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Acordo Mercosul-UE tem compromissos modernos para a agenda de comércio e o desenvolvimento sustentável, defende CNI  

Para a indústria, o acordo vai dinamizar os setores econômicos, fomentar a criação de empregos, e viabilizar um marco contemporâneo de cooperação para o crescimento econômico sustentável e justo.

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Presidente da CNI, Ricardo Alban: "A indústria vê este acordo como um marco institucional moderno e responsável para conduzir as relações econômico-comerciais no século 21" - Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reitera a defesa da conclusão do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia por considerar uma contribuição fundamental para as agendas de clima, sustentabilidade e comércio. Para a CNI, o acordo reforça os objetivos e compromissos climáticos globais. O assunto foi citado no Fórum Econômico Brasil-França, realizado na terça-feira (27), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.

O texto, concluído tecnicamente em 2019 e que está sendo aprimorado atualmente nas rodadas de negociações iniciadas em 2023, estabelece um acordo associativo com benefícios equilibrados e concretos aos dois blocos.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, mesmo tendo 20 anos o início do processo, um recomeço demandaria uma quantidade maior de tempo, o que, certamente, implicará em novos ciclos de ajuste. E assim sucessivamente. Alban destaca que, ao tratar de comércio e desenvolvimento sustentável, o acordo já atende aos mais altos padrões, comparável a outros acordos comerciais modernos. “A indústria vê este acordo como um marco institucional moderno e responsável para conduzir as relações econômico-comerciais no século 21, levando em consideração a importância das questões ambientais e sociais junto aos objetivos econômicos”, destaca Ricardo Alban.

Ao longo dos anos, o acordo Mercosul-UE tem passado por evoluções e transformações significativas, o que demonstra a possibilidade de adaptação e resposta a preocupações atuais. Isso é evidente, por exemplo, pelas intensas rodadas de renegociações que têm ocorrido, desde 2023, que reforçam o compromisso de ambos os blocos de alinhar o texto a valores e expectativas contemporâneos.

As discussões contínuas refletem o reconhecimento da necessidade de um acordo comercial que promova o livre comércio e o crescimento econômico, em conformidade com os objetivos globais de desenvolvimento sustentável e justiça social. “Como qualquer outro acordo comercial, este não é um acordo estático. Ou seja, essa negociação faz parte de um processo cíclico, que permite atualizações, sempre que for necessário. Nesse sentido, as disposições estabelecidas servem como ponto de partida para ampliarmos o diálogo entre os dois blocos e aprimorar os padrões. Inclusive, faz parte do texto uma disposição específica de revisão, que permite melhorias contínuas dos compromissos originalmente estabelecidos”, explica Alban.

Compromissos incluídos na negociação do acordo 

Para a CNI, os compromissos incluídos na negociação atual do acordo respondem a desafios contemporâneos, o que demonstra a preocupação em manter o Acordo atual, como por exemplo:

– Compromissos para que os blocos promovam o comércio de bens sustentáveis, inclusive nas cadeias de energias renováveis;

– Compromissos e cooperação em comércio e empoderamento feminino;

– Reforço na cooperação, para que a implementação do acordo promova o desenvolvimento econômico de maneira sustentável, atingindo todos e todas da sociedade;

– Previsões a respeito de requisitos de importação exigidos em medidas domésticas relacionadas ao clima.

“Se o acordo não for concluído, nenhum dos compromissos dessa agenda moderna de desenvolvimento sustentável se transformará em compromisso jurídico internacional. Quem perde é o Mercosul, a União Europeia e a França, que não poderão contar com uma agenda de cooperação benéfica e de longo prazo para ambos”, avalia Alban.

Fonte: Assessoria CNI

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Satélite e IA mapeiam mais de 13 mil hectares de terras agrícolas abandonadas no Cerrado

Estudo pioneiro da Embrapa e UnB identifica áreas de eucalipto e pastagens subutilizadas, orientando políticas de restauração e sequestro de carbono.

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Foto: Edson Sano

Estudo pioneiro desenvolvido pela Embrapa e pela Universidade de Brasília (UnB) utilizou imagens de satélite e inteligência artificial (IA) para mapear o abandono de áreas agrícolas no Cerrado brasileiro. Resultados obtidos no município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, apontam mais de 13 mil hectares de terras agrícolas abandonadas entre 2018 e 2022, o equivalente a quase 5% da área agrícola existente no início do período. Esse mapeamento detalhado representa a primeira avaliação desse tipo no bioma e pode orientar políticas públicas voltadas à restauração ecológica, à contabilização de carbono e ao planejamento territorial sustentável.

Os estudos foram conduzidos por equipes da Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Agricultura Digital (SP) e Embrapa Meio Ambiente (SP), além da UnB. A pesquisa utilizou imagens do satélite Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia (ESA), combinadas a técnicas de aprendizado profundo (deep learning), para mapear mudanças no uso e cobertura da terra. Por meio da Rede Neural Totalmente Conectada (FCNN, sigla em inglês), modelo computacional capaz de reconhecer padrões nas imagens, os pesquisadores conseguiram classificar diferentes categorias: vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais, plantações de eucalipto e, de forma inédita, áreas agrícolas abandonadas. A acurácia do mapeamento foi de 94,7%, considerada excelente para classificações de uso da terra com sensoriamento remoto.

Segundo o levantamento, a maior parte das áreas abandonadas (87%) corresponde a antigas plantações de eucalipto destinadas à produção de carvão vegetal. O município de Buritizeiro destaca-se pela extensa área plantada com eucalipto, além da criação de gado bovino. “A região caracteriza-se por desafios produtivos, como baixa produtividade em pastagens durante períodos secos e custos crescentes de insumos fertilizantes, fatores que contribuem para o abandono de áreas agrícolas”, afirma o pesquisador da Embrapa Cerrados Edson Sano.

De acordo com ele, a partir das imagens analisadas, os cientistas identificaram que a maior parte das áreas abandonadas correspondia a plantios de eucalipto, tanto mal-mantidos como que transicionaram para vegetação campestre ou arbustiva depois da extração da madeira. “A predominância do abandono em áreas de eucalipto está associada à queda da atratividade econômica da produção de carvão vegetal em função de fatores como o aumento nos custos logísticos e de produção. O principal destino do carvão vegetal era o polo siderúrgico do estado de Minas Gerais em Sete Lagoas”, explica Sano.

Segundo o pesquisador, além disso, o aumento dos preços de fertilizantes e de insumos agrícolas tem incentivado a descontinuação de atividades produtivas. “Embora a maioria das terras abandonadas tenha sido identificada em áreas de silvicultura, nenhum abandono significativo de lavouras anuais (como soja ou milho) foi observado no período analisado. Isso sugere que os sistemas agrícolas mais intensivos mantiveram sua produtividade ao longo dos cinco anos analisados”, complementa.

Implicações para políticas públicas

De acordo com Gustavo Bayma, analista da Embrapa Meio Ambiente, os mapas gerados por essa metodologia trazem informações espaciais detalhadas sobre o abandono de terras. Esses dados podem ser usados para incluir áreas subutilizadas em estratégias nacionais de restauração ambiental e de mitigação das mudanças climáticas.  Tais estratégias podem consistir, por exemplo, na estimativa do potencial de sequestro de carbono ou na criação de corredores de restauração ecológica no Cerrado.

“O estudo também ressalta a importância de políticas que reduzam a volatilidade dos preços de insumos agrícolas e incentivem alternativas econômicas sustentáveis para pequenas e médias propriedades, uma vez que fatores econômicos foram identificados como motor importante do abandono das áreas de pastagem na região”, afirma Bayma. Ele observa que a pesquisa mostra, contudo, que o monitoramento ainda enfrenta limitações, como a necessidade de séries históricas mais longas para separar abandono permanente de períodos temporários de pousio (descanso da terra por um ano ou menos).

Mesmo assim, os resultados demonstram o potencial das tecnologias de inteligência artificial para apoiar políticas públicas de restauração ambiental, planejamento territorial e adaptação às mudanças climáticas no Cerrado. “A análise se baseou em apenas duas datas de aquisição de imagens durante um período de quatro anos, o que impede distinguir com precisão entre abandono permanente e práticas temporárias de pousio. Embora o uso de imagens de alta resolução e de visualizações auxiliares tenha ajudado na validação, a confirmação de abandono ainda depende, em parte, da interpretação visual e do conhecimento local”, acrescenta o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Édson Bolfe.

Outro desafio destacado por ele é a dificuldade de diferenciar pastagens degradadas de vegetação nativa (como gramíneas e arbustos) apenas por sensoriamento remoto, uma vez que suas assinaturas espectrais podem ser muito semelhantes. Segundo os especialistas, o estudo comprovou que métodos de aprendizado profundo, aliados a imagens de satélite, podem mapear terras agrícolas abandonadas no Cerrado de forma robusta e precisa, um avanço metodológico importante para a avaliação de transições de uso da terra em savanas tropicais. “Os resultados fortalecem a necessidade de incorporar áreas abandonadas em políticas ambientais e agrícolas, com vistas à restauração ecológica, à mitigação climática e à sustentabilidade rural”, afirma Bolfe.

Informações mais detalhadas sobre o estudo estão disponíveis no artigo Putting Abandoned Farmlands in the Legend of Land Use and Land Cover Maps of the Brazilian Tropical Savanna.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Agricultura familiar ganha força com invenções que aumentam produtividade

Concurso Nacional de Inventos seleciona soluções como debulhadora de feijão, envasadora de mel e veículos elétricos solares para pequenas propriedades.

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Foto: Henrique Carvalho

Debulhadora de feijão verde, veículo elétrico solar para pulverização e roçagem, envasadora semiautomática de mel, cultivador equipado com três enxadinhas para cobertura em substituição ao uso da carpideira e motocicleta adaptada como triciclo para uso por pequenas propriedades rurais no lugar de tratores de alto custo. Essas e outras invenções foram selecionadas no 1º Concurso Nacional de Inventos de Máquinas, Equipamentos e Implementos voltados à realidade da agricultura familiar, que  mobilizou criadores de todas as regiões do País e recebeu 242 inscrições.

São inventos de autoria de agricultores e empreendedores da agricultura familiar que têm como objetivo serem utilizados em pequenas propriedades rurais para melhorar o manejo, aumentar a produtividade e a renda, reduzir a penosidade e assegurar mais qualidade de vida ao homem do campo. São, enfim, soluções pensadas para enfrentar desafios cotidianos da produção no campo, como reduzir o esforço físico do trabalho, melhorar processos produtivos e ampliar a eficiência das atividades agrícolas. O resultado final do concurso já está disponível na página oficial da iniciativa, acesse clicnado aqui.

A premiação será entregue aos inventores na terça-feira (17), na Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar que ocorrerá até nesta quarta-feira (18), na Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).  Os equipamentos (protótipos) estarão expostos no local da premiação. Veja a programação completa do evento aqui.

Inclusão produtiva

Promovida pela Embrapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Conab, a Feira é um marco para a inovação e a mecanização do setor produtivo rural, reunindo lideranças governamentais, entidades de pesquisa, setor industrial, agricultores e cooperativas em prol do fortalecimento da soberania alimentar brasileira. Tem como objetivo promover o acesso a tecnologias e máquinas, reafirmando o compromisso do governo federal com a inclusão produtiva, o desenvolvimento sustentável e a valorização da agricultura familiar como pilar da economia nacional.

Embrapa lança com parceiros 2 catálogos de máquinas e equipamentos

Durante a feira, será lançada a página Mecaniza Social, acesse clicando aqui, um espaço virtual onde estão disponíveis dois catálogos, Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia e Catálogo de Máquinas e Equipamentos da Agricultura Familiar.

O Catálogo da Sociobioeconomia traz inventos importantes que têm como objetivo contribuir para a melhoria das condições de trabalho na Amazônia Legal, em especial para as cadeias do açaí, babaçu, castanha-da-amazônia e cupuaçu. Um exemplo é o trabalho de estudantes do ensino médio do Instituto Federal do Maranhão e do Instituto Estadual do Maranhão. Os grupos, respectivamente sob orientação dos professores Fernando Tocantins e Felipe Borges Pereira, desenvolveram uma colheitadeira manual de coco babaçu e uma estufa para secagem do mesocarpo do babaçu, a partir de demandas de quebradeiras de coco.

Ainda na cadeia do babaçu, destaca-se o equipamento de uso individual acionado manualmente através de alavanca. Iniciativa da Embrapa Maranhão, o equipamento foi desenvolvido para melhorar ergonometricamente as condições de trabalho. Na foto ao lado, quebradeiras de coco de babaçu trabalham com o equipamento.

A plataforma de colheita de açaí com debulhador hidráulico é outro protótipo desenvolvido por um produtor rural para reduzir a penosidade da colheita do açaí cultivado em terra firme. Trata-se de uma carretinha rebocável por trator, com estrutura em aço e fechamento em madeira. Graças à técnica aplicada, não é necessário o uso de gancho junto a foice, pois o corte é direcionado de forma precisa, fazendo com que o cacho caia diretamente dentro das asas da plataforma. Trata-se da  Plataforma BIO-1,  um equipamento agrícola semimecanizado projetado para a colheita eficiente do açaí em sistemas de plantio solteiro (uma estipe). Combina segurança, agilidade e baixo desperdício, sendo ideal em plantas de médio a grande porte.

A analista da Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA), Mazillene Borges,  trabalhou na prospecção de equipamentos e protótipos que compõem o Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia das cadeias produtivas do açaí e do cupuaçu.

“Conhecer a realidade de como  produtores, extrativistas e agricultores familiares das cadeias do açaí e do cupuaçu estão criando alternativas para melhorar a produção dos produtos da biodiversidade foi uma grande experiência. Fizemos a prospecção em seis estados da Amazônia: Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Amazonas. Foi uma equipe multidisciplinar, com cinco unidades da Embrapa”, relata  Mazillene Borges.

O trabalho de prospecção consistiu em fazer o levantamento das cadeias de produção, identificando a quantidade produzida e comercializada, em seguida, a equipe buscou conhecer os equipamentos que usavam na coleta e produção e que estão no mercado. Foram identificados motosserras, roçadeiras, modelos de motos de embarcação para transporte do açaí das áreas de manejo para comercialização, bem como as agroindústrias estão fazendo seus próprios equipamentos. Também foram visitadas pequenas indústrias metalúrgicas instaladas no Pará para produzir máquinas para as agroindústrias.

“O mais fantástico foi perceber como as pessoas foram se atentando para essas necessidades e inventando máquinas para atender a demanda do processamento industrial do açaí, por exemplo”, conta a analista. Com este trabalho, foi possível identificar mais de 25 modelos de equipamentos inventados pelos produtores para colher o açaí, melhorar a produtividade e a penosidade do trabalho. E por fim, levantamos também a questão da segurança do trabalho, as necessidades e lacunas tecnológicas que precisamos ficar atentos”, afirma.

Família de inventores

A foto ao lado traz o apanhador de açaí (vara) – uma ferramenta criada pelo extrativista Edilson Cavalcante Costa (camisa rosa) de Abaetetuba, no Pará, para facilitar a coleta do fruto na floresta, que ainda se encontra em desenvolvimento, ou seja, já existe o protótipo, e necessita de parceria para ser replicado em maior quantidade. Na foto, Mazillene Borges entre Edilson Costa e o filho que também é inventor. Ele criou o debulhador de cacho de açaí.

No catálogo, também é possível conhecer e adquirir o classificador de castanha-da-amazônia com separador de cascas, que classifica as amêndoas por tamanho no processamento. O classificador de castanha-da-amazônia encontra-se disponível para comercialização.

Catálogo de Máquinas para a Agricultura Familiar

Além das inovações para as cadeias da sociobiodiversidade, a plataforma integra o Catálogo de Máquinas para a Agricultura Familiar. Esta seção reúne ativos estratégicos como máquinas de plantar alho e colhedoras de espigas de milho, focadas no ganho de eficiência produtiva. A estrutura do portal foi desenhada para facilitar o acesso ao mercado, conectando o homem do campo a empresas parceiras e agentes financeiros, garantindo que a tecnologia chegue à ponta com o suporte de instituições como o BNDES.

“Os catálogos estão disponíveis em um ambiente virtual desenvolvido pela Embrapa que também realizou o mapeamento, a seleção e a caracterização dos equipamentos indicados no site Mecaniza. Queremos ofertar ao produtor rural um espaço onde ele se sinta seguro para fazer suas aquisições”, explica Daniel Papa, analista da Gerência-Adjunta de Inclusão Socioprodutiva e Digital da Embrapa, e coordenador do projeto de criação do catálogo.

Segundo ele, as soluções tecnológicas dos inventores estão organizadas em dois grandes grupos, o Catálogo de Máquinas e Equipamentos da Agricultura Familiar, trabalho realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com a Embrapa. E o Catálogo Tecnológico da Sociobioeconomia, trabalho realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC.

“Na Embrapa, compreendemos que a mecanização da agricultura familiar e do extrativismo não deve ser vista apenas como um incremento produtivo, mas como um instrumento fundamental de dignidade e soberania alimentar, capaz de reduzir a penosidade do trabalho e assegurar mais qualidade de vida ao homem e à mulher do campo. Ao lançarmos ferramentas como Plataforma Mecaniza Social e dos dois catálogos, reafirmamos nosso compromisso institucional de entregar inovações que nascem da própria realidade rural, transformando protótipos e invenções em ativos de mercado escalonáveis que fortalecem a inclusão produtiva em todas as regiões do Brasil”, ressalta a presidente da Embrapa Silvia Massruhá.

Para a presidente, as  mulheres rurais da Amazônia, especialmente aquelas que vivem do da cadeia produtiva  do açaí, do babaçu, da castanha e do babaçu, a tecnologia apropriada representa um passo decisivo em direção à equidade e à valorização do seu papel sistêmico na bioeconomia. O desenvolvimento de equipamentos ergonômicos — como as máquinas adaptadas para as quebradeiras de coco ou as plataformas semi- mecanizadas para a colheita de açaí — é essencial para reduzir o esforço físico e garantir a segurança no manejo desses produtos da biodiversidade. “Integrar a inovação científica aos saberes tradicionais permite que essas mulheres liderem a gestão de suas propriedades com eficiência, consolidando a agricultura familiar como um pilar resiliente e sustentável para o futuro do país”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Ascom
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Sisbi-POA gera novas oportunidades para produtores e agroindústrias mato-grossenses

Adesão ao sistema permite formalização, padronização e expansão das vendas para outros estados do Brasil.

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Foto: Mapa

Oestado de Mato Grosso avançou na ampliação da participação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) com a integração de quatro novos consórcios públicos municipais – Vale do Rio Cuiabá, Região Sul, Vale do Guaporé e Médio Araguaia. A iniciativa fortalece a organização regional da inspeção sanitária e amplia as oportunidades para que agroindústrias locais comercializem seus produtos em todo o território nacional.

Com essa adesão, Mato Grosso passa a contar com seis consórcios integrados ao sistema, abrangendo 72 municípios. Considerando que o estado possui 142 municípios, isso significa que aproximadamente 51% dos municípios mato-grossenses já estão vinculados ao sistema por meio de consórcios.

“O Sisbi é uma política pública fundamental porque permite que os produtos das agroindústrias sejam comercializados em todo o território nacional, abrindo oportunidades para produtores e gerando renda no interior do país. Quando assumimos, apenas 331 municípios brasileiros tinham adesão ao sistema e Mato Grosso não tinha nenhum. O que estamos vendo agora é resultado de um trabalho conjunto que fortalece a inspeção sanitária e permite que essa política pública chegue a quem mais precisa”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

“Esse é um avanço concreto dentro de uma agenda estratégica conduzida pelo ministro Carlos Fávaro para fortalecer a inspeção sanitária no país e ampliar oportunidades, especialmente para pequenos e médios produtores. Na prática, isso significa criar condições para que eles possam formalizar a produção, agregar valor aos produtos e acessar novos mercados com garantia sanitária. É exatamente esse movimento que estamos vendo acontecer em Mato Grosso, que se torna o primeiro estado do país a conduzir uma versão estadual do projeto”, destacou o secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Alan Alvarenga.

Em Mato Grosso, a Superintendência de Agricultura e Pecuária tem atuado em parceria com consórcios e municípios para ampliar a adesão ao sistema.

“Quando assumi a superintendência, o ministro me deu uma missão clara de fazer o Sisbi avançar em Mato Grosso. Com o apoio dos consórcios, prefeitos, do Tribunal de Contas e das associações municipais, e o trabalho de uma equipe técnica qualificada, conseguimos transformar esse objetivo em realidade. Agora nossa responsabilidade aumenta, e a superintendência segue de portas abertas para trabalhar junto com os municípios e ampliar ainda mais esse avanço no estado”, relatou o superintendente em Mato Grosso, Edson Paulino.

A produtora de queijos Larissa Berté, de Nossa Senhora do Livramento, município integrado ao sistema nesta sexta-feira, destaca o potencial de expansão que o Sisbi oferece aos produtores artesanais. “Nossa expectativa com o Sisbi é ampliar a presença dos nossos produtos em nível nacional, levando o sabor de Mato Grosso para outros estados e outras localidades. Isso também incentiva pequenos produtores, como nós, a crescer e aumentar a produção, impactando diretamente a economia local”.

Protocolos de intenções

Além da integração dos novos consórcios, também foram assinados protocolos de intenção com outros oito consórcios – Araguaia, Norte Araguaia, Portal do Araguaia, Portal da Amazônia, Vale do Juruena, Vale do Teles Pires, Vale do Rio Arinos e Alto do Rio Paraguai – que iniciarão o processo de qualificação para futura integração ao Sisbi-POA.

Essa nova etapa poderá alcançar cerca de 62 municípios adicionais. Caso todos avancem no processo de integração, Mato Grosso poderá chegar a 134 municípios vinculados ao sistema, o que representa aproximadamente 95% dos municípios do estado.

Pordutores relatam impactos positivos

Os efeitos da adesão ao sistema já são percebidos por produtores que passaram a integrar o modelo de inspeção.

Proprietário do Pavin Sertanejo, Aparecido Pavin conta que a regularização da atividade abriu novas perspectivas para o negócio. “Para nós, abriu mais possibilidades de portas para trabalhar e vender. Temos muita procura pelos nossos produtos e dobramos nossas vendas”, relata. Segundo ele, o crescimento da demanda já exige novos investimentos na estrutura da agroindústria. “Estamos até pensando em instalar uma câmara fria porque hoje armazenamos o produto final no freezer e já está ficando apertado. Produzimos linguiça, salame, bacon e vários produtos defumados”.

Para o produtor Jeferson Gonçalves Silva, da Granja Alvorada da Serra, em Cáceres, a adesão ao Sisbi representou um marco na profissionalização da propriedade. “Foi um divisor de águas para a nossa propriedade. Trouxe mais organização, padronização dos processos e maior controle sanitário. Passamos a comercializar nossos produtos em outros municípios, outras regiões e até em outros estados do Brasil. Isso ampliou nossas oportunidades com novos parceiros comerciais e teve impacto direto no crescimento da produção e na valorização da marca”, afirmou.

Contexto nacional do Sisbi-POA

O Sisbi-POA foi criado em 2006 com o objetivo de integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal no país e ampliar as oportunidades de comercialização para as agroindústrias brasileiras.

Durante os primeiros 16 anos do sistema, entre 2006 e 2022, foram integrados 331 municípios em todo o Brasil. Entre 2023 e março de 2026, esse processo ganhou novo ritmo, com a integração de 1.184 novos municípios, elevando o total nacional para 1.515 municípios.

Grande parte desse crescimento tem sido impulsionada pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que permite compartilhar estrutura técnica, otimizar recursos e estruturar serviços de inspeção mais robustos e eficientes.

Fonte: Assessoria Mapa
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