagem competitiva clara. “O tarifaço funciona como um catalisador da transformação digital no setor de shipping. Quem conseguir antecipar movimentos de mercado com base em dados terá mais resiliência operacional e melhor gestão de custos”, enfatiza.
Notícias
Governo federal prepara decreto de salvaguardas para acordo Mercosul-UE
Texto será analisado pela Casa Civil e estabelece mecanismos para proteger produtores nacionais em caso de aumento das importações europeias.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou na quarta-feira (25) que o decreto sobre as salvaguardas do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será enviado para a Casa Civil, onde passará por análise jurídica antes da publicação. A salvaguardas são instrumentos de proteção a produtores nacionais. 


Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas, caso sejam sancionados por organismos europeus. Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul, cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.
O setor do agronegócio nacional quer que essas salvaguardas sejam assumidas também pelo governo brasileiro, em caso de aumento das importações de produtos europeus concorrentes. “Sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando a proposta, para passar pelos ministérios, o decreto de salvaguardas”, declarou o vice-presidente.
A fala foi feita após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto que ratifica o acordo entre o bloco europeu e o sul-americano, que vai criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com produção avaliada em US$ 22 trilhões e mercado consumidor de 720 milhões habitantes.
A Casa Civil poderá consultar outros ministérios, como a Fazenda, para depois enviar o decreto para assinatura do presidente da

Bandeira do Mercosul
República, antes que o Senado Federal aprove a ratificação do acordo. O texto da ratificação foi aprovado na quarta-feira pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Como funcionam as salvaguardas
Salvaguardas são mecanismos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas. Caso fique comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:
- Estabelecer cotas de importação;
- Suspender a redução tarifária prevista no acordo;
- Restabelecer o nível de imposto anterior à vigência do tratado.
O decreto deverá definir prazos, procedimentos de investigação e condições para aplicação das medidas.



