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Bovinos / Grãos / Máquinas Alternativas Nutricionais

Ações funcionais de aditivos ampliam desempenho zootécnico e bem-estar animal de ruminantes

Não existe milagre, a tarefa é ligar a necessidade do animal frente aos desafios do campo

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Jane Cristina Gonçalves, zootecnista e gerente Técnica da Linha VLN Feed no Grupo Vetline

Na pecuária de leite e de corte é cada vez mais comum a busca por ingredientes alternativos ou mesmo aditivos tecnológicos ou zootécnicos que ajudem o animal em sua produção. É preciso fornecer uma dieta rica nutricionalmente, com boa qualidade de ingredientes e de alta digestibilidade, além de condições adequadas de criação e um ambiente favorável, para que o animal possa expressar o máximo de seu potencial genético, com adequada preservação corporal, gerando bons produtos para consumo humano.

A criação de gado de corte tem avançado para confinamentos cada vez mais especializados para que o ganho de peso diário seja maior e o rendimento de carcaça seja melhor, dentro de um menor tempo de confinamento. Já em gado leiteiro busca-se produzir um leite de maior qualidade, com quantidade de sólidos maior e baixa contaminação, isto tudo tentando manter o rebanho saudável, com maior persistência leiteira e maior longevidade.

O desafio é bem grande e para este contamos com inúmeras tecnologias alimentares, muitas vezes bastante exploradas para os animais monogástricos de criações mais intensivas e que hoje estão sendo aplicadas a dieta de ruminantes de modo a trazer bastante efetividade.

Produtos como aditivos anti-micotoxinas, resíduos de cervejaria ou cana-de-açúcar, probióticos, prebióticos, aminoácidos protegidos, minerais quelatados, óleos essenciais, são exemplos de ingredientes ou misturas diferenciadas que adicionadas a dieta permitem ao animal melhor aproveitamento, mesmo para a diminuição das contaminações ou por serem produtos de maior digestibilidade, de maior absorção ou por terem ações bem focadas que melhoram o metabolismo do animal.

Entrando mais no detalhe para certos aditivos, os minerais quelatados são grandes aliados dos produtores que querem trazer a dieta para um lado de maior absorção e de uma nutrição de maior precisão, corrigindo algumas vezes pequenas falhas da dieta que podem geram deficiências em metabolismo e/ou fisiologia do animal, que ocasionam danos na manutenção do animal e consequentemente a falha em produtividade. São produtos que se diferenciam grandemente dos minerais inorgânicos quanto a biodisponibilidade. Geralmente ligados a peptídeos ou aminoácidos, sendo o cobre, manganês, zinco-quelatos, dentre outros.

O Cobre (Cu) é essencial para funcionamento do sistema nervoso central, reprodução, crescimento, formação de ossos, desenvolvimento do tecido conectivo e pigmentação da pele, supera o Zinco (Zn) em número de enzimas ativadas. O Zn apresenta funções importantes no organismo, tais como fixação do cálcio sob a forma de carbonato de cálcio nos ossos e ativação dos sistemas enzimáticos, bem como metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos. Agentes quelantes, como o fitato, podem interagir com o zinco e afetar negativamente a sua biodisponibilidade, enquanto que aminoácidos como a histidina e cisteína podem agir como facilitadores na absorção. O Manganês (Mn) é essencial para o desenvolvimento normal dos ossos, manutenção do funcionamento do processo reprodutivo em machos e fêmeas e responsável pela ativação de várias enzimas.

O efeito do uso de leveduras vivas em dietas para ruminantes que recebem dieta com alto percentual de concentrado é uma alternativa interessante para prevenir acidose, pois elas contribuem com o reequilíbrio do ambiente ruminal por terem elevada capacidade de consumir oxigênio, proporcionando um ambiente favorável para os outros microrganismos (bactérias celulolíticas, por exemplo) recolonizarem e realizarem a degradação de açúcares e amido livre, e com isto as bactérias produtoras de ácido lático (que contribuía para a queda do pH) diminui drasticamente. O uso de culturas de leveduras na alimentação de bovinos torna-se interessante à medida que melhora a eficiência alimentar favorecendo a produtividade do animal, seja de leite ou carne.

Ainda falando de ingredientes alternativos, o uso de levedura autolisada e/ou parede celular de levedura em dietas de ruminantes é uma excelente estratégia como de glucomananas, sendo que um dos direcionamentos dos estudos está relacionado à eficácia destes nutrientes como potencial adsorvente de micotoxinas. O mecanismo proposto é a quelação da toxina e sua eliminação no trato gastrointestinal. Sendo assim, o uso destes ingredientes, associados ou não a aluminossilicatos que também tem excelente ação em micotoxinas, especialmente a aflatoxina é uma estratégia bem eficaz para se adsorver estes tóxicos maléficos ao metabolismo e saúde do animal.

Estudos que detalham apenas a ação dos mananoligossacarídeos (MOS), prebióticos derivados especialmente da parede celular de levedura, mostram o efeito benéfico deste na modulação da flora nativa do animal. Estes carboidratos não digestíveis são capazes de bloquear a aderência dos patógenos, evitando a colonização destes no intestino do animal, além de estimular a imunidade sistêmica, uma vez que ocupam sítio de ligação de manose do macrófago.

Buscando avaliar ingredientes mais elaborados, como por exemplo beta-glucanos purificados, que são isolados da parede celular de levedura, estudos diversos mostram serem capazes de ativar e estimular a resistência imunológica em muitas espécies animais, sendo que seus efeitos são melhora em imunidades inespecífica e específica, a redução no risco de doenças por infecções oportunistas, a redução na mortalidade por infecções patogênicas, a melhora na resistência a parasitas, o aumento na eficácia das vacinas e dos antibióticos (efeito sinérgico) e também, agem em conjunto com outros nutrientes como microminerais e certas vitaminas.

Produtividade e bem-estar animal

Diante de muitos estudos vinculados com estas novas tecnologias é possível compreender que há excelentes ingredientes alternativos que são extremamente eficazes em auxiliar o metabolismo do animal com foco em melhoria de produtividade e bem-estar animal, no entanto, algumas vezes, o que limita o uso de certos ingredientes é a baixa inclusão, dificultando a inclusão direta na ração na propriedade, pois nem sempre os equipamentos de mistura têm a eficiência adequada que permite a dispersão em toda a dieta.

Em alerta para esta dificuldade dos produtores, os fornecedores de premixes e/ou rações prontas estão em constante evolução, aprimorando seus produtos finais, e apresentando ao mercado misturas de tecnologias funcionais que são incluídas nas dietas finais, diretamente no vagão de mistura ou mesmo nos comedouros, e talvez aqui seja o grande desafio deste segmento, juntar as eficácias de cada uma das matérias-primas em um produto acabado único com boa inclusão, que tenha sinergia e apresente efeito visível no animal e em sua produção.

Para tanto, não existe milagre, a tarefa é ligar a necessidade do animal frente aos desafios do campo, seja por sazonalidade de clima, custo e qualidade de matéria-prima presentes na propriedade, problemas de instalações e/ou manejo, com os ingredientes alternativos eficazes que adicionados à dieta total vão corrigir as deficiências, que podem ser grandes ou pequenas, mas que o produtor consiga visualizar um custo-benefício importante para seu plantel e seu resultado final.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Impactos ambientais

Ações de baixo custo podem reduzir emissão de metano na pecuária

Diversas iniciativas com vistas à sustentabilidade ambiental do setor pecuário são desenvolvidas ao redor do mundo. Entre elas está a parceria de Avaliação e Desempenho Ambiental na Pecuária (LEAP), uma iniciativa multissetorial que busca desenvolver métodos e métricas harmonizados para avaliar os impactos ambientais das cadeias de abastecimento de gado.

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Diversas iniciativas com vistas à sustentabilidade ambiental do setor pecuário são desenvolvidas ao redor do mundo. Entre elas está a parceria de Avaliação e Desempenho Ambiental na Pecuária (LEAP), uma iniciativa multissetorial que busca desenvolver métodos e métricas harmonizados para avaliar os impactos ambientais das cadeias de abastecimento de gado, garantindo a viabilidade econômica e social da atividade.

Diretor de Política Pecuária da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), Aimable Uwizeye: “Cortar as emissões de metano pode potencializar a redução do aquecimento global, mas é preciso que a humanidade esteja comprometida com isso, não apenas o setor da pecuária”

Esse programa é liderado pelo diretor de Política Pecuária da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Aimable Uwizeye. “É um programa de suporte às políticas sustentáveis baseado na ciência, em ações climáticas e na transformação sustentável da pecuária. Foi lançado em 2012 pela FAO em Roma, na Itália, e sua participação é aberta e voluntária à sociedade civil organizada, setores privados e públicos”, disse Uwizeye durante sua participação no Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido no mês de maio pela JBS, em parceria com a SilvaTeam, em São Paulo, SP. No evento ele palestrou sobre as novas diretrizes de emissão de metano.

O diretor da FAO diz que a maioria das intervenções para aumentar a produtividade animal pode resultar em redução direta de emissões (fermentação entérica e sistemas de manejo de esterco), com ações de mitigação de baixo custo.

Para isso, orienta o setor a formular incentivos adequados para a adoção de tecnologia, transferência de conhecimento para os agricultores, implementação de políticas e programas de apoio para superar as barreiras de mercado, tanto regulatórias como institucionais. “É importante apoiar investimentos no setor pecuário, dar suporte à inovação para desenvolver aditivos alimentares promissores (3-NOP ou algas marinhas) e reduzir outras externalidades”, afirma.

LEAP

Entre os objetivos que norteiam as ações de trabalho do LEAP estão a construção de um consenso sobre o desempenho ambiental de cadeias de suprimentos para bovinos, suporte ao benchmarking e medidas políticas baseadas em evidências e estratégias de negócios.

Outra iniciativa que visa mensurar as emissões de metano (CH4) global no setor pecuário é o projeto Metano TAG, criado em fevereiro de 2021. Conduzido por Ermias Kebreab, Michelle Cain e Jun Murase, os estudos são guiados por 59 especialistas internacionais, que representam 23 países do globo. “As atividades conduzidas pelo projeto Metano TAG têm como objetivo aprimorar as avaliações de emissões de gases de efeito estufa, fazer análise de cenários de mitigação e comparações entre setores, que incluem pesquisas sobre animais, ciências do solo, avaliação do ciclo de vida, ciência ambiental, ciência do clima e métricas de emissões”, menciona Uwizeye.

Agropecuária representa mais de 40% das emissões globais de CH4

A agropecuária representa mais de 40% de todas as fontes antropogênicas de emissões globais de CH4, originadas principalmente pela fermentação entérica (arroto das vacas), cultivo de arroz e depósito de estrume no pasto. Apesar da sua curta vida útil, permanece no ar pouco mais de dez anos, o metano é 86 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono em 20 anos na atmosfera e 28 vezes mais potente em um século.

Como se trata de um gás de curta duração na atmosfera, evitar que seja emitido pode contribuir para limitar o aumento da temperatura do planeta em curto prazo. “Cortar as emissões de metano pode potencializar a redução do aquecimento global, mas é preciso que a humanidade esteja comprometida com isso, não apenas o setor da pecuária”, ressalta o diretor da FAO.

Relatório sobre CH4

Em janeiro deste ano, a comissão do LEAP e do Metano TAG apresentaram um relatório preliminar sobre as emissões de CH4, em que foram compilados as fontes e afundamentos de metano na agricultura, métricas para estimar e quantificar as emissões de metano, além de ações de mitigação e estudos de casos.

De acordo com Uwizeye, o estudo foi revisado em março por 11 especialistas e em maio o relatório preliminar passou por uma revisão pública. Agora a comissão do Metano TAG realiza a última revisão da coletânea, para em julho ser publicada.

Estudos no Uruguai e na Argentina

A FAO, em colaboração com outros centros de pesquisas, conduziu alguns estudos de casos sobre o sistema de produção de carne bovina no Uruguai e na Argentina. “Com o projeto de coalizão do clima e do ar limpo espera-se reduzir o metano entérico para melhorar a segurança alimentar e a subsistência”, frisa Uwizeye.

A pecuária de corte do país uruguaio emite 35,4 milhões de toneladas de CO2-eq por ano. Das principais fontes de emissões, 61,5% é oriundo da fermentação entérica, 33,7% do esterco depositado no pasto e 3,2% da alimentação.

A fim de diminuir a quantidade de metano lançada no ar pela atividade, o Uruguai está desenvolvendo um estudo de baixas emissões no gado para produção de carne, estimando as emissões de GEE por sistema de produção: bezerros e por ciclo completo, intensidade média de emissão por quilo de peso vivo por sistema de produção, potencial de redução do metano entérico, entre outros fatores. “Estão fazendo a suplementação com legumes, o que é muito importante para reduzir as emissões de metano na pecuária e também estão procurando entender como mitigar essa quantidade de emissões para reduzi-la”, expõe.

Por outro lado, pelas dimensões do país argentino as emissões de CH4 são maiores que do Uruguai, com destaque para a fermentação entérica, que representa 62,2%, e o estrume dos animais 34,5% do total de emissões de GEE na produção de carne bovina. “Na Argentina é importante adotar medidas de baixa emissão, com suplementação estratégica de novilhos e reprodutores, definição da melhor época para acasalamento, redução de doenças reprodutivas, uso de 50% de silagem de sorgo e 50% de aveia para forragem, entre outras ações. Essas medidas adotadas de forma eficiente vão trazer um caminho para alcançar a neutralidade climática”, relata Uwizeye.

Ações apoiadas pela FAO

Conforme Uwizeye, a FAO oferece apoio para integração de metas de mitigação e adaptação relacionadas à pecuária em ações e políticas climáticas, desenvolvimento de ferramentas analíticas e abordagens para avaliar o impacto das reduções de metano da pecuária, desenvolvimento de ciência e política baseada em evidências e estratégias, além de capacitação, investimentos e financiamentos climáticos.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Artigo

O negacionismo contra o agro tecnológico

Cada tonelada de grão, ou carne, ou celulose e algodão, frutas ou o que for, oriundo do agro e exportado pelo país, contém tanta tecnologia nela embutida quanto um bem manufaturado.

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Professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do Conselho Científico Agro Sustentável, Xico Graziano - Foto: Divulgação

Há duas espécies de negacionistas que desmerecem a moderna agropecuária no Brasil. Uma é formada por economistas ortodoxos. Outra pela esquerda caviar. Ambas ofendem a evolução tecnológica. Nesse artigo, vou tratar dos primeiros. Depois, falo dos ideólogos do atraso.

Certos economistas do século passado, ligados ao pensamento tradicional, teimam em analisar o agronegócio como se a agricultura ainda funcionasse isolada na economia. Chamam-na de “setor primário”. Baseados no problema chamado de “doença holandesa”, criticam a “comoditização” da economia brasileira. Dizem que levará ao atraso do país.

Conforme relatada na literatura econômica, a doença holandesa é definida como a valorização permanente da taxa de câmbio de um país, devido à existência de vantagens comparativas naturais que favorecem suas exportações primárias.

Chama-se “holandesa” por ter sido analisada, inicialmente, na economia dos Países Baixos, onde a descoberta e exportação de gás natural no Mar do Norte apreciou o câmbio e prejudicou a indústria manufatureira do país. Isso ocorreu nos anos 1960.

O tempo passou, entramos na era tecnológica. Em pleno século 21, porém, os economistas ortodoxos ainda utilizam a teoria das vantagens comparativas– idealizada por David Ricardo em 1817– para condenar a exportação considerada “primária”.

Onde está o equívoco? No fato de que a competitividade agrícola do Brasil, frente ao mundo, não depende mais de “vantagens naturais”, mas sim de fortíssimos investimentos realizados no processo tecnológico de produção do agro.

Estudos referenciados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Ministério da Agricultura e Embrapa, elaborados por especialistas como José G. Gasquez, José Eustáquio R. Vieira e Eliseu Alves, mostram que a tecnologia passou, há 40 anos, a ser a variável básica para explicar, em 60%, o crescimento da produção rural no Brasil; o fator terra caiu para 20%, idem o fator trabalho.

Quer dizer, resumindo a história: cada tonelada de grão, ou carne, ou celulose e algodão, frutas ou o que for, oriundo do agro e exportado pelo país, contém tanta tecnologia nela embutida quanto um bem manufaturado. Ou muitas vezes mais.

Todo um pacote tecnológico elevou fortemente a produtividade da agropecuária: variedades de plantas geneticamente adaptadas aos trópicos, raças e cruzamentos de animais precoces e super produtivos, controle fitossanitário rigoroso, correção e fertilização do solo, maquinários controlados por GPS e gestão sustentável. A média de crescimento da PTF (Produtividade Total dos Fatores) foi de 3,8% a.a nos últimos 20 anos.

Conclusão: é grave erro, conceitual e metodológico, tratar os produtos da exportação do atual agronegócio como os daquela época do modelo exportador de açúcar colonial ou do café latifundiário.

Se a indústria ficou para trás, o problema nada tem a ver com as exportações agrícolas, mas com sua incapacidade de inovação tecnológica. Preferiu depender de benefícios públicos para manter competitividade. E perdeu.

O agro, pressionado pelos acordos de livre comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio) desde a rodada Doha, conseguiu alterar a política agrícola, a partir da estabilidade trazida pelo Plano Real, e correu atrás da produtividade, contando com a ajuda das incríveis “Embrapas” da vida.

Nos complexos produtivos atuais, onde se mescla o campo com a cidade, pode-se até dizer que a equação histórica do desenvolvimento se inverteu: é o dinamismo do agro, impulsionado pelas exportações, que puxa importantes setores secundários e terciários da economia.

A realidade está aí para comprovar: o agronegócio se tornou o melhor negócio do país.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Xico Graziano, professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do Conselho Científico Agro Sustentável
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Taninos e saponinas na ração podem reduzir a emissão de metano dos bovinos

Testes realizados em vacas leiteiras confirmaram que taninos e saponinas têm efeito positivo, com influência sobre bem-estar ruminal, redução de protozoários e redução de CH4.

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Arquivo/OP Rural

O metano entérico (CH4) influencia a pegada climática da produção de leite entre 44% a 50%. É o que afirmou o professor da Universidade de Bologna, Itália, Andrea Formigoni, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido pela JBS, em parceria com a SilvaTeam, em São Paulo (SP). No evento, Formigoni palestrou sobre as emissões de metano em vacas leiteiras.

Professor da Universidade de Bologna, na Itália, Andrea Formigoni: “Seleção de vacas mais eficientes tem um potencial significativo de mitigação de CH4” – Foto: Reprodução

Segundo ele, a intensidade na redução do metano no rebanho é a chave para as vacas serem mais eficientes em produtividade (por quilo de leite). “A seleção de vacas mais eficientes tem um potencial significativo de mitigação de CH4, considerando a possibilidade de reduzir o número de animais por rebanho”, ressalta Formigoni.

Um estudo que compara a emissão de metano ao reduzir a idade do primeiro parto com a frequência de descarte, o número de substituições necessárias e as emissões de metano entérico por unidade de ECM no rebanho inteiro evidencia que uma vaca com gestação de 22 semanas emite 19,6% de metano entérico, enquanto que com 28 semanas aumenta para 33,2%. “Isso mostra que podemos mudar o nosso sistema de produção para controlar melhor a eficiência de cada animal, reduzindo assim a quantidade de metano produzida”, frisa.

Estudo

Em relação à evolução da produção leiteira em uma fazenda italiana, Formigoni expõe que em um rebanho com 85 vacas da raça Friesian, cada animal produzia em 2010 cerca de 9,1 toneladas de leite ao ano, com concentração de 3,7% de gordura e 3,3% de proteína. Cinco anos depois, com um rebanho de 95 vacas, a produção unitária passou para 9,5 toneladas/ano, com 3,6% de gordura e 3,2% de proteínas. Já em 2021, um rebanho com 118 animais produziu por cabeça 10,71 toneladas/ano da bebida láctea, contendo 3,8% de gordura e 3,3% de proteína. “Entre os 50 principais rebanhos de Friesian na Itália, a produção leiteira alcança uma média de 20 toneladas/vaca/ano”, mencionou o professor de Bologna, ampliando: “Para garantir cada vez mais eficiência é preciso fazer a seleção dos animais com uma abordagem genômica, além de oferecer controle de fatores de estresse, manejo de precisão e bem-estar animal”, pontua.

Taninos e saponinas 

Para testar a adição na ração de uma mistura de taninos e saponinas em vacas leiteiras de alta produção, alimentadas com uma dieta à base de feno seco picado, foram acrescentadas duas fontes lipídicas de origens diferentes: megagordura (saturada) e gordura integral de soja (insaturada). “O grau de instauração dos lipídios pode influenciar na produção ruminal de metano”, destacou o palestrante italiano.

Conforme Formigoni, os taninos são polifenóis naturais de plantas utilizados também na criação de ruminantes como promotores de crescimento e saúde, com alta capacidade antioxidante. “A edição de taninos tem efeitos positivos nas proteínas de passagem e na modulação da fermentação ruminal, com consequências positivas na qualidade do leite e na emissão de metano”, menciona.

As saponinas são consideradas substâncias naturais para mitigar as emissões de metano em ruminantes, como gado, cabras e ovelhas.

Para o experimento, foram separadas oito vacas leiteiras que, durante 21 dias, receberam uma dieta balanceada com quatro rações diferentes, em que foram analisadas ingestão diária de DMI e água, peso corporal, tempo de ruminação e pH reticular, líquido ruminal, fezes e urina, rendimento e composição do leite, propriedades de fabricação de queijo e medição das emissões de CH4 usando o equipamento Laser Methane Mini oito vezes a cada 06 horas.

“Não foi encontrado nenhum efeito negativo na ingestão de matéria seca, de taninos ou de gordura na produção de leite, ou de ácidos graxos na composição do leite, bem como o efeito foi positivo de taninos no pH ruminal e na produção de AGV. E dentro do rúmen, o efeito também foi positivo de taninos no número de protozoários, que apresentou a menor produção de metano, e na temperatura corporal”, elencou Formigoni, ampliando: “Os resultados nas propriedades de fabricação de queijo também foram satisfatórios, comprovando que o uso de taninos na dieta é seguro para a produção de queijo”.

Descobertas sobre a emissão de metano

Após o experimento, o docente da Universidade de Bologna constatou que a emissão de CH4 registrada no teste foi relativamente baixa em comparação com a previsão teórica média (<13g/kg/CMS vs 19g/kg/CMS). “A ração à base de feno pode ser um motivo para a baixa emissão de metano”, supõe Formigoni.

O professor evidencia ainda que não foram detectadas diferenças entre os tratamentos de ração ofertada. Também constatou que usando a análise de Cluster as vacas são divididas de acordo com o CH4 diário, com isso as emissões de metano foram reduzidas a 260 gramas/dia, e três das oito vacas que participaram do teste apresentaram emissores de metano de 258 g/dia, não houve efeito negativo de taninos e/ou fonte de gordura, porém, cinco vacas emitiram 314 g/d de CH4.

Em outro estudo com taninos, comprovou-se o que pesquisas científicas já haviam demonstrado anteriormente, que os polifenóis de origem vegetal reduziram a emissão de metano em altos emissores (gorduras saturadas e insaturadas) em 30 g/d.

Formigoni conclui que as medições de CH4 em condições de campo ainda são um desafio e que no futuro será muito importante produzir mais dados de experimentos para ter uma previsão ainda melhor dos benefícios dos taninos. “Apesar de termos diferentes equações de emissão teórica, são necessários mais ensaios com diferentes tipos de ração, contudo, os testes realizados confirmaram que taninos e saponinas têm efeito positivo, com influência sobre bem-estar ruminal, redução de protozoários e redução de CH4”, enfatiza.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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