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Ações judiciais e juros elevados trava produção agrícola
Entre juros abusivos, safras frustradas e contas em atraso, produtores rurais enfrentam disputas judiciais para seguir com o trabalho no campo.

Antes mesmo do início da colheita, muitos produtores rurais brasileiros enfrentam uma das fases mais críticas do ciclo produtivo: a disputa judicial para manter a atividade em funcionamento. Endividados, impactados por frustrações climáticas recorrentes, elevação dos custos de produção e juros elevados, agricultores recorrem ao Judiciário para evitar a apreensão de máquinas, a perda de terras e o colapso das operações no campo.
O cenário se repete em diferentes regiões do país e tem como pano de fundo contratos de crédito rural com taxas acima dos limites legais, negativa de prorrogação de dívidas mesmo em casos de quebra de safra e ações rápidas de busca e apreensão por parte das instituições financeiras. O resultado é um ambiente de insegurança jurídica que paralisa propriedades inteiras justamente no momento mais sensível da produção.

Foto: Jonathan Campos
Além disso, produtores que aguardam decisões judiciais enfrentam uma verdadeira guerra de liminares, com decisões contraditórias em diferentes instâncias. Um caso recente no Paraná ilustra esse contexto. Um produtor que cultiva entre 4 mil e 5 mil hectares e vinha negociando, desde meados de 2025, a reestruturação de dívidas envolvendo 46 máquinas agrícolas foi surpreendido, em setembro, por uma ação de busca e apreensão. A dívida ultrapassa R$ 50 milhões.
As máquinas foram retiradas em pleno plantio do milho, comprometendo diretamente a continuidade da atividade. Segundo o advogado responsável pela defesa, Raphael Condado, o processo judicial se transformou em uma sucessão de reviravoltas. “Foi uma verdadeira guerra de liminares. Em poucos meses, houve apreensão, devolução, nova apreensão e, agora, uma nova ordem de devolução determinada pelo Tribunal”, relata.
Juros acima do limite legal
Além da discussão sobre o alongamento e a prorrogação do financiamento rural, o foco da disputa jurídica passou a ser a cobrança de juros considerados abusivos. A legislação do crédito rural reconhece essas operações como especiais, com taxas subsidiadas, geralmente entre 8% e 12% ao ano, e garante ao produtor o direito à prorrogação da dívida em situações de frustração de safra ou força maior.

Foto: Roberto Dziura Jr.
No caso em análise, o banco ligado à americana John Deere chegou a cobrar juros próximos de 20% ao ano, mais que o dobro do patamar previsto em lei. “Quando há cobrança acima do limite legal, a mora do produtor fica descaracterizada. Isso suspende efeitos como busca e apreensão, leilões de propriedades, cobranças e restrições de crédito, até que os valores corretos sejam apurados”, explica Condado.
Com base nesse entendimento, uma decisão de segunda instância determinou a suspensão da execução da dívida e a devolução das máquinas até o início de fevereiro de 2026, sob pena de multa.
Prejuízos e impacto estrutural
A disputa já gerou prejuízos relevantes para ambas as partes. Estima-se que mais de R$ 700 mil tenham sido gastos apenas com transporte e armazenamento dos equipamentos apreendidos, parte deles deslocados até o estado de Rondônia. Do lado do produtor, a situação financeira permanece delicada, agravada por perdas sucessivas de safra e pela falta de capital para renegociar nos termos exigidos pela instituição financeira.

Foto: Shutterstock
Embora a possibilidade de acordo exista, o cenário mudou após a decisão judicial mais recente. “Com essa decisão, o produtor ganha fôlego e segurança jurídica para discutir prazos e valores de forma mais equilibrada. Qualquer solução precisa respeitar a legislação do crédito rural e a realidade da produção”, afirma o advogado.
O caso expõe um problema estrutural que vai além de uma disputa individual. Em um país onde o agronegócio responde por parcela expressiva do PIB e sustenta a segurança alimentar, o avanço da judicialização revela o descompasso entre o sistema financeiro e a dinâmica do campo.
Para muitos agricultores, recorrer à Justiça deixou de ser exceção e passou a ser a única alternativa para seguir produzindo, ainda que isso signifique conviver com decisões conflitantes que paralisam a atividade e ampliam o endividamento. “Se o produtor não planta, o problema só cresce. A dívida vira uma bola de neve e ele perde totalmente a capacidade de continuar na atividade e de pagar compromissos que são naturais do campo”, ressalta Condado.

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Coamo supera R$ 28 bilhões em receita e amplia repasses ao quadro social
Cooperativa distribui sobras, devolve capital social e soma mais de R$ 823 milhões em benefícios aos cooperados.

A Coamo Agroindustrial Cooperativa registrou em 2025 receita global de R$ 28,7 bilhões, s sobra líquida atingiu o montante de R$ 2,019 bilhões. Deste valor, após a dedução dos fundos estatutários são distribuídos mais de R$ 716 milhões aos 32,7 mil cooperados com movimentação nas unidades da cooperativa em 76 municípios nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Os números foram aprovados pelos cooperados nesta quinta-feira, 05, em Assembleia Geral Ordinária realizada em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) e a distribuição da segunda parcela das sobras será nesta sexta-feira (06), como grande benefício ao quadro social.
A assembleia contou com a presença de cooperados, diretoria, conselheiros, representantes de empresas parceiras e funcionários. Também participaram o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, a superintendente do Sistema OCB/MS, Dalva Caramalac, o prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, e o presidente da Unimed/Campo Mourão, Antonio Carlos Cardoso.
Produtos
As sobras no valor de mais de R$ 716,3 milhões estão sendo distribuídas aos cooperados com base nas fixações de produtos agrícolas e no valor dos bens de fornecimento repassados durante o exercício, nos seguintes valores: soja (saca 60 Kg) R$ 3,50; milho (saca 60 Kg) R$ 1,30; trigo (saca 60 Kg) R$ 1,30; aveia (saca 60 Kg) R$ 0,95; café em coco (saca 40 Kg) R$ 2,67; café beneficiado (saca 60 Kg) R$ 8,00; bens de fornecimento (percentual sobre o fornecimento) 3,80%.
Mais de R$ 823 mi em Benefícios – Durante a Assembleia Geral Ordinária a diretoria apresentou os benefícios disponibilizados no exercício de 2025 aos cooperados da Coamo. “Além das sobras significativas distribuídas de R$ 716 milhões, devolvemos mais de R$ 26 milhões de capital social aos cooperados com 65 anos ou mais e que completaram 10 anos de permanência na Coamo e R$ 14,5 milhões em ICMS. E também mais R$ 66, 3 milhões do programa Fideliza em créditos para aquisição de insumos agrícolas, máquinas, peças e produtos veterinários. Com todo um grande trabalho e participação dos cooperados o montante dos benefícios somam mais de R$ 823 milhões”, comente o presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini.
De acordo com Gallassini, nos últimos anos, houve efeitos climáticos que tem sido decisivo na produtividade das lavouras implantadas, que somada à queda nos preços das commodities, tem impactado diretamente na rentabilidade dos cooperados. “A comercialização da soja e do milho foram afetadas pelo excesso de estoques mundiais e retração nas compras pela China. Além disso, a política de taxas sobre importação dos Estados Unidos contribuiu para a instabilidade do mercado”, comenta.
Indicadores
O Patrimônio Líquido alcançou R$ 13,376 bilhões, representando um crescimento de 11,5% em relação ao exercício anterior, e o Ativo Total atingiu o montante de R$ 22,415 bilhões. Os principais indicadores financeiros refletem a boa saúde econômico-financeira da cooperativa: liquidez corrente de 2,74; liquidez geral de 1,64; margem de garantia de 247,98% e o grau de endividamento de 40,33%. Além disso, foram gerados e recolhidos R$ 1,012 bilhão em impostos, taxas e contribuições.
Produção
O recebimento da safra ocorreu em 118 unidades e atingiu 9,617 milhões de toneladas de produtos, representando 2,7% da produção brasileira de grãos. A Coamo exportou 3,763 milhões de toneladas de commodities e produtos alimentícios, por meio dos portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), gerando um faturamento de US$ 1,469 bilhão.
Investimentos
Durante o exercício 2025 a Coamo realizou investimentos que somaram R$ 1,932 bilhão, com foco na expansão da capacidade produtiva e na modernização da infraestrutura. “Implantamos um novo entreposto em Campina da Lagoa (PR), ampliando a presença da cooperativa e no estado do Mato Grosso do Sul, iniciamos a construção de três Postos de Recebimento de Produtos, em Amambai, de Itahum em Dourados e uma nova unidade em Sidrolândia, reforçando a estratégia de expansão geográfica e de atendimento regional. E também, promovemos melhorias e ampliações nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS), com o objetivo de aumento da capacidade operacional e elevar os padrões de qualidade dos produtos”, informa Airton Galinari, presidente Executivo da Coamo.
Indústrias
Avanços importantes foram registrados com a expansão das unidades fabris e das áreas de apoio, contribuindo para a verticalização da produção e o fortalecimento da competitividade. “Um marco relevante foi o início da implantação da Indústria de etanol de milho em Campo Mourão (PR) e de biodiesel em Paranaguá (PR), iniciativas que representa um passo estratégico na diversificação da matriz produtiva e energética”, destaca Galinari.
Gallassini lembra também, que a Coamo tem investido em indústrias, sendo as mais recentes a de etanol de milho e biodiesel. O projeto do novo porto da Coamo, em Itapoá (SC), encontra-se na fase de obtenção das licenças necessárias, com previsão de início das obras em janeiro de 2027.
“Essas iniciativas fortalecem a cadeia produtiva, diversificam as fontes de receita e promovem o desenvolvimento, gerando benefícios diretos aos cooperados. Mediante a sólida política adotada pela Coamo, principalmente no que se refere à capitalização constante e na manutenção da solidez financeira, os desafios enfrentados ao longo do exercício foram superados.”
Resultados
Gallassini destaca que os resultados alcançados refletem o trabalho conjunto dos cooperados, dos conselhos de Administração e Fiscal e da diretoria Executiva, cuja atuação contribui para o desenvolvimento contínuo da cooperativa. O presidente também reconhece o empenho dos funcionários, essencial para a execução das atividades e o alcance dos objetivos. “Agradecemos, ainda, a confiança e a parceria de nossos clientes, fornecedores, consumidores, instituições financeiras e demais entidades que, ao acreditarem em nossa missão, fortaleceram nossa trajetória e ampliaram nosso impacto. A todos que, de forma direta ou indireta, contribuíram para mais um ciclo de realizações, reiteramos nosso muito obrigado e o compromisso de seguirmos juntos, construindo um futuro ainda mais promissor.”
Cooperados e funcionários
A Coamo encerrou o ano de 2025 com um total de 32.736 cooperados. Um quadro de 10.521 funcionários efetivos, dos quais 1.594 foram promovidos para novos cargos, refletindo o reconhecimento ao desempenho e à dedicação desses profissionais. Além disso, foi mantida uma média mensal de 1.568 funcionários temporários e terceirizados. Foram realizadas 3.776 ações de desenvolvimento, que somaram 66.953 participações. Cerca de 90,0% dos funcionários participaram de pelo menos uma ação de aprendizagem, demonstrando forte engajamento com a cultura de aprimoramento contínuo.
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Governo gaúcho realiza pré-lançamento da Expointer 2026 durante feira no Uruguai
Ação amplia visibilidade internacional da evento, fortalece parcerias no Cone Sul e agenda de inovação no agronegócio.

Uma comitiva do Rio Grande do Sul participa, até esta sexta-feira (06), do Agro em Punta 2026, realizado em Punta del Este, no Uruguai. Reconhecido como uma das principais feiras de agronegócio e inovação do país vizinho, o evento reúne lideranças públicas e privadas do setor produtivo do Cone Sul e se consolida como espaço estratégico de articulação regional.
Durante a programação, o governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), promoveu, nesta quinta-feira (05), o pré-lançamento da 49ª Expointer, iniciativa que amplia a visibilidade internacional da maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina e fortalece sua projeção no Mercosul.
Além do pré-lançamento, representantes da Seapi participam de dois painéis temáticos, que abordam a relevância do agronegócio para a economia do Rio Grande do Sul e as ações de impacto desenvolvidas pelo setor no Estado. A programação também conta com a participação da secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), Simone Stülp, reforçando o alinhamento entre produção, tecnologia e desenvolvimento.
O secretário da Agricultura, Edivilson Brum, destacou o papel do Agro em Punta como vitrine internacional do setor. “A feira simboliza a força do agro no Cone Sul. O Rio Grande do Sul tem no agronegócio uma de suas principais potências econômicas e sociais. O setor gera emprego, renda e desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, a presença gaúcha no evento tem como foco o fortalecimento de parcerias e a troca de experiências. “Buscamos manter o agro gaúcho competitivo, inovador e cada vez mais reconhecido”, acrescentou.
A diretora cofundadora do Agro em Punta, Alejandra Pérez Trápani, ressaltou a proximidade entre os eventos do Uruguai e do Rio Grande do Sul, ambos realizados a céu aberto, e destacou a importância da integração regional. Para ela, essa cooperação se transforma em vantagem competitiva quando se traduz em uma agenda concreta voltada à produção, ao comércio, à inovação e às políticas públicas. Alejandra também destacou que a atuação conjunta pode acelerar resultados e contribuir para o fortalecimento da preservação do Bioma Pampa.
Expointer além da fronteira
Ao levar o pré-lançamento da Expointer para fora do Estado, o governo gaúcho busca ampliar o alcance da feira, atraindo novos expositores, investidores e oportunidades de negócios. A iniciativa fortalece o crescimento do evento e amplia sua inserção internacional, especialmente no contexto do Mercosul.
Nesta sexta-feira (06), Edivilson Brum apresenta o painel “A relevância do agro na economia do Rio Grande do Sul”, com o objetivo de reforçar o posicionamento do Estado como polo estratégico para o desenvolvimento agroindustrial e tecnológico no Cone Sul.
O diretor-geral da Seapi e gerente executivo da 49ª Expointer, Joel Maraschin, destacou que, no primeiro dia do evento, o estande do governo do Estado recebeu a presidente em exercício do Uruguai, Carolina Cosse, que foi oficialmente convidada para a próxima edição da feira. “O Uruguai é um parceiro estratégico da Expointer e um importante aliado comercial do agronegócio gaúcho”, enfatizou.
Maraschin também apresentou, nesta quinta-feira (05), o painel “Ações de impacto no Rio Grande do Sul”, no qual detalhou iniciativas desenvolvidas pelo setor agropecuário no Estado. A Expointer 2026 será realizada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, entre os dias 29 de agosto e 6 de setembro de 2026.
Impacto econômico e dimensão da feira
Na edição de 2025, a Expointer movimentou R$ 4,4 bilhões em negócios, recebeu mais de um milhão de visitantes e registrou crescimento de 52% no público em relação a 2024. O evento também foi responsável pela geração de cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos.
Ao todo, participaram 2.500 expositores e foram apresentados 6.696 animais, de diferentes espécies e raças. A programação evidenciou avanços em genética animal, com destaque para gado de corte, gado leiteiro e ovinos, além de provas e leilões de raças nobres de cavalos.
Entre os principais atrativos da feira, estiveram o Pavilhão da Agricultura Familiar e mais de 30 hectares destinados à exposição de máquinas, tecnologias e inovações agrícolas, reforçando o papel da Expointer como vitrine do agronegócio brasileiro e plataforma de integração internacional.
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Ranking do VBP mostra concentração da força agropecuária em municípios paranaenses
Levantamento mostra que cidades líderes em geração de riqueza rural também enfrentam maior demanda por crédito, gestão financeira e segurança jurídica.

O desempenho do agronegócio paranaense reflete não apenas a capacidade produtiva do setor, mas também o nível de organização, acesso ao crédito e planejamento estratégico dos produtores rurais. O ranking dos municípios que mais geram Valor Bruto da Produção (VBP) no Estado evidencia essa realidade ao reunir cidades que movimentam bilhões de reais na atividade agropecuária.

Entre os principais destaques estão Toledo, que lidera o ranking com R$ 4,72 bilhões e participação de 2,51% no VBP estadual, seguida por Cascavel, com R$ 3,63 bilhões (1,93%), e Castro, com R$ 3,62 bilhões (1,92%). Também figuram entre os dez primeiros colocados Santa Helena, Guarapuava, Carambeí, Marechal Cândido Rondon, Dois Vizinhos, Assis Chateaubriand e São Miguel do Iguaçu, todos com resultados bilionários na geração de riqueza agropecuária.
Além de demonstrar a força produtiva regional, o ranking também evidencia desafios que acompanham o crescimento do setor. Municípios com maior geração de valor tendem a concentrar volume elevado de crédito rural, maior número de contratos bancários e maior exposição a oscilações de juros, além de intensificação da fiscalização sobre as atividades produtivas.
Esse cenário amplia o risco financeiro e jurídico para os produtores rurais, especialmente quando não há estrutura adequada de gestão. Especialistas apontam que, diante da expansão da atividade agropecuária, torna-se cada vez mais necessária a adoção de práticas voltadas à gestão de dívidas, planejamento jurídico, estruturação estratégica de crédito e proteção patrimonial.
Nesse contexto, o fortalecimento do agronegócio não está relacionado apenas ao aumento da produção, mas também à capacidade de sustentar o crescimento de forma estruturada e segura, garantindo a continuidade das propriedades rurais e a estabilidade econômica dos produtores.



