Notícias
Acordo de pré-listing vai impulsionar exportações de aves e de suínos para Filipinas
Novo acordo firmado pelo Governo Brasileiro com autoridades filipinas democratiza acesso a um dos mais importantes mercados para a proteína animal do Brasil

Uma nova boa notícia agitou o mercado de proteínas nesta terça-feira (12), com o anúncio feito hoje pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do reconhecimento, pelas Filipinas, de equivalência de sistema e estabelecimento de pré-listing para as proteínas animais do Brasil. Os exportadores do setor comemoraram a notícia que deve influenciar positivamente o fluxo de exportações de carne de frango e de carne suína neste ano, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O acordo de acreditação de sistema e estabelecimento de pré-listing autoriza todas as empresas habilitadas pelo Sistema de Inspeção Federal a solicitarem o processo de credenciamento para exportar seus produtos para o mercado filipino. As missões técnicas das autoridades do país asiático agora estarão focadas na validação do sistema, não de plantas.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “O pré-listing é um importante reconhecimento ao sistema brasileiro e o estabelecimento de um novo patamar nas relações com o mercado filipino”
Anteriormente, a habilitação era realizada individualmente, com análise documental das autoridades do país asiático. Ao todo, 23 plantas exportadoras de carne de frango e 04 unidades exportadoras de carne suína estavam habilitadas a exportar.
“O pré-listing é um importante reconhecimento ao sistema brasileiro e o estabelecimento de um novo patamar nas relações com o mercado filipino. Graças aos esforços realizados pelos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores pela democratização do acesso a este mercado, temos boas expectativas quanto ao crescimento da parceria entre as duas nações”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Atualmente, as Filipinas são o sexto principal destino das exportações de carne de frango do Brasil, com 37,4 mil toneladas importadas no primeiro bimestre deste ano. De carne suína, foram 25,7 mil toneladas no mesmo período, posicionando o mercado como segundo maior importador. Somadas, as vendas das duas proteínas geraram receitas superiores a US$ 80 milhões apenas nos dois primeiros meses deste ano.

Diretor de Mercados da ABPA, Luís Rua: ” Quando relacionamos a quantidade de plantas habilitadas até aqui e o volume embarcado, temos uma perspectiva do quão positiva é a expectativa sobre o futuro deste mercado”
“Percentualmente, as Filipinas são o mercado com maior crescimento no setor de suínos e um dos que mais cresce nas importações de carne de frango do Brasil. Quando relacionamos a quantidade de plantas habilitadas até aqui e o volume embarcado, temos uma perspectiva do quão positiva é a expectativa sobre o futuro deste mercado, tanto para a carne de frango como para outros produtos como as carnes de peru e de pato”, analisa o diretor de Mercados da ABPA, Luís Rua.
Em 2023, as Filipinas foram o sexto principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, com 219,5 mil toneladas importadas – equivalente a 4,4% das exportações brasileiras. Em carne suína, foram 126 mil toneladas, posicionando o mercado como terceiro maior importador, responsável por 10,6% do total exportado. Desde a abertura do mercado, nos anos 2000, as Filipinas importaram 1,435 milhão de toneladas das carnes de frango e suína do Brasil, o equivalente a 57 mil contêineres.

Notícias
El Niño pode mexer primeiro nos preços e custos da pecuária antes de afetar a produção
Pesquisadores do Cepea afirmam que o principal risco não é uma quebra generalizada, mas um cenário de maior volatilidade, com impactos diferentes para bovinos, leite, aves, suínos, ovinos e caprinos.

A possível formação de um El Niño em 2026 ainda não permite prever uma quebra ampla da produção pecuária brasileira. Mas, para pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o fenômeno já representa um fator de incerteza capaz de alterar preços, custos e estratégias de produção antes mesmo que seus efeitos climáticos sejam sentidos no campo.

Foto: Divulgação
A avaliação é que o mercado começa a reagir muito antes de uma eventual seca ou excesso de chuva. Produtores, indústrias e investidores ajustam expectativas, antecipam compras, reforçam estoques e reposicionam estratégias diante do risco climático. “O impacto pode aparecer antes dos efeitos produtivos concretos. O clima influencia expectativas e isso já é suficiente para alterar decisões de mercado, preços futuros e estratégias de comercialização”, enfatiza a pesquisadora de Pecuária do Cepea, Natália Grigol.
Segundo ela, a principal característica do possível El Niño de 2026 é justamente a desigualdade dos efeitos. “Não existe uma ameaça homogênea para toda a pecuária brasileira. Os riscos são diferentes entre regiões e entre cadeias produtivas”, diz.

Foto: Divulgação
Boi gordo pode enfrentar maior volatilidade
Na pecuária de corte, o principal ponto de atenção está na relação entre clima, qualidade das pastagens e decisões de retenção ou descarte de animais.
Caso a recuperação das pastagens atrase no Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste, produtores podem antecipar vendas para reduzir a pressão sobre as áreas ou evitar perdas de desempenho.
Ao mesmo tempo, custos maiores com alimentação podem dificultar a retenção de matrizes e animais para engorda, alterando a oferta futura.

Foto: Divulgação
Para o pesquisador de Pecuária do Cepea Giovanni Penazzi, esse movimento pode aumentar a volatilidade dos preços. “Existe a possibilidade de aumento da oferta no curto prazo e restrição mais à frente. Em um mercado em que a arroba já trabalha em patamares elevados, qualquer alteração nas decisões de retenção ou descarte pode gerar oscilações importantes”, destaca.
Leite pode sentir primeiro no bolso
Na pecuária leiteira, o principal risco não está necessariamente em uma redução imediata da produção.
Segundo os pesquisadores, o setor já convive com custos elevados e um eventual El Niño pode ampliar essa pressão.
O aumento das despesas com concentrados, volumosos, energia e resfriamento dos animais tende a afetar diretamente a rentabilidade das propriedades. “O efeito pode ser mais forte sobre a margem do produtor do que sobre o volume de leite produzido”, afirma Natália.
Ela destaca que, diante de custos maiores, parte dos produtores pode reduzir investimentos ou rever estratégias

Foto: Shutterstock
nutricionais. “Isso não significa necessariamente produzir menos no curto prazo, mas pode limitar ganhos de produtividade e retardar a recuperação da oferta”, explica.
Nordeste preocupa em ovinos e caprinos
Para a ovinocaprinocultura, especialmente no Nordeste, a disponibilidade de água e de forragem será determinante.
Em regiões mais suscetíveis ao déficit hídrico, pode haver antecipação de vendas e aumento temporário da oferta de animais.
O problema, segundo os pesquisadores, aparece depois. “Se a seca comprometer matrizes, cordeiros e cabritos, a capacidade de recomposição dos rebanhos pode diminuir, reduzindo a oferta futura”, afirma Giovanni Penazzi.

Foto: Shutterstock
Aves e suínos dependem do comportamento dos custos
Nas cadeias de aves e suínos, os efeitos do El Niño tendem a ocorrer principalmente por meio do mercado de insumos.
Milho, farelo de soja e energia elétrica são componentes essenciais do custo de produção e qualquer movimento mais intenso nesses mercados pode reduzir a rentabilidade dos produtores.
Segundo o pesquisador de Pecuária do Cepea Thiago Carvalho, os números recentes já mostram um comportamento distinto entre as cadeias. “Em abril de 2026, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Pecuários do Cepea mostrou alta para boi gordo, leite e ovos, enquanto frango vivo e suíno vivo registraram queda. Isso demonstra que cada cadeia responde de forma diferente aos mesmos estímulos econômicos”, afirma.
Ele ressalta que, em aves e suínos, a principal preocupação é a compressão das margens. “Se os custos subirem mais

Foto: R.R.Rufino
rapidamente do que os preços recebidos pelos produtores, o impacto pode ser significativo, mesmo sem alterações relevantes no volume produzido”, menciona.
Risco é produzir com menos previsibilidade
Na avaliação dos pesquisadores, a principal lição do possível El Niño de 2026 é que o setor precisa abandonar a ideia de um efeito único sobre a pecuária.
O Sul pode enfrentar excesso de chuvas e dificuldades operacionais. Centro-Oeste e Sudeste tendem a sofrer mais com irregularidade na recuperação das pastagens. Norte e Nordeste ficam mais expostos ao déficit hídrico. Já aves e suínos reagem principalmente à volatilidade dos grãos, da energia e dos custos de produção. “O cenário atual não permite afirmar que haverá uma quebra ampla da produção pecuária brasileira”, expõe Carvalho, ressaltando: “Mas já justifica atenção maior aos estoques de forragem, à compra antecipada de insumos, ao monitoramento dos preços do milho e do farelo de soja e ao planejamento hídrico. O risco central não é apenas produzir menos. É produzir com maior custo, maior instabilidade e menor previsibilidade”.
Notícias
Representantes de 18 cadeias do agro apresentam demandas ao Ministério da Agricultura
Custos de produção, preços mínimos, defesa agropecuária e projetos em tramitação no Congresso estiveram entre os principais temas levados pelos setores ao governo federal.

Representantes de 18 cadeias produtivas do agronegócio participaram na quarta-feira (17), em Brasília (DF), de uma reunião com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O encontro reuniu presidentes de Câmaras Setoriais ligadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para discutir demandas consideradas prioritárias pelos diferentes segmentos do setor.

Foto: Percio Campos/Mapa
Participaram representantes das cadeias de açúcar e álcool, algodão, amendoim, arroz, borracha natural, cacau, cachaça, cerveja, citricultura, fibras naturais, florestas plantadas, fruticultura, mandioca, milho e sorgo, palma de óleo, soja, tabaco e vinho.
Durante a reunião, lideranças setoriais apresentaram preocupações relacionadas aos custos de produção, à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), a projetos em tramitação no Congresso Nacional, além de políticas de incentivo e ações voltadas à defesa agropecuária.
Entre os 18 segmentos presentes, representantes dos setores de arroz, açúcar e álcool, algodão, citricultura, soja, mandioca e florestas plantadas detalharam suas principais reivindicações e desafios.
Segundo o ministro André de Paula, a interlocução com as cadeias produtivas é necessária para que o governo tenha maior conhecimento das demandas apresentadas pelos diferentes setores do agronegócio. “Quero abrir espaço para ouvir e conversar com todos os setores que, de forma direta ou indireta, atuam ao nosso lado e trabalham para fortalecer a nossa agricultura”, afirmou.
O secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, destacou o papel das Câmaras Setoriais como canal de comunicação entre os segmentos produtivos e o governo federal. Segundo ele, as demandas encaminhadas por meio desses colegiados tendem a chegar ao Ministério de forma mais estruturada e organizada.
Também participaram da reunião o secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, além de representantes da área técnica e administrativa da Pasta.

Foto: Percio Campos/Mapa
Espaço de articulação das cadeias produtivas
As Câmaras Setoriais funcionam como fóruns permanentes de debate entre os diferentes elos das cadeias agropecuárias. Os colegiados reúnem entidades representativas de produtores rurais, indústrias, cooperativas, instituições financeiras, órgãos públicos e especialistas do setor.
Nesses espaços são discutidos temas que impactam diretamente a produção e a comercialização agropecuária, como custos de produção, tributação, logística, sanidade, uso de tecnologias, defesa agropecuária e acesso a mercados.
Atualmente, o Ministério da Agricultura conta com 32 Câmaras Setoriais, abrangendo segmentos como aves e suínos, carne bovina, leite, soja, milho, algodão, citricultura, pescados, animais de estimação, florestas plantadas, viticultura, entre outros.
Notícias
Super El Niño tem formação captada por satélites espaciais; veja o vídeo
Vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia mostra as primeiras anomalias de temperatura no Oceano Pacífico e revela como pequenas mudanças podem desencadear impactos climáticos em escala global.

Pela primeira vez, o surgimento de um novo episódio de Super El Niño pode ser acompanhado em detalhes a partir do espaço. Um vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) revela as primeiras alterações na temperatura da superfície do Oceano Pacífico e mostra como um dos fenômenos climáticos mais influentes do planeta começa a se formar.
As imagens foram produzidas a partir de dados coletados por satélites entre os dias 1º e 07 de junho. O material destaca anomalias térmicas, diferenças entre as temperaturas registradas atualmente e a média observada entre 1991 e 2020, consideradas pelos cientistas um dos primeiros sinais do fenômeno.

Reprodução/Nasa
Embora as variações de temperatura pareçam discretas, elas têm grande relevância para o equilíbrio climático global. Isso porque os oceanos armazenam enormes quantidades de calor e pequenas mudanças podem alterar significativamente a troca de energia entre o mar e a atmosfera.
Segundo a ESA, o uso das anomalias permite identificar com maior precisão as fases iniciais do El Niño. “O fenômeno geralmente começa como uma mudança sutil em relação ao que é considerado normal”, explica a agência. Por isso, a comparação com uma média histórica ajuda a evidenciar transformações que, à primeira vista, passariam despercebidas.
O El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais do Pacífico para Oeste, enfraquecem. Com isso, águas mais quentes se deslocam em direção à Costa Oeste da América do Sul, modificando a circulação atmosférica e alterando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Os efeitos costumam ser sentidos em diferentes continentes. Dependendo da intensidade do fenômeno, podem ocorrer ondas de calor mais severas, secas prolongadas, chuvas excessivas e tempestades mais intensas, com impactos sobre a agricultura, a disponibilidade de água, a geração de energia e a economia.
Pesquisadores também alertam que o aquecimento global pode influenciar a frequência e a intensidade desses eventos, ampliando seus efeitos e tornando os extremos climáticos ainda mais pronunciados.



