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Acordo Mercosul-UE zera tarifa para mais de 5 mil produtos brasileiros
Com a inclusão da União Europeia, a cobertura dos acordos comerciais do Brasil salta de 8% para 36% do comércio mundial, reforçando a inserção da indústria nacional nas cadeias globais de valor.

A entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deverá provocar uma mudança estrutural no posicionamento do Brasil no comércio internacional. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que mais de cinco mil produtos brasileiros passarão a acessar o mercado europeu com imposto de importação zero, criando novas oportunidades para exportadores e ampliando a competitividade da indústria nacional.

Foto: Claudio Neves
De acordo com a entidade, mais da metade dos itens negociados no âmbito do tratado terá a tarifa eliminada imediatamente no mercado europeu. A liberalização mais rápida do lado da União Europeia contrasta com a estratégia adotada pelo Mercosul, que prevê prazos mais longos para a redução de tarifas, especialmente em setores considerados sensíveis.
Na avaliação da CNI, o desenho do acordo confere previsibilidade à abertura comercial brasileira. Cerca de 44% dos produtos industriais importados pelo país a partir do bloco europeu terão suas tarifas reduzidas de forma gradual, em períodos que variam de 10 a 15 anos. O objetivo é permitir que a indústria nacional se adapte, invista em modernização e incorpore ganhos tecnológicos antes da concorrência plena.
O impacto do tratado vai além da relação bilateral. Atualmente, os acordos preferenciais dos quais o Brasil participa garantem acesso a aproximadamente 8% do comércio mundial de bens. Com a inclusão da União Europeia, esse percentual salta para 36%, uma vez que o bloco europeu respondeu por mais de um quarto das trocas globais em 2024. Para a indústria, trata-se de um salto relevante na integração às cadeias internacionais de valor.
Comércio exterior
Os números do comércio exterior reforçam o peso da indústria na relação entre Brasil e União Europeia. Quase metade das exportações

Foto: Divulgação
brasileiras destinadas ao bloco é composta por bens industriais, enquanto os insumos do setor respondem por mais da metade das importações provenientes da Europa. Essa troca, segundo a CNI, evidencia a complementaridade entre as economias e o potencial do acordo para estimular ganhos de eficiência e inovação.
Em valores, a União Europeia manteve em 2024 a posição de segundo principal destino das exportações brasileiras, absorvendo mais de US$ 48 bilhões em vendas externas. No sentido inverso, o bloco respondeu por quase US$ 47 bilhões das importações brasileiras, com ampla predominância de produtos da indústria de transformação, que representaram praticamente a totalidade do volume importado.
As negociações entre Mercosul e União Europeia tiveram início em 1999 e atravessaram mais de duas décadas marcadas por avanços lentos, interrupções e revisões técnicas e políticas. O acordo final prevê a eliminação ou redução de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os blocos, com calendários diferenciados conforme o grau de sensibilidade de cada setor.
A expectativa é de que os efeitos econômicos do tratado se materializem de forma gradual, acompanhando o processo de ratificação e a implementação das diferentes etapas do acordo. Para a indústria brasileira, o consenso é que o acesso ampliado ao mercado europeu representa não apenas uma expansão de vendas, mas uma mudança de patamar na inserção internacional do país.

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China lidera consumo mundial de frango e impulsiona exportações brasileiras, aponta GTF
Ásia consome mais de 50% das exportações brasileiras de frango, liderada pela China (10,9%), seguida por Emirados (9%) e Japão (8,6%), conforme levantamento da empresa.

Recentemente a China suspendeu a proibição de importação de frango do Brasil, reacendendo o otimismo do setor e abrindo caminho para um recorde histórico nas exportações brasileiras em 2025. A decisão do governo chinês reverteu as restrições impostas após um caso isolado de gripe aviária e marca a retomada de um dos mercados mais importantes para a proteína nacional.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, com vendas para 151 países, e a China se mantém como o principal destino dessa proteína. A GTF, um dos seis maiores produtores de frango do Brasil e que está entre os dez principais exportadores do país, vê a reabertura do mercado chinês como um importante impulso para seus embarques internacionais.
Em 2024, a GTF comercializou 35 mil toneladas de carne de frango para o mercado asiático, o que representou 45% de suas exportações, sendo 61% destinados à China, um país que contribui de forma significativa para o desempenho das exportações brasileiras do setor. Antes da suspensão temporária, os embarques da companhia para o país já vinham em forte ritmo de crescimento, impulsionados pela confiança dos compradores internacionais na qualidade e segurança alimentar dos produtos da marca.
“A suspensão da proibição e a reabertura das exportações representam um marco importante para nós. Mantemos uma relação comercial sólida com o mercado asiático, tendo na China um dos destinos mais estratégicos, responsável por quase 27% de nossas exportações. Com essa retomada, reforçamos o compromisso da GTF com a excelência, a sustentabilidade e os mais rigorosos padrões sanitários exigidos globalmente”, afirma Rafael Tortola, CEO da GTF.
Com mais de 562 mil toneladas consumidos, a China lidera o ranking mundial, segundo dados da GTF, com 562.207 toneladas e 10,9% de participação global, seguida pelos Emirados Árabes Unidos, com 455.121 toneladas (9%), e pelo Japão, com 443.201 toneladas (8,6%). Esses três países estão entre os principais destinos da carne de frango brasileira, seguidos por Arábia Saudita (7,2%) e África do Sul (6,3%).
A reabertura do mercado chinês é um marco estratégico para as exportações brasileiras de frango. Com a China liderando o consumo e sendo responsável por uma parte significativa de nossas vendas, essa decisão reforça a confiança dos mercados internacionais na qualidade e segurança dos produtos. Em 2024, a GTF teve um desempenho notável, em torno de 28% de nossas exportações direcionadas à China. Para 2026, nossas expectativas são ainda mais ambiciosas, com um aumento significativo nas exportações, cerca de 10%, incluindo os mercados asiáticos, e o fortalecimento contínuo de nossa presença global.
Consumo de frango pelo mundo
Presente nos principais mercados mundiais, a GTF exporta cortes de acordo com as preferências de consumo de cada região. Na Ásia, os produtos mais demandados são asa inteira, meio da asa, coxa e sobrecoxa (com e sem osso), cartilagens e pés de frango. Na África, destacam-se coxa e sobrecoxa, MDM (carne mecanicamente separada), peito e pés de frango. O Oriente Médio tem preferência por coxas, sobrecoxas, moelas, fígados e peito; na Europa, o peito é o corte mais procurado; e nas Américas, há demanda por coxas e sobrecoxas (com e sem osso), asa inteira, coxinha da asa, peito e pés de frango. No Brasil, o consumo também é diversificado, mas não há cortes vendidos exclusivamente no mercado interno.
“As diferenças culturais também se refletem nas partes mais valorizadas de cada região. Os pés de frango, por exemplo, são amplamente consumidos em países emergentes, mas na China são considerados uma iguaria de alto valor. Já as cartilagens do peito e do joelho, muitas vezes descartadas em outros mercados, são apreciadas na China e Japão, onde há valorização do aproveitamento integral da proteína”, complementou Kendi Okumura, gerente de exportação da GTF.
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Pecuária catarinense alcança recordes de produção e exportações em 2025
Desempenho foi sustentado pela forte demanda internacional, ganho de competitividade e eficiência produtiva no campo.

A pecuária de Santa Catarina encerrou 2025 com resultados históricos e consolidações importantes nos mercados interno e externo. A produção de bovinos, frangos e suínos atingiu marcas recordes, enquanto as exportações avançaram e reforçaram a posição do estado como um dos principais polos de proteína animal do país. O desempenho foi sustentado pela forte demanda internacional, ganho de competitividade e eficiência produtiva no campo.

O analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, avalia que 2026 tende a ser um ano favorável para a pecuária catarinense. Na avicultura, a retomada das vendas para a China e a União Europeia deve impulsionar as exportações, enquanto o mercado interno pode ganhar fôlego com a valorização da carne bovina e a melhora da renda. Na suinocultura, as exportações seguem firmes, com destaque para o México, e a combinação de demanda interna consistente e custos estáveis pode melhorar a rentabilidade. Já na bovinocultura, a menor oferta de animais sustenta os preços, embora haja desafios no mercado externo.
“Na avicultura, a reabertura de mercados como China e União Europeia tende a aquecer as exportações, e o frango deve ganhar espaço no consumo interno. A suinocultura mantém bom desempenho externo e pode ter melhora de margens no mercado doméstico. Na bovinocultura, a oferta mais restrita sustenta os preços, mas a taxação chinesa acima da cota pode limitar as vendas. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é positivo para todos os setores, embora seus efeitos devam ser percebidos mais à frente”, afirma Alexandre Luís Giehl.
No vídeo abaixo, Alexandre Luís Giehl, da Epagri/Cepa fala da como combinação entre demanda externa aquecida, eficiência produtiva e mercado interno fortalecido levou Santa Catarina a registrar esses recordes históricos na pecuária catarinense em 2025.
Bovinocultura de corte

Os preços do boi gordo oscilaram ao longo de 2025, mas passaram a subir com mais força a partir de agosto, impulsionados pelas exportações nacionais aquecidas e pela maior demanda interna no fim do ano. Na comparação entre dezembro de 2025 e dezembro de 2024, com valores corrigidos pelo IGP-DI, houve alta em Santa Catarina (2,3%), Paraná (3,3%), Goiás (0,3%) e Mato Grosso do Sul (0,2%). Já Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo registraram queda real.
Em Santa Catarina, seis das dez regiões tiveram aumento de preços, com destaque para o Alto Vale do Itajaí (16,1%) e Planalto Sul (11,8%). No atacado, a carne bovina subiu em média 4,7% no ano. Os custos de produção também avançaram. O preço dos bezerros teve alta real de 13,4% em 2025, e o dos novilhos, de 5,2%, pressionando a margem dos produtores.
As exportações bateram recorde e ajudaram a consolidar o cenário de altas descrito anteriormente. O Brasil embarcou 3,46 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, com receita de US$ 17,94 bilhões.
A China manteve a liderança entre os destinos, e Santa Catarina exportou 2,67 mil toneladas, com faturamento de US$ 12 milhões.
A produção de bovinos em Santa Catarina alcançou um resultado histórico. Em 2025, foram abatidas 761,3 mil cabeças no estado, volume 11,2% superior ao registrado no ano anterior. Do total, as fêmeas responderam por 55,5% dos abates, movimento que sinaliza uma mudança no ciclo pecuário catarinense.
Para 2026, a expectativa é de menor oferta de animais e valorização do boi gordo. No cenário externo, a medida de proteção comercial imposta pela China traz incertezas, enquanto o acordo Mercosul–União Europeia abre oportunidades no médio prazo.
Avicultura

A avicultura catarinense encerrou 2025 com produção recorde, exportações fortes e cenário positivo para 2026. Os preços do frango vivo subiram 4,1% em Santa Catarina no comparativo anual, com destaque para o Meio-Oeste (+10,9%). No atacado, porém, os cortes fecharam o ano em queda média de 2,7%, pressionados pelo aumento da oferta interna e pelos embargos ligados à influenza aviária.
O Brasil exportou 5,16 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, e Santa Catarina respondeu por 1,20 milhão de toneladas, com faturamento recorde de US$ 2,45 bilhões. A produção estadual atingiu 910,5 milhões de frangos, o melhor resultado desde 2014.
Para 2026, a expectativa é de crescimento sustentado pelas exportações, com retomada de mercados como China e União Europeia, além de maior consumo interno diante da tendência de alta da carne bovina. O cenário é favorável, condicionado à manutenção do rigor sanitário.
Suinocultura
A suinocultura encerrou 2025 com produção e exportações históricas, apesar das oscilações nos preços ao longo do ano. Após forte queda no início de 2025, o mercado se recuperou gradualmente. Na comparação entre janeiro e dezembro, os preços do suíno vivo subiram em todos os principais estados. Em Santa Catarina, a alta foi de 3,7% (considerando a inflação do período). No atacado, a carne suína teve valorização expressiva, com aumento médio de 11,1% nos principais cortes.

Os custos de produção avançaram de forma moderada. Em dezembro, o custo em ciclo completo em Santa Catarina ficou em R$ 6,48 por quilo, 5,7% acima de dezembro de 2024. A ração segue como principal componente, com 71,5% do custo total. Os preços dos leitões também subiram no ano, mas, por outro lado, a relação de troca entre o suíno vivo e o milho melhorou, favorecendo o produtor.
As exportações foram o grande destaque. O Brasil embarcou 1,47 milhão de toneladas de carne suína em 2025, com receita de US$ 3,58 bilhões, o melhor resultado da série histórica. Santa Catarina respondeu por 748,8 mil toneladas e US$ 1,85 bilhão, liderando o ranking nacional com mais de 50% das exportações do país. A produção catarinense também bateu recorde, com 18,3 milhões de suínos, alta de 2,1% e maior volume da história.
Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento, sustentada pela diversificação de mercados, pela demanda externa firme e por um mercado interno aquecido. O acordo Mercosul–União Europeia abre oportunidades no médio prazo, enquanto a possível restrição das exportações para o México exige atenção. No geral, o cenário é positivo para a suinocultura, com custos sob controle e boas perspectivas de rentabilidade.
Boletim Agropecuário de Santa Catarina
O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link.
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Safra mundial de trigo 2025/26 deve ser recorde, aponta Cepea
Produção global pode chegar a 842,17 milhões de toneladas, segundo dados do USDA. No Brasil, mesmo com oferta menor, estoques devem alcançar o maior nível desde 2019.

A produção global de trigo na safra 2025/26 deve ser recorde, ultrapassando em mais de 42 milhões de toneladas a da temporada anterior, aponta análise do Cepea com base em dados do USDA.
A previsão é que a safra mundial alcance 842,17 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 823,9 milhões de toneladas.
Esse cenário deve elevar os estoques finais e a relação estoque/consumo. No Brasil, pesquisadores explicam que, mesmo com oferta menor, a queda do consumo e das exportações deve levar o estoque de passagem de julho de 2026 ao maior nível desde julho de 2019, conforme a Conab.
A produção brasileira de 2025 foi estimada em 7,873 milhões de toneladas, 1,1% abaixo da projeção de dezembro e 0,2% inferior à de 2024.



