Notícias Suínos
ACSURS busca isenção do ICMS sobre vendas interestaduais de suínos em reunião com a Sefaz RS

A Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul – ACSURS, através de seu presidente, Valdecir Luis Folador, do primeiro vice-presidente, Mauro Antônio Gobbi, e do vice-presidente Jean Marcelo Fontana, reuniu-se na manhã de quinta-feira (7) com a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul – SEFAZ para tratar sobre a isenção da alíquota sobre o ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação nas saídas interestaduais de suínos vivos.
De acordo com o dirigente da ACSURS, o pedido dos suinocultores gaúchos vem em função do atual cenário de crise que os produtores enfrentam nos últimos meses. Atualmente, o percentual praticado na alíquota do ICMS é de 6%, porém, a entidade busca a isenção para que os produtores consigam escoar sua produção para outros estados, já que os frigoríficos instalados no RS não têm capacidade de absorver toda a produção de suínos. “A isenção da alíquota auxiliará muito os criadores de suínos que hoje enfrentam toda esses percalços que cercam a atividade a continuarem na suinocultura”, salientou Folador.
Os altos custos de produção vêm na contramão dos baixos preços pagos pelo quilo do suíno vivo. Segundo a Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS) da Embrapa, o custo para se produzir o quilo do suíno vivo é de R$7,72 (média para fevereiro), enquanto que o produtor recebe, em média, R$5,59 posto indústria segundo Pesquisa Semanal da Cotação do Suíno, milho e farelo de soja da ACSURS.
Posto granja, o produtor recebe, em média, R$5,00 pelo quilo do suíno. “Ou seja, para produzir cada quilo do suíno vivo ele gasta R$2,72. Num suíno de 120 quilos, o suinocultor perde R$326,00. O suinocultor gaúcho está pagando para trabalhar”, explicou o vice-presidente da entidade.
De acordo com Gobbi, não há como pagar ICMS em cima de prejuízo. “Relatamos as dificuldades da suinocultura e fomos firmes em nosso pedido para zerar a alíquota, ao menos por um período. O valor do ICMS representa um custo de R$35,00 por suíno; zerar a alíquota não vai resolver o problema que o produtor está vivendo, mas vai ajudar ele a passar por essa dificuldade”, disse.

Primeiro vice-presidente da ACSURS, Mauro Antônio Gobbi
Ao mesmo tempo, outra reunião era realizada no Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ para renovar o então decreto que concede o percentual em vigor até o dia 31 de julho e, por esse motivo, a alíquota deve se manter em 6%. “Nos próximos dias teremos uma nova reunião para tentar baixar esse imposto”, conta Gobbi.
Outra pauta levantada foi o fato de o produtor rural não receber crédito do milho oriundo do Mato Grosso. “A Secretaria não tem ferramentas para creditar na Pessoa Física o milho que vem daquele estado, porém, se tivermos zerado o ICMS no suíno, não precisamos ter creditado o ICMS do milho, pois se a gente não credita a gente não debita. Se não ganhamos créditos, não pagamos também”, argumentou Gobbi.
Vendas interestaduais
A situação de crise atinge, em especial, os produtores independentes por não terem contrato direto com as agroindústrias, ou seja, eles arcam com os custos de produção, ração, entre outros, enquanto que os produtores integrados tem o suporte da integradora.
No ano de 2021, o RS vendeu e transferiu 1.105.353 animais para outros estados.
Este ano, no período de janeiro a março, já foram enviados 344.878 suínos, segundo dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural – SEAPDR/Seção de Epidemiologia e Estatística.
Segundo Gobbi, as granjas comportam um excesso de animais devido ao aumento da produção de suínos em 2020 para suprir a demanda da China. Com a recuperação do rebanho suíno chinês, os embarques para aquele país diminuíram, o que ocasionou em maior oferta nas granjas.
Participaram da reunião on-line o subsecretário da Receita Estadual adjunto, Eduardo Jaeger, os produtores Sady Acadrolli, de Rodeio Bonito; Maiquel Birck, de Santo Cristo; a contadora Cleide Elena Gewehr; e representantes dos deputados estaduais Elton Weber, Ernani Polo e Zilá Breitenbach.

Notícias Em Dubai
Exportações de proteína animal impulsionam presença do Brasil na Gulfood 2026
Ação levará dezenas de agroindústrias para promover negócios e fortalecer laços durante uma das maiores feiras de alimentos do mundo

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), levará 22 agroindústrias brasileiras à Gulfood, uma das maiores feiras internacionais de alimentos do mundo, realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Focada em promover imagem, novos negócios e fortalecer as relações comerciais com mercados do Oriente Médio, em um dos principais hubs globais do comércio de alimentos halal, a ação organizada pela ABPA e ApexBrasil contará com a participação da Ad’oro Alimentos, Avenorte, Avine Alimentos, Avivar Alimentos, Bello Alimentos Ltda, BFB Foods, C.Vale Cooperativa Agroindustrial, Coasul Cooperativa Agroindustrial, Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata, Coroaves, Frango Pioneiro, Granja Faria, GT Foods, Jaguá Frangos Ltda, Lar Cooperativa Agroindustrial, Netto Alimentos S.A, Pif Paf Alimentos S.A., Somave – Cooperativa Agroindustrial, SSA Alimentos, Villa Germania Alimentos, Vossko do Brasil Alimentos Ltda e Zanchetta Alimentos.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A Gulfood é uma vitrine fundamental para o relacionamento com compradores do Oriente Médio e de outras regiões” – Foto: Divulgação/Alimenta
A ABPA contará com um estande exclusivo com 432 metros quadrados, que foi projetado para apoiar as agendas comerciais das empresas, promover encontros com importadores, distribuidores e operadores do food service, além de reforçar o posicionamento institucional do setor brasileiro.
Um dos destaques do estande será o espaço de degustação, instalado na área central, com oferta de shawarma de frango, shawarma de pato e omeletes, valorizando a versatilidade da proteína animal brasileira e sua adequação aos hábitos de consumo da região.
Em 2026, a Gulfood será realizada simultaneamente em dois centros de exposições: o Dubai World Trade Centre e o Dubai Exhibition Center, ampliando a área do evento e a circulação de compradores internacionais.
“A Gulfood é uma vitrine fundamental para o relacionamento com compradores do Oriente Médio e de outras regiões. A presença das empresas brasileiras, com o apoio da ApexBrasil, fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteína animal, com produção alinhada aos mais altos padrões sanitários e às demandas dos mercados internacionais”, afirma o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
A participação integra o calendário de ações internacionais da ABPA e da ApexBrasil voltadas à promoção das exportações brasileiras de proteína animal, com foco em mercados estratégicos e no fortalecimento da imagem do Brasil como fornecedor de alimentos seguros e de qualidade.
Emirados Árabes Unidos
País-sede da Gulfood, os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango de 2025. Ao todo, o país importou 479,9 mil toneladas, volume que superou em 5,5% o total exportado em 2024 – o que gerou uma receita de US$ 937,2 milhões no ano passado.
Notícias
Gargalos logísticos ameaçam oportunidades do acordo Mercosul-UE ao agro brasileiro
Expansão do comércio bilateral deve elevar o volume de cargas e pressionar corredores logísticos já operando no limite.

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul surge como um dos movimentos mais relevantes para redefinir o mapa das exportações brasileiras na próxima década. Ao ampliar o acesso a mercados e estimular o fluxo bilateral de mercadorias, o tratado abre espaço para o crescimento das vendas externas de commodities brasileiras e para a entrada de produtos industrializados europeus no país. No entanto, o avanço comercial pode expor, de forma ainda mais evidente, os gargalos crônicos da infraestrutura nacional.
Na avaliação da Macroinfra, o acordo funciona como um verdadeiro teste de estresse para o sistema logístico brasileiro. Sem investimentos consistentes em portos, rodovias e ferrovias, o risco é que a expansão do comércio se traduza em congestionamentos, atrasos e aumento de custos. “O risco é ver o ganho competitivo conquistado nas negociações se perder nos atrasos e custos adicionais”, afirma o empresário Olivier Girard.

Empresário Olivier Girard: “A infraestrutura do país está preparada para essa nova realidade ou veremos os ganhos do acordo se perderem nos gargalos dos portos e das estradas e ferrovias?”
A perspectiva de um aumento expressivo no fluxo de mercadorias recoloca no centro do debate a capacidade do país de sustentar esse crescimento. A questão, segundo Girard, não é apenas produzir mais, mas conseguir escoar com eficiência. “A infraestrutura do país está preparada para essa nova realidade ou veremos os ganhos do acordo se perderem nos gargalos dos portos e das estradas e ferrovias?”, questiona.
Um estudo realizado pela Macroinfra traça um diagnóstico detalhado dos desafios da logística brasileira no agronegócio, especialmente no transporte de produtos em granéis. O levantamento aponta que o Brasil deve passar a exportar cerca de 58,8 milhões de toneladas adicionais de granéis agrícolas nos próximos dez anos, o que traz implicações diretas sobre a necessidade de investimentos em transporte e logística. “O país está cada vez mais exportando, em um cenário de crescimento incessante, seja por ferrovias, hidrovias, rodovias e portos. Mas, ao mesmo tempo, a velocidade de investimento nos projetos existentes de novos corredores logísticos não está acompanhando a dinâmica do crescimento de produção e exportação do setor”, ressalta Girard.
Segundo o estudo, a pressão sobre a infraestrutura já é uma realidade. A demanda por exportação de granéis agrícolas deve atingir a capacidade atual dos principais portos exportadores até 2028.
Em alguns casos, esse limite já foi superado, ultrapassando o patamar de segurança operacional de 85%. “Já existe uma série de projetos em desenvolvimento, tanto portuários quanto ferroviários, porém muitos ainda estão na fase embrionária e precisam ser acelerados para terem mais chances de sair do papel e se tornarem realidade até 2033”, explica o empresário.

Foto: Geraldo Bubniak
Os impactos do acordo entre União Europeia e Mercosul tendem a se manifestar primeiro nos pontos mais sensíveis do sistema. Portos do Sudeste e terminais estratégicos do Arco Norte devem sentir a pressão imediata do aumento no volume de contêineres e granéis. As rodovias e ferrovias que alimentam esses corredores, muitas vezes já operando no limite, correm o risco de enfrentar congestionamentos crônicos, com reflexos diretos sobre custos e prazos de entrega.
Girard enfatiza que sem uma agenda consistente de investimentos e planejamento de longo prazo, o chamado “Custo Brasil” logístico pode consumir parte relevante da vantagem competitiva obtida nas mesas de negociação. “O acordo abre portas, mas a capacidade de atravessá-las dependerá, cada vez mais, do que acontece fora da porteira e ao longo dos corredores logísticos do país”, pontua.
Notícias
Preços dos fertilizantes se estabilizam no início de 2026, aponta Itaú BBA
Nitrogenados ensaiam recuperação, enquanto fosfatados e potássicos seguem praticamente inalterados.

Após as quedas registradas ao longo de 2025, o mercado de fertilizantes iniciou 2026 com preços mais estáveis. A ureia apresentou reação no começo de janeiro, enquanto MAP e KCl permaneceram praticamente inalterados. Os dados de importação indicam avanço do sulfato de amônio, retração do MAP e volumes menores de fosfatados e potássicos, mantendo o abastecimento relativamente ajustado, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
No segmento de nitrogenados, os preços recuaram em dezembro, com a ureia cotada a cerca de US$ 395 por tonelada. Já no início de janeiro, o produto voltou a subir e alcançou US$ 412 por tonelada. Entre os fosfatados, o MAP seguiu estável em torno de US$ 640 por tonelada, enquanto os potássicos registraram leve alta, com o KCl negociado próximo de US$ 360 por tonelada. Após as quedas do segundo semestre de 2025, o mercado passou a mostrar maior estabilidade, embora o cenário ainda possa sofrer alterações diante de eventos observados no início de 2026.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
As importações de nitrogenados trouxeram um dado inédito em 2025. O volume de sulfato de amônio importado alcançou 7,8 milhões de toneladas, superando pela primeira vez as importações de ureia, que somaram 7,7 milhões de toneladas. Apesar de o SAM ter preço inferior ao da ureia, sua concentração de nitrogênio também é menor. Considerando as concentrações de 46% de nitrogênio na ureia e 20% no SAM, o volume total importado de nitrogênio chegou a 5,1 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior. O resultado afasta a preocupação de redução no volume de nutrientes importados, mesmo com a maior participação de produtos de menor concentração.
No caso dos fosfatados, as importações somaram 8,2 milhões de toneladas em 2025, queda de 4% na comparação anual. Houve aumento nas compras de produtos com menor concentração, como o superfosfato simples, com alta de 22%, e o superfosfato triplo, com avanço de 12%. Em contrapartida, as importações de MAP recuaram 25%. Ao considerar o volume equivalente de fósforo, o total importado caiu 11% no ano. A retração está relacionada, em parte, aos preços elevados dos fosfatados, inclusive quando comparados aos demais nutrientes.
Já as importações de potássicos seguiram concentradas no cloreto de potássio. Em 2025, o volume importado de KCl recuou 2,5%, totalizando 13,7 milhões de toneladas.



