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Acordo Mercosul-UE: como pode alavancar a inovação no Brasil?

Através da inovação que será possível contar com o apoio de metodologias robustas que orientem nos melhores caminhos a serem seguidos e, com isso, não apenas cumprir com este requisito do acordo, como também tornar nossos empreendimentos mais competitivos.

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Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Marco histórico. Essa expressão foi amplamente utilizada com a notícia do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, objetivando alavancar o livre comércio entre os dois blocos. Considerando a ampla dominação global de grandes potências como os EUA e a China, a assinatura deste acordo traz, de fato, enormes expectativas às economias dessas regiões, com potencial de fomentar a inovação em seus países. No entanto, para que essa ideia saia do papel e gere valor, alguns cuidados deverão ser prezados.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Anunciado durante a Cúpula do Mercosul, realizada no Uruguai na última sexta-feira, o acordo vinha sendo construído desde 1999, motivo pelo qual foi tremendamente celebrado com sua conclusão. Suas normas, na prática, preveem, de maneira geral, a redução de tarifas comerciais e facilitação de investimentos, funcionando como um instrumento de fortalecimento de ambos os blocos.

Há ainda, evidentemente, algumas etapas mais burocráticas que deverão ser cumpridas para que esta proposta comece a valer. Porém, já é possível explorar possíveis benefícios que o acordo trará ao Brasil, com foco em melhorar a capacidade e desenvolvimento da nossa indústria, saindo da obsolescência e assumindo seu devido papel de destaque, com o qual temos forte capacidade para tal.

Isso porque, dentre as regras estabelecidas para a vigência deste acordo, está a obrigação das empresas nacionais melhorarem sua eficiência e estruturação interna, uma vez que estão defasadas em comparação às empresas europeias. Um exemplo prático disso está no amplo investimento desses negócios na Indústria 4.0, enquanto, por aqui, ainda estamos engatinhando neste tema.

E, para cumprir com essa norma, a melhor estratégia será investir na inovação para este objetivo, pois é através dela que será possível contar com o apoio de metodologias robustas que orientem nos melhores caminhos a serem seguidos e, com isso, não apenas cumprir com este requisito do acordo, como também tornar nossos empreendimentos mais competitivos.

Conforme os dados expostos no último Índice Global de Inovação (IGI), nosso país caiu do 80º lugar para o 125º na categoria de ambiente de negócios, o qual determina a garantia governamental de um ambiente político estável para se fazer negócios. Caso o acordo venha a, de fato, começar a valer, essa colocação e muitas outras podem ser melhoradas – mas, para isso, certos cuidados precisarão receber grande atenção por parte governamental e, claro, do empresariado. Veja as principais abaixo:

1.Metodologias: a criação desta área de livre comércio criará uma série de normativas e acordos específicos para estes blocos, os quais, para que se mantenham efetivos perante sua proposta, precisarão ser desenvolvidos através de metodologias robustas que norteiem as ações necessárias para tal. Esse é o caso, como exemplo, da ISO de Inovação, metodologia internacionalmente reconhecida que fornece diretrizes a serem seguidas pelas empresas que desejam inovar – cabendo a cada uma delas determinar qual faz mais sentido conforme sua realidade e metas.

2. Governança empresarial: para se fazer valer, positivamente, desta nova zona de comércio, cada empresa deverá ampliar sua visão holística acerca de suas operações, tendo uma melhor compreensão de seus pontos positivos e gaps a serem solucionados, prezando por uma governança minuciosa e assertiva que suporte todos os acordos almejados internacionalmente.

3. Capacidade dos colaboradores: ainda segundo o ranking do IGI, o Brasil caiu da 49ª posição para a 57ª no segmento de capital humano e pesquisa, o qual reflete a piora do fomento ao ensino de qualidade de um país e seus investimentos em estudos. Basta olharmos para a área de TI, uma das mais prósperas, mas que está com cada vez menos profissionais formados e qualificados. Este item deve ser priorizado com a aprovação do acordo entre os blocos, incentivando programas de treinamento e capacitação que preparem nossos talentos para este dia a dia.

4. Tecnologia: temos a nossa disposição uma extensa gama de recursos tecnológicos robustos capazes de auxiliar nas operações corporativas e negociações comerciais. Entretanto, não adianta implementar uma ferramenta que está “na moda”, sem garantir que ela faz sentido internamente, e que conseguirá ser manuseada a favor de resultados positivos. É preciso ter critérios muito bem definidos ao adotar qualquer tecnologia, assim como inteligência ao determinar como utilizá-la com eficácia.

5. Realização de valor: muitas grandes ideias podem surgir a parte deste acordo. Mas, para que sejam, de fato, positivas, precisam gerar valor às empresas – seja financeiramente, na percepção de mercado, ou outros resultados favoráveis ao crescimento do negócio. Esse pilar, defendido, inclusive, pela ISO de Inovação, contribuirá, inclusive, para que as empresas atinjam feitos cada vez maiores, inovando em seus produtos, serviços, processos ou métodos.

Apesar de ainda faltarem etapas importantes a serem finalizadas para que possamos celebrar a assinatura deste acordo, as empresas que, desde já, prezarem pelo investimento nos cuidados destacados acima, certamente estarão melhor preparadas para potencializarem não apenas suas relações comerciais, como também a inovação internamente, abrindo portas para se tornarem referências de destaque frente à concorrência.

Fonte: Por Alexandre Pierro, mestrando em Gestão e Engenharia da Inovação, bacharel em Engenharia Mecânica, Física Nuclear e especialista de Gestão da Palas

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Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?

Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.

O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.

Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.

Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.

Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.

Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.

O sucesso desta ação teve três pontos centrais:

1) Análise

O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.

2) Integração

O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.

3) Correção

Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.

 A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.

Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica - Comunicação e Marketing no Agronegócio.
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China muda regras, impõe cota à carne bovina e ameaça fluxo comercial do Brasil

Tarifa extra de 55% sobre volumes excedentes pode provocar forte ajuste na produção e nos investimentos da cadeia pecuária.

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Foto: Shutterstock

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

Fonte: Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
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Eleições de 2026 exigem atenção especial ao papel do Legislativo

Em um cenário de incertezas e transformações sociais, o texto destaca a importância das eleições proporcionais e da escolha de parlamentares preparados para representar a sociedade, fiscalizar o Executivo e impulsionar mudanças estruturais no país.

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Foto: Sara Bellaver/MB Comunicação

A sociedade em geral e o sistema cooperativista em particular devem prestar atenção às eleições de 2026. Embora a imprensa e os cidadãos, por motivos óbvios, visualizam prioritariamente as eleições majoritárias – presidente, governador e senador – as eleições proporcionais são essenciais. A missão de exercer a representação popular nas Casas Legislativas é particularmente importante para a vida democrática brasileira e de Santa Catarina.

Ainda vivemos uma era de incertezas, com problemas crônicos de um país em crescimento com fortes contrastes regionais, lutando para reduzir desigualdades, criar uma infraestrutura de crescimento econômico de Norte a Sul e de Leste a Oeste, assistir aos fragilizados, amparar a velhice e pavimentar um futuro para as gerações que estão chegando.

Somos ora protagonistas, ora coadjuvantes de um cenário globalizado, onde as decisões, os fluxos e os influxos de qualquer parte do planeta impactam de imediato nossa realidade interna, fazendo com que decisões tomadas em Tóquio ou Washington afetem diretamente empresários, produtores ou consumidores do Brasil.

Essa realidade que nos envolve inexoravelmente e a cada dia com maior celeridade emoldura com tons de dramaticidade o papel do administrador público e do legislador. Todas as demandas sociais decorrentes do pulsar desse processo globalizante deságuam nas barras do Poder Público, exigindo ações e reações ágeis e acertadas. Não há mais espaço para titubeios.

O parlamentar, na esfera federal ou estadual, deve fazer a leitura permanente dos processos sociais em curso para que a ação parlamentar seja a grande impulsionadora das mudanças e transformações reclamadas pela sociedade. Análise da história recente da República revela que a sociedade brasileira vem reconhecendo gradativa importância e indisfarçável essencialidade ao legislador.

Ali, onde todas as ebulições e toda a efervescência desse nervoso século explodem, envoltas pelas cores do pluralismo político-partidário, é crucial defender os superiores interesses de nossa gente, fiscalizando o Poder Executivo, propondo leis, projetos e programas fulcrados em intervenções sociais capazes de levar um pouco de justiça e apoio a segmentos da multifacetada sociedade brasileira.

Diligente e aplicado, o parlamentar deve tentar compreender  toda a complexidade do nosso mundo por meio da sincera disposição para o diálogo, para o estudo e para a pesquisa. Por isso, é recomendável humildade para buscar, ouvir e aceitar – sempre que a prudência indicar – uma compreensão mais profunda que permita refocalizar uma visão sobre a sociedade. Por isso, é preciso não se deixar fascinar demasiadamente por gráficos, por relatos burocratizantes, por informações pasteurizadas. É recomendável deixar os gabinetes para uma convivência irmanal com as comunidades que representa para nunca perder a sensibilidade para interpretação dos eventos sociais que eclodem cotidianamente.

A reforma do Estado para pô-lo totalmente a serviço do cidadão ainda exige muito esforço legislativo. Daí a necessidade de elegermos mandatários e parlamentares estaduais e federais que cumpram com coragem e abnegação o sagrado dever que a sociedade delegou para construir um Estado democrático de direito, fundado na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
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