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Acordos entre Brasil e China para a agropecuária podem elevar posição do país no ranking de exportação mundial
Relação entre os países resultou na abertura de cinco mercados, habilitação de 38 plantas frigoríficas e recorde de exportações em 2023

Dos 37 acordos firmados entre Brasil e China por ocasião da visita oficial do presidente chinês Xi Jinping ao país na última quarta-feira (20), seis estão diretamente ligados ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e outros mantêm relação com o setor, no entanto, o impacto das reuniões sino-brasileiras nos últimos dias vão além dos protocolos assinados no período.

Foto: Ricardo Stuckert
Junto à Administração Geral de Aduana da China (GACC), o Mapa assinou quatro protocolos de requisitos fitossanitários que representam a abertura do mercado chinês para uvas frescas, gergelim, sorgo e farinha de peixe, óleo de peixe e outras proteínas e gorduras derivadas de pescado para alimentação animal. Os novos mercados se somam ao mercado aberto em junho deste ano, quando a China aprovou os requisitos sanitários para a importação de noz-pecã brasileira. O potencial comercial pode chegar a US$ 500 milhões por ano.
Mais que possibilitar o acesso de uma pauta diversificada de produtos brasileiros, cultivados em diferentes regiões do país, a um mercado de mais de 1,4 bilhão de habitantes, a abertura desses mercados estimula a produção agropecuária do país com potencial de alavancar o Brasil à primeira posição de exportador mundial, a exemplo do que aconteceu neste ano, quando o país ultrapassou os Estados Unidos na comercialização de algodão no mundo.
Além disso, merece destaque o acordo articulado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com a cafeteria chinesa Luckin Coffee, na última terça-feira (19), para a compra de 240 mil toneladas de café brasileiro de 2025 a 2029, num contrato estimado em U$ 2,5 bilhões.
A iniciativa é fruto das reuniões realizadas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro e o presidente da Apex, Jorge Viana, na China, em junho deste ano, durante as reuniões da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Na ocasião, foi fechado o primeiro acordo com a cafeteria para a comercialização de 120 mil toneladas de café a US$ 500 milhões.
Somente este contrato representa mais de seis vezes o valor do café exportado para a China em 2022, que foi de US$ 80 milhões.

Foto: Divulgação/OPR
Também foram firmados, durante a visita oficial do presidente chinês, o Memorando de Entendimento para o intercâmbio e colaboração sobre tecnologia e regulação de pesticidas entre o Mapa e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China e a Carta de Intenções com a Administração Estatal de Regulação de Mercados (SAMR) chinesa para promoção da cooperação técnica, científica e comercial no setor agrícola.
Para a promoção da agropecuária brasileira, ainda foi assinado o Memorando de Entendimento entre o Grupo de Mídia da China (CMG) e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil.
Desde o início da gestão, o ministro Carlos Fávaro realizou duas missões ministeriais na China e o país asiático é o único que conta com dois postos de adidos agrícolas.
A boa relação fez o país saltar na habilitação de frigoríficos. Foram reabilitadas as exportar para a China 11 plantas e o Brasil conquistou mais 38 habilitações. O mercado chinês é o principal comprador da carne bovina in natura, sendo destino de 51,6% das exportações do produto brasileiro.
Resultado da retomada da boa relação diplomática entre os países, sob o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a já consolidada posição da China como principal parceiro comercial da agropecuária brasileira, ganhou um salto. Em 2023, as exportações dos produtos agrícolas brasileiros com destino ao mercado chinês atingiram recorde, somando US$ 60,24 bilhões em 2023. A cifra representa um aumento de US$ 9,53 bilhões em relação ao ano anterior.

Colunistas
Exportações do agro aos EUA recuam até 41% após escalada tarifária
Café, carne bovina, madeira, frutas e sucos perderam espaço com o aumento das barreiras comerciais impostas por Estados Unidos.

O ano de 2025 foi marcado pelo redimensionamento das tarifas de importação norte-americanas com relação aos seus parceiros internacionais, o que ficou conhecido como “tarifaço”, e o Brasil, claro, não ficou de fora. No início, o País apareceu na parte debaixo da tabela de taxas, com seus produtos sofrendo uma porcentagem adicional para entrada no mercado norte-americano de 10%. Mas, como a maioria dos nossos competidores nesse mercado sofreram taxação maior, os produtos brasileiros ganharam competitividade lá.

Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.
No entanto, o alívio durou pouco, pois, em junho, adicionou-se às disputas comerciais também ruídos e disputas políticas, para então, o governo norte-americano anunciar a elevação dessa taxa adicional aos produtos brasileiros para 50%, um novo golpe aos exportadores brasileiros, inclusive os do agronegócio.
Como resultado desse novo cenário mais adverso da política comercial norte-americana, o valor total das exportações brasileiras para o País em outubro de 2025 ficou 40% abaixo do de julho de 2025. No caso do agronegócio, a receita em dólar caiu 35% e o volume exportado reduziu 41%, na mesma comparação. Produtos importantes da nossa pauta de exportação como café, madeira, carne bovina, frutas e sucos foram duramente atingidos.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que as compras norte-americanas do café brasileiro caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, quando comparadas com o mesmo período de 2024. O cenário não foi muito diferente para os exportadores de madeira, carne bovina, frutas e suco de laranja; além de pescados e produtos como mel, que, apesar de ter pequena representação em termos de valor, tinham forte dependência do mercado norte-americano.
O governo brasileiro correu para apoiar os setores afetados, principalmente na forma de disponibilização de crédito, para que estes pudessem ter tempo de armazenar seus produtos enquanto buscavam novos mercados, com o apoio das instituições brasileiras como o Ministério da Agricultura e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
Diante das ações protecionistas do governo norte-americano, não só o Brasil, mas todos os países afetados por sua nova política comercial tiveram que aplicar uma estratégia de negociação há muito utilizada nos mercados financeiros, a de que “não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, ou seja, utilizar a diversificação de destinos como estratégia de redução de riscos, agora na área comercial.
A busca por abertura de novos mercados e acordos de livre comércio com o México, Canadá, Índia, Japão e principalmente com a União Europeia passou a ser visto como mais que essencial para preencher a lacuna deixada pelo mercado norte-americano.
No caso do agronegócio, o resultado desse esforço para conquistar novos mercado pode ser verificado no crescimento das vendas externas do setor no ano de 2025, que foi de 11% para a China, 9% para a União Europeia, 7% para o México, 13% para o Reino Unido e 38% para a Argentina; enquanto caíram 6% para os Estados Unidos.
E, a despeito da “química” entre nossos governantes e da recente derrubada do tarifaço pela Suprema Corte norte-americana, o mais importante é que o aumento das relações comerciais entre os países pode ser um elemento-chave para impulsionar o crescimento das suas economias, levando a mais demanda, principalmente por alimentos.
Notícias
Tania Zanella está entre as 16 mulheres mais poderosas do Brasil
Reconhecimento da presidente executiva do Sistema OCB destaca força do coop no país.

A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, foi reconhecida pela revista Forbes como uma das 16 mulheres mais poderosas do Brasil em lista divulgada na última sexta-feira (27). A seleção destaca lideranças femininas com elevada capacidade de influência, impacto econômico e contribuição relevante para o desenvolvimento do país.
À frente da entidade de representação do cooperativismo brasileiro, Tania conduz uma organização que reúne mais de 4 mil cooperativas, presentes em todos os estados, e que mobiliza quase 26 milhões de brasileiros em atividades econômicas que vão do agro à saúde, do crédito à infraestrutura e aos serviços. O movimento cooperativista brasileiro movimenta 750 bilhões de reais em ingressos por ano e tem papel estratégico na geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, o reconhecimento ultrapassa a dimensão individual e simboliza a força de um modelo econômico centrado nas pessoas. “Recebo essa distinção com profunda responsabilidade, porque ela representa o trabalho de milhares de mulheres que lideram cooperativas, produzem no campo, empreendem nas cidades e constroem soluções coletivas todos os dias. O cooperativismo mostra, na prática, que desenvolvimento econômico e inclusão podem caminhar juntos”, afirma.
Tania Zanella é a primeira mulher a ocupar a presidência executiva do Sistema OCB, cargo assumido em 2025 após mais de uma década de atuação na alta liderança da organização. Sua trajetória é marcada pela defesa do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento sustentável, inclusão econômica e fortalecimento das comunidades.
Segundo ela, a presença feminina em posições de decisão tem impacto direto na qualidade da governança e na capacidade das organizações de responder aos desafios contemporâneos. “Quando ampliamos a participação das mulheres nos espaços de liderança, ampliamos também perspectivas, soluções e capacidade de inovação. Isso não é apenas uma agenda de equidade, é uma agenda de competitividade e futuro”, destaca.
O reconhecimento ocorre em um momento simbólico: março marca o Dia Internacional das Mulheres e também os 50 anos da presidente executiva do Sistema OCB, reforçando uma trajetória de liderança consolidada em um setor que tem conquistado cada vez mais protagonismo no cenário nacional e internacional, como o Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela ONU em 2025.
A premiação das lideranças reconhecidas será realizada no dia 30 de março, em São Paulo, durante evento que reunirá as mulheres listadas pela Forbes como as mais poderosas do país.
Notícias Em Campos Novos
30º Show Tecnológico Copercampos reúne mais de 21 mil visitantes e consolida edição histórica
Evento reforça protagonismo no Sul do Brasil ao apresentar inovação em vitrines vegetais, agricultura digital, pecuária e máquinas agrícolas.

O 30º Show Tecnológico Copercampos encerrou sua programação consolidando mais uma edição histórica em Campos Novos/SC. Ao longo dos quatro dias, mais de 21 mil visitantes passaram pelo parque tecnológico, reforçando o evento como um dos principais encontros do agronegócio do Sul do Brasil.
O evento de 2026 demonstrou que o produtor rural busca constantemente por eficiência. A área de vitrines vegetais, conduzida pelo departamento técnico da Copercampos em parceria com empresas e instituições de pesquisa, apresentou resultados práticos sobre cultivares, manejo, fertilidade do solo e tecnologias para redução de custos. A inovação esteve presente em todos os setores, desde agricultura digital até soluções para sustentabilidade e produtividade.
A programação técnica também foi destaque deste evento comemorativo de 30 anos, reunindo grande público nas palestras. Entre os momentos mais concorridos estiveram os encontros com Richard Rasmussen, abordando comunicação e conexão do agro com a sociedade, e Luiz Carlos Molion, trazendo análises climáticas e perspectivas para as próximas safras.
Além do conhecimento, o Show Tecnológico manteve sua tradição de apresentar oportunidades práticas ao produtor. A exposição de máquinas e implementos agrícolas atraiu visitantes interessados em modernização operacional e ganho de eficiência, enquanto o setor de pecuária demonstrou genética, nutrição e sistemas produtivos voltados ao aumento de rentabilidade.
Evento carbono neutro
O 30º Show Tecnológico Copercampos foi a consolidação do evento como carbono neutro, reforçando o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. Todas as emissões de gases de efeito estufa geradas durante a montagem, realização e desmontagem da feira foram mensuradas e compensadas por meio de iniciativas ambientais, alinhando desenvolvimento econômico à preservação dos recursos naturais. A ação evidencia que é possível promover inovação, geração de negócios e difusão de tecnologia no agro de forma consciente e sustentável, fortalecendo o compromisso do setor com as próximas gerações.
Data definida
A próxima edição do Show Tecnológico Copercampos já tem data definida e manterá o formato de três dias dos anos anteriores. O evento será realizado de 23 a 25 de fevereiro, garantindo previsibilidade para associados, produtores, empresas parceiras e visitantes se organizarem com antecedência. A definição antecipada reforça o planejamento da cooperativa e permite ampliar ainda mais a participação do público, além de possibilitar que expositores preparem novas tecnologias e oportunidades de negócios para a próxima edição.
O Diretor Vice-Presidente Claúdio Hartmann destaca que a edição demonstrou a maturidade do setor mesmo em um cenário econômico mais cauteloso. “Mesmo diante dos desafios, o produtor esteve presente, buscou informações, conheceu novas tecnologias e saiu daqui mais preparado para enfrentar as dificuldades da atividade. O Show Tecnológico cumpre seu papel de orientar decisões e fortalecer o agro por meio do conhecimento e da proximidade com quem produz. Agradecemos a todos que nos prestigiaram, visitantes e expositores, por acreditarem na proposta da Copercampos. Nos vemos em 2027”, ressalta.



